sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Finalmente Miracema!

Quando digo que escrevo pra mim, estou dizendo a verdade. Mas quando Laura comenta no blog, eu já começo a achar que escrevo só pra ler o comentário dela.
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Já soube pelo Julio que José Luis Nascimento Silva passa muito bem. Acordado e lúcido. Foi a melhor noticia do dia. JLNS é um dos bons amigos que o trabalho me deu nesse ano. Pra quem já leu esse blog, é aquele que me trouxe o Amandio Cabral lá de Lisboa. Sofreu um acidente em Maceió e andava mal no Procardíaco. Mas agora já caminha pra melhor. Grande notícia! Que volte logo, está fazendo falta!
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Cheguei a Miracema a tempo de paquerar minhas filhas no almoço. Estão lindas como sempre. Luisa parece que pegou a reta na vertical. E o que dizer da Diô, com seus bolinhos de carne, polenta, macaxeira e um feijãozinho de tirar qualquer um do sério? E bananinha cozida de sobremesa. Comidinha muito simples, do jeito que eu adoro!
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Depois chegou Chicó e ficamos vendo os jogos da segunda divisão. O menino pegou gosto pelo esporte. É uma pena que o Fluminense não lhe dê uma alegriazinha qualquer.
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Estar aqui é muito bom. Perto dos meus, fico mais protegido.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Desde que você partiu de vez


Juntaram o 007 Daniel Craig, o dentes de sabre (X men) Liev Schreiber, uma bela moça (Alexa Davalos) e uma floresta para fazer um filme sobre nazismo. Estranhamente, deu certo. Um ato de liberdade é um bom filme baseado num fato real. Não abusa dos maniqueismos, tem uma dose interessante de violência e erotismo, enfim, ótimo para passar o tempo.
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Vi também Tudo por ela, filme francês dirigido por Fred Cavayé, com dois atores que se afinaram muito em seus papéis: Vincent Lindon e Diane Kruger (foto acima). O filme conta a história de uma casal "perfeito", cuja mulher é condenada por assassinato e o marido passa o tempo todo tentando salvá-la. No final, deixa uma mensagem muito boa: é fácil fugir, difícil é ser livre.
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Para a pergunta "qual o desenho do seu blog (?)", eu dei a seguinte resposta: não há um desenho definido. Há delírios e recomendações. Aproveite o que você achar melhor.
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Desde que você partiu de vez, eu desisti da Rede Globo, do Jornal Nacional, do jantar, de caminhar pela praia, de ver TV na sala, de ler a Veja da semana , de fazer compra no super-mercado, de arrumar a cozinha, de usar fio dental direito, de tomar coca zero, de ouvir o Roberto, de ler a Playboy, de telefonar, de Arraial do Cabo, de ser magro, de ter olfato, de ser metade de algo, de acender o pavio.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Mudou de cara e cabelo"

Mudou o tom da voz.





(No 49 apinhado de gente, uma moça passa por mim com uma vassoura, outra com uma bacia).

Nada mudou, tudo parece continuar igual. Acordo meio tonto, escovo dentes, tomo remédio, mudo de roupa e vou. A cantareira me aguarda cheia. Passo no Cláudio, converso com Raimundo e João, sinto saudade da Márcia. Chego na empresa, ligo a máquina, espero a máquina esquentar. Tomo café com pão e manteiga. Trabalho, trabalho, trabalho. Almoço geralmente em ótima companhia. Passo no Cláudio. Volto. Trabalho, trabalho, trabalho. Pego a cantareira lotada.

(No 49 apinhado de gente, nunca me senti tão cheio de vazios).

