sábado, 17 de julho de 2010

Saudade de amar

"Saudade daquele romance
Que a gente viveu
Saudade do instante
Em que eu te encontrei
Saudade do imenso desejo
Que a gente perdeu
Eu tenho é muita saudade
Do tempo em que amei
Saudade da força que tinham
Meus olhos nos teus
Eu vivo a mercê das lembranças
Depois desse adeus
A gente não deve
Sofrer por amor tanto assim
Porem todo amor mesmo breve
Eu guardo dentro de mim
Saudade de cada momento
Que eu lembro de có
Só sabe de amores
Saudade quem já ficou só
Saudade eu tenho saudade
Mas não de contigo voltar
Eu vivo sentindo saudade
De amar "

Dori Caymmi/Paulo César Pinheiro

Remexo nas minhas gravações empoeiradas e me deparo com um show de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro na TV Câmara (ainda existe?). Devo ter sido alertado pela Marila desse show pois raramente vejo TV que não sejam seriados e futebol. O fato é que gravei e depois não vi. Hoje remexendo a poeira, concluí que era a hora dele. Lá pelas tantas, Dori arremata a Saudade de amar com o mesmo sentimento que canta no novo disco. E aí é hora de voltar o tempo e tocar com delicadeza nas coisas boas que passaram. E, sim, sentir uma saudade acalentadora.
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Por falar em seriados e saudade, comecei a ver no canal Warner semana passada, Men of certan age, que narra o cotidiano de três amigos em crise de meia idade. Ótimo! Não há nada de clichê ali. São as dúvidas e as angústias que aparecem quando nos reconhecemos destrutíveis. O ruim é ter que ver o canal. São cinco minutos de seriado e outros cinco de propaganda. As propagandas se restringem praticamente aos programas do próprio canal. Um horror! Melhor aguardar o DVD.
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Vi com S. o ótimo Simplesmente complicado. Impressionante como o tempo faz bem a certas atrizes como Meryl Streep. Não sei se era a atriz ou eram seus filmes antigos que eu achava meio chatos, hoje só tenho elogios ao seu trabalho.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Em casa

Matei a sexta no trabalho (o único jeito de compensar férias atrasadas é matando a sexta de vez em quando), peguei a estrada, estou em casa. Diô me aguardava com um purê de abóbora com carne seca, polentas e um feijão mulatinho que não se come em nenhum lugar a não ser aqui.

O jogo de ontem terminou tarde e acabou atrapalhando meu sono. Lembrou muito aquele joguinho da Holanda. O Grêmio Prudente joga um futebol moderno: violento e no esquema 11-0-0. Na única vez que o técnico abriu mão, o time fez um gol, que acabou coroando a atuação apática do Fluminense.

Queria chegar mais cedo aqui por dois motivos: ficar só e dormir um pouco. A solidão aqui no silêncio do meu quarto em Miracema é como se fosse num pequeno santuário. Botei um filme sonífero na TV, mas o sono não veio.

Vim ouvindo Fátima Guedes. Uma seleção que fiz, sem privilegiar a intérprete ou a compositora, queria as duas. E as duas vieram em canções delicadas como Tanto que aprendi de amor ou Desacostumei de carinho e canções de Gudin, Guinga, Hermínio, todas muito bem costuradas pela voz macia de Fátima. A do Hermínio, que não me lembro o nome, voltei umas quatro vezes. É uma espécie de Atrás da Porta moderna. Ao mesmo tempo, remete ao Bom dia da Dalva. Fátima Guedes anda sumida. Já faz um bom tempo que fui vê-la com Letícia no Rival. Precisa reaparecer porque vive fazendo bem ao coração dos que a ouvem.

Toda vez que venho aqui, penso no caminho da volta. É talvez, o único projeto de vida que me alenta. Meu lugar é aqui.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Passageiro

Dos discos que estão no iPod, o que tem se mantido mais regular é o de Rodrigo Maranhão, Passageiro. Canções fáceis de assobiar, bem construídas, sambas, valsas, xotes e um belo quase fado. Rodrigo Maranhão vai se firmando, junto com Rômulo Fróes e Edu Krieger, como um dos bons compositores da nova safra.
Também tenho ouvido Moska, Pouco e Muito. Boas composições próprias, no entanto pouco ousadas, parecem não sair do seu normal. Preferia que ele tivesse gravado o projeto Moska no samba.
E ainda uma compilação com ótimas composições de Jacinto Silva. Xangai irresistível em Pisa maneiro.
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A Copa foi me adoecendo até o Brasil perder. Comecei sem nenhuma vontade de ver e acabei como todos, envolvido por aquele futebol chato da Holanda e da Espanha. O fim da copa nos trás de volta o campeonato brasileiro e o Fluminense. Vem em boa hora.
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Esqueci de comentar que o domingo terminou com sessão de cinema em casa. Eu e Laura assistimos Coração Louco, filme que deu o Oscar de melhor ator à Jeff Bridges. Bom filme, mas achei que faltou um final mais feliz. É filmão pra happy end!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O beco

Que importa a paisagem,
a Glória, a baía,
a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.

Manuel Bandeira.

Todo dia levantar e agradecer: não tenho sido mais do que um sobrevivente nos últimos anos. Às vezes dá vontade de fazer como Drummond e pedir perdão por ser o sobrevivente.

Há sim, é claro, Laura, Luisa e Chicó, que não me deixam desistir assim tão fácil. Laura e nossas solidões compartilhadas. Nossa mútua compreensão. Nossa desorganização caseira.

E há o trabalho. A crença de que se colhe e planta e se renova a cada dia. Mesmo nos dias em que se tem que ir a Nova Iguaçu e ficar três horas em pé palestrando. Há um grupo fechado comigo que não deixa a peteca cair. Não é um costurado político espúrio, mas uma troca de passes em que cada um assume um papel no jogo. Crescemos juntos, quando ganha um, ganham todos.

E há uns poucos amigos que estão sempre me esperando nas horas previstas, sempre dispostos a uma boa conversa. A vida foi passando e eles foram se reduzindo a muito poucos. Mas os poucos são de tamanha importância que é melhor que sejam só eles.

E há livros e discos cada vez mais espalhados pela casa, obstruindo passagens, atropelando espaços outrora vazios e calmos. A função deles é perturbar. Enquanto existirem leitura e canção pra perturbar, haverá uma mínima esperança.

E há finalmente os projetos. Os projetos se multiplicam a medida que o tempo passa e os transforma em grandes frustrações. Há uma chuva fininha caindo na Baía. De que me serve?

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pra onde vão as super-sônicas?


De Paulo Moura, falecido ontem, o que me deu mais prazer em ouvir foi o Samba da Latada, que gravou em dueto com Josildo Sá. Paulo Moura desmistifica a santíssima trindade do forró: sanfona, zabumba e triângulo, para introduzir um clarinete macio e gostoso de ouvir e dançar. Também me lembro com saudade da participação de Paulo no disco que Ney Matogrosso gravou com Arthur Moreira Lima. E do disco Paulo Moura e Ocidadocê cantam Dorival Caymmi, que tem a gravação de Sargaço Mar mais bonita que já ouvi. E também da regravação do repertório dos oito batutas em 98. Tenho outras recordações, mas essas são as que mais me encantaram.
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Tarefas ainda no aguardo de dias melhores:
  • Ler com atenção o novo código de ética médica, na área que eu milito é fundamental.
  • Começar a leitura de 2666, Roberto Bolaño, o livro é um calhamaço, eu já tinha determinado que só leria livros de até 400 páginas, mas Bolaño é outra história.
  • Voltar a Buenos Aires, dessa vez só a passeio e percorrer as ruas do centro atrás dos melhores discos de tangos e músicas latinas.
  • Visitar o Seu Amado, meu padrinho de três casamentos, cada vez mais ermitão do Morro da CEAB em Miracema.
  • Examinar minhas milhas no site da TAM com a Renatinha.
  • Viver cada dia como se fosse o penúltimo.
Obs: os dias passam iguais, implacáveis e os projetos vão ficando só projetos e só transformam em ação porque/quando o tempo permite.
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Eu devo ter sido um dos milhares de leitores que ajudaram a afundar o Jornal do Brasil. Leitor assíduo dos anos 80 e 90, ultimamente só comprava às sextas para ler o Tárik e a Revista de Programa. O Globo levou a maior parte dos bons cronistas do JB, mas deixou o Tárik lá. Não há informação mais correta e bem encaminhada em música brasileira do que as super-sônicas do Tárik.

domingo, 11 de julho de 2010

Strekelenburg


Amanheceu uma chuva fina em Niterói, fui levar Laura no colégio. Domingo é o único dia em que posso fazê-lo. O fim de semana tem sido como têm sido os fins de semana em Niterói nos últimos anos: locadora, filmes, séries enlatadas, carboidratos, sedentarismo.
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Voltei a assistir House e Lie to me. Desta vez, Gregory House passa um episódio duplo (e chato) numa clínica psiquiátrica. Longo demais. Parece uma caricata tentativa de refilmagem de Um estranho no ninho. E Hugh Laurie parece pouco a vontade nesse House arrependido.
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E a Espanha ganhou a copa. Vi com uma farta dose de coragem o jogo inteiro. Burocrático, violento, cheio de nomes esquisitos, do tipo Strekelenburg, Iniesta, Vander Vários, não dá pra torcer. No meio do primeiro tempo, um miracemense pergunta se está se instalando uma nova ordem no futebol mundial e Casagrande compra a pilha: Está sim! Como assim? Nova ordem com esse joguinho fechado!?!? O futebol acabou?
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Vi igualmente com farta dose de coragem, o filme Anticristo, Lars Von Trien. Já tinha começado duas vezes e não passava dos primeiros minutos. O que é aquilo? A que veio? É um filme doente, sem pé nem cabeça. Charlotte Gainsbourg consegue salvar o filme do abismo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Apaga o fogo, Mané


Há cem anos, nascia João Rubinato, o Adoniran Barbosa. Há trinta anos que, toda vez que sou instado a pegar do violão, o único repertório que me garante são as canções de Adoniran e as três posições mágicas de Carlinhos Bessa. Cresci ouvindo Guenta a mão, João, Acende o candieiro, Bom dia, tristeza, Apaga o fogo, Mané, Abrigo de vagabundos, são tantas!

Comecei a gostar do Adoniran no Transversal do Tempo, o disco semi-ao vivo de Elis, que terminava o lado A com uma versão triste da Saudosa maloca. Depois teve um disco comemorativo na EMI com participação de Gonzaguinha, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Elis, todos já mortos, que fritou na agulha de tão ouvido. E daí nunca mais deixei de gostar. Consegui os discos antigos, era fácil decorar e montei meu repertório.
Sábado em Palma repassei ele todo com a turma. Ninguém aguenta mais ouvir, eu canto assim mesmo!

Suas letras simples, seus sambas fáceis, são na verdade, uma profunda reflexão do prazer de viver, da dor de amar e da tristeza de partir.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...