quarta-feira, 9 de abril de 2008

Balzac

"Longe do centro, onde brilham os grandes espíritos, onde a atmosfera é impregnada de idéias e onde tudo se renova, a instrução envelhece e o gosto se corrompe como águas paradas. Por falta de acontecimentos e atividade intelectual, as coisas pequenas tornam-se grandes. Essa é a razão pela qual a pobreza de espírito e a fofoca dominam as cidades do interior. Em pouco tempo, a estreiteza das idéias e a mesquinharia prevalecem na pessoa mais distinta."

Ilusões Perdidas





segunda-feira, 7 de abril de 2008

Vasectomia

A Agência Nacional de Saúde acaba de editar um novo rol de procedimentos em saúde. Os erros são os mesmos de sempre: pouca sensibilidade com as reais necessidades dos clientes, estímulo para aplicação de altas tecnologias de altíssimo custo mas sem determinar exatamente quem paga a conta, excesso de arbitrariedade na condução do processo.

Quem ficou satisfeito??? Da reunião promovida pela ANS para finalizar a edição da resolução normativa, vi reclamações das Sociedades de Especialidades que se sentiram pouco ouvidas em suas necessidades, da representante do Procon, que via limitação no novo rol e das operadoras de planos saúde que procuraram exaustivamente, mas não encontraram qualquer explicação sobre como seriam absorvidos os impactos financeiros dos incrementos de cobertura.

É certo que o rol precisava ser atualizado, mas empurrar para a saúde suplementar, a política de controle da natalidade no país foi de uma falta de critério tamanha. O Governo está fugindo de suas responsabilidades primárias, das obrigações básicas com a população.

Embora o número de procedimentos tenha diminuido em relação ao rol anterior, é certo que as novas coberturas trarão um impacto significativo para as operadoras. Isso porque foram incluidas incorporações de tecnologia de altíssimo custo, e as exclusões foram apenas de procedimentos obsoletos que já caíram no desuso.
Atendimento por profissionais não médicos tais como nutricionistas e psicólogos foi incluido na cobertura, mas com limitações que não explicitam nenhum protocolo de tratamento padrão. Esse atendimento de forma limitada e isolada, não incluido num programa de prevenção e tratamento, pouco acrescenta para o cliente.
Na sua conturbada missão de coordenar a saúde suplementar, a agência parece dar mais um passo em falso. Quem sobreviverá?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Meu coração só pede o seu amor

Fui ver Izabel Padovani no CCBB. Ainda estou extasiado com o que vi.

Sempre saio do trabalho na dúvida. O caminho de casa e descanso é altamente convidativo e já me carregou várias vezes. Dessa vez fiquei. Esperava um CCBB lotado, mas só tinham uns dez comigo.

Fui só. Tinha comprado dois ingressos com esperança de encontrar alguma maluca que gostasse de música como eu, mas essa maluca nunca me aparece. As mulheres que eu conheço têm um tropismo exagerado pelo que a mídia expõe desordenadamente sem um mínimo de bom gosto.

Pois bem. A moça canta muito! Eu já sabia desde que ouvi Desassossego há uns dois anos, mas só agora tive certeza. Se Fátima Guedes ouvisse a sua Flor de ir embora, se Rita Lee ouvisse sua Atlântida, etc, etc, iriam chorar ajoelhadas pelas reconstruções perfeitas.
Izabel é paulista e até 2005 só era conhecida na Áustria onde morava. Ganhou o Prêmio Visa de voz (um dos poucos prêmios sérios que têm por aqui) e está no Brasil desde então, mas cá prá nós: quem é que já ouviu falar na moça? Se quiser saber mais, clique aqui.

É quase meia noite, chove em Niterói, mas a noite nem está tão fria. Retorno a esse pretenso texto ainda inebriado pela voz, pelo baixo e piano belíssimos do Izabel Padovani Trio.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sobre Roderer

Terminei de ler Guillermo Martinez, Sobre Roderer. Custou um pouco a leitura, embora seja um livro curto. É que ele vai e volta entre um pouco chato e um pouco interessante e acabei perdendo um pouco o fio da meada. No final, achei muito bom.

Considerações interessantíssimas sobre a inteligência. No livro, o personagem central se perde pensando em quantas jogadas Roderer estava à frente dele no xadrez. De deixar deprimido.
Tenho andado meio intolerante com o óbvio ululante não compreendido. Você já deu um milhão de voltas no assunto e o cara fica lá, convicto de que aquela base superada é o mais correto dos postulados. Perde-se muito tempo.

