Me trouxe o menino de volta
A Praça da Rua das Flores.
Os velhos carnavais miracemenses.
Os encontros furtivos na casa da minha avó.
Me trouxe uma paz e uma possibilidade.
Uma sensação de indefinido.
Alguma coisa que brilhou de novo.
Uma estranha perspectiva.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
O melhor encontro casual
"Despreparada para a honra de viver
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus insumos são amadorismos.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante.
As circunstãncias atenuantes me parecem cruéis."
Wislawa Szymborska, A vida na hora
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus insumos são amadorismos.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante.
As circunstãncias atenuantes me parecem cruéis."
Wislawa Szymborska, A vida na hora
Semana corrida essa que passou, talvez a última semana do ano de grandes embates. Daqui pra frente é o morno do natal que se avista. Ontem mesmo resolvi ir ao Plaza Shopping no final da tarde para renovar o estoque de chocolate. Já está difícil entrar e sair. Milhares de pessoas e uma fila complexa nas Lojas Americanas. De repente, avistei Laura. Não tinha marcado, não era o objetivo, mas lá estava ela. Não foi o meu primeiro encontro casual com Laura. Moramos juntos, dividimos silêncio e conversa, e algumas vezes, nos encontramos por acaso. Num ônibus, numa esquina, na praça de alimentação do shopping, em meio a muitos possíveis encontros, era Laura quem estava ali. Laura tem sido meu melhor encontro casual nesses anos todos.

Em São Paulo quarta e quinta, além dos atrasos da TAM, das reuniões conturbadas e da noite mal dormida no Hotel Transamérica, descobri o Restaurante Capim Santo e seu camarão ensopado no coco. Fotografei pra guardar o sabor.
Ontem apaguei o dia. Depois de três dias atropelados, o jeito foi hibernar. Entre um sono e outro assisti ao brasileiro Estamos juntos. Descontando o desempenho alto nível de Leandra Leal e a oportunidade de ver Luisa Maita cantando em cena, o filme não diz a que veio. É um ensaio sobre a solidão e a proximidade da morte que a mim, emocionou pouco.
Botei pra tocar no Itreco, o disco do fadista Pedro Moutinho, Um copo de Sol. É uma grata surpresa. Fado sem cerimônia, tradicional, sem improviso, vadio. Bom de ouvir.
E leio e releio sem parar o livro de poemas de Wislawa Szymborska, editado pela primeira vez no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Regina Prybycien.
Taí uma boa dica: dê livro de poesia de presente no natal. Quem sabe o Mundo não acorda?
Em São Paulo quarta e quinta, além dos atrasos da TAM, das reuniões conturbadas e da noite mal dormida no Hotel Transamérica, descobri o Restaurante Capim Santo e seu camarão ensopado no coco. Fotografei pra guardar o sabor.
Ontem apaguei o dia. Depois de três dias atropelados, o jeito foi hibernar. Entre um sono e outro assisti ao brasileiro Estamos juntos. Descontando o desempenho alto nível de Leandra Leal e a oportunidade de ver Luisa Maita cantando em cena, o filme não diz a que veio. É um ensaio sobre a solidão e a proximidade da morte que a mim, emocionou pouco.
Botei pra tocar no Itreco, o disco do fadista Pedro Moutinho, Um copo de Sol. É uma grata surpresa. Fado sem cerimônia, tradicional, sem improviso, vadio. Bom de ouvir.
E leio e releio sem parar o livro de poemas de Wislawa Szymborska, editado pela primeira vez no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Regina Prybycien.
Taí uma boa dica: dê livro de poesia de presente no natal. Quem sabe o Mundo não acorda?
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Dois haicais
Das vantagens do corredor
Pousado o avião
quem está no corredor
pula mais cedo.
Chuva
No caos de Congonhas
A conversa de amigos
É o que mantém pernas e calma.
Pousado o avião
quem está no corredor
pula mais cedo.
Chuva
No caos de Congonhas
A conversa de amigos
É o que mantém pernas e calma.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Boss
A melhor surpresa da temporada de séries desse semestre foi Boss. Começando por Gus Van Sant, que dirigiu o primeiro episódio e é um dos produtores. A história acompanha a trajetória do prefeito de Chicago, interpretado por Kelsey Grammer (excelente), que sofre de uma doença degenerativa incapacitante. Controverso, o sujeito é apaixonado pela cidade, tem asco pela humanidade e está morrendo. A série, baseada livremente no Rei Lear, ainda conta com Hannah Ware (pitéu é pouco pra moça, é um triplo AAA!) como a filha desgarrada do prefeito.
Vinha na Barca Martim Afonso hoje na Baía e uma moreninha ao meu lado flanava no tempo. De repente, Regina Spektor invadiu meu ouvido com a versão da centenária My Man, da irrepreensível trilha sonora de Boardwalk Empire e me deu uma vontade danada de compartilhar a canção com a moça. Mas que tempo é esse que não se pode dividir uma canção dos anos 20, sem ser desagradável?
Vinha na Barca Martim Afonso hoje na Baía e uma moreninha ao meu lado flanava no tempo. De repente, Regina Spektor invadiu meu ouvido com a versão da centenária My Man, da irrepreensível trilha sonora de Boardwalk Empire e me deu uma vontade danada de compartilhar a canção com a moça. Mas que tempo é esse que não se pode dividir uma canção dos anos 20, sem ser desagradável?
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Novos filmes descartáveis
Trabalho e cinema, foi o que deu pra fazer nesse fim de semana niteroiense esquisito. Saudade da sexta feira gorda do BDF e do samba da Capivara. Enfim, resolvi ficar em Niterói depois de ter bebido algumas na festa da empresa na sexta. Pago um ingresso caro pela vodca, como já disse. Durmo mal ou não durmo.
Ah, e teve também aquele joguinho insosso de Fluminense e Botafogo. Quem diria que o Botafogo, depois de oito apagões seguidos, iria jogar tanto contra o Fluminense, ainda que desse em nada. Inês já estava morta. Enfim, o Fluminense não jogou nada também.
Fiquei satisfeito com a vitória do Corinthians, apenas como uma homenagem prestada à Sócrates Brasileiro.
E vi por inteiro, o denso Cisne Negro. Digo por inteiro porque da primeira vez, tinha achado triiiiiste demais pra terminar. Dessa vez vi todo. Certamente, não é o tipo de filme que faz você levantar da cadeira e sair dançando.
Vi dois outros filmes assim assim: Amor a toda prova e Amizade colorida. No primeiro, marido enganado procura playboy para aprender sobre a vida e no final descobre que o playboy quer casar com a filha. No segundo, um casal simpatiquinho decide ser só amigo e fazer sexo semi-animal, o que acaba inevitavelmente em casamento. Clichê do clichê, literalmente, Mas passam bem pra um fim de semana esquisito.
Passei o domingo escutando Paolo Conte. Via con me.
Hoje já voltou tudo ao normal. Ônibus, cantareira, trabalho, trabalho, cantareira, ônibus. Estou em casa. Mais salvo, menos são.
Ah, e teve também aquele joguinho insosso de Fluminense e Botafogo. Quem diria que o Botafogo, depois de oito apagões seguidos, iria jogar tanto contra o Fluminense, ainda que desse em nada. Inês já estava morta. Enfim, o Fluminense não jogou nada também.
Fiquei satisfeito com a vitória do Corinthians, apenas como uma homenagem prestada à Sócrates Brasileiro.
E vi por inteiro, o denso Cisne Negro. Digo por inteiro porque da primeira vez, tinha achado triiiiiste demais pra terminar. Dessa vez vi todo. Certamente, não é o tipo de filme que faz você levantar da cadeira e sair dançando.
Vi dois outros filmes assim assim: Amor a toda prova e Amizade colorida. No primeiro, marido enganado procura playboy para aprender sobre a vida e no final descobre que o playboy quer casar com a filha. No segundo, um casal simpatiquinho decide ser só amigo e fazer sexo semi-animal, o que acaba inevitavelmente em casamento. Clichê do clichê, literalmente, Mas passam bem pra um fim de semana esquisito.
Passei o domingo escutando Paolo Conte. Via con me.
Hoje já voltou tudo ao normal. Ônibus, cantareira, trabalho, trabalho, cantareira, ônibus. Estou em casa. Mais salvo, menos são.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Para ler 600 vezes (e depois reler outras tantas)

Alguns gostam de poesia
Alguns -
ou seja nem todos.
Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola onde é obrigatório
e os próprios poetas
seriam talvez uns dois em mil.
Gostam -
mas também se gosta de canja de galinha,
gosta-se de galanteios e da cor azul,
gosta-se de um xale velho,
gosta-se de fazer o que se tem vontade,
gosta-se de afagar um cão.
De poesia -
mas o que é isso, poesia.
Muita resposta vaga
já foi dada a essa pergunta.
Pois eu não sei e não sei e me agarro a isso
como uma tábua de salvação.
Wislawa Szymborska
Nesses tempos ruins, em que se impõe uma música barulhenta e sem graça nas festas, nas rádios FM (afora as que tocam baladões mela cueca dos anos 80), em que não há mais recitais de poesia decentes, em que não há esperança de dias melhores para a palavra, a leitura dos poemas da polonesa Wislawa Szymborska (pronuncia-se Vissuáva Chembórska) na ponte aérea, me causou a mesma comoção de quando li O metro nenhum de Francisco Alvim.
Deveria ser obrigatório nas rádios (sugiro um batidão alternado com uma poesia), nas televisões, nas escolas, onde fosse possível mostrar que a poesia vive, urge, e pode salvar almas vazias.
Deveria ser obrigatório nas rádios (sugiro um batidão alternado com uma poesia), nas televisões, nas escolas, onde fosse possível mostrar que a poesia vive, urge, e pode salvar almas vazias.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Poemínimos II
Duracell
Beatriz tem uma bateria interna.
De vez em quando ela liga.
E não para de rodopiar o resto do dia.
Telefone
Cheguei em casa.
O coração cheio de vodca.
O pé cheio de dor.
Esqueci seu telefone.
Beatriz tem uma bateria interna.
De vez em quando ela liga.
E não para de rodopiar o resto do dia.
Telefone
Cheguei em casa.
O coração cheio de vodca.
O pé cheio de dor.
Esqueci seu telefone.
Assinar:
Postagens (Atom)
Perto do coração
Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...
-
Meus domingos continuam vazios e frios. Apesar de estar com meus filhos, eu continuo me sentindo sozinho por inteiro. A doença só veio piora...
-
Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...
-
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos p...

