domingo, 10 de agosto de 2008

Dia dos Pais

O que fazer com esse time do Fluminense? Nunca gostei muito do Renato técnico, mas acho que a menor culpa é dele. De pretenso campeão da Libertadores (o que acabou não se concretizando) a esse atrapalhado grupo de jogadores correndo atrás da bola. Para um final de domingo, uma derrota dessa era tiro certo na minha depressão. Mas qual!! Pareço mais estarrecido do que depressivo.
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A olimpíada de madrugada tem me dado a confortável situação de não saber nada sobre as olimpíadas. Como aqui em casa não pega canal aberto, fica mais difícil ainda.
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Dia dos pais sem meus filhos e sem meu pai. Detesto datas, tento não me prender a elas, mas ultimamente tenho sido movido por uma saudade constante das crianças, que até data eu valorizo. Ligar? Ligaram, mas tenho achado telefone tão impessoal! Hoje tá difícil.
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Luciana Souza me ajuda com seu Neruda delicado, simples, bonito de ouvir.
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Dois pais amargurados, procurando vingança pela morte de seus filhos: um, soldado no Iraque morto pelos próprios colegas e outro vitimado por uma gangue americana. Estou falando de Kevin Bacon e Tommy Lee Jones, bons atores em filmes médios: Sentença de Morte e No vale das Sombras. Impróprios para o dia dos pais, vieram cair na minha mão logo hoje.
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Laura, Luisa, Chicó, help!

sábado, 9 de agosto de 2008

Prefiro as linhas tortas

Foi um sábado atípico, mas não deixou de ser um sábado niteroiense solitário. Trabalhei de manhã, participando de junta médica, acontecimento inédito na empresa. Acabei conhecendo um sujeito bastante decente, médico, interessado na dor e suas consequências desastrosas nos dias de hoje. Pareceu-me um ótimo caráter. Precisamos de gente assim no meio.
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Experimentei a velhíssima Cantareira (eu e o Professor Schott), caindo aos pedaços, que só funciona nos finais de semana. Gosto de atravessar a Baía. É sempre um momento de ler, conversar, ouvir. Viemos conversando sobre vinhos, viagens e cirurgia de coluna.
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De tarde, assisti ao ótimo Jogos do Poder, um autêntico Mike Nichols, com atuações acima da média de Philip Seymour Hoffman e Tom Hanks. Meu Mike Nichols predileto ainda é Closer.
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Ontem fui à Sendas e abasteci a casa de biscoitos, refrigerantes e cremes rápidos. Fome não passo mais.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O último a sair do avião

A boa da noite foi que meu amigo Maurício do Al Farábi me arranjou uma edição d'O homem sem qualidades. O sal do preço vale cada letra de Robert Musil, na tradução de Lia Luft e Carlos Abenseth. Há esperança, certamente! Vim lendo na Cantareira e não parei mais.
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E agora aqui no fundo do monitor, Ron Carter desconstrói Wave, sem dúvidas há esperança!
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Treino paciência na Cantareira, esperando a boiada sair primeiro e saindo um minuto antes da nova boiada romper a entrada. Exercícios gilbertinos para um boi já cansado de tropeções.

Ontem cheguei tão esgotado que nem me atrevi a abrir o computador. Uma reunião cansativa, desgastante, de poucos amigos me deixou sem fôlego. Nada que eu, nem os que me cercam (em especial Renatinha, cada vez mais sutil e atenta), pudesse ter deixado sem uma resposta clara. Apenas o desgaste de ter que mastigar o conteúdo pela enésima vez pra quem quer entender pouco. No fundo, parece que o que as pessoas querem é a apologia da anarquia, mas se esquecem que há um trabalho muito bem engajado em andamento e ninguém é bobo de jogar fora.
Na volta, Adriana me questionou como vão as crianças. Ando tão a flor da pele que até beijo de novela me faz chorar (eu e o Zeca Baleiro). No mesma hora liguei pra Luisa. Salve-me, Luisa. Leve-me para a simplicidade das pequenas coisas que você ama.
Hoje acordei tarde por causa do jogo do Fluminense de ontem. Além do jogo, vi A Caçada, Richard Gere, horrível! Quando acordo tarde, é uma M: fila da barca, demora tudo mais meia hora. O trabalho rendeu pouco. Quando o trabalho rende pouco é sinal de que não estou bem.
Dia bom é aquele em que eu chego na empresa com uma agenda de serviços pronta e consigo esgotá-la no fim. Hoje tive que interromper meu almoço pra ir à Receita Federal em Ipanema, tentar esclarecer o que eles complicaram!
Chego lá pego uma senha. Sento. Uma tv sintonizada na Globo e outra na chamada de senha. Entrevista com Cláudia Leite (uma dessas cantoras glúteas do momento) grávida. "-Ah, vou cantar pro meu filho: Dorme meu pequenininho, dorme que a vida já vem..., do Chico Buarque". Vinícius deu pulos no túmulo. Depois vídeo show. Depois Angélica. Depois o suicídio. Fui salvo desse último pela chamada da outra televisão da minha senha. Fui bem atendido, ainda que considerando a espera de quase duas horas e a desnecessidade de ir a Ipanema resolver o problema.
Ai, Luisa. Que saudade! Laura, Chicó, me tirem daqui!!!!!!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Duas saias justas e uma gripe protraida

Não dá, essa gripe não me larga. Quando acho que vai embora, chove! E eu no meio da rua, indo pro trabalho! Chego no trabalho e tosse. Tosse. Tosse! Cheguei em casa cansado hoje. Consegui fluir bem no trabalho, mas depois veio uma série de abismos.
Começando pela absoluta falta de alimentos nessa casa. Na sequência, minha desvontade de ir ao supermercado comprar alguns itens de sobrevivênvia rápida: biscoitos, patês, frios. Nada que dê mais do que o trabalho de comer!
Ontem jantei pinhas. Esbarraram no caminho de volta e comprei rápido pra não desistir. Hoje ainda tive saco de comprar pão, presunto e fanta na padaria. Quem aguenta pão, presunto e fanta?

