quinta-feira, 15 de agosto de 2013

From to you


Lembrei do Abbey Road no texto anterior, poderia ter colocado o Sgt Peppers e o Let it be na lista, mas comecei a gostar dos Beatles antes de 1975, quando esses lps citados furaram na vitrolinha. O primeiro Beatles que apareceu lá em casa, o que me introduziu na música deles, foi a coletânea "a collection of beatles - oldies, but goldies". Eu estava pelos 12 ou 13 anos e fazia hi-fi na garagem de casa. Deve dar para imaginar o encanto que causou ouvir "from to you" pela primeira vez.
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Depois dos boleros chulos, o menino agora anda gostando de fox. Ontem extrapolei: peguei do violão e mandei meu repertório de oito canções: ele dormiu na hora.
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Triste em São Paulo. O lugar mais frio de São Paulo é o meu quarto.
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Trabalho muito mal com o powerpoint. Minhas apresentações são militares. Na última reunião resolvi incluir algumas mensagens de auto ajuda depois de tantas reclamações. Botei lá as recomendações de Jim Dodge para jovens escroques. O pessoal adorou.
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As fotos cubanas de Nanda Costa revigoraram meu apego pela Playboy. Renovei por 3 anos.
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Não sai mais do Itreco: Simone Guimarês e Cristina Saraiva, Chão de aquarela. Já tinha meio que esquecido dele, agora voltou com tudo de bom.

De Afonso Ávila, Discurso da Difamação do Poeta

"O poeta falava e as pessoas ouviam atentamente.
O poeta falava e as pessoas costumavam ouvi-lo atentamente.
O poeta falava e as pessoas costumavam ouvi-lo com alguma atenção.
O poeta falava e as pessoas às vezes ouviam com alguma atenção.
O poeta falava e algumas pessoas o ouviam com alguma atenção.
O poeta falava mas raras pessoas o ouviam com alguma atenção
O poeta falava e as pessoas já não o ouviam.
O poeta falava e as pessoas já o olhavam sem ouvir.
O poeta mal falava e as pessoas já abrem a boca em fastio.
A ATITUDE DIANTE DO POETA É O BOCEJO."

Transcrito de Discurso da Difamação do Poeta, pág 103

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Os cem discos que furaram na vitrolinha Philips

Nesse ano sem lançamentos de Chico, Bosco ou Caetano, Socorro Lira já mandou duas pérolas finíssimas já decantadas aqui. Não é exagero dizer que esse é o ano de Socorro Lira.
Esse singelo tratado da delicadeza não sai da agulha. E olha que o namoro ainda está na segunda música, que se chama "da coisa linda". Tive uma relação intensa com a primeira, "delicado", ainda mais delicada que a do Waldir. Separei-me dela para não ficar enjoado e já mandei a segunda.
Esse disco deu saudade dos discos que furaram na vitrolinha. 
Tenho aversão à lista, mas não resisti a essa. Juntar os vinis mais ouvidos entre 1975 (tinha eu 14 anos de idade e comecei a perceber melhor o efeito avassalador que a música podia produzir) e 1986 (quando comprei meu primeiro cd, A Barca dos amantes, do Milton).
Lógico que eu esqueci de alguns, é só uma pré-lista do essencial, sem ordem de importância e cronológica.
Alguns foram lançados muito antes de 75, mas só entraram na minha vida a partir daí.


  1. Transversal do Tempo da Elis,
  2. Mudança dos Ventos da Nana,
  3. Antologia do Samba-canção do MPB 4.
  4. Às próprias custas do Itamar.
  5. Das barrancas do Rio Gavião do Elomar
  6. Vira virou do MPB 4
  7. Rumo aos antigos
  8. Clara Sandroni I
  9. Ciclo da Bethânia
  10. Falso brilhante da Elis
  11. E a gente nem deu nome da Nana
  12. Ashes are burning. do Renaissance
  13. Secos e Molhados I
  14. Novo aeon do Raul
  15. Rita Lee, Atrás do Porto tem uma cidade
  16. Clube de esquina 2 do Milton
  17. Boca Livre I
  18. Face a face da Simone
  19. Uns do Caetano
  20. Elis de 1974
  21. Pássaro da manhã da Bethânia
  22. Cidadão do Mundo do Fernando Lona 
  23. Pra não dizer que não falei das flores do Vandré
  24. O grande circo místico de Edu e Chico
  25. Ópera do Malandro do Chico
  26. Cinema transcendental do Caetano
  27. Geraes do Milton
  28. Apenas um rapaz latino americano do Belchior
  29. Saudade do Brasil da Elis
  30. Prisma luminoso do Paulinho
  31. Pequeno perfil de um cidadão comum de Toquinho
  32. Tom e Edu de Edu e Tom
  33. Terra Brasilis do Tom
  34. Gonzaguinha da Vida
  35. Heartattack and vine do Tom Waits
  36. Somos todos iguais nesta noite do Ivan Lins
  37. Abbey road, dos Beatles
  38. Refazenda do Gil
  39. Caça à raposa do João Bosco
  40. Ave noturna do Fagner
  41. Chico Buarque de 1978
  42. Dori, Nana, Danilo e Dorival Caymmi - Ao vivo no Scala II 
  43. Cinema Transcedental do Caetano
  44. Cigano do Fagner
  45. São demais os perigos dessa vida, de Vinicius e Toquinho
  46. Essa é sua vida do João Bosco.
  47. Eu quero é botar meu bloco na rua, do Sérgio Sampaio
  48. Nara canta Roberto
  49. Pescador de pérolas do Ney
  50. Nara canta Chico
  51. A noite do Ivan Lins
  52. Alumbramento do Djavan
  53. Coração bobo do Alceu.
  54. Francisco, do Chico
  55. Álibi da Bethânia
  56. Água viva da Gal
  57. Memorias cantando do Paulinho
  58. Luz e mistério do Zé Renato
  59. Pecado do Ney
  60. Elis e Tom
  61. Clara Sandroni II
  62. Realce do Gil
  63. Atrás da porta da Nana
  64. Ernesto Nazareth por Antonio Adolfo
  65. Caçador de mim do Milton
  66. Angela Ro Ro I
  67. Silvio Caldas ao vivo de 1973
  68. O tango na voz de Nelson Gonçalves
  69. A pagina do relâmpago eletrico, do Beto Guedes
  70. Avohai do Zé Ramalho
  71. Raimundo Fagner de 1976
  72. A música de Luiz Gonzaga e Zé Dantas
  73. Que qui tu tem canario do Xangai
  74. Clássicos em choro do Altamiro
  75. Na quadrada das águas perdidas do Elomar
  76. Nego Dito do Itamar
  77. Gal a todo vapor
  78. Cantoria I de Elomar, Geraldo, Vital e Xangai
  79. Inclinações musicais do Geraldo
  80. Chico e Bethânia no Canecão
  81. Bicho do Caetano
  82. Cinco sentidos do Alceu
  83. Premê do Premeditando o breque
  84. Frevo mulher da Amelinha
  85. Pedrinho do Vitor Assis Brasil
  86. Fonte da vida do Zé Renato
  87. Leni Andrade (Pointer, 1984)
  88. Sinal fechado do Chico
  89. Calabar do Chico
  90. Voz e suor, Nana e César
  91. Antologia do samba canção do Quarteto em cy
  92. Cobra de vidro do Quarteto em Cy e MPB 4
  93. Totalmente demais do Caetano
  94. Ave noturna do Fagner
  95. Cauim do Ednardo
  96. Milagre dos peixes ao vivo do Milton
  97. Pérola negra do Luiz Melodia
  98. Contrastes do Macalé
  99. Bicho de sete cabeças do Geraldo Azevedo
  100. Angela Ro Ro I

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Os nove mandamentos da liturgia franciscana

1) Que música e poesia venham antes, e o resto seja menor.
2) Que eu possa morrer sem desespero, feliz de ter vivido em paz.
3) Que meus filhos sejam livres para fazer suas escolhas.
4) Que Miracema esteja sempre ali, perto e dentro de mim.
5) Que eu possa conservar os três ou quatro amigos que ficaram em mim.
6) Que eu nunca desista do aprendizado como método de trabalho.
7) Que eu viaje menos e ouça, leia e veja mais.
8) Que eu sempre possa provar da comida simples que aprendi a gostar.
9) Que o amor seja mais do que tudo isso.

sábado, 27 de julho de 2013

Meu impasse

De Aldir Blanc e Moacyr Luz, poesia pura pra fugir do clichê dos meus textos bestas.

"Viver com você foi desviver
Dizer pra você foi desdizer
Amar com você foi desamar
Fazer com você foi desfazer

Pintar com você foi despintar
Mentir com você foi desmentir
Contar com você foi descontar
Pedir pra você foi despedir

Tratar com você foi destratar
Trair com você foi distrair
Pensar em você foi dispensar
Culpar nosso amor é desculpar, morrer

Se eu prezar esse amor, eu me desprezo
Me passar pra você é meu impasse
Meu descompasso, me despedaço,amor
É o desenlace..."

domingo, 21 de julho de 2013

O portão

Retornei à Niterói no sábado pelos caminhos de muitos anos. Desde 1980, frequento a Cantareira. Primeiro a escola médica, depois o trabalho, sinto que há um pedaço de mim esquecido na Baía. Um pedaço que descobriu o velho centro do Rio e nunca mais deixou de ser parte de suas vielas e becos. Mas que começou em Niterói.
Desgraçadamente, esqueci de levar o fone de ouvido. O resto deu tudo certo. Fui na Barca Neves e voltei na Vital Brasil (ou terá sido o contrário?). Certo é que fui numa nova (12 minutos) e voltei numa velha (22 minutos).Tenho ouvido rumores de que a barca não é mais a mesma, mas no sábado não teve atraso.
Fui ver, ouvir e tentar reorganizar meu acervo. Parte do coração foi se embora de Niterói, mas ficaram Laura e o acervo. Ficou muito.
Foi bom ter voltado ali e passado parte da manhã e um pouco da tarde mexendo em filmes e discos empoeirados. Almoçar com Laura, conversar um pouco, remexer gavetas e estantes.
Na ida, passei no Mercado da Praça XV. Impossível não ficar pelo menos meia hora revirando velharias. Na volta, ainda deu tempo de ver o bandoneonista argentino Walther Castro passar o som no Arlequim.
Foi muito bom saber que Niterói continua ali.E parte de mim também.
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Está na hora de Abel Braga pedir pinico. Chega de perder!

terça-feira, 16 de julho de 2013

O singelo tratado da delicadeza de Socorro Lira

Achei por acaso perdido na Livraria da Cultura. Fiquei meio assustado com o preço e com o belo formato da capa, mas comprei na hora. Valeu por muitos.  Já tinha comprado o excepcional duo de Socorro com Osvaldinho - os sambas do rei do baião- na Passa Disco. Não fosse o garimpo desinteressado num fim de tarde em São Paulo e o Fábio da Passa Disco, não teria conhecido essas pequenas obras primas.
A primeira canção, Delicado, veio tocando na ponte aêrea do Rio a São Paulo hoje de manhã. Durante uma hora de vôo tranquilo ouvi a música inúmeras vezes e só desliguei quando fui alertado pela aeromoça. É dessas que nos elevam a Deus.
Da lavra dos grandes compositores nordestinos. Cheguei a lembrar do Meira, do Canhoto, do Capiba, e dos tempos em que ouvia os discos do Ednardo, do Zé Ramalho.
Há algo de sublime na voz e nas canções de Socorro Lira.
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Num outro fim de tarde em Paraty, em 1930 numa FLIP, depois de muitas cervejas no Che Bar, fui convencido por uma moça da Editora Abri a fazer uma assinatura eterna da Revista Playboy. Desgostei de ver foto de mulher pelada há algum tempo, mas a revista chega todo mês. Trago pra São Paulo e leio. A desse mês vem com uma entrevista de Ricardo Darin que vale a revista.
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Mais um fim de tarde em São Paulo friorenta. Restou-me a solidão, a entrevista e Socorro Lira. Dá pra levar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Me gusta todo de ti

Eu e Lucas temos muitas coisas em comum já detectadas pelos parentes e amigos. Um pedaço de orelha, um canto de olho, um gesto de dormir e o menino já é a cara do pai. Também concordo com algumas, acho outras tantas exageradas.
Mas o que mais percebo que me assemelha ao pequeno é o encantamento por velhos boleros. Lucas é apaixonado pelos boleros chulos. Servem para fazer dormir, para animar o dia, para dancar, para acalmar a fome. Necessidade de acalmar a fome também é uma semelhança impressionante
Quando estamos sozinhos, ligo logo nossos boleros. A vizinhança deve ficar espantada com a altura que escutamos Gregório, Chavela, Los Panchos, Omara, Javier, Pio, etc.
Na nossa lista nao pode faltar Abrazame asi, La nave del olvido, Malageña, Lá sitiera , Se me olvido outra vez, Dez anos, Boneca cobiçada, Onde estás agora. Tudo que tocava nos bons meretrícios dos anos 60, toca lá em casa.
Um dia comento cada canção e a história dela na minha vida e na do Lucas.
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Cometi uma injustiça no ultimo post que reparo agora. Sempre gostei muito do violão de Chico Saraiva. Desde O turista aprendiz da Barca até os discos solo, muito bem acompanhados de Luciane Alves (abre parênteses essa moça nunca lançou um disco, Meu Deus, Meu Deus! - fecha parênteses) e outras ótimas companhias. Quando li que ele tinha lançado um disco com Suzana Travassos (portuguesa, nunca tinha ouvido falar) e principalmente, que tinha regravado o Cavaleiro de São Joaquim, do Elomar, corri atrás do disco. Só encontrei no Arlequim. Valeu! Tejo Tietê também está entre os melhores que ouvi em 2013.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...