sexta-feira, 9 de julho de 2010

Noches de boda

"Que el maquillaje no apague tu risa,
que el equipaje no lastre tus alas,
que el calendario no venga con prisas,
que el diccionario detenga las balas,
Que las persianas corrijan la aurora,
que gane el quiero la guerra del puedo,
que los que esperan no cuenten las horas,
que los que matan se mueran de miedo.
Que el fin del mundo te pille bailando,
que el escenario me tiña las canas,
que nunca sepas ni cómo, ni cuándo,
ni ciento volando, ni ayer ni mañana
Que el corazón no se pase de moda,
que los otoños te doren la piel,
que cada noche sea noche de bodas,
que no se ponga la luna de miel.
Que todas las noches sean noches de boda,
que todas las lunas sean lunas de miel.
Que las verdades no tengan complejos,
que las mentiras parezcan mentira,
que no te den la razón los espejos,
que te aproveche mirar lo que miras.
Que no se ocupe de tí el desamparo,
que cada cena sea tu última cena,
que ser valiente no salga tan caro,
que ser cobarde no valga la pena.
Que no te compren por menos de nada,
que no te vendan amor sin espinas,
que no te duerman con cuentos de hadas,
que no te cierren el bar de la esquina.
Que el corazón no se pase de moda,
que los otoños te doren la piel,
que cada noche sea noche de bodas,
que no se ponga la luna de miel.
Que todas las noches sean noches de boda,
que todas las lunas sean lunas de miel."

Joaquin Sabina

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Caim e o futebol

"Há uns três dias, não mais tarde, tinha ele dito à abraão, pai do rapazito que carrega às costas o molho de lenha, Leva contigo o teu único filho, isaac, a quem tanto queres, vai à região do monte mória e oferece-o em sacrfício a mim, sobre um dos montes que eu te indicar. O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo d'água quando tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim."
José Saramago, Caim.

Caim é muito bom de ler. Saramago não poderia ter deixado um último recado tão sarcástico e saboroso quanto esse.
...................................................................................
Depois que eu li (hoje de novo procurando atualizações), no blog da Kellen, um pedaço da letra da canção O futebol, do Chico, ela não me saiu mais da cabeça.
Conheci no disco do Chico. Ignorei. Depois teve um show do Quarteto em Cy, no falecido Teatro João Theotônio, de lançamento do explêndido Chico em Cy, que as meninas estraçalharam na interpretação da música. Parecia nitidamente que uma passava a bola pra outra num arranjo vocal apaixonado e muito bem costurado.
São aquelas interpretações que transformam a canção. As canções do Chico têm muito essa característica. Pálidas com ele (só algumas!), enriquecem de saltar os olhos em outras vozes. Assim também foram A voz do dono e o dono da voz com Cida Moreira, Todo o sentimento, com Ney Matogrosso e João Carlos Assis Brasil, Palavra de mulher com Elba Ramalho e muitas mais.
......................................
Recebo a importante nota na crônica de Arthur Xexéo que a cantora Claúdia Leite passou a se chamar Claudya Leytte e está em turnê com o show Rhytmos. Faz sentido.
......................................
Hoje foi mais um dia daqueles. Pesado desde o início.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

E bate louco

Meu segundo time nessa copa sempre foi a Espanha, mesmo que eu não tivesse manifestado isso aos amigos mais chegados, não soubesse o nome de nenhum dos seus jogadores e não tivesse visto um jogo seu inteiro. Torcia timidamente no meu íntimo sem que eu mesmo soubesse. Por isso, comemorei baixinho e sem olas intermináveis a vitória sobre a Alemanha, que só chegou ao meu conhecimento através dos jornais. Esse deve ser o segredo do futebol feio. Você pode vibrar sem ver. Mas no domingo, é certo que eu veja e estarei torcendo discretamente para a Espanha.
....................................
Desculpe, mas fica difícil hoje em dia gostar do Oswaldo Montenegro. O sujeito lança um disco a cada semana e já não sei qual é o último. Mas ouvi, conforme lhe havia prometido, esse suposto último disco, Canções de amor. Uma xaropada de dar dó! Contaminou meu shuffle, tive que lavar com sal grosso para não melar. Já fui menino, gostava de Léo e Bia, eu em Miracema, você em Brasília, nada mais Léo ou Bia do que nós dois desesperados ao telefone. Os primeiros discos do Oswaldo da Warner, arranjados pelo Liminha, aquela coisa toda, confesso, me encantaram bastante. Cheguei a ir ao velho Teatro Casa Grande assistir a um bom show do Oswaldo. Mas agora eu acho que ele se perdeu. E eu nem fiquei mais exigente, respeito os gostos do menino que fui. Já vi novela, já ouvi muito Roberto, conheci breguices zis, mas Oswaldo, lamento, não dá mais. Se ainda tivesse a Paloma!!!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Do presente que foi prometido pro ano seguinte

Que dia! Voltar à ativa depois de uns míseros dias de folga exige que o fôlego esteja redobrado, a paciência num limiar aceitável, a paz esteja de ronda. Não foi bem assim o meu dia. Confuso às vezes, complicado em outras, sobrevivi. O saldo final é razoável, mas estou esgotado como se tivesse trabalhado uma semana inteira. Como se já fosse sexta. E ainda é segunda! Espero que o resto vá na urina.
...............................................
Com o humor comprometido e o cansaço batendo a porta, pouco ouvi do meu shuffle., mas já me deu dois resmungos: um disco comemorando 100 anos de Adoniran e vai Zélia Duncan se meter a cantar Tiro ao álvaro, canção esgotada por Elis Regina, sem permissão para que ninguém ouse interpretá-la novamente. E o novo disco de Antônio Vilerroy (José) tem bons momentos, mas aí ele se mete a regravar Felicidade, do Lupicínio. Como assim? Procure na sua estante a bela versão do Quitandinha Serenades ou mesmo a do Caetano, mas quem vai buscar essa inadequação se quiser ouvir Felicidade?
..............................................
Do pouco que ouvi, me pareceram interessantes os discos de duas novas cantoras: Andréia Dias (vol. 2) e Tatiana Parra (Inteira). Tatiana faz uma boa versão de Testamento, de Milton e Nelson Ângelo. O melhor mesmo foi reouvir essa canção tão cara pra mim. Ainda soa fresca no meu ouvido.

domingo, 4 de julho de 2010

Ponta de areia

Imagino que a queda de Dunga tenha gerado um efeito cascata e causado também a de Galvão Bueno. Depois de um cala a boca universal, o locutor não foi ouvido narrando os jogos da Argentina e da Espanha. Melhor para nós todos!
.......................................................
A cidadezinha de Palma, é por assim dizer, uma espécie de porção mineira de Miracema. Ontem de noite fomos pra lá. Não ia a Palma, a não ser de passagem, há bem uns vinte e poucos anos. Continua simpática. E ganhou um restaurante árabe (Califa) com uma comidinha bem honesta. Ficamos lá cantando e comendo até umas onze. Como sempre, a boa conversa, a camaradagem entre amigos e aquele ambiente mineiro de voltar pra casa renovado.
.........................................................
Ótimo que o fim de semana prolongado não tenha sido só aquela lamentável derrota brasileira. Teve também o simpático filme de Rebecca Miller, A vida íntima de Pipa Lee, com Robin Wright Penn no melhor papel da sua carreira. Uma historinha boa de se contar e se ver, uma mulher se redescobrindo depois de madura. O cartaz do DVD, além de distorcer o nome do filme, que passa a se chamar Vidas cruzadas, ainda oferece Keanu Reeves e Mônica Belucci, em papéis menores, estampados na capa como astros principais. Fuja do cartaz, mas veja o filme!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Até que novas canções me convençam

Não sei perder. Será que algum brasileiro sabe perder a copa? Lá que alertamos, alertamos! Fazemos duras críticas ao comando, à falta de criatividade generalizada, à posição excessivamente defensiva, nos tornamos técnicos, juízes, gandulas, mas sempre acreditamos. Ninguém duvida que a pior seleção brasileira pode ganhar de duzentas holandas. E aí um gol por acaso e um de escanteio, feitos por uma seleção que em nenhum momento deixou de ser medíocre, nos tiram da copa. Faltou tudo nessa seleção brasileira, mas ainda assim não acreditamos que perdemos. O meu primeiro jogo de copa do mundo com Chicó acabou nesse vexame, que até agora, relutamos em acreditar. Faltaram cinco minutos, faltou começar de novo, faltou vergonha, faltou um resto de esperança. Essa não. Até a falta mal cobrada de Daniel Alves, até o chute para o nada do Kaká, esperamos. Não veio.
O que dizer pro menino? Sofremos juntos, quietos, tentamos disfarçar discutindo pra quem vamos torcer agora. Como assim? Fará sentido ver o resto? Que lógica há em torcer para o Uruguai?
As pessoas bêbadas vão descendo a Rua das Flores com o coração apertado como o nosso. Alguns arriscam um foguete, outros sopram suas cornetas contidamente. A partir de amanhã, a vida continua. Mas hoje todos morremos um pouco.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Rotinas miracemenses

O roteiro matinal de um dia útil em Miracema começa com uma ida ao Celso Barbeiro. Cabelo e barba. Entre um e outro, ouço a rádio Muriaé FM. A rádio Muriaé FM me trás de volta É isso aí, com Ana Carolina e Seu Jorge, a versão horrorosa para aquela música do Damien Rice que tocou no filme Closer. Tenho vontade de abandonar o local num misto de fúria e descontentamento, mas a gilete já desliza sobre meu pescoço e é melhor continuar. Enquanto isso, Ana Carolina berra Eu não sei paraaaaaaaar de choraaaaaar! e penso que talvez o fim do mundo esteja próximo mesmo.
Depois, dou um pulo na farmácia do Tadeu pra assuntar um pouco, pagar a conta, e pegar alguns neosoros pra minha rinite, um velho vício. O Tadeu é sempre uma boa conversa. Daí passo na Caixa pra pagar as contas locais e vou à Casa do Biscoito estocar carboidratos, pois ontem de noite passei fome. Finalmente dou uma passada na lojinha de Tortas (mais estoque), passo no meu pai pra dizer que cheguei bem e volto pra casa.
Diô me espera com suas polentas, um feijãozinho supimpa e bananas cozidas de sobremesa. Quer melhor?

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...