segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Notas de segunda

Estou tentando, com alguma resistência, ler Notas do subsolo. É um Dostoiévski difícil, se é que há algum fácil. Acho que O jogador sintetiza bem a obra do russo e é mais palatável.
Teve uma crônica maravilhosa numa das últimas Carta Capital (estou atrasado duas semanas com a revista) sobre como você não precisa ficar tão desapontado porque não gostou de "A doce vida" ou" Jules e Jim" e outras "obras-primas do tédio", conforme nominado por Tim Lott.
Dia desses, Hélio de LaPeña quase foi linchado porque afirmou ser chata a obra de Glauber Rocha.
Tudo isso é muito relativo, mas só ratifica a boa prática de nos desobrigarmos de ler, ouvir e ver aquilo que não nos interessa só porque se trata de conteúdo aclamado universalmente.
......................................................................
Os resenhistas é que estão aí pra isso. Nunca li Paulo Coelho, e possivelmente não lerei porque já li sobre, e o que li não me agradou. Mas gostava do letrista, especialmente das coisas que fez com Raul Seixas. É um outro ponto de vista.
.......................................................................
O calor está voltando devagarinho a Niterói, já quase dá pra ligar o ar de noite. Hoje foi uma segunda muito bonita. A barca estava tranquila, o trabalho rendeu muito bem, um dia pleno de normalidades.

domingo, 30 de agosto de 2009

Quando eu me chamar saudade


Meu ganho desse domingo foi ter conversado um pouco com Laura de manhã. Quando conseguimos harmonizar nossas sintonias, rendemos bastante bem. Falei de mim, de Mário de Andrade, de música, de dança e de carreira. Laura está num momento de dúvida com relação ao seu futuro e ao mesmo tempo, vive a intensidade dos 16/17 anos, produz muito, está sempre plena de atividades, costura o próprio pano que usa para bailar. Vive.
Custei muito para aprender que só conseguimos viver, quando não temos espectativas. Quando não esperamos mais do que o minuto seguinte. Só assim é possível se dar ao trabalho, se dar aos filhos, se dar ao amor. Como em Cecília "Eu canto porque o instante existe, e a minha vida está completa".
Foi isso que tentei passar pra Laura. Esse clichê diário de VIVA CADA MINUTO.
........................................................................
Soube hoje pela manhã da morte de Doalcey Bueno de Camargo. Em 71, quando comecei a me apaixonar pelo futebol e pelo Fluminense, Doalcey fazia com Jorge Curi e Waldir Amaral, a santíssima trindade da locução esportiva. Na época, o Fluminense era um time de fibra moral e jogava com Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio, Denilson, Cafuringa, Didi, Flávio, Ivair e Lula. Não havia jogo na TV, a gente só ouvia Doalcey, Wadir, Curi, Vianna. Era um Fluminense que não ganhava muitos títulos, mas a gente tinha muito orgulho do time assim mesmo.
.........................................................................
Hoje o Fluminense não é nada. Está enterrado na lanterna do Brasileiro sem a menor chance de sair dali.
..........................................................................
Anat Cohen dá um trato em Quando eu me chamar saudade do Nelson, de fazer chorar cada nota do seu clarinete.

sábado, 29 de agosto de 2009

Cheguei a tempo de te ver acordar

Os anos não amargaram nossa relação. Caso raro de casal que se separou e continuou junto.
Juntos, porque os laços que preencheram a amizade, a compreensão, a admiração e o afeto não morreram nunca.
Existe alma? É possível que existam sintonias tão finas que podemos chamá-las de alma. Estamos longe um do outro, a vida tomou seus rumos diferentes, cada um fez seus progressos, seus atropelos. Mas toda vez que nos vemos, lembramos do que fomos um para o outro. E aquilo que fomos passa rapidamente a se tornar o que somos um para o outro. Reconhecemo-nos muito rapidamente. Ao telefone, nos raros encontros, quando escutamos uma canção de afeto do nosso tempo.
Algumas amigas alimentam uma certa inveja da sintonia fina que tivemos/temos. Elas sabem que dificilmente uma relação vai ser tão perfeita em muitos aspectos de um relacionamento.
Fiz muita coisa nessa vida. Usei todos os sentidos para apalpar as intimidades do universo. Há coisas das quais, jamais serão motivo de arrependimento. Faria tudo de novo e em muitas vezes, me pego pensando que, se pudesse voltar, talvez fizesse ainda melhor.
Minha história com você é uma delas. Nunca vai deixar de ser parte de mim.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Notas de quinta

Comecei o dia tentando finalizar um estudo sobre troca de disco. Infelizmente, não foram os velhos vinis que ocuparam meu tempo. Foi um dever de casa que estava atrasado por conta do atropelo das coisas acontecendo ao mesmo tempo. A reunião da Câmara Técnica de MBE foi meio confusa hoje. Estudos diagnósticos sempre emperram um pouco. Até a troca de disco foi tudo muito bem. A conclusão que chegamos foi de que a troca de disco na região cervical pode produzir um resultado tão bom quanto a artrodese, porém os estudos ainda são prematuros para resultados de longo prazo. O máximo que conseguimos foram estudos que acompanharam pacientes durante 24 meses. Isso não deve interessar aos meus três ou quatro leitores, mas é a única coisa que eu tenho pra dizer agora. Desci as 14 para almoçar e voltei pra emendar outra reunião com meu staff. Só uma reunião de rotina, mas pareciam estar todos cansados.
Melhorei a vista, que andava coçando demais e parecia inchar. Liguei pro meu oftalmologista que virou evangélico e só me deu a receita depois que eu respondi amém ao seu "Deus te abençoe". Estou revendo Twin Peaks, praticamente vendo, porque a última vez que vi foi há muitos anos depois do Fantástico e já tinha esquecido quase tudo. Gosto do David Linch, meu preferido é Coração Selvagem.
Também gosto mais de Maria Gadu a cada vez que ouço seu disco. É um pouquinho mais do mesmo, mas não deixa de trazer um pedaço de primavera embutido.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Urgências

