segunda-feira, 31 de maio de 2010

Século do progresso

Um dos (poucos) erros do disco Martinho canta Noel, é a interpretação suave de Ana Costa para Século do Progresso, consagrada na voz de Aracy de Almeida. Desafiar Aracy é problemático. Marcos Sacramento bem que tentou no excepcional Memorável samba, mas Triste cuíca com Marcos passa longe da interpretação triste de Aracy. Só Nana chegou perto no seu Último desejo escoltada por Hélio Delmiro e Rafael Rabelo, mas aí é covardia. Quem conheceu (como eu) a caricata Aracy de Almeida jurada do Programa Silvio Santos, devia procurar ouvir mais essa intérprete refinada da canção brasileira. Na foto aí de cima, a capa que Di Cavalcanti fez para o disco em que Aracy canta Noel. Precisa mais?
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Saí cedo hoje direto para a agência do PROCON no centro para (pasmem!) renovar minha carteira de identidade! Nunca vi isso, carteira de identidade tem validade! Deixei de ser o velho Francisco em outubro de 2009. Que remédio?? Enfim, até que foi rápido.
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Pruma segunda-feira que foi um corre-corre danado, cheia de reuniões, demandas, sensação de desconforto com o cumprimento do dever, até que cheguei inteiro às 20 h aqui no Alda Maria.

domingo, 30 de maio de 2010

Estômago


Já dá pra começar a acreditar. Depois do mingau aplicado no Flamengo no meio da semana, essa vitória indiscutível sobre o Galo convenceu. Nunca tinha ouvido o Júnior falar tanta besteira (será que o Fla Flu deixou o moço atordoado?). O Fluminense foi superior o tempo todo, procurou o gol o tempo todo, menos para o narrador e para o comentarista da Rede Globo. Cadê Chicó? Liguei duas vezes e nada!! Isso precisa ser comemorado! Não é todo dia!
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Com mais um estrondoso atraso, vi hoje Estômago. Ótimo filme! Direção enxuta, elenco afiado, sem apelos exagerados, de fazer qualquer brasileiro ficar orgulhoso do seu cinema.
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A vélox prometeu retorno ontem às 18 (seis da noite, foi o que disse a atendente). Pelo jeito, a manutenção agudizou. Hoje passei o dia dividindo o Claro (em Niterói 1/4 de G) com Laura. Nem liguei pra lá. Tem hora que você cansa de ouvir musiquinha, que já está ficando muito velho pra ser tão desrespeitado.
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O dueto de Marcos Sacramento e Gonzaga Leal em Saudade do meu barracão, no disco do último, vale o disco. E o que mais aflore não sai da agulha!

sábado, 29 de maio de 2010

Angu do Gomes

Dennis Hopper acaba de morrer. Mais um esse ano. Nunca me esquecerei da cena do filme Amor à queima roupa, quando Dennis é torturado por Christopher Walken para revelar o paradeiro do filho. Uma cena qualquer de uma filme meio trash (adorei!), que Hopper arrebenta. Vale o filme. Bom, o pitéuzinho da Patricia Arquete também vale!
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Duas leitoras atentas se queixaram da exclusão do texto de antes de ontem e merecem uma justificativa: toda vez que eu transformo o blog num confessionário, escrevo bobagens ainda maiores do que as que já escrevo normalmente. Já não basta essa gente toda morrendo e eu aqui resmungando?? Eu tenho que tocar esse barco e pronto! Sem cochilos pra canoa não furar, não é, Siba?
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A Rodoviária Novo Rio ganhou novos contornos, inclusive um Spoleto. Fui pegar Laura e almoçamos lá. Comi um nhoque da fortuna e ganhei um dólar. Deu pra pagar o banheiro. A Rodoviária Novo Rio é o único lugar do Mundo onde se paga pra fazer xixi. Não teve jeito: 1,25!! Lá se foi meu dólar da fortuna.
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A vélox hoje resolveu afundar. Liguei pra lá e depois de ouvir uma série de musiquinhas, lamentaram e disseram que estão em manutenção. Como assim?? Isso vai ser creditado na minha fatura?? Não, Sr, aí não é o nosso departamento. Ligue 707070. Argh!!!
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Quando eu tinha 17 anos, fiz meu primeiro vôo solo noturno ao centro do Rio. Bem, não tão solo. Estava acompanhado de Kléber Borges, meu professor de português. Fomos ver Gonzaguinha no seis e meia do Joao Caetano. Maravilha. Na volta, comemos um autêntico angu do Gomes na Praça XV. Outra maravilha. Conto tudo isso porque ontem fui no sopeiro aqui debaixo e comi um angu a baiana quase do Gomes. Quase deu pra ouvir Gonzaguinha, conversar com Kléber e volver a los 17.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ilha deserta