Também há considerações muito boas sobre a adolescência. Sem piedades, o autor disseca, com crueza, essa fase da vida, das coisas que são perdoadas em nome da pureza da alma.
Sobre Roderer é depressivo, instigante, provocador. Experimente.
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O melhor da TV atualmente, além naturalmente dos jogos do Fluminense, é Capadócia. Mais um acerto da HBO.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Banbino

Na fria noite
A luz da vela
É o Sol da Taberna

Na FLIP de 2005, encontrei José Miguel Wisnick.

Só encontrei. Pra ser sincero quis falar com ele, mas faltou coragem, Leticia não deixou ou outra coisa qualquer. As meninas dele fizeram oficina de haicai com Alice Ruiz e participei com elas. Uma experiência interessante, mas pouco proveitosa, não me tormei um haicaista, nem mesmo consigo gostar muito dos haicais que li. Bom, fiz esse aí de cima com Letícia. Mas gosto muito da Alice, principalmente suas parcerias com Itamar Assumpção, o unico gênio surgido na música brasileira nos últimos muitos anos.

Mas voltando ao Wisnick, o que eu queria era saber porque ele botou letra no Banbino, Ernesto Nazareth ? Catulo já tinha feito. E a letra de Catulo é belíssima, delicada, caiu como luva no disco do Antônio Adolfo, com José Luis Mazziotti, um outro cara que tem uma voz maravilhosa e poucos conhecem. Não entendi. A letra de José Miguel é apenas razoável, meio que talhada para Elza Soares.

Admiro muito as coisas que Wisnick criou. As quatro estações de Wisnick são um achado. Mas letrar o Banbino não foi lá das suas melhores criações. Catulo fez melhor.

domingo, 30 de março de 2008

Treinando e aprendendo


Passei alguns dias por conta de treinar colegas que trabalham com atendimento. Não há grupo melhor para se compartilhar um treinamento. Parecem estar sempre interessadas em aprender e usar os postulados do bom atendimento no aprendizado. São simpáticas, gargalham sem moderação, curiosas, intuitivas.
São jovens que escolheram atender bem por profissão. É tocante a maneira com que se dedicam e vestem a camisa de suas empresas.
Em ação, jamais perdem a compustura, não importa o destrato de quem espera rapidez.

São assim as atendentes.

Em especial as que lidam com a saúde do indivíduo, quando muitas vezes uma informação pode mudar o rumo da vida. Essas costumam ver a sofrimento de perto e se portam como assistentes sociais, psicólogas, uma voz de conforto.
Poderia ficar com elas mais tempo se fosse preciso. Sempre aprendo mais do que ensino.

domingo, 23 de março de 2008

Semana Santa

Filhos pra cuidar, um livro pra ler, dois filmes pra assistir, muita música: receita de semana santa. Na verdade, sexta, sábado e domingo.

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Não perca tempo vendo filmes B.
Justiça a qualquer preço, Richard Gere - duas horas de vida útil perdidas.
As locadoras estão cheias de filmes como esse. Nem passam pelo cinema, mas estampam com cartaz de blockbuster, ator de sucesso, garantia de qualidade.
Os donos da noite - fuja!!!!!!!!!!!!!!!!
O preço de ser cinéfilo e caseiro. Prefira velhas séries enlatadas.
Nem é o caso de gastar dinheiro. É gastar tempo mesmo. E ainda ter que devolver!
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Boa parte passei no carro ouvindo Maria João Pires/ Bethoven, esplêndido.

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Na morte de Cristo, não como carne. Comprei bacalhau do porto na Casa Pedro. Duríssima penitência. Apreciei sem moderação porque o bacalhau da Dio é imperdível.

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Já na véspera, pode-se comer à vontade. Então fomos para o Bastião Bunda de Fora comer uns bifões de alcatra categoria triplo A. Até meia noite, naturalmente.

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Vi Juno com minhas filhas. Ótimo, reflexivo, despretensioso, raro entre filmes adolescentes.
Ótima trilha.

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Melhor que terminar a Páscoa com uma vitória sobre o Vasco só se fosse uma sobre o Flamengo. Saudações tricolores.

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Sobre a letra postada abaixo: um tremenda declaração de amor. Prefira com Pio Leiva (Cuba le canta a Serrat), um vinho branco e uma noite inteira.

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Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...