Nada mudou
Só mesmo o tom da voz.

domingo, 4 de outubro de 2009

Como la cigarra

"Tantas veces me mataron, tantas veces me morí,
sin embargo estoy aquí resucitando
Gracias doy a la desgracia y a la mano con puñal
porque me mató tan mal y seguí cantando

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra

Tantas veces me borraron, tantas desaparecí
a mi propio entierro fui solo y llorando
Hice un nudo en el pañuelo pero me olvidé después
que no era la única vez y seguí cantando

Tantas veces te mataron, tantas resucitarás
cuántas noches pasarás desesperando
Y a la hora del naufragio y la de la oscuridad
alguien te rescatará para ir cantando"

Pedro Aznar

Adeus Mercedes Sosa.
Ainda ontem, quando nem sabia que estava para morrer, sonhei mostrar à Laura seu Volver a los 17, mais seu do que de Violeta, mais meu do que de Laura, que ainda vai fazer 17. Foi naquela gravação do Geraes que aprendi a gostar de você e daí pra frente nunca mais deixei de ouvir. Fui a Buenos Aires e Santiago e não voltei sem seus discos. Através deles, pude chegar a Victor, Violeta, Athaualpa, Silvio, Pablo, Charly Garcia, Leon Gieco, Pedro Aznar e tantos que você, com sua voz limpa e seu canto forte, deu a honra de cantar.
Uma vez, o falecido Chico da Moto Discos da Rua Sete (hoje uma loja de 1,99), arranjou-me um álbum duplo seu de um show gravado ao vivo na Argentina comemorando sua volta do exílio. Quase furou no "três em um" National Panasonic, aqui nesse mesmo lugar. Adorava especialmente El Cosechero, um chamamé em que você duelava com o acordeon de Antonio Tarrago Rós, depois inexplicavelmente ceifado da edição em cd.
Os discos dedicados a Violeta e Athaualpa são referências básicas para quem deseja conhecer a obra desses compositores. Esse ano presenteou-me a mim e a seu público com dois ótimos discos de duetos, procurando novas nuances para suas próprias canções, fugindo da operação caça-níqueis das coletâneas.
Enquanto gira o mundo bizarro, vão se adiantando os meus heróis, de over dose ou cansaço Mande notícias do mundo de lá.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Só dói quando eu rio"


Passei os últimos finais de semana em Salvador, Búzios, Belém e BH. Nas voltas ao Rio, só não deixei de ver os jogos do Fluminense e os capítulos de True Blood. O resto ficou meio perdido.
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Sinto falta do cheiro do velho centro. Do pessoal dos sebos. De Raimundinho, do Cláudio, do João, do Maurício. Já disse aqui que detesto shoppings. Compro livros e discos nos sebos e na rede. Hoje fui ao Shopping Savassi aqui em BH pra matar o tempo. Achei uma loja de livros chamada Leitura. Pura perfumaria! Perguntei prum sujeito sobre discos independentes de Minas e ele prontamente respondeu: - Tem que procurar!!!! Como assim? Nem ousei perguntar sobre Sérgio Santos. Fiquei com medo dele nem saber quem é.
Sinto falta das conversas desinteressadas com Renatinha e do pessoal do almoço, a minha turma aqui do Rio. Já tem um almoço de quinta num camarão prometido há um mês e não sai.
Falta de parar um tempo maior no pardieiro pra ouvir música, ver um bom filme, descansar.
Já faz algumas sextas que não leio o Tárik no JB, alguns sábados que não leio o Prosa e Verso no Globo, sinto falta de tudo isso.
O Rio sempre me tratou muito bem. Tanto que cada vez mais, fui levando minha vida pra lá.
Hoje quando soube das olimpíadas de 2016, deu vontade de continuar vivo até lá, só pra ver o Rio desabrochar de novo.

