terça-feira, 22 de abril de 2008

Solvitur ambulando.

Mais um fim de semana prolongado nesse país rico. Quem mais ganha com o prolongamento dos feriados são os banqueiros, os agiotas e os políticos. O povo de um modo geral, só perde. E comemora....
.....................................................................................................
Letícia apareceu pra almoçar, as crianças comemoraram. Eu também. Trata-se de um caso único de ex-mulher que deixou vivos todos os laços de amizade e consideração.
.....................................................................................................
Retornei ontem ouvindo Adriana Varela, Elomar, Carlos Careqa e A Barca. Precisa mais?
.....................................................................................................
Fui recepcionado pelo sedex da FNAC com duas esperas importantíssimas: Roberto Bolaño (Putas Assassinas) e Nathan Englander (Para alívio dos impulsos insuportáveis). Dois livros de conto que não sei qual devoro primeiro. Provavelmente Bolaño.
......................................................................................................
Hoje, terça, trabalhei normalmente em casa, mas só consegui embalar de tarde. Preguiça mental de manhã, produção requintada de tarde, cest la vie.
....................................................................................................
Amanhã feriado no Rio, vou estar em São Paulo. Trabalhando.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Renata


Melhor do que fazer um novo amigo, é reencontrar alguém que foi supostamente perdido de você pelos desvãos do tempo. Principalmente, quando esse alguém ficou estacionado nas iluminuras do passado, como uma lembrança muito boa de pedras e olhos. Foi assim que depois de muitos anos de ausência, Renata voltou ao meu convívio. E dessa vez, não deixo que escape de mim nunca mais.
Feliz aniversário, Renatinha. Você mereceu até aquela vitória sofrida do Botafogo ontem.

sábado, 19 de abril de 2008

Sabor e Arte

Depois de alguns anos, voltei ao Sabor e Arte, pequeno reduto que me abrigava todo final de semana até um tempo atrás. Até muito tempo atrás, quando eu morava mais aqui do que lá e tinha um projeto de vida estabelecido.
Hoje não moro mais aqui (do que lá) nem tenho grandes projetos. E não é nenhum tipo de auto-comiseração. Aprendi a lidar com os minutos que passam e a importância de viver cada um deles. Grandes projetos vivem claudicando e quase sempre pendem para a estagnação ou o fracasso. Como dizia Antônio Maria, muitas vezes melhor é ser-se um pequeno homem, mas isso dá outro texto maior ainda, cheio de variáveis.
Minha melhor espectativa é continuar suportando o dia a dia e poder assistir ao crescimento das crianças. É prazeiroso ver como elas crescem, eu bem podia ficar cuidando dessa tarefa como único afazer. Às vezes dá mais vontade de ficar aqui só pra olhar.
Mas o Sabor e Arte continua o mesmo. O velho camarão Icaraí continua lá, muito embora a falta de camarão também continue. Hoje não foi diferente. E o Léo, um misto de garçom atrapalhado e dono do restaurante mais ainda, mantem-se firme. Duas horas pra sair qualquer coisa que você peça. Os mais exaltados ligam de casa para adiantar os pedidos.
Uma boa conversa com Alexandre, umas geladas, e a farra das crianças. Nada mudou no velho Sabor e Arte.

Dois dedos de prosa pra espantar o tédio

Descobri, vendo TV, que a irritabilidade aumentada diminui temporariamente o QI. Tem tudo pra ser verdade. Esse sono leve de sábado de tarde me levou a calma.
..............................................................................
Tédio e marasmo. Leio jornais pra compensar. A cobertura da morte da menina de São Paulo tomou conta do país e dos jornais. Cada vez que leio, me pelo de pensar. A maldade humana não tem limite.
..............................................................................
Um menino cujo sonho é ter dois narizes para tirar mais meleca? Outro que escova os dentes com as secreções nasais? Outro flatulento no elevador? Não, não estou sonhando com um Mundo grotesco e nojento. Isso passa toda hora no canal Cartoon, que Chicó não para de ver.
...............................................................................
A S10 falhou comigo ontem depois de dois anos de serviços prestados sem erros: arriou a bateria. Tive que apelar para a infalível chupeta. Almocei em Teresópolis na Casa do Pescador. Um camarão bêbado de ajoelhar e comer rezando.
...............................................................................
Vim ouvindo Yamandu (The Tokio sessions, inédito no Brasil, muito melhor do que Lida), Henrique Cazes (Uma história do choro), Fabiana Cozza (essa merece um texto inteiro, Xangô te xinga é de uma delicadeza ímpar), Simon Diaz, Leny, Rosa Passos, mais pra que?
................................................................................
Hoje vi Mandando Bala. O filme junta dois atores muito interessantes : Clive Owen (Close) e Paul Giamatti (Sideways). Pra quem gosta do cinemão pipoca, é dos bons. E o sujeito mata, usando uma cenoura crua. Não, nào é um filme pornô brasileiro. Mas dá pra passar a hora.
...............................................................................
Feriado em Miracema, hora de lamber as crias.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Uma dor que não sei de onde vem


"Eles estão se adiantando, os meus amigos.
Sei que é útil a morte alheia
para quem constrói seu fim.
Mas eles estão indo, apressados,
deixando filhos, obras, amores inacabados
e revoluções por terminar.
Não era isto o combinado.

