domingo, 31 de agosto de 2008

O homem velho deixa vida e morte para trás

E aqui cheguei cansado já bem de noite. Liguei pra Luisa, que quis vir. Viemos a pé na chuva fina de 22 e 30. Conversamos um pouco e dormimos.
..................................................................
Acordei mais velho. Todo dia isso acontece, não é mesmo, Renatinha? Desde que nos conhecemos já há mais de 30 anos, sabemos disso. A diferença é que dessa vez, pude envelhecer com Laura, Luisa e Chicó por perto. E uma porção de chantili feito pela Lu.
.................................................................
Tudo correu muito bem em Odete Lima. Muita cerveja e aipim colhido na hora pelo chinês e cozido pela Diô. E meus velhos e bons amigos daqui.
................................................................
E bem que o Fluminense podia ter coroado essa festa.
...............................................................
Frases curtas, 1/2 ressaca, e o coração alegre dos homens de 47.

Pega a direita

O mais engraçado de Gramado foi o nosso senso de direção. Uma perdição total. Nem com meio Mundo informando com educação, conseguíamos chegar ao hotel. De noite então, já meio cheios de vinho, claudicávamos como dois perdidos pelas ruas de Gramado.
...........................................................
E teve Yamandu Costa e Renato Borgheti na noite de abertura do Congresso. Os dois muito competentes, como sempre. Mas nada que fizesse levantar da cadeira pra aplaudir.
.........................................................
No avião vim lendo Estação das Chuvas, José Eduardo Agualusa. O começo é meio lento, mas vamos nos falando.
........................................................
Um retorno dificultado pela chuva e pela noite. Mas pra chegar em Miracema, eu já sei o caminho de cor.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O velho do Museu


(1)Faz frio em Gramado.
(2) Meu novo padrão triplo A é a Maria Manoela. Está fazendo muita falta aqui.
.......................................................................
O termômetro do Hotel Serrano marcava 4 graus hoje cedo. O Hotel Serrano é um resort triplo A em todas as avaliações possíveis. Tudo perfeito.
.......................................................................
Vim a Gramado para o Congresso Brasileiro de Cirurgia Minimamente Invasiva da Coluna. Eu e o meu amigo Paulo Cézar Schott.
.............................................................................
Vim a Gramado para ratificar tudo que eu aprendi com meu amigo sobre coluna. Que o tratamento conservador ainda é padrão ouro para a abordagem de uma patologia de coluna. Que as cirurgias mais tradicionais ainda são as que dão melhores resultados e, principalmente, menos complicações.
..............................................................................
Vim a Gramado entender que os complexos procedimentos minimamente invasivos devem ser reservados para situações excepcionais e específicas e que se deve ter todo cuidado com eles. Isso também meu amigo já me tinha ensinado.
..............................................................................
Então pra que vir, se eu já sabia de tudo? Nem era preciso que as maiores autoridades americanas, alemãs, italianas e mesmo colombianas ratificassem tudo que o Professor Schott já vem me dizendo há muito tempo sobre cirurgia de coluna.
.............................................................................
Mas valeu cada centavo da minha vinda só pra vir aqui e ver algumas das nossas sumidades cairem de quatro ante o argumento inconteste das autoridades internacionais. Argumento que vem sendo repetido em cada vírgula de um parecer nosso. Digo nosso porque devo ter a humildade e o orgulho de dividir com meu amigo, o mérito que é todo dele.
.............................................................................
A palavra "minimamente" dá ao leigo, uma impressão errada de que trata-se de uma abordagem muito simples. Negativo. É bom sempre lembrar que depois do minimamente vem o invasivo e aí o viés de complicação é único, seja por uma pequena abertura ou uma maior.
...............................................................................
A coluna ainda é um campo minado em que todo cuidado possível ainda é muito pouco.
...............................................................................
Vim a Gramado para tomar um bom vinho com meu amigo. E reencontrei, depois de muitos anos o Velho Museu, um vinho que já me rendeu ótimas histórias. E as conversas de longo aprendizado, os silêncios de mútua compreensão, a alma descansando em paz.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ainda bem que depois da terça vem a quarta

Hoje foi um dia perfeito.

Dormi bem. Fui para a empresa ouvindo Leonard Cohen. Quanto mais ouço, mais gosto. O trabalho fluiu refinado. Tudo correu de forma objetiva e proveitosa. E quarta é o dia em que eu tenho meu staff todo em tempo real. Quarta é luxo pra mim! Cheguei em casa e estava limpa. Quer melhor?

Estranhamente, continua um frio noturno em Niterói.

