quinta-feira, 13 de março de 2008

Feliz Aniversário


"Não, nada irá nesse Mundo, apagar o desenho que temos aqui.
Nem o maior dos meus erros, seus erros, remorsos, o farão sumir.
Vejo essas novas pessoas que nós engendramos em nós e de nós.
Nada nem que a gente morra desmente o que agora chega a minha voz."
Caetano, Eu não me arrependo de você




Amo você, sei que a amo desde que viajamos juntos pela primeira vez. Amei seu tênis surrado, sua dispersão, seu interesse por música boa.



Amo por amizade, por carinho, por respeito. Sei que passamos muito tempo pra entender os traços do nosso amor, essas linhas inexatas do nosso amor amigo. Por muito tempo, mantivemos esse amor como projeto de vida em comum porque por menos que fosse, era mais do que qualquer aventura solitária.


Mas se a vida em comum foi negada, por razões difíceis de compreender, talvez porque nem nós mesmo entendamos, ficou esse rastro de cumplicidade e carinho, essa coisa que dá vontade da gente falar um com outro todo dia e de se preocupar, de deformar a voz para estender a conversa, de viajar juntos.



Amo a devoção inata que você tem pela humanidade, e de como as pessoas reconhecem isso e você nem percebe. Amo seu bolo de Whiskie, sua mão de fada e no que depender de mim, você vai ser sempre o maior e mais forte exemplo do conceito que eu tenho de amiga.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Careqa a espera de Tom

O disco de Carlos Careqa com versões das canções de Tom Waits é um delicioso equívoco. Primeiramente, juntar os dois foi algo muito bem pensado. Cada um a seu jeito, há muita coisa em comum. Careqa optou pelas traduções ao pé da letra e algumas soam desconexas e caricatas. Mas há achados imperdíveis como Guaraná Jesus e Garota de Guarulhos. Há também um acerto nos arranjos, alguns sombrios como a música de Waits, outros meio bregas. Mário Manga pilotando, não pode dar errado.

Isso de fazer versões é um campo minado. Zélia e Ana Carolina destruiram Blower's daughter, Damien Rice, em versões catastróficas lançadas quase ao mesmo tempo. Há poucos acertos, como uma versão arretada de Jambalaia feita pelo João Bosco, uma brincadeira com a letra da música que o Boca Livre gravou.
Gosto de Careqa desde muito. Assisti a todos os shows dele no Rio, inclusive o último na Sala Funarte, em que ele começou a mostrar as canções de Tom. Devia ter umas nove pessoas comigo. É triste ver um trabalho tão interessante e bem feito ser tão pouco assistido. Para os meus dois leitores, vai a recomendação: é um ótimo disco para março de 2008

domingo, 9 de março de 2008

IDSS???????????

Em menino, meu irmão carregava pra debaixo da cama quando ia dormir, um pinico e um copo d'água. Medo de morrer de sede ou de vontade de fazer xixi. Era uma espécie de medicina preventiva intensiva.

Passei 3 dias em São Paulo no Hotel Jaraguá (meio A e olhe lá), ouvindo sobre gerenciamento de crônico, indicadores de desempenho, cartão de metas e outros programas de promoção à saúde. Saí de lá convencido da minha descomunal displicência com a pressão alta e a gordura trans e de alma lavada depois da retumbante vitória dos tricolores sobre os argentinos.

Um médico auditor é um sujeito preocupado com resultado. De uns tempos a essa parte, a auditoria médica tem invertido seu papel regulador policialesco e investido mais na certificação da qualidade do serviço prestado. Daí sua aproximação com evidência científica, consultorias de notório saber, e outras situações que, de alguma forma, influem na boa prática médica e quase sempre dão resultado positivo para o cliente e para a empresa.

Confesso que não conseguia enxergar direito as aplicabilidades da medicina preventiva para o médico auditor. Ponhamos assim: o médico auditor pode atuar de forma retrospectiva ou prospectiva ou ainda fazer auditoria de concorrência (per-evento). Nessa linha, investir em programas de medicina preventiva é uma nova forma de trabalhar com auditoria em saúde, de forma a antever a ocorrência e procurar evitá-la.

A parte disso, a Agência Nacional de Saúde, na sua persistência em repassar às operadoras responsabilidades que deveriam ser do Governo, estimula a prática de programas de cuidado à saúde. Reorientar os sistemas de saúde para priorizar ações preventivas é talvez um dos acertos mais bem apanhados da ANS.

