terça-feira, 11 de maio de 2010

O que toca no Ipod shuffle


"Todo lo que diga está de más,
Las luces siempre encienden en el alma
Y cuando me pierdo en la ciudad
Vos ya sabés comprender
Es solo un rato no más
Tendría que llorar o salir a matar.
Te vi, te vi, te vi
Yo no buscaba nadie y te vi."
Fito Paéz, Un vestido y un amor


Uma das grandes vantagens do blog é que ele não permite contestação: é um monólogo. Outra é que você pode falar de canções e poemas que costumam parecer esperanto para seus melhores amigos, sem a necessidade de ouvir: que coisa é essa???
Adriana Varela é uma cantora portenha desconhecida do público brasileiro, pelo menos daquele que eu alcanço. Se você for à Loja Arlequim do Paço do Império, consegue encontrar, a peso de ouro, alguns cds dela. Valem o peso.
Fui conhecer Adriana Varela em Buenos Aires numa loja da Corrientes. A voz segura, meio rouca, noturna, foi logo me encantando. É de longe a melhor versão de Un vestido y un amor de Fito Paéz. Atualmente, roda no meu shuffle, o cd em que ela grava composições de Enrique Cadícamo, Tangos de Lengue. Irrepreensível!
Luisa Maíta cantando Coração Brasileiro no disco do galego Carlos Nunes (Alborada do Brasil) é um achado. O disco todo é muito bom. Sua gaita de fole passeia sem cerimônia por nossas melhores canções.
Notícia boa, li que Dori Caymmi lançou disco novo (Mundo de dentro). Ruim saber que o disco só é vendido no show. Dei meu jeito, já estou escutando. O pouco que ouvi já me encantou. Dori é um perfeccionista.
Tenho ouvido Chico Violão, o disco em que Arthur Nestróvski repassa a obra recente de Chico Buarque. Adorei Suburbano coração, essa canção merecia uma versão mais doce.
E ainda Pedro Abrunhosa e Comité Caviar, Longe. O português continua em forma. Lembra Raul Seixas, nem sei porque.
Continuam inamovíveis, os discos de Vitor Ramil, Luiz Tatit e Cláudia Cunha.

domingo, 9 de maio de 2010

Sábia decisão


Sexta de noite, Laura foi dançar em Friburgo. Sozinho, resolvi tomar o rumo de casa. No sábado de manhã, parti para Miracema. Decidi assim, de pronto. Serviria pra trazer Laura de volta, ver Luisa, Chicó e S., e almoçar com minha mãe hoje. Serviu pra isso tudo e mais alguma coisa. Foram 48 horas bem vividas, inclusive as viajadas. O cansaço passou batido.
Ontem passei a tarde com S. e dentre outras coisa boas de se fazer no frio miracemense de tarde, assistimos ao show de Mariza, Terra em concerto. O show, correto, com ótimos momentos aqui e ali, veio acompanhado de um documentário sobre a história do fado. Narrado estranhamente em inglês (Mariza tem muita projeção na Inglaterra, deve ser por isso), o documentário procura aproximar o fado das tradições afro brasileiras. Gosto de fado desde muito e a idéia nunca me ocorreu. Sempre achei a melancólica canção de Portugal enraizada nas tascas de Alfama e Mouraria, muito bem mostradas no documentario. Não conheço profundamente a história do fado, mas essa conexão pareceu mais coisa pra inglês ver. Não importa, o fado é lindo pra quem o abraça e compreende. Tento mostrar isso à Laura, Luisa, ou qualquer um que se meta comigo.
De noite fomos ao árabe comer quibe com Alex e Gisele. Boa conversa como sempre.
Hoje almocei com minha mãe em familia, coisa muito rara.
Se tivesse ficado aqui em Niterói, ia ser só mais um. Meu lugar aqui, definitivamente, é só de segunda à sexta.
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Na sobra do tempo em Miracema, ainda vi O desinformante, mais um Soderberg. Dessa vez com Matt Damon fazendo o atrapalhado do título. O filme não chega a ser um pérola, mas dá pra passar sem traumas.
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Sei que é pretencioso escrever que esse blog tem leitores assíduos, mas hoje é aniversátio de uma velha amiga e leitora assídua. Mais que a história do blog, trata-se de alguém que mudou a minha história. Como poucos mudaram. Espero que continue a fazer parte dela e o blog sirva para estar sempre nos atualizando. Beijos desconversados!!
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E o Fluminense perdeu mais uma! O gol foi roubado, o Ceará é um timeco que mal vai aspirar a permanência na primeira divisão, mas mereceu ganhar. Porque hoje o Fluminense foi muito menos que um timeco.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Responde à roda

É meia noite e o Fluminense acaba de perder mais uma. Muricy vai ter trabalho com esse time. Ou melhor, nem Muricy dá jeito. Adorava fórmula 1 até o dia em que Ayrton morreu. Parece que o mesmo está acontecendo com o Fluminense. Fiquei uma boa parte do segundo tempo terminando um episódio de House.
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Trabalhei em Três Rios hoje. Nada contra, até gosto de viagens rápidas. O problema é que retardei a volta, saí quase 17 de lá, a Washington Luiz parada. A linha vermelha parada. A ponte parada. Cheguei em casa ao mesmo tempo esgotado e alerta. Detesto dirigir no escuro.
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Deu pra ouvir o disco novo do Gotan, o disco Responde a roda de Cláudia Cunha, e mais uma vez, Tatit e Vitor Ramil. Esse disco Responde à roda é mais uma grata surpresa do ano. Relançado agora via Biscoito Fino, teve de mim, a atenção que merece. Cláudia faz um belíssimo Auto-retrato do Gismonti e Geraldo Carneiro (que letra!, que música!) ao piano da virtuose André Mehmari.
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Edson Néry da Fonseca recitando Manuel Bandeira, achei médio. A récita é seca, sem nenhum viés interpretativo, diferente do disco gravado por Juca de Oliveira. Recomendo ouvir Manuel Bandeira por ele mesmo. Ninguém consegue ser mais Bandeira do que o próprio. principalmente quando ele evoca o Recife.
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É tarde, sei que estou escrevendo bobagens apenas para suprir a falta de sono. Vamos indo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Quente