Já disse isso, mas não custa repetir: a recriação do Choro pro Zé do Guinga e do Aldir para dois pianos pelo Duo Gisbranco é tocante. Repeti várias vezes agorinha nas barcas.
...............................................................................
Devo dizer que tenho uma relação razoável com meu intestino grosso e só gosto de uma privada no Mundo: a minha aqui no Ingá. Nem a do apartamento em Miracema me agrada. Já virou um ritual chegar do serviço e encontrar revistas e jornais espalhados pelo bidê (outra atração imprescindível!), fazer o dois e tomar um banho fresquinho, desses que resolvem 90% dos problemas. Pois hoje depois do almoço, caminhei até a Ramalho Urtigão para comprar um par de sapatilhas para Laura e senti minha barriga um pouco desorientada, sem sintonia com a minha rotina. Relaxei, deve ser o aipo e aipim, já passa!, pensei comigo.
A Ramalho Urtigão deve distanciar mais ou menos 1 km da empresa, mas hoje foram 20. Disparei a suar e percebi que a urgência batia na porta. Antigamente quando vinha ao centro apenas para comprar discos, recorria ao banheiro do Mac Donalds, onde eles entregavam uma chave enorme pra você devolver na saída. Rubem Fonseca já descreveu melhor esses banheiros no conto Andar e andar pelas ruas do centro. É aquilo mesmo! Mas quanto mais eu estava seguro de que era um alarme falso e dava tranquilo pra chegar na empresa, mas meu intestino contradizia.
Andava apressado pela Uruguaiana, não dava nem pra soltar um pum de alívio, a coisa estava preta, o suor descia em bicas pela testa. Nem olhei pro sebo, nem passei no Cláudio, não dava tempo pra nada. Respirava fundo e pensava: São Roque! São Roque! (só depois fui descobrir que São Roque protege contra ataque de cães e não contra caganeiras urgentíssimas!). Nunca um sinal foi tão vermelho, nunca um elevador tão lento, nunca uma chave levou tanto tempo pra abrir uma porta!
O tempo foi exatamente a conta de não passar a sofrer do moral dali pra diante. Ainda dei uma conferida na samba-canção pra ver se não tinha saído um falso amigo.
Vai entender!?!!!!!!!!!!!!!!
.....................................................
Ontem vi Quando estou amando, filme em que Gerard Depardieu faz um cantor decadente de boate, que se apaixona pela estonteante Cécile de France (foto). O roteiro se perde um pouco no final, mas é um bom filme. 1A.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Navegar não deveria ser preciso

Ando meio cansado de pegar a estrada. Ando muito cansado de quase tudo.
............................................................
Eu sei que depois que entra na Washington Luiz, tudo vai mais rápido, mas não é o que meus pés acham.
.............................................................
Cheguei aqui depois de um dia extremado e só conseguia pensar em me amofinar. Comecei a escrever e só veio a idéia de estar sempre na estrada. Depois detonei tudo que tinha escrito. Não mais do que algumas bobagens sobre perda de tempo viajando.
............................................................
Marcela Belas é uma baiana arretada que fez um ótimo disco estranhamente denominado Será que o Caetano vai gostar?. Pouco importa, Marcela! O disco é muito bom. E eu vou estar na Bahia semana que vem. Com certeza, não verei Marcela Belas cantar o Bloco do Prazer tão lento e bonito quanto canta no disco. Pra libertar meu coração, eu quero muito mais que o som da marcha lenta...
............................................................
Viagens de trabalho a São Paulo costumam ser um contra-senso. Perde-se mais tempo no aeroporto do que no trabalho.
............................................................
Estou dando voltas tentando sair da linha, mas tá difícil. Viajar, ultimamente, tem sido um saco!

domingo, 23 de agosto de 2009

São Vicente é um Brasilim

"Pode facilmente acontecer de um homem fútil tornar-se orgulhoso e se imaginar agradável para todos, quando ele é, na realidade, apenas uma chateação universal."
Espinosa
.....................................................................
Saí de Miracema mezzo triste, mezzo irritado. De onde vieram, não sei. A música foi me aprumando. Meu roteiro de viagem começou com uma coletânea de coladeras que fiz há muito tempo e dei o nome de Carnaval di San Vicente. Voltava as primeiras músicas pelo menos umas 3 vezes. Cesarea, Bonga e a música de Cabo Verde e Angola iam se revezando. Depois ouvi de novo, com mais atenção o disco do Antônio Zambujo, Outro Sentido. É muito bom, especialmente as canções portuguesas. Depois, o ótimo Porta Aberta, do grupo Quatro a zero. Esse maxixe Bafo de onça, de 1896, composto por Zequinha de Abreu, foi um dos melhores achados do grupo. Logo a viagem se tornou interessante e quando parei no posto da Serra do Capim pra abastecer, já era outro!
......................................................................
Da série Porque não topo mais a vida a dois:

Diálogo em frente ao Mercado Texas aqui da esquina;
Marido: -Vou ali comprar o jornal.
Mulher (com voz irritada): - Pra que comprar jornal??!?! Você não lê!!!!

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...