Nesse minuto, o cd toca o novo do Tira Poeira. Já quase velho, não tinha parado pra ouvir ainda. Ótimo como sempre!
E devo acrescentar, antes que me esqueça, que Macao, o novo de Jards Macalé já está com um pé nos melhores discos de 2008. A maneira tocante com que ele reinventa a Ronda, com pitadas de Sampa, é de chorar!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Segunda outra vez

Volto ao trabalho com uma semana de atraso e cheio de serviço. Preço pelas mini-férias. O outlook não entra, esqueci o celular em casa, Renatinha não vem hoje. Trabalho sem respirar muito. Passei no teste da segunda com uma semana de atraso! Fiquei pianinho hoje.
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Ainda descobrimos um restaurante de massas muito bom. Descobrir restaurantes que suportem a rotina (i. é, preço e paladar) aqui no centro é uma comemoração. Comemoramos com pizza de abacaxi, eu e Sandra Carreirinha!
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Há tanto ladrão nesse país e a receita vai implicar logo com quem trabalha sério! Agora vou ter que ir a Ipanema pra saber o que eles querem da minha declaração de 2002 e não esclarecem. Quem paga a hora trabalhada, a espera, a apurrinhação?
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A chegada a Niterói ontem foi cansativa, mas sem qualquer destempero. Almoçamos em Laranjal, um filé de traira que só se acha por aquelas bandas. Deixei as meninas e vim, a S10 tinindo.
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Comecei a ler Como falar dos livros que não lemos, Pierre Bayard, ótimo começo.

domingo, 3 de agosto de 2008

Conceição de Ibitipoca








Conceição do Ibitipoca é um despenhadeiro acostado em Minas, “urbanizada” para ser uma cidade de bichos grilo, semelhante à Visconde de Mauá, no sul do Estado do Rio. Aqui reina o lobo guará, embora só tenhamos visto um em papel mache, nas lojinhas de artesanato da cidade.
Chega-se depois de passar por Lima Duarte e percorrer 27 terríveis quilômetros de estrada de chão muito ruim (não, não estamos indo pra Mauá, mas é quase como se estivéssemos).
Milhares de subidas íngremes antes de chegar às cachoeiras e riachos de Ibitipoca detonaram minhas pernas cansadas. Vi a maior parte das coisas pelos olhos de Laura e Luisa.
O Hotel Alpha Ville é um típico categoria meio A no Lima Score. Os defeitos principais ficam por conta da distância entre o chalé e o café da manhã (mais uma subida íngreme) e a falta de investimento em artigos de primeira necessidade do tipo tv a cabo, telefonia e acesso à rede.
Os chalés são amplos, com dois quartos confortáveis, ambos com lareira e um banheirinho razoável . Há churrasqueira e armadores de redes, cedidas pelo hotel.
A lenha é comprada à parte, mas isso não evitou que fizéssemos uma fogueira de primeiríssima no quarto das meninas.
As meninas foram meu hotel. Laura e Luisa estavam especialmente felizes e trataram de ocupar meu tempo de admiração e afeto durante esses três dias. Conversamos muito, separados ou juntos dos amigos que vieram conosco. No final da noite, tinha sempre um tempo só pra nós. Harmonia perfeita entre pai e filhas.
Faz frio em Ibitipoca. Um vento frio bate na porta e incomoda o dia inteiro, atrapalhando um pouco a leitura na rede. Mesmo assim, aproveitei pra terminar de ler O Conto do Amor, Contardo Calligaris, um belo livro. A narrativa do autor lembra muito Cony. Houve horas em que pensei estar lendo Quase Memória, e aí não vai nenhuma crítica negativa. Lá pelas tantas, quando o autor apresenta uma carta de uma personagem do livro, tem um trecho muito estimulante:

“Há uma geração, Pinim, que perdeu o entusiasmo de viver. Eles não conseguem encontrar, nas esquinas do dia-a-dia, o punhado de aventura que é necessário para colorir a vida. Pagam qualquer preço para se envolver numa história que lhes dê a ilusão de fazer parte da História.“

A boa conversa dos amigos permeou nossa estadia. Viemos com mais dois casais de amigos e suas filhas. Enquanto escrevo essas notas, vou lembrando do churrasco de quinta-feira, da excursão íngreme de sexta, do equivocado restaurante “Toca do Lobo” à noite e das duas descobertas indefectíveis do Alexandre: um saboroso pão com lingüiça e um botequim especializado em caldos nobres de primeira linha. Alexandre tem um faro incomum pra essas descobertas, além de um senso de direção impressionante.

Trouxe alguns discos que precisava ouvir: o novo de Mariza (Terra), uma seleção de tangos de Enrique Santos Discépolo e Divenire de Ludovico Einaudi., todos maravilhosos. Estimulado por Laura, resolvi finalmente ouvir o disco de Vanessa da Mata. Acreditei realmente, depois de ouvir A força que nunca seca (dela e Chico César, gravada por Bethânia), que a moça pudesse alçar grandes vôos. O disco é na verdade, um lamentável equívoco. Tentando misturar reggae com Benjor e Ben Harper e baladas mela-cuecas, sobra pouquíssimo no saldo final.

No saldo final, Conceição do Ibitipoca foi assim um reencontro honesto de velhos amigos, uma super-aproximação com Laura e Luisa e uma boa oportunidade de hibernar e ler.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...