Paulo César Schott - já viraram hábitos a boa conversa, a mútua compreensão, o apoio a qualquer tempo. Hoje quando chego na Empresa e não encontro o amigo, sinto-me um pouco mais só. Já é clichê, mas não custa realçar o quanto nos falta, sua importância como pessoa e profissional e como nos tornamos mais ricos e diferenciados por tê-lo em nossa equipe. Feliz aniversário. .................................. Cláudia Reis - hoje quando recebi o exemplar da Época que destaca nossa empresa entre as 100 melhores pra trabalhar no país, só pensava num nome: Cláudia Reis. Sua entrega em buscar o melhor para a Empresa é notável. E sua capacidade de superação para as adversidades invejável. .................................. Lawrence Block - O pecado dos pais é daqueles livros que dá vontade de devorar rápido e depois ler de novo pra ter certeza de que não perdeu nada. .................................. Nina Becker e Luísa Maíta - as duas estão embrulhadas no meu ouvido nas barcas, nos ônibus, nas filas intermináveis, e crescem a cada dia. ................................... Eugênio, meu irmão - me ligou cedo pra desabafar um pouco. Sua dor é minha dor, sua tristeza é minha tristeza, seu cansaço é meu cansaço. Diferimos apenas porque a vida nos colocou em missões e lugares diferentes, mas a alma caminha junta. Pesada, dolorida e junta. .................................... Bom, se considerarmos os irracionais, poderia incluir os biscoitos bis brancos de limão, a lasanha da dona Leila e a nimesulida, para alívio do túnel do carpo.
Fiquei de quinta a domingo na Armação de Búzios em congresso. Para alívio (ou desespero) imediato dos meus seis ou sete leitores, voltei. O Hotel Atlântico Búzios tem cama king, piscina aquecida, marshmalow na sobremesa, mas a internet não funciona. O Congresso já mantém uma tradição de muitos anos, amadurece a cada ano e vem sendo uma oportunidade de estar com meus amigos e conviver um pouco além do trabalho.
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Tem hora que chega a vontade de encontrar a própria cama e os apetrechos do lar. Cansado, amuei. Aproveitei pra ver O Profeta, do francês Jacques Audiard. É um filme sobre educação criminal numa prisão francesa. Achei muito cru. Não sei, me lembrou Gomorra, que não gostei. E vi também os dois primeiros episódios da série Breaking Bad. O meu cardápio de chegada não está muito otimista. Logo mais depois do jogo do Fluminense vou atrás de um filme bem framboesa. ............................................. A cantora lírica Sylvia Klein gravou um disco com Rufo Herrera em 2008: balada para um loco. Foi ouvido e reouvido na viagem. Rufo (foto minha acima no Festival de Jazz de Ouro Preto) empresta seu bandoneon virtuoso à música de Villa Lobos. E também estão se tornando cada vez mais irresistíveis os dois discos lançados por Nina Becker: Azul e Vermelho. Como essa canção Superluxo, que parece tirada do repertório dos Mutantes. ............................................. Estou de volta. Não há nada muito significativo em estar de volta, é só uma sensação leve de bem estar.
"- Mais ou menos. Não exatamente, porque não é raro um tira perder a fé e continuar sendo tira. Talvez ele nunca tivesse tido fé, desde o início. No fim das contas, descobri que não queria mais ser tira. Nem marido, nem pai. Nem membro produtivo da sociedade."
Lawrence Block, O Pecado dos pais
Philip Roth vai ter que aguardar mais um pouco. Olhei pra estante e descobri esse Block meio esquecido e imaginei que fosse hora dele. Tem sido um ano de poucos livros, não tenho conseguido cumprir nem a meta original de dois livros/mês. O ótimo Caim levou um século para terminar. Não que não seja prazeiroso ler com calma, voltar aos trechos, mas é preciso ler mais.
Enfim, nesse Block, Scudder está mais etílico do que nunca. Ou melhor, como diz a garçonete que o atende, Nunca te vi bêbado, e também nunca te vi sem um copo na mão. .........................................
Hoje foi um dia cheio de vazios. Não consegui ver sentido em muita coisa trivial. Uma espécie de ressaca sem alcool. Bode. Procurei dar conta dos meus recados e não ferir ninguém. Quando estou assim muito vazio, geralmente me irrito fácil. Mas isso tudo são grandes bobagens. Uma atrás da outra.
Sou a dobra de mim sobre mim mesmo Nesse afã de ganhar de quem me ganha Tento andar no meu passo e vou a esmo Tento pegar meu pulso e ele me apanha Eita, sombra rival que me acompanha Artimanha de enconsto malfazejo.
Rodopiei, beijei o chão, cambei pra cá Meu mestre rei foi Salomão, camará!
Dei um talho em meu próprio sentimento Pra que o mundo fulgure na clareira Que esse nervo me aviva o sofrimento Que esse olho é motivo de cegueira Ê, presença difusa, desordeira Giro de furacão sem epicentro Desafiei, puxei facão, ponguei pra lá Vazei no peito esse intrujão, camará!
E vem pernada aí Vem não, foi desvario E vem navalha aí Vem não, foi calafrio
A roda vai abrir Quando eu cair No vazio Meu sangue arredio, arrevesado Arranco e derramo em oferenda Mas não ponho fim nessa contenda Com meu coração esconjurado Camará, Camará, Camará...
Sei de um rosto escondido no espelho Bem depois do cristal iridescente Entro no meu juízo e destrambelho Entro no meu caminho e passo rente Eita, angústia que vai minando a gente Capoeira contra Pedro-Botelho
Guinga e Thiago Amud
Devo esclarecer, inicialmente para mim mesmo, que vivo caindo nessa armadilha, que não concordo com o descanso como forma de consolo. - Fulano descansou! Como assim?!? Quero minha Tia de volta, comandando a casa e a família, consertando as coisas como era do seu feitio. Não posso definitivamente querer que ela descanse.
Ontem já era outro dia. Precisava vir ao trabalho. Trabalhei a meia bandeira, é verdade, mas trabalhei. O corpo doía até o resto de cabelo, tive uma febre esquisita de tarde, a boca seca, o estômago embrulhado, mas fui levando o dia.
Já tinha comprado os ingressos, achei melhor não desprezar e fui ao CCBB ver Mônica Salmaso e Guinga. A boca começou a perder a secura logo que Mônica iniciou o Estrada do Sertão de João Pernambuco e Hermínio. Achei que minha tia ia gostar que eu estivesse ali. Depois Mônica cantou seu repertório já conhecido dos discos, mas bom de ser ouvido milhões de vezes: Senhorinha, Minha palhoça, Cabrochinha, etc, fechando com Nem um pio, para a entrada de Guinga e Lula Galvão. Os dois são referências do violão moderno brasileiro, mas a que mais gostei foi Guinga cantando sozinho essa canção Contenda, que fez em parceria com Thiago Amud, e tinha passado batido do Casa de Villa. Belíssima.
No final, Guinga e Mônica fizeram um set juntos e cantaram Estrada Branca (Tom e Vinicius) e Pra quem quiser me visitar e Noturna (ambas de Guinga e Aldir). A noite fria refletia na baía de Guanabara e achei que minha Tia estava por aí, olhando por nós.
Quando não tive ninguém mais para recorrer, quando fugiram de mim as últimas espectativas, quando destruíram meu projeto de vida, foi minha Tia que me acolheu. Essa mesmo que acaba de morrer. Achei que Drummond e Rufus poderiam realçar a intensidade dessa perda irreparável. Perda insubstituível. Como eles, foi como perder uma mãe.
Agora que não terei mais a sua infinita generosidade para me acolher. Agora que nada mais posso fazer para devolver a ela o tanto que fez por mim. Agora que me sinto mais perdido do que normalmente estou, como achar de novo um significado para a fé no Mundo? Há justiça nos desígnios de Deus, se há um Deus?
Que importam essas elucubrações às seis e meia da tarde no Catamarã Gávea 2, se minha Tia morre a poucos passos de mim?
Recordo o tempo em que minha cegueira me levava da Praia das Flechas ao final da Praia de Icaraí e de lá à casa da minha Tia. Era ela que me alimentava. De comida e afeto. Era ela que não permitia que eu deixasse me levar por meus abismos. Que me amparava.
Agora que não mais a tenho, procuro desesperadamente por suas palavras de carinho, que nos últimos tempos se transformaram em pequenos escritos. Reli todos os seus cadernos atrás dos afagos. dos conselhos, das recomendações.
Quis ficar ao lado dela o tempo que pudesse para me despedir. Enquanto existiu soube ser mãe, amiga, protetora. Vai faltar muito mais do que esse vazio imenso que agora mora em mim.
Vim cedo pra Miracema hoje. Aproveitei a semana calma de reuniões e adiantei serviço nos outros dias, de modo que deu pra vir, trocar o óleo da S10, filar o almoço da Diô, assuntar com o pessoal da Rua Direita, e ainda descansar um pouco de tarde. Só não deu pro cabelo, o Celso estava cheio. Esse tudo fazer preguiçoso e lento era o que eu precisava. Até respondi alguns e-mails de trabalho, mas deu pra desopilar um pouco. Em Parati, não consegui ficar desatento. Mas aqui é o lugar que eu ando de bermuda velha e sandália de dedo, que ainda me conhecem como filho do Carlim ou dos tempos que cliniquei na cidade, aqui minha paz anda comigo. Está um Sol frio em Miracema gostoso de passear, de dormir, de fazer qualquer coisa. Torço por 365 dias assim. Daqui a pouco começa aquele brasão infernal, aquele calor de deixar o asfalto da Uruguaiana fumegando e o corpo molhado. E a gente nem acredita que teve dias assim. É triste e ao mesmo tempo bom assistir o passo a passo da reconstrução do trecho Além Paraíba - Pirapetinga. Meu pai passou nessa estrada quando ainda era de chão, eu conheci um asfalto sem vergonha e cheio de buracos, mas Chicó terá um estrada ampla e segura pra viajar com a família. Tomara que o menino aproveite.
Fui deixando que minha memória seletiva ceifasse os lapsos de tristeza e enfim, acho que já dá pra falar alguma coisa da FLIP desse ano.
a) Era a Flip que eu não queria ir - desde maio desse ano, com a possível desistência de Alexandre e família, eu já estava desistindo de ir à FLIP. As meninas gostam de ter companhia e fica meio sem graça quando Marcela e Lorena não vão. Afinal depois de Laura ter insistido, Alexandre repensado e a Pousada das Acácias ainda estar disponível (reservamos na penúltima hora), resolvi rever.
b) Acho que foi uma grande injustiça e erro grave de avaliação dos organizadores, que Ferreira Gullar não tivesse sido o grande homenageado. Nada contra Gilberto Freire, mas Gullar faz 80 esse ano e é o maior poeta vivo da literatura brasileira. Gullar merecia todas as homenagens. que acabaram acontecendo de alguma forma, independente dos organizadores. Quem sabe ano que vem!?
c) Um porre meio homérico na sexta de noite na Pousada das Acácias foi o que de melhor me aconteceu na FLIP. Um prosecco que o Professor tinha me dado de presente, umas bohemias pretas e umas stelinhas e aquele cenário bucólico de Parati de boa conversa e música.
d) Assisti e achei razoável a leitura integral do Alguma Poesia do Drummond, com Gullar, Antônio Cícero, Eucanaã e Chacal. Ouvir poesia é sempre bom, mesmo que os intérpretes não sejam Abujamra, Autran ou Pedro Paulo Rangel.
e) Aproveitei pra conhecer Robert Crumb. Li alguns livros dele na Livraria da Vila (principalmente o ótimo Meus problemas com as mulheres) e trouxe comigo o Gênesis. Adoro quadrinistas e ao saber que Crumb tinha influenciado Angeli, Laerte e Flávio, tratei logo de me apresentar.
f) A programação OFF foi uma comédia a parte: um show de uma dupla de roqueiros paratienses na Praia do Pontal assistidos por nós e um cachorro sarnento que insistia em dormir debaixo da nossa mesa e a descoberta de que a melhor pizza de Parati pode ser entregue na Pousada.
g) Tirando Gullar e Crumb, pouco acompanhei de mesas e literaturas. Não há de ser nada! Ano que vem eu volto!