Tenho uma mania que já levou três mulheres à cólera. E agora percebo que Laura vai pelo mesmo caminho. Sempre saio antes do bis. Perdi o último Chega de saudade do João Gilberto e metade do Se todos fossem iguais a você de Caetano e Roberto. E ainda foi bom. Noutros tempos, perderia 30 minutos de João. A verdade é que não tenho muito saco para saídas entulhadas de gente. Tenho feito treinamentos exaustivos na Cantareira. Sempre que posso sou o último a sair. Ser o último a sair é um dom do espírito!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Mais uma terça plena de insanidades

Hoje passei mais uma vez pela peregrinação de andar por Niterói atrás de uma oficina que consertasse carro a diesel. A S10 precisava de uma revisão. Constatei, preocupadíssimo, que Niterói não tem mecânico para carro a diesel. Os caras se recusam inclusive a abrir o capot. E daí levei a S10 até Itaboraí, a 30 km de Niterói e consegui fazer a revisão. A S10 parece tinir como nunca. Atrasei o trabalho, me apurrinhei com a incompetência, e acabei não rendendo o esperado hoje. Fiquei disperso e dispersivo.
..................................................................
Ainda não descobri a chave para me tirar da dispersão. É entrar em alfa e pronto. Crises de ausência, trabalho lento, tudo que não gosto. Ainda consegui, com a ajuda da incansável Renatinha, terminar umas pendências.
..................................................................
Tirando isso e o fato da cozinha continuar um caos, estou bem. Amanhã a faxineira vem. Aleluia!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Nossa vida não cabe num Opala



Antes do show do João, fui dar uma conferida em Nossa vida não cabe num Opala, em cartaz no cinema Odeon. Sempre gostei de Mário Bortolotto e seu teatro e blog, indicado por mim aqui no desconversa. O filme é baseado numa peça dele.
Outra coisa que eu sempre gostei nas peças do Mário é a trilha incidental. Canções obscuras de Lou Reed, Leonard Cohen, Tom Waits, tudo enfumaçado pelo Universo dele.
Também acho muito comum a linguagem do cinema não ser adequada à da literatura ou à do teatro e são raros os exemplos em que o casamento fica bom. Por exemplo, Rubem Fonseca é dos nossos melhores escritores, mas seus livros perdem muito de intensidade quando transpostos para o cinema. O único que gostei médio foi Bufo e Spalanzani.
Com Mário Bortolotto não foi diferente. Achei o filme fraco. O roteiro se perde ao tentar expandir para o cinema e nada acrescenta ao texto original da peça.
A destacar apenas a atuação de Maria Luisa Mendonça, perfeita no personagem rodrigueano, que Maria Luisa conhece bem (já tinha outro feito em Engraçadinha). E a estonteante Maria Manoela (foto). Aquilo não é mulher, aquilo é um monumento! A verdade é que o elenco não faz feio, o filme é que é ruim mesmo.
A trilha, a cargo do próprio Bortolotto, é outro grave equívoco. Mário optou por inserir composições próprias, fracas em geral e que surpreendem a platéia com um som agressivo e sem propósito.
Fui para o Odeon com ótimas espectativas. Ainda bem que teve o show pra me salvar!

A Lígia de cada um de nós


Acabo de chegar de uma sessão de hipnose coletiva em que uns poucos privilegiados ficaram em transe durante 1 hora e 43 minutos para assistir ao pai de todos nós: João Gilberto. Eu já tinha feito viagens ouvindo o Amoroso e o ao vivo na Suiça repetidas vezes ininterruptamente, mas nada se compara a vê-lo ao vivo. Nunca vi um "mais do mesmo" tão brilhante e renovado a cada nota, cada sussurro de João.
O que gostei mais? Não posso me perder do todo, o todo é que foi impecável, mas destacaria três ou seis coisas que me comoveram muito.
De início, a homenagem a Caymmi, com Você já foi à Bahia?, Doralice e Rosa Morena. No final voltaria com Você não sabe amar. Não precisou mais nada pra saber que Caymmi estava ali, em algum canto daquele teatro aplaudindo como todos nós.
Gostei do fato dele ter cantado a outra versão de Lígia, que acho mais solta e despojada do que a oficial. É "Tom Jobim andando pela praia do Leblon" cuspido. E a nossa vontade de percorrer aqueles passos e encontrar a Lígia dos nossos sonhos.
As que mais me tocaram foram Estate pela paixão arrebatadora que tenho por essa canção, tudo por culpa de João, Aos pés da Santa Cruz (desconstruindo Orlando Silva) e um Chove lá fora intimista, melancólico, de dar pena à ausência de Tito Madi ali. Foi um momento mágico.
Voltei em paz com o Mundo.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...