terça-feira, 8 de setembro de 2009

Terça depois de feriado

Foi confusa essa terça parecendo segunda. Parecia um dia interposto pela agenda de dois. Pra isso, você tem que ser dois. O que deve ter justificado um pouco da minha irritabilidade aumentando ao longo do dia. Custei pra serenar.
Perdi também um bom amigo. Felizmente, a perda foi só da empresa. O velho Nei nos deixa depois de muitos anos de serviços prestados com invejável capacidade de trabalho. Tem a idade do meu pai e por coincidência foi colega de turma do meu pediatra, que também se chama Nei. Curiosidades idiotas que só serviram para nos aproximar ainda mais e agora não vão trazê-lo de volta. Quando veio se despedir, choramos um pouco juntos. Choro de homens que aprenderam a se gostar e se respeitar ao longo dos muitos anos de convivência.
A caminhada de ontem deixou meus ossos, músculos e cabelos doloridos. Paga-se caro para reparar a ferrugem.
Boca de caieira, do disco novo de Danilo Brito, descoberta hoje nas barcas, voltou 4 vezes ao início. Um clássico misturando desaforadamente o bandolim de Danilo e a sanfona de Dominguinhos. E Jane Duboc fez com Victor Biglione, um tributo respeitoso à Ella Fitzgerald.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Chatices no dia da Independência

True blood está melhor nessa segunda temporada. Entraram outros capetas além dos vampiros. E Sookie Stackhouse continua uma gracinha.
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Tomei a decisão de hibernar nesses dois dias depois do congresso. Ontem não fiz nada a não ser ver aquela lástima de jogo do Fluminense. Também terminei de ver Intrigas de Estado. O melhor do filme é Robin Wright Penn , que parece envelhecer sem perder o viço. Raridade nos dias de hoje.
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Mas, enfim, hoje saí da caverna e fui caminhar até o final da Praia de Icaraí. Uma ferrugem só. Depois, achando que podia, fui ao supermercado comprar uma listinha que a Diô deixou. A falta do Sol matinal colocou Niterói em peso no Supermercado Guanabara. Difícil entrar, difícil sair, difícil comprar.
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Seria melhor ter ficado hibernando. Agora todos os músculos doem.
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Acho que precisava sair daqui. Sentia falta das crianças e quando estou assim, não adianta ligar. O amor de pais e filhos raramente vibra do outro lado do telefone. Pelo menos comigo. Prefiro mesmo estar perto.
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Enfim, tudo que consegui foi voltar para o mesmo lugar em que estava, porém mais cansado. Estou enjoado de mim. E o tempo esquentou muito.

domingo, 6 de setembro de 2009

O quarto em desordem


"Na curva perigosa dos cinqüenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor

que não sabe como é feita: amor
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo

verdade tão final, sede tão vária
a esse cavalo solto pela cama
a passear o peito de quem ama."

Cheguei em Niterói, liguei o computador, quase não exatamente nessa ordem como se fosse possível, e dei boa noite ao Mundo! Antes do banho, fiquei atualizando o e-mail e o Itunes aleatório acabou mandando esse poema do Drummond, na voz de Lima Duarte e violão de Roberto Correia, de um disco de vinil, recuperado por um site especializado em recuperar velhos discos que a indústria nem pensa em relançar. Aproximando-me da curva perigosa a que Drummond se refere, achei interessante alocar esse poema aí apenas como uma provocação a mim mesmo. Nos últimos tempos, tornei-me um mestre em não ter espectativas e apenas suportar o dia a dia.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Lima Score



Queimei minha lingua ontem num restaurante temático aqui do hotel: comi uma lagosta honesta (uma não, três), o que me obriga a lançar uma nova regra: nesses hotéis categoria all incluse, procure o restaurante temático.
Essa foto do hotel deve dar uma idéia da grandeza. É um labirinto dificil prum sujeito meio cego como eu. E tem que vir até o lobby toda noite, se quiser escrever alguma coisa. No quarto, não tem conectividade.
É no quarto que o hotel perde 0,2 pontos: falta conectividade e bidê. O Íbero Star é um 2,8 A no Lima Score!
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Determinadas apresentações dão sono, estimulam a letargia, agudizam o tédio, podem dar claustrofobia. O sujeito passou uma hora lendo slide! O retro-projetor é uma praga da modernidade. Deveria ser utilizado apenas para mostrar resultados. Se o cara não sabe ao menos definir o que vai apresentar, é melhor que não apresente!
O retro-projetor tem formado uma legião de neo-apresentadores que adquiriram segurança apenas porque têm a tela. Dificilmente dominam o assunto que abordam.
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Está me dando um prazer danado discorrer sobre esse assunto. Tenho procurado fugir do slide nas minhas últimas apresentações. Você só consegue levar algo do que foi apresentado quando o palestrante deu algo de si. Algo de dentro dele e não de um slide pré fabricado!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Resmungos no paraiso

Alguém tem que esclarecer se esse vice-presidente de futebol do Fluminense torce pelo time. Tudo indica que não. Ainda faltam 15 rodadas e o sujeito já anunciou a degola e a antecipação das férias para jogadores que estão há três meses sem receber. Seu faro para escolher técnicos vencedores também não é lá grande coisa. Menos mal que acabo de ler que ele foi afastado.
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Desconfie dos resorts que oferecem a categoria all incluse. Já foi assim no Club Med, no Blue Tree e não está sendo diferente nesse Íbero Star. A cerveja e a água são "baixa renda", o refrigerante não tem gás, a comida é mal cuidada. Sobram o quarto e a natureza viva.
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Desconfio que há uma epidemia de gripe H1N1 entre os congressistas, pelo menos os que sentam na fila atrás de mim. Parafraseando Aracy de Almeida, perdigotos ao vento.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Candeias

Surgiu um novo candidato a disco do ano: Candeias, Heloisa Fernandes. A moça teve a brilhante idéia de fazer música moderna baseada em Mário de Andrade. Eu já tenho um entusiasmo singular pela música que Mário pesquisou, desde a Expedição relançada numa caixa de cds pelo SESC São Paulo até os discos da Barca, de Teca Calazans e de Antônio Nóbrega. Heloisa refina, com um admirável respeito, a música pesquisada por Mário.
Outra grata surpresa foi esse disco de gravações caseiras de Dolores Duran recuperadas pela Biscoito Fino. Revela que Dolores não era somente uma compositora de primeiro time, mas uma intérprete maravilhosa.
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Cheguei aqui na Praia do Forte para um congresso. É covardia fazer congresso nesse paraiso aqui. Tudo é de muito bom gosto aqui. Mas acabei não resistindo a vir aqui até o lobby escrever alguma coisa. Virou vício.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pra mim, chega!

Viajar, viajar, até não ter mais nada pra ver.
Até que os sebos de Buenos Aires já tenham sido todos explorados.
Que comer uma cuca em Joinville já não faça tanta falta.
Que a farinha de copioba de Salvador já não tenha mais gosto.
Que o camarão do Santa Rita em Paraty já não compense.

Viajar, viajar, até chegar num único lugar.
Onde se tenha um revistário no banheiro.
E um computador ágil por companhia.
E uma coleção de livros urgentes.
E filmes urgentes e canções de afeto.

Viajar, viajar até não chegar a lugar nenhum.
Até não voltar mais.
Até o sono dos justos.

Porque já se viajou muito.
Porque a amor já passou, mas ainda dói.
Porque já se viveu o bastante.

Eu disse ao motorista do táxi
De cabelo branco cortado à máquina 3
Não sei pra onde vou nem sei por onde vou.
Só peço que não priorize nada.
Deixe o rio desaguar.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...