Alguns se despedem heróicos,
outros serenos.Alguns se rebelam.
O bom seria partir pleno.

O que faço?Ainda agora
um apressou seu desenlaçe.
Sigo sem pressa. A morte
exige trabalho, trabalho lento
como quem nasce."

Afonso Romano.


Soube há pouco da morte de meu amigo Sylvio Bastos, o Bailarina. Andava distante de mim desde que se desligou da empresa. Sylvio tinha a idade do meu pai e por muitas vezes, me chamou de filho, e foi, efetivamente, um bom pai. Pai de nós todos, médicos auditores, hoje órfãos dos seus conhecimentos e da sua amizade.

De auditoria médica, Sylvio sabia muito. Taxado de inflexível, depois de 20 anos de serviços prestados com pouquíssimos reconhecimentos, aceitou encarar a pós graduação e passou dois anos a ensinar seus professores.

Era uma pessoa difícil de lidar. Difícil para muitos. Mas pra mim? Qual nada! Depois de cinco minutos de conversa, se desarmava e se desmanchava numa docilidade fraterna, comum aos amigos que se conhecem e se gostam demais.

Minhas últimas idas a Camboinhas foram para ver Sylvio. Gostava de uma pinga, estava sempre servindo uma de Ribeirão Preto, que trazia aos galões todo ano. Agora que me deixou, de quem mais vou reclamar dos mini-bifes que servia em sua casa, pequenos demais para meu apetite? Quando teremos uma nova peixada maravilhosa, como fez o Wagner Lins na casa dele há alguns anos? E quantas conversas de mútua compreensão, de varar noite ao telefone?
Sylvio sabia de música, adorava uma fossa, como essa do título do post. Fazia questão de dizer que a canção era do De Chocolate, um velho conhecido seu. E era excelente pé de valsa, o que lhe valeu o apelido.

Sabia que estava doente, mas nunca deu o braço a torcer. Era um homem de trabalho duro. Da raça dos que não negam ajuda. Que não se machucam com facilidade. Operou as coronárias e auditou a própria conta. Per evento!

Seus grandes amigos eram seus cães, que chegaram a ser 45. Fez uma casa só para eles. Chegávamos lá e era aquela farra de cachorro latindo. Era ali que a gente via o Sylvio mais carinhoso, o mais afetivo. Ele e sua Amorim.

O mundo vai ficar mais pobre sem o Bailarina. Morreu sem que eu pudesse lhe dizer um simples obrigado.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Dessa vez eu vou

A anunciada apresentação de João Gilberto no Municipal do Rio em agosto é das melhores notícias da semana . Nem quero falar das milhares de vezes que escutei , em transe, o Amoroso, isso é lugar comum. A verdade é que nunca consegui ir a um show dele. Uma vez quase despenquei pra Juiz de Fora, ele inaugurou o Teatro (acho que) Municipal de lá há alguns bons anos. Mas não deu.
João transcende a tudo que há por aí de boa música. Consegue transformar sua voz limitada em instrumento e tem o domínio perfeito do violão. Perdoamos respeitosamente suas excentricidades, inclusive o fato dele só fazer shows aqui de dez em dez anos. É um gênio!
É pena que a Odeon não tenha editado de forma decentemente remasterizada, seus primeiros discos. Parece que por questões judiciais. Houve uma prensagem inicial dos 3 primeiros discos em um único CD que ficou com a qualidade de som horrorosa. Ainda ouço Chega de Saudade na velha pick-up garrard. Bons tempos!


domingo, 13 de abril de 2008

Já no domingo...

Dois dias de solidão são mais do que enjoados prum sujeito que, embora caseiro, gosta de estar com alguém. Esse alguém, invariavelmente, têm sido meus filhos. Hoje nada me dá mais prazer do que estar com eles. Liguei pra lá, mas só consegui sentir a distância maior ainda.
....................................................................................................
Bem, comecei o domingo tentando misturar um pouco de música pra fazer um disco pra ouvir no carro. Gosto muito de juntar músicas e depois ouvir. Tenho coletâneas que parecem que as músicas foram feitas exatamente para aquela ordem. Mas não tenho tido muito tempo pra isso, de forma que hoje resolvi pegar o Itunes e criar uma canção de afeto, que é como eu chamo meus cds.
..................................................................................................
Li O Globo (Xexéo, Calazans, Teresa Cristina no segundo caderno, mais muito pouco), continuei lendo Balzac e depois engatei a quarta temporada de Seinfield.
.................................................................................................
Depois do almoço, o tédio e a falta de companhia começaram a pegar e tudo daí pra frente foi feito com alguma dificuldade. Acabei vendo Scoop, um Alen que estava guardando para mais tarde e gostei, embora eu ache que Scarlet podia ousar um pouco mais, parece sempre uma menininha pudica. Não gosto muito da idéia de ouvi-la cantando Tom Waits, o que tem de sombrio naquela moça?
......................................................................................................
Tentei dormir um pouco mas me lembrei da reunião de amanhã e eu vou ter que apresentar alguma coisa nova, o povo já está cansado de ver a mesma apresentação sobre o novo rol de procedimentos da ANS.
.......................................................................................................
Vi um pedaço de Flamengo e Botafogo, li mais um pouco de jornal, comi doce, o domingo vai passando. é triste ter que pedir ao domingo que passe, mas hoje foi meio assim.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...