Bertold Brecht.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Quero ser Brecht
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Trechos da Cantareira
"É que no fim da estrada eu vejo quatro horizontes
Há mar, há montes de histórias, mistérios, sedes distintas.
Aquilo que te sacia pra mim é um três por quatro
O que retrata meu medo pra você não tem segredo.
O que pra ti é degredo pro outro é porto seguro
Seu furo de reportagem pra nós é mera bobagem.
Viagem sem paradeiro nos faz tão perto e distantes
Depois da minha chegada, sua partida, seu antes
Estrada de quatro sentidos
Encruzilhada de destinos
Quanto mais flor mais mulher
Quanto mais velho mais menino "
Pedro Luis, 4 horizontes.
"Às vezes, me levava pra comer fora, mas só quando eu pedia. Entre meus treze e dezesseis anos, mais ou menos, naquela idade em que preferimos não fazer nada na companhia de um pai, eu tratava de combinar um almoço na casa de uma amiga ou um passeio no shopping aos domingos e o deixava desacompanhado, e mesmo assim ele fervia sua feijoada ou assava sua picanha e almoçava sozinho."
Daniel Galera, Cordilheira
Da Barca Martim Afonso, pode se ver nitidamente os 4 horizontes da canção de Pedro Luis, numa versão que saiu agora no disco novo do Lenine (Lenine.doc), ainda mais tocante que a original. Além de Lenine, o aleatório alterna Elvis Costelo, Deneil Laranjeiras, Soledad Vilamil, Zé Ramalho (no bom interpreta Jackson do Pandeiro) e outros que não me lembro. Tento emplacar o livro de Daniel Galera. O trecho acima é delicado e parece que o autor começa a passar por cima das dificuldades de ter escolhido um narrador feminino. Também tento ler O Globo de hoje, só esportes e caderno B (nada de política, desastres, cataclismas). João Máximo escreve sobre os 70 anos de Pelé com a competência de sempre. A baía parece tensa e os 20 minutos correm devagar.
Estou assistindo Boardwalk Empire. Não acredito que teremos nada melhor em 2010 na TV. A cena final do quinto capítulo, sem falas, apenas conduzida pela canção Nights in Balligran (Carrickfergus) é das mais bonitas que já vi em televisão e cinema.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
A história da Eclipse Discos
Laura e Luisa pediram, eu conto. Nos anos 90, resolvi prestar contas a um velho sonho: montar uma loja de discos. Eu já tinha um acervo e um amigo. Faltava um nome e um lugar. Pedi um nome à Lúcia, que trabalha comigo até hoje, e ela não pensou duas vezes: Eclipse. E aí tinha uma casa em frente à Praça em Miracema, antigo consultório do Dr Moacir, que estava disponível para aluguel. Foi assim que nasceu a Eclipse Discos.
Na época, o cd gravável era coisa rara e custava caro. Eu lembro que Marila e Mário trouxeram uns cds do Nordeste pra mim, gravados por um sujeito que tinha pago uma fortuna para digitalizar o acervo da Marinês. Na época da Eclipse, gravávamos fita cassete. Nada dava mais prazer do que fazer uma seleção e dar de presente pras moças.
Pois bem, a Eclipse vivia das fitas que o Jadim gravava a partir das seleções alheias. Disco mesmo, vendíamos pouco.
Saíamos aos fins de semana e íamos a Juiz de Fora, Rio, Niterói, onde fosse, para comprar discos. Nunca conseguimos comprar direto das gravadoras. Estávamos nos anos 90, mas o disco que mais vendia era o Fly by night, do Rush. Miracemenses adoravam Iron Maiden, Sepultura, um pouco dos Beatles e nada de música brasileira. Meu acervo inicial agregou pouco.
Mais que tudo, a Eclipse Discos foi um exercício de amizade e companheirismo que ajudou a consolidar o afeto recíproco que temos, eu e Jadim. Não importou o prejuízo enorme que deu no final, nem o fechamento intempestivo da loja. No inventário seletivo da memória, isso nem conta. Importou que, por alguns meses, nos tivemos um ao outro em conversas intermináveis, audições antológicas, as minhas melhores recordações musicais.
Quem tem essa oportunidade na vida? Quando? Eu vivo ensinando aos meus colegas de trabalho que, sem esse exercício diário de amizade e consideração, nada flui. A Eclipse Discos só deu errado financeiramente. De resto, foi só alegria e boa conversa.
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Elba Ramalho diponibilizou seu disco no show no Teatro Rival e depois mandou essa: - comprem aqui ou nas melhores casas especializadas, se é que elas ainda existem.
É verdade. Não há mais lojas de disco. Os discos estão reduzidos às mega stores e qualquer dia desses, serão peças de museu.
Mas no coração vermelho do velho Francisco, ainda bate um surdo plangente das noites intermináveis da Eclipse Discos.
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Anat Cohen tamborila seu clarinete no meu ouvido cansado no ônibus 53, retornando pra casa, no disco do Choro Ensemble: é Paulo Moura renascido em choro. Lindo demais para dois ouvidos solitários!
domingo, 17 de outubro de 2010
Restos de fim de semana

Terminei a primeira temporada de Damages, e o que mais me impressionou não foi Glenn Close nem Rose Byrne, nem a boa história. O grande destaque da série pra mim foi o personagem do iugoslavo Zeljko Ivanek, o advogado Ray Fiske. Ele faz aquele advogado sombrio e mal dormido que parece saído dos melhores livros policiais obscuros.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Enquanto houver canção
Eles tão armados
São quatro caboclos em volta da mesa
O pianista pernambucano Deneil Laranjeira está lançando Irresistível Miudinho, releitura da obra de Alfredo Gama, uma espécie de Ernesto Nazareth de Pernambuco. Um ótima oportunidade para conhecer o trabalho de um e outro.
Também interessantíssimo, o disco do compositor Luiz Gabriel Lopes, Passando Portas, carregado de sotaques múltiplos, um bocado de fado misturado com flamenco com pura canção brasileira. A canção O Papa, o Cão , a Alfama já é séria candidata a figurar entre as melhores do ano.
Ontem (quanto tempo perdi e que bom que ainda existam essas surpresas na nossa vida besta!!!), fui apresentado à cellista Beata Soderberg pelo Fernando lá da Arlequim do Paço. Um pitéu sueco que faz um tango muito próximo de Piazzolla para ser ouvido de joelhos de preferência.
E há (bons) discos novos de Clapton, Baleiro, Lucina, muito que ouvir por aí.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
E essa vida da gente gritando que não.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Há um lado carente dizendo que sim
Perto do coração
Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...
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Meus domingos continuam vazios e frios. Apesar de estar com meus filhos, eu continuo me sentindo sozinho por inteiro. A doença só veio piora...
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Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...
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O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos p...