Bela crônica de Felipe Hirsch no Globo de hoje, comentando sobre o programa "Desert island discs" transmitido pela BBC Radio 4. Toda semana um convidado escolhe oito gravações que levaria para uma ilha deserta. Vim pensando nisso na cantareira. Discos, livros e canções para uma ilha deserta dão um compêndio.
Sobre discos, não sei os outro sete, mas um que eu levaria com toda certeza é o Mudança dos ventos da Nana. Esse disco, lançado originalmente em 1980, quando eu tinha 19, foi um divisor de águas na minha vida musical. Mais que isso, a partir dele, foi que eu percebi que podia encantar as pessoas através da música. Até então, eu era apenas um sujeito introspecto, fechado. Dali pra frente, gravar uma fita cassete para dar de presente a uma moça virou mania. E mote para grandes paixões. A primeira delas foi decantada durante dois anos pelo Mudança dos ventos.
Fui apresentado oficialmente ao canto de Nana por uma amigo em Paraíso do Tobias, distrito de Miracema, perto de Odete Lima. Até então a cantora era uma chata pouco conhecida pra mim. Esse amigo me deu uma fita cassete com o Mudança dos ventos. Comecei logo a ouvir com mais cuidado. Pouco a pouco, o disco foi tomando um vulto e de repente, eu só sabia ouvir aquelas músicas. Até hoje sei de cor a ordem dos lados.
A começar pela própria canção, que dá nome e abre o disco. Um belíssimo tema de amor, que Ivan deve ter feito pra Lucinha Lins, que também gravou lindamente. Mas o canto de Nana nessa música é uma história a parte.
A segunda é não menos do que a Canção da manhã feliz, de Haroldo Barbosa e Luiz Reis. Um dia desses mesmo, cantarolava essa canção pra S.. Não conhecia a versão da Eliseth e foi bom, porque Nana tornou a canção imaculada pra mim.
A terceira é a melhor gravação de Meu bem querer já feita. Nana costuma estraçalhar quando canta Djavan, já tinha feito isso (embora eu ainda não conhecesse) em Dupla traição.
Seguem-se Pérola, Meu silêncio e Rama de nuvens completando o lado A mais ouvido na minha vida.
No lado B, vale destacar pelo menos, três canções belíssimas: De volta ao começo do Gonzaguinha, Mistérios de Joyce e Maurício Maestro e Essas tardes assim, de Fernando Oliveira e Rosa Passos, então somente uma compositora.
Mudança dos ventos mora comigo e vai morar sempre em qualquer ilha deserta ou não. E deveria morar no coração de cada pessoa que viveu intensamente os anos 80.
No mais, termino a crônica com o último parágrafo de Felipe:
"Para despertar paixões. Esqueça um pouco do que você não gosta ou pensa não gostar. Fale sobre o que é capaz de tirar seus pés do chão. Do que é capaz de te fazer feliz, mesmo numa ilha deserta. "

domingo, 23 de maio de 2010

You Don't Know Jack

Esse filme deveria passar em horário nobre no lugar da novela Passione (aprendi o nome ontem), para provocar uma discussão mais abrangente nesse país, em que se abusa amplamente da distanásia a troco do dinheiro sujo da indústria. É uma das atrocidades do modelo fee for service de pagamento de serviços médicos hospitalares, que valoriza a máquina ligada mais tempo, os remédios de última geração que não prometem nada e o sofrimento prolongado e inútil dos familiares.
Jack Kevorkian, interpretado aqui por Al Pacino (alguns dirão caricato, eu achei brilhante), foi um controverso defensor e prático da eutanásia no estado de Michigan. Teve que enfrentar a sociedade (médica e local), a justiça e o fanatismo religioso para defender suas convicções. Acabou preso.
Não conheço a história além do filme, mas pelo que vi, Jack Kevorkian parece um homem à frente do seu tempo, e sua história, uma reflexão sobre a delicada relação de considerar vivo, aquilo que já está morto.
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E o Fluminense perdeu mais uma. Dessa vez até que não jogou mal. Perdeu pelo frango do goleiro Rafael, pelo erro da cabeçada do Fred e principalmente pela roubalheira do juiz Leonardo Gaciba, que anulou um gol legítimo. E mais, em toda a minha vida de peboleiro, eu nunca vi um juiz dar um pênalty e depois voltar atrás. Ontem foi a primeira.
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Um final de semana inteiro bem vivido pode ser comprometido por 15 minutos de desacerto. No inverno, tudo dói mais.

Com caco de telha, com caco de vidro

A jovem guarda produziu um sem número de canções medíocres que têm sido exploradas por nossos melhores intérpretes. Sim, ouvi muito delas na minha infância, mas hoje não sei se aguento mais. Recentemente, Zé Renato lançou um cd recheado dessas músicas. São canções bobinhas, cheias de só tem amor quem tem amor pra dar. A gente ouve uma vez, gosta, na segunda já começa a enjoar. Mas como disse meu amigo Jadim, qualquer coisa na voz bonita do Zé Renato, vira clássico.
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Luiz Melodia começou o show cantando algumas dessas. Estranhei. Nada demais, mas soaram meio blasé na voz aveludada do Melodia. Até o primeiro acorde de Pérola Negra, tive dúvidas de que o show seria bom. Mas daí ele mandou Farrapo Humano num tom mais acelerado e um Que loucura, com aquele arranjo lisérgico do Renato Piau e pronto: era Melodia de novo! Apoiado pelo violão de Renato e mais um violão e um cavaco corretíssimos, Melodia foi sempre superior quando cantou seu próprio repertório. No bis, com a participação luxuosa da flauta de Alexandre Maionese, montaram um regional para Melodia cantar Fadas e Decisão. A platéia veio abaixo!
Vi Melodia em outras duas ou três oportunidades, uma delas no Teatro da UFF no início dos anos 80. O show, programado pras 21, começou meia noite, quando a banda e 80% da platéia já tinham ido embora. Ele pegou do violão e fez uma sessão inesquecíovel de uma hora de meia. Saí dali extasiado. Estava sozinho? Não me lembro.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...