Deja vu

Estou lendo "O dia que o rabino foi embora", Harry Kemelman. É meu primeiro Kemelman, recomendado avidamente pelo Maurício do AlFarabi. É desses policiais noir, com a diferença de que o detetive é um rabino. Lá pelas tantas, há uma reunião do Comitê de ritual para se escolher o novo rabino da cidade. O trecho que trancrevo abaixo é parte dessa reunião.
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"Al Bergson, presidente do conselho, bateu na mesa pedindo silêncio e disse:
-Muito bem, o espetáculo vai começar. Sugiro dispensarmos as formalidades de praxe e discutirmos apenas o assunto rabino. Alguma objeção?
- Não, vamos logo com isso!
- Claro, pra que perder tempo?
Várias outras exclamações parecidas mostravam que o conselho concordava calorosamente.
- Muito bem. O Comitê de Ritual examinou vinte e três candidatos, dos quais oito são recém-formados pelo Seminário. Alguns já tiveram um emprego temporário...
- Os outros já têm congregação fixa?
- Quer dizer que todos esses querem sair do emprego que têm? Ora, o que há de errado com eles? Ou o que há de errado com o emprego?
- Será que estamos oferecendo um salário mais alto que as outras congregações?, Perguntou o Dr Marcos.
- Como já expliquei quando esse assunto surgiu - disse Bergson - estamos na faixa mais baixa de salários do mercado. Na verdade, dois ou três candidatos teriam que aceitar um bom corte de salário para trabalhar aqui.
- Nesse caso, por que...
- Porque estamos apenas a 35 km de Boston, um dos grandes centros culturais do Mundo.
- Questão de ordem! Era Ira Scharz, que gostava de cumprir metodicamente os regulamentos.
Bergson deu um suspiro:
- Sim, Ira, qual é a questão de ordem?
- Parece que você vai apresentar o relatório do comitê na qualidade de presidente!
- E qual é o problema?
- Ora, é que apresentar um relatório do comitê é como propor uma moção. Portanto, acho que você deveria passar o martelo para o vice-presidente. Daí, depois que ele o autorizar oficialmente como porta-voz, você pode fazer seu relatório.
- Mas eu não tenho martelo - disse Bergson com um sorriso - Apenas bato na mesa com os nós dos dedos. Você quer que eu dê minha mão para o vice-presidente segurar e bater na mesa com ela enquanto eu faço o relatório?...
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Sem querer (ou propositadamente), Harry Kemelman fornece um modelo de reuniões incansáveis e rodopiantes, que discutem exaustivamente sem nenhuma objetividade manifestações intermináveis que nunca chegam a lugar algum.
Participei dessas reuniões por 10 anos. Hoje depois de quase cinco anos livre delas é que compreendo porque sofria tanto. Davam-me engulhos e tédio e eu nada podia fazer.
Os personagens de Kemelman são personagens caricatos de qualquer conselho: há aquele que argumenta contrariamente, mas não tem noção do que está falando, há aquele que não leu nada e faz perguntas imbecis, há aquele que tenta ser metódico no cumprimento dos rituais, enfim , há de tudo nesse meio.
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Também a turma de BH não me é estranha. Já fiz esse trabalho ano passado em Cuiabá (*). Dessa vez o cenário é o seguinte e eu mesmo o descrevo:
-Estamos a três módulos de terminar a pós graduação, insatisfeitos com o curso em geral, ninguém aguenta mais ficar quinta e sexta de 18 às 23 e sábabo de 8 às 20 e precisamos de alguém que nos faça sofrer menos!
Nesse cenário, o professor (que sou eu) chega com uma hora de atraso e encontra a turma pronta para jogar as pedras.
Ontem foi um dia daqueles! Saí do Rio depois de uma reunião de dia inteiro (não como aquela lá de cima, certamente mais objetiva!) já confuso de horários entroncados, de viajar e trabalhar nos últimos quatro finais de semana, de ficar longe demais das crianças, de saco cheio e uma hora de atraso pra falar (ontem) de cenário e ética médica................
É possível que eu consiga acalmar um pouco essa turma hoje e amanhã. Tudo é possível. É possível que mande à puta que o pariu essa britadeira que não para de trabalhar embaixo da minha janela aqui do Hotel Mercure em BH!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Semi-morto em Belo Horizonte

Cheguei ao final de um dia que começou às seis da manhã quando acordei e terminou agora. Encontrei uma turma bastante hostil aqui em BH. Somando ao meu cansaço, deu vontade de pedir pinico. Hoje teve atraso de tudo. atraso do vôo, atraso da chegada do incompreensível Aeroporto de Confins (acho que é mais vantajoso vir de carro pra BH), atraso demais!
Afogado num liquidificador de solidão, dor no pé e rinite aguda, ainda não sei o que será de mim aqui nesse Hotel Mercure duplo A.
Nem escrever consigo. Esse quadro do Angeli ilustra bem meu abismo.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...