A aplicabilidade dos conceitos de vigilância epidemiológica não são bem uma novidade, já existem no país desde 1967. Em São Paulo, vi programas muito bem feitos em todo o país, todos procurando diminuir o risco do adoecimento e da morte por causas evitáveis. E a conclusão inevitável de que prevenção dá lucro.

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No avião terminei de ler Marçal Aquino, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Belo livro, projeta Marçal entre os grandes ficcionistas brasileiros vivos.

A voz do morto

Caixas e caixas de discos de jazz, tudo muito bem escolhido, denunciavam o gosto refinado do dono. Acabaram todos no sebo do Cláudio. Ele deu a mim, o privilégio de peneirar primeiro. Cobrou uma sobre taxa pela primazia, mas tudo bem. Consegui escolher uns cinqüenta discos.
Poderia tranqüilamente ter ficado com mais cinqüenta.

Saí dali pensando no morto, na trabalheira que ele teve para organizar aquela discoteca e no prazer de poder estar com todos ao seu redor. Obras importadas, algumas já esgotadas, outras que jamais pude imaginar que existissem.

Olho pros meus discos aqui do lado, tento não pensar neles como uma caixa jogada no sebo do Cláudio. E que minha vida tem sido uma viagem mais leve por causa dos discos e discos que ouço.

domingo, 2 de março de 2008

Os melhores discos que ouvi em 2007 (5)

Onde brilhem os olhos seus

Primeiramente, devo confessar, não gosto lá essas coisas do Pery Ribeiro. Nem a verve do Herivelto, nem a emoção da Dalva (Pery é filho dos dois), não gosto nem mesmo do disco que ele gravou com Luisinho Eça. Também, devo confessar, gosto da Fernanda Takai, desde o primeiro disco do Pato Fu. Gosto do trabalho do Pato Fu, John Ulhoa a frente, Fernanda ao lado. Posto assim, deixo aqui minha estranheza com a polêmica criada por Pery Ribeiro, criticando duramente a inclusão de Fernanda na festa de 50 anos da bossa nova e exclusão dele.

E Fernanda, com sua voz pequena, limpinha, delicada, gravou um belo disco de bossa em homenagem à Nara Leão. Nara certamente ficaria feliz com essas desconstruções.
Fernanda canta bossa mais bonito que a Joyce dos últimos tempos e também do que Bebel Gilberto, outro caso de filho-sem-talento-querendo-lamber-os-beiços-do-pai.

O repertório não é exatamente bossa nova, tem ali uma Insensatez (com Roberto Menescal), aqui um Trevo de Quatro Folhas, mas não vai além disso. O repertório é Nara, incluindo a indefectível Seja o meu Céu.

Desde que li sobre a gravação, direção acertada de Nelson Mota, achei que ia ficar interessante. E ficou mesmo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Os melhores discos que ouvi em 2007 (4)


Marina de La Riva

Posso até estar blasfemando, mas a ponte musical Brasil-Cuba, achei mais bem acabada por Marina de La Riva do que por Bethânia e Omara. Gosto demais das duas últimas. Fiz questão de ver Omara quando veio ao Rio. Mas química por química entre os dois discos, preferi o de Marina.

A brasileira, neta de cubanos, soube traduzir a musicalidade dos dois países com uma tal intensidade e sutileza que não dá pra ficar alheio. O disco é muito bom. Bem arranjado, bem escolhido de repertório, capa, informações, tudo muito bem cuidado. E Marina trouxe jovialidade às velhas canções cubanas e brasileiras. Cabe em qualquer discoteca básica.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Dez coisas interessantes que fiz na terceira semana de fevereiro

1 - Terminei de ler Tarás Bulba, Gogol, na nova tradução do russo de Nivaldo dos Santos, há muito tempo que não lia um troço tão consistente e bonito.
2 - Comecei a ler Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, Marçal Aquino, achei chato no início mas agora estou gostando.
3 - Comecei a ver a mini-série Queridos Amigos. Gostei do primeiro capítulo, o segundo, achei meio chato.
4 - Ganhei meu tempo vendo Onde os fracos não tem vez, mais um Cohen perfeito, Javier igualmente.
5 - Perdi meu tempo vendo O vidente, Nicolas Cage cada vez mais canastrão. Horrível.
6 - Aprendi um pouco mais sobre a confusa razão de verossimilhança.
7 - Adiei mais uma vez o retorno ao Curso de Inglês.
8 - Fui e voltei de São Paulo, sempre há o que aprender em São Paulo. Um dia eu vou e fico.
9 - Adorei ouvir Jukebox, Cat Power.
10 - Comprei alguns discos, entre eles o da Omara e da Bethânia, mas ainda não ouvi.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...