sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Alone in Búzios



Deveria ser proibido vir sozinho a Búzios. Esses hoteis paradisíacos que a gente vem pra fazer reunião de trabalho (outra coisa que deveria ser proibida), deveriam oferecer mulher incluso na diária. Não as fáceis, mas as que gostam de conversar.
Sinto sua falta em Búzios. Essa é a 98ª viagem que estamos perdendo. Que fazer? Não há muito o que fazer, a não ser talvez, tocar um tango argentino como Bandeira ou achar que as folhas te outonam, como Vinicius.
Essas viagens só fazem realçar a solidão. Ao longo desses anos, construí um pequeno habitat no Ingá, onde me viro do jeito que posso para driblar a ausência. Em cada canto da casa há um livro, um disco, uma atividade, incluindo lavar a louça e fazer um café curto na cafeteirinha que o professor me deu.
Chego nesses hotéis, a primeira coisa que pergunto é se tem internet no quarto. Uma forma concreta de me fazer acompanhado.
Daqui posso conversar com o Mundo. O pequeno Mundo dessa tela de 10 polegadas.
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O Hotel Pérola Búzios é um triplo A, não se discute. E daí?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Zé Luiz Mazziotti

Essa geração que hoje incensa e regrava Sidney Miller (de Roberta Sá a Diogo Poças), deve ter aprendido a gostar do compositor como eu: ouvindo Zé Luiz Mazziotti. Num antológico disco da Funarte em que Ze Luiz, Alaide e Carmem Costa regravam as canções de Sidney. Ali estão emendadas Maria Joana e Alô Fevereiro.
O rádio esqueceu, a TV não sabe quem é, esse é um país onde os valores se restringem a belas bundas cantando axés e pagodeiros de segunda. Zé Luiz não tem espaço algum.
Ano passado eu o vi com Nelinha num pocket show na FNAC Barra, lançando o cd em que grava Chico Buarque. Um belo disco com a interpretação mais comovida de Embarcação que já ouvi.
Os dois primeiros discos do Zé nunca foram lançados em cd, nem o da Funarte. Quem se habilita? Cadê a Biscoito Fino na hora de recuperar obras primas? Pois eu digo que nunca ninguém cantou tão bem o Doce de Coco, a Súplica, o Violão Vadio de Baden como Zé Luiz.
Gostaria de ouvir esses discos novamente. Cheguei a conversar com ele sobre isso no pocket show.
É preciso ouvir mais as coisas que o Zé gravou. Com o cuidado e o tempo que sua obra merece.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

E daí?

"Eu dizia "Apareça"
Quando apareceu
Não esperava
Um dia me beijou e disse:
"Não me esqueça"
Foi embora
E só esqueci, metade...

Que bom
Que eu não tinha um revólver
Quem ama mata mais
Com bala que com flecha
Ela deixa um furo
E a porta que abriu
Jamais se fecha...

Nada disso tem moral
Nem tem lição
Curto as coisas
Que acendem e apagam
E se acendem novamente em vão...

Será que a gente
É louca ou lúcida?
Quando quer
Que tudo vire música?
De qualquer forma
Não me queixo
O inesperado quer chegar
Eu deixo...

E a gente faz
E acontece nessa vida
Nessas telas
Nessas bagatelas..."

Antônio Cícero

Eu só disse que talvez se você gostasse mais e amasse menos, as coisas iriam funcionar melhor. Amor é filme, eu bem sei e também já lhe disse isso muitas vezes.
Eu disse que já estava meio velho pra amar de novo. Meio velho pra sentir-me amado. Já amei demais. Meu saldo nessa balança é de uma longa e tortuosa história pregressa.
Cheguei ao ponto de só sentir amor de pai. Esse sim, um amor absoluto, pois que é sempre dado de graça.
Os outros amores cobram muito. Hipotecam sua alma.
Eu disse, mas você não ouviu. Você já estava indo e não ouviu. Pena.
Eu tinha outras coisas pra dizer. É fácil gostar de você. É fácil gostar de uma alma boa que nem a sua.
Quanto a mim, vou vivendo meio que morto. Os dias vão sendo somados a outros dias iguais. Não tenho pressa nenhuma. Já não provo mais do amargo.
Como disse Paulinho Pinheiro, vamos por aí, eu e meu cachorro. Perturbando a paz, exigindo o troco.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Repeteco

Acordei barata tonta. Ontem de noite, mandaram mais um pro meu rosário de afazeres. Tinha assumido uma turma de BH da FGV desde o ano passado e ..... esqueci! Hoje tratei de dar um novo direcionamento pra tudo. Até que consegui alguma coisa.
É certo que, quando estou com muitas atribuições na cabeça, acabo não fazendo nenhuma bem feito. Mas está dando pra tocar.
A verdade é que estou chateado porque vou ficar longe das crianças por três longas semanas. Devia ter aproveitado mais o fim de semana que passou.
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Não há inspiração que aguente essa porrada de coisa pra fazer. Hoje serei apenas repetitivo.
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Tenho ouvido Ivan Lins e Metropole Orchestra. Médio! A voz sussurrada em Começar de Novo é um mau prenúncio. Mas há coisas boas. Ivan está no lucro.
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... e lendo meu segundo Bolaño do ano, A pista de gelo, quando dá tempo. Irresistível!
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No último fim de semana, vi 3 filmes: o confuso O espião (Ben Kingsley de cabelo é bem esquisito), o western B (ouC) Terra da violência e Dúvida, o melhorzinho dos 3. Mas não deu pra ficar muito animado com nenhum.

domingo, 13 de setembro de 2009

Time sheet numa sexta útil em Miracema

Acordo às 9 e a Diô já aguarda com café e pão fresquinhos.
Depois vou ao mercado da cidade comprar carne e peixe. Hoje é dia bom pra comprar uma linguicinha fininha no açougue do Belchior, uns torresmos no Norton e um filé de tilápia na carne do peixe.
Às 10, cortar o cabelo no Celso. Na última enquete feita, as orquideas estão preferindo que eu não raspe o cabelo e mantenha a barba raspada. Obedeço e oriento o Celso a não retalhar meu pescoço como da última vez.
Às 11, vou no Paulinho Sujeira, um dos velhos conhecidos da noite, que agora virou luthier, mas trabalha das 14 às 3 da madrugada. Paulinho abriu uma exceção prum velho amigo e deixei lá o violão da Luisa e o meu Del Vecchio antigo. Depois fui no Otávio comprar cordas para os dois violões.
Almoço meio dia em ponto com Laura e Luisa. Tilápias, polentas e salada. E o arroz imbatível da Diô. Arroz branquinho imbatível. Depois vou levar a S10 no Aritana pra trocar o filtro de óleo e o óleo.
14h passo na Caixa e pago as contas de Miracema.
Volto no Paulinho Sujeira e o violão da Luisa já está pronto. O Del Vecchio vai demorar.
Depois, pra não perder o costume, pego a Consulta Pública 31 da Agência Nacional de Saúde e começo a dissecá-la. Adiantando serviço porque semana que vem, vem chumbo.
Termino o dia no Sebastião Bunda de Fora com Chicó e um casal de amigos, detonando uma carne de primeiríssima grandeza.

Os cinco piores discos que eu ainda adoro escutar

Quero pedir desculpas aos puristas (ou mandá-los à merda, tanto faz!), mas fui criado num ambiente pouco afeito aos clássicos. Meu pai adorava os vozeirões. Acho que aprendi a gostar de música aí. Quebrei muito 78 rotações do meu pai. Silvio Caldas, Orlando Silva, Francisco Alves, Vicente Celestino, Carlos Galhardo e outros. Ouvia-os a exaustão. Mas minha infância também foi permeada por outros "clássicos" que tavez hoje eu repugnasse, mas agora não dá mais pra expulsar da memória. Vou listar só cinco que é pra não cansar ninguém.

1) Roberto Carlos de 1974 - o que começa com Despedida e tem Quero ver você de perto, Jogo de damas e Eu quero apenas. Domingo de manhã era dia de música alta lá em casa. Eu tinha 13 anos e meu pai, uma eletrola telefunken com um toca-disco garrard e um sistema de som de altíssima fidelidade. Esse disco repetia muito. É o Roberto que mais tocou na minha vida.

2) Benito di Paula, Um novo samba, 1973 - meu irmão apareceu com esse disco lá em casa e todo Mundo gostou muito. Começava com Se não for amor e tinha a chorozíssima Vai ficar na saudade, além de Retalhos de Cetim. Lá em casa, acho que a gente acompanhou a carreira do Benito até ele parar de gravar.

