domingo, 17 de abril de 2011

Prá São João decidir

Arrigo Barnabé fez a ponte entre Lupicínio e Tom Waits pra quem viu Senhor Brasil na TV Cultura hoje (obrigado, Marila). Há uma similar aqui. Puro Tom Waits. Está longe da interpretação original de Chico Alves, mas vale ouvir muitas vezes. Estranho ouvir o erudito Arrigo, que lançou recentemente uma Missa em memória de Itamar Assumção, cantar Lupicínio até com certa propriedade.
Sou um apaixonado pela versão do Chico Alves, que meu pai me ensinou a gostar desde que ouço música. Sempre me achei derrotado pelo vizinho nessa canção, e ao longo desses anos, de um modo ou de outro, se foram muitas Rosinhas.
Graças à outro Chico, o da Moto Discos, que lançou às próprias custas um cd contendo grandes interpretações de Francisco Alves, inclusive Pra São João decidir, a canção me acompanha há anos. Quando vim trabalhar no Rio em 97, embalava minhas madrugadas na estrada. Nunca deixei de ouvi-la.
E nem de acreditar que João possa trazer junhos melhores.
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Belíssima a crônica de Cora Ronai quinta-feira, narrando a história dos meninos da Orquestra Sifônica Brasileira Jovem, que subiram ao palco do Teatro Municipal na abertura da temporada mas se recusaram a tocar em consideração aos músicos da OSB principal, afastados porque não aceitaram passar por uma avaliação controversa. Bela crônica, belo exemplo deram esses meninos.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Micróbio do samba

Os puristas vão estranhar a guitarrinha meio distorcida no cd Micróbio do samba de Adriana Calcanhoto, mas aqui vai um aprendizado: insista. Ao final de algumas audições, você vai encontrar um ótimo disco. É do tipo que vai crescendo a cada vez que se ouve. Mesmo bobagens, como Pode se remoer ou Já reparou soam interessantes na voz da cantora. Adriana vai se firmando como uma das boas compositoras dessa geração carente. Por enquanto, a minha preferida é a delícia Vem ver.
Na minha inútil peregrinação por filmes novos, tenho preferido as revisões. Depois de passar uma síndrome de abstinência por Deadwood, revi A fraternidade é vermelha. Já não se fazem filmes como esse, trilhas como essa, mulheres como essa Irene. Irene ri, Irene ri, Irene!!!!!!
Ontem vi um filme com Antonio Banderas chamado Morte por encomenda. É meio como o cd de Adriana. No final, você acaba gostando.
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Ando cheio de desvontades, principalmente de escrever. Espero que meus três leitores me compreendam.

domingo, 10 de abril de 2011

Como outro qualquer

Passei o final de semana recluso, a maior parte do tempo reflexivo, mas hoje acordei de um sonho tranquilo. E aí lembrei-me dos domingos em que meu pai ligava a eletrola telefunken alto e colocava seus discos pra tocar depois da misssa. E Chico Alves, Silvio Caldas, Clara Nunes, Roberto Carlos povoavam nossa manhã fria miracemense. Hoje, nessa manhã fria miracemense, coloquei minha seleção pessoal Ella Fitzgerald. Ninguém cantou Porter ou Gershwinn tão bem quanto Ella.
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A tranquilidade logo deu lugar à estrada e vim também ouvindo Ella, Fátima, Soraya e Ana Bacalhau. Na estrada, a música alta, às vezes aguda, me aproxima mais da solidão, mas continua a ser uma bela companhia.
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Mal teve início Americano 1x5 Fluminense e Raul Quadros começou a tagarelar contra o time e a favor do Americano. Depois do primeiro tempo, o comentarista sumiu. O técnico, contra todas as minhas convicções, acertou ao colocar Marquinho nolugar de Deco. Vai entender!!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Francisco, Francisco

Geraldo Azevedo está lançando um novo disco, uma espécie de song book do Rio São Francisco. Foi a melhor coisa que fez nos últimos anos. Natural de Petrolina, Geraldo banhou muito nessas águas que agora canta.
Há grandes acertos no disco. Por enquanto o que mais me agradou foi a parceria de Geraldo e Moraes em Petrolina e Juazeiro. Um xotezinho manso, que brinca com as cidades e o Rio. Mas há Roberto Mendes (na supra citada Francisco, Francisco), Fernanda Takai, Maria Bethânia e até Ivete Sangalo que resolve ser e acaba conseguindo ser uma boa intérprete em O ciúme.
Conheci Geraldo em 79 do disco Bicho de sete cabeças, um clássico nordestino. Foi um dos discos que furaram na vitrolinha. Depois acompanhei a carreira do cantor nos anos 80 e 90, assisti a alguns de seus shows e acho que são antológicos o trio de discos que ele fez para a gravadora Ariola: Inclinações Musicais, For all para todos e Tempo tempero. Adoro a vitrine de lps que tem na contra- capa de Inclinações musicais. E o fato dele ter misturado Um dia (Caetano) com Vem Morena (Gonzaga), e de ter feito a cinematográfica Você se lembra.
Geraldo é de um tempo secreto, em que eu era feliz e não sabia.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Trabalho e música

Preciso de um qualquer tempo no meu quarto escondido nos fundos da minha casa em Miracema. sem rede, sem tv a cabo, sem responsabilidade. Um tempo pra mim. Aqui nem consigo mudar o disco. Emendei de novo as três temporadas de Deadwood para não ter que escolher nada. Até escolher está difícil. Bem, é verdade, Deadwood é muito bom e vai prendendo a gente. Tentei ver o Cisne negro, mas os primeiros 40 minutos são tão deprimentes que desisti ali. Voltei para Deadwood.
Hoje só consigo ser alcançado por trabalho e música. eve ter sido aí que apareceu esse disco novo da Virgínia Rosa. Gosto de Virgínia Rosa desde Batuque, acho que seu primeiro disco. Ao longo desses anos, interpretações marcantes de Pressentimento (no cd A voz do coração) ou Você passa eu acho graça (Ataulfo Alves, 100 anos) foram deixando uma ótima impressão da cantora. Esse novo, de voz e piano, gravado com Geraldo Flack, não deixa de ser um bom disco, mas peca muito pelo excesso de obviedades. Duvido que alguém que queira ouvir Maria, Maria, vá puxar da estante o disco de Virgínia, quando há tantas gravações clássicas. Em todo caso, Virgínia merece crédito. Poderia vir ao Rio lançar o disco. Ao vivo, a interpretação deve crescer.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Oi Nélis


"E há tempos nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
Há tempos são os jovens que adoecem
Há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção."

Renato Russo

Entro segunda manhã disperso dispersivo encontro Nélis no café. Oi Nélis. Um oi meio chocho de quem já tá pensando na próxima tarefa. Muito distante daquele velho Oooooooiiiiii Néééélis.
Da minha sala, vejo Nélis trabalhando e penso num átimo que bom seria se pudéssemos jogar conversa furada tola remelenta fora como em outros tempos. Mas já vem uma enxurrada de e-mails para responder e outros assuntos para discutir e reuniões de nem sair pra almoçar e o dia passa relâmpago. Volto pra casa, tchau Nélis. Nem sei quem sou mais.
Sou o que me mandam aos ouvidos. Como a Valsa de um subúrbio mandada por Carlos Navas do ótimo Junte tudo que é seu, ou Las doce de la noche por Lidia Borda. Sou essa correria de gente pra pegar um lugar na Cantareira na triste Baía de Guanabara. E um monte de citações, referências, desacordos.
E voltei a ouvir Dalva de Oliveira. Dalva ainda tem muito que ensinar de dor e prazer. Chego em casa pensando em escrever tudo isso.
Queria que Nélis soubesse o quanto me é cara e o quanto sou grato por estar com ela às segundas no trabalho mesmo que seja para um vago e dispersivo Oi nélis.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Enquanto gira o Mundo bizarro

"Dizem que o exercício ajuda, mas para fazer o exercício é preciso chegar à academia, e para chegar à academia, é preciso sair de casa - sair de casa sendo, talvez, uma das coisas mais difíceis de se executar no fundo do poço. Até encontrar os amigos é complicado, porque as conversas se tornam tão difíceis de acompanhar quanto a atmosfera feliz que costuma reger tais encontros.
Viajar quebra um pouco essa rotina asfixiante, mas na verdade não resolve nada, apenas leva o fundo do poço para outra paisagem"
Cora Ronai, no Globo de quinta.
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Meia hora antes do choro e da traíra, minha mãe foi encaminhada ao CTI da Casa de Saúde Santa Marta com suspeita de tromboembolismo pulmonar, que depois foi confirmado. Eu estava a 300 km de distância, os amigos chegando, a traira temperada e a cerveja na temperatura quando meu primo ligou. Eram quase 9 horas e agonizei sem saber direito o que fazer. Decidi não falar sobre o assunto e me esforcei para não estragar a noite, ao mesmo tempo que tentava resolver as coisas por telefone. Na manhã seguinte, corri pra Niterói e passei a semana entre o trabalho e minha mãe, que hoje passa bem. Muitas noites numa noite, trabalho, discussão, conversa muito engarrafamento e nem me esforcei pra trocar a temporada de Deadwood quando chegava em casa já tarde. Emendei logo a segunda. Esse resumo e mais angústia, vazio, engarrafamento, cantareira apinhada de gente, foram a minha semana. Nem deu vontade de escrever. Ou melhor, parafraseando Cora, pra escrever tinha que ligar a máquina e daí...
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Estou tentando voltar aos poucos, acompanhando a melhora de minha mãe. Ontem ainda tentei ensaiar uma ida no teatro com Nélis, mas só tinha um ingresso pra peça do Abujamra. No jornal, leio as trapalhadas que a turma que elegeu Peter Siemsem como presidente do Fluminense anda fazendo. Ninguém fez mais pelo clube do que o patrocinador nesses últimos anos. No shuffle, Eva Cassidy quase chora o songbird no meu ouvido.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...