Quente como um sopro de vida que vem devagar e vai tomando conta dos braços que já não são seus, pernas que já não são suas, como se fosse possível romper a manhã depois da morte lenta. Esses lapsos de maio de cores indestrutíveis, esses festejos do corpo, essa gana de continuar vivo, de ouvir sem paz o terceiro movimento da Titã e se esvair pelas ondas frias, ondas quentes e bravias. Ah, como são arroubos, como são fugazes, como são improváveis! E quanto menor a probabilidade, mais vorazes. Lá fora, o burburinho das pessoas nem nota, o caminhar apressado não alcança, os olhares perdidos não encontram. O mar, hoje, está cheirando à manga.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

En el ultimo trago



"Tómate esta botella conmigo
en el último trago nos vamos
quiero ver a qué sabe tu olvido
sin poner en mis ojos tus manos
Esta noche no voy a rogarte
Esta noche te vas que de veras
que difícil trata de olvidarte
y que sienta que ya no me quieras

Nada me han enseñado los años
siempre caigo en los mismos errores
otra vez a brindar con extraños
y a llorar por los mismos dolores

Tómate esta botella conmigo
en el último trago me dejas
esperamos que no haya testigos
por si acaso te diera vergüenza
Si algún día sin querer tropezamos
no te agaches ni me hables de frente
simplemente la mano nos damos
y después que murmure la gente"

Jimenez Jose Alfredo

domingo, 2 de maio de 2010

Sinal de paz

Não vou falar do meu humor nesse fim de semana. Em geral ele oscilou entre o inexpressivo e o depressivo. Para aliviar, trabalhei ontem, hoje vi muito House e Lie to me. Procurei passar o tempo sem deixar que ele me machucasse. Meus finais de semana em Niterói costumam ser assim. Lógico, depois que Laura veio pra cá, melhorou muito. Há mais um ser vivo na casa, sempre alguém para que se possa pensar em levantar e comprar o pão, e em dias especiais, até mais do que isso.
Pois bem, no final do segundo tempo desse domingo sem futebol, arrisquei e chamei Laura pruma sessão de cinema em casa.
Sempre procuramos respeitar o silêncio um do outro, cada um no seu quarto cuidando do seu ócio, geralmente fico com medo de atrapalhar. Arrisquei.
E veio esse Julie e Julia, delicado, cheio de referências afetuosas e de enternecer qualquer domingo frio. O filme conta a história de duas mulheres apaixonadas pela cozinha, Meryl Streep sublime como sempre e um pitéuzinho chamado Amy Adams.
Ao final da sessão, já não éramos mais os solitários da Nilo Peçanha. Éramos pai e filha e o resto do Mundo. O que mais importa nesse final de domingo?
Estar aqui com minha filha e poder dividir um filme no domingo com ela é uma dádiva, uma graça, um maravilhoso sinal de paz interior.
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Uma das poucas e boas lembranças que tenho do menino que fui foram as sessões de cinema do Cine XV com meu pai. De vez em quando, isso volta. Como hoje.

sábado, 1 de maio de 2010

Sempre tem gente pra chamar de nós


Cada vez que Luiz Tatit lança um disco, há um ritual lá em casa, semelhante ao tratamento dado aos grandes blockbusters pelas megastores. Leio tudo que aparece nos jornais, comento com Laura, procuro as pré-vendas na rede.
Essa semana chegou Sem destino. Um belo disco, tão bom quanto qualquer outro do Tatit. Dessa vez, a FNAC foi rápida, o disco chegou no dia seguinte à encomenda. Mal abri o envelope, já fui mostrar pra Laura. Acostumei minhas meninas a ouvir as canções do Tatit e do Rumo desde que eram muito crianças e hoje elas gostam tanto quanto eu.
Tatit é a melhor definição para palavra encantada. Suas canções discursivas, comovem pela simplicidade, pela delicadeza, pelo tom informal com que chegam aos nossos ouvidos. Esse não foi diferente. O cd já é ouvido à exaustão no Ipod (na barca, no avião, no táxi), no carro, em qualquer lugar onde vou.
Tatit brinca com Nazareth e Capiba em Relembrando Nazareth, do mesmo jeito que Aldir e Bosco fizeram em Ademilde no choro, utilizando-se dos nomes das canções para compor a música.
Adorei a canção tema e Porque nós e A volta do sabiá são dessas que dão pega rápido e já voltei muitas vezes a elas.
As participações de sempre e sempre muito bem vindas, como Ná e Fábio Tagliaferri.
Ainda há muito que se comentar desse novo Luiz Tatit, mas o tempo tem mostrado que desde que ouvi pela primeira vez, Banzo, do disco Rumo ao vivo, as canções de Tatit têm se renovado de uma forma muito mágica, a cada audição

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...