3) Osvaldo Montenegro, 1980 - é o disco que tem Bandolins. Aí eu já estava com 19, mas não teve jeito. O disco pegou. Gosto de Osvaldo até hoje, que fazer?

4) Serestas, Carlos Alberto, 1977 - estava andando pela Sete de setembro, a rua do disco do Centro do Rio dos meus 16 anos pra frente e o toca discos da Toc Discos alardeava Infidelidade, de Ataulfo Alves com Carlos Alberto. Até hoje adoro aquele regional pungente e a voz chorona e canastra de Carlos Alberto.

5) The Fevers, A explosão musical dos Fevers, 1971 - esse aí foi meu Tio Tarciso que apareceu com ele na casa do meu avô. Veio nos meus dez anos e tinha Vem me ajudar e Mar de rosas. Gamei!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os dez piores discos da música brasileira


"Tinha razão, no planeta dos eunucos felizes e dos zumbis, a poesia não dava mesmo camisa a ninguém."
Roberto Bolaño, A pista de gelo.

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Bárbara Borges reina na nova Playboy. Meio artificializada, mas ainda um pitéu! Finalmente uma revista que vale os 12 pelas fotos!
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A Playboy lista os 10 piores discos da música brasielira, a partir de uma seleção feita por expertises do Rio e São Paulo. São eles:
1º lugar absoluto - Ana e Jorge ao vivo
2º - Tribalistas
3º - Simone, 25 de dezembro
4º - 4 - Los Hermanos.
5º - As dez mais - Titãs
6º - Aqui, ali, em qualquer lugar - Rita Lee
7º - A foreing sound - Caetano Veloso
8º - Gil e Milton
9º - Oxigênio - J Quest
10° - Signo de ar - Jorge Vercilo

A lista, a meu ver, erra feio uma única vez: o disco de Gil e Milton não é lá nenhuma obra prima, mas só pela regravação de Bom dia e Canção do sal, como se fosse uma intersseção completa da influência entre os dois, já vale muito. Há muita coisa pior do que A foreing sound (Caetano), Tribalistas e Aqui, ali em qualquer lugar, o disco de versões dos Beatles da Rita Lee. O resto está bem adequado.
Eu vou arriscar minha própria lista:

1º - Qualquer disco de pagode dos anos 90 - todos que usam teclado pra dar mais emoção à música e vômitos incoercíveis aos ouvintes.
2º - Qualquer disco breganejo de qualquer época - chorumelas de Sandys, Leonardos, e uns mais modernos, que, graças aos céus, me falham o nome. Mas nunca vou esquecer que passei um carnaval inteiro na Enseada Azul, escutando uma coisa que tinha um refrão que falava em eu sou lá de BH, felizmente já consegui esquecer o trauma.
3º - Qualquer disco de axé de qualquer época, principalmente esses que nos impõem guela abaixo nas rádios, nas filas, nas festas. Menção honrosa para Ivete Sangalo ao vivo no Maracanã, uma praga que nos perturbou por muito tempo.
4º - Qualquer disco da Ana Taviani ou da Isabela Carolina (ou será o contrário?) - principalmente aquele que tem aquela do elevaaaaaaaador, agonizante, cataclísmico!
5º - Qualquer disco de padre é uma tortura mental abominável.
6º - Qualquer disco do Jorge Vercilo - projeto mal sucedido de Djavan.
7º - Qualquer disco do Orlando Morais, o supra-sumo da chatice.
8º - Qualquer disco dos apresentadores de TV que se metem a cantar, liderados por Roberto Justus e Marília Gabriela.
9º - Qualquer disco de forró em que a sanfona é substituida pelo teclado - aí se enquadram os Mastruz com Leite, Mel com bosta, Caviar com rapadura e outros menos votados.
10º - Qualquer o disco dos grupinhos de rock dos anos 90, liderados pelo Jota Quest e pelo Charlie Brown Jr. Uma lástima.
Fuja!
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Foi uma ótima quarta-feira. Dessa vez a barca da volta, trouxe a versão de She's leaving home , Brad Mehldau trio. Voltei duas vezes seus 9 minutos e 8 seguntos.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...