terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Essas sextas assim

Essas tardes assim
Nesses dias de paz
Dentro e fora de mim
São bonitas demais.
São azuis
No vestida da garota da esquina
Transbordantes de luz
No olhar da menina
São profundas e sérias
Num começo de lua
Lambuzadas da terra
Dos meninos da rua.


Nessas tardes assim
Tem uns cheiros no ar
Rosa, cravo e jasmim
Bogari, resedá.
Tem um troço qualquer
Que não posso explicar
Tentação de mulher
Barulheira de mar
Onda d’água crescendo
Uma coisa brotando
Uma tarde morrendo
É um dia chegando

Rosa Passos/ Fernando Oliveira




Peguei a estrada, precisava de dois dias de paz depois de um fim de semana atribulado e uma semana confusa de trabalho. Fui (e voltei) de ônibus, com medo de que aquela angústia me pegasse no calor árduo da Serra do Capim.
Os ônibus, por mais confortáveis que possam ser, são sempre impessoais, e como nunca fiz política de vizinhança, raramente converso com meus vizinhos. Na ida, até que esbocei uns muchochos com uma gordinha patusca que me expremia na janela. Lembrei das mulheres gordas tomadas banhos e achei que podia pelo menos oferecer um biscoito pra moça. A volta foi silente, com um pitéuzinho do meu lado. O pitéuzinho mal rangeu os dentes durante a viagem, que só não foi tão silente porque o Ipod não parou de tocar a viagem inteira. Ao meu ouvido, revezavam-se Pepita Ruiz, Rodrigo Maranhão, Georgete Fadel, Regina Spector e o disco ao vivo de Maria Gadu. Esse último pouco acrescenta à carreira da cantora e, convenhamos que insistir em cantar Shimbalaiê e Vamos pro round é de um mau gosto terrível. Nessa hora, o dedo procurava nervozamente a tecla fast forward.
Sem grandes esforços, dispensei as crianças, limitei os horários da empregada, desliguei o telefone e minha casa nem tem campainha, portanto acho que ninguém chamou lá fora. .
E a sexta mais uma vez, prometeu e não comprometeu. Dessa vez, pulamos a etapa papear e beber com os amigos e ficamos só nós, entregues, desarmados, afoitos. Foi uma noite mágica que teve até prorrogação no sábado. Um fim de semana como há muito não derretia.
Voltei leve, mas a leveza durou pouco diante desse calor insuportável do Rio.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Velhas fotos

Já ouvi por aí que Outlaw será descontinuada ano que vem. Só não explicaram porque. A série tem um roteiro enxuto, um elenco de muitas possibilidades e aborda um tema interessantíssimo: o poder judiciário. Como advogado, Jimmy Smiths é muito mais simpático que a Glen Close de Damages. Não dá pra entender. Só resta lamentar.
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Se a pretensão dos produtores era mostrar a a história de Odorico Paraguassu para as novas gerações, erraram feio. O Bem amado é uma caricatura mal feita do original. Nem Nanini salva. Fuja!
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Me perdi olhando nossas fotos. Terei sido feliz só ali?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Hermínio Bello por Áurea Martins

Teu desapreço por mim
Foi algo bem doloroso
Feito um punhal, encravou
A alma o olho o pescoço.

A arranhadura mais forte
Provocou esse desprezo
E gostei menos de mim
E me unhei pelo avesso.

Nem sobrou dentro de mim
O tal cachorro travesso
E o que restou para mim
Nem data nem endereço

E agora pergunto:
Mereço?

Hermínio e Cláudio Jorge

Essa coisa de nominar os melhores antes do final do ano chegar, periga deixar no limbo, obras da maior importância. Como essa De ponta cabeça, em que uma bissexta Áurea Martins repassa com absoluta competência, a obra de Hermínio Bello de Carvalho. Belos arranjos, ótimas composições como essa Desapreço, esquecida na caixa Timoneiro, e principalmente, uma intérprete do primeiro time da canção brasileira, que merece ser ouvida por mais gente. A melhor sugestão para meus leitores: dê CD de presente. O disco precisa sobreviver! E Áurea é uma dica perfeita!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cinco atuações irrepreensíveis em 2010

1) Colin Firth, por A single man - merecia todos os óscares pela interpretação singular do professor homossexual que não consegue aceitar a morte do companheiro. É essencialmente, um filme sobre perda e Colin sabe ir fundo na emoção dos que perderam.

2) Brian Cranston, por Breaking Bad - um personagem fadado à meia temporada, que Brian soube transformar num colecionador de abismos inesquecível. O sofá espera ansioso pela quarta.

3) Robin Wright Penn, por A vida íntima de Pipa Lee - belo filme em que Robin rouba a cena o tempo todo.

4) Woody Harrelson, por O mensageiro - nunca esperei muito desse ator, mas nesse filme, ele se superou.

5) Steve Busceni, por Boardwalk Empire - pelo conjunto da obra e por essa em especial, Busceni mereceu estar aqui.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Cinco acontecimentos de 2010

"Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos."
Nelson Rodrigues

Esperei o jogo de ontem pra começar a rebobinar a temporada 2010. Está chegando a hora, e mais uma vez, o que ficam são mesmo as boas recordações.

1) Um título Brasileiro para o Fluminense - depois de 26 anos, chegou a nossa vez de novo. Assisti, com meu irmão vascaíno no Maracanã, a decisão final de 1984 entre Vasco e Fluminense. Muitos anos depois e o pay per view acabou por me tirar de vez o saco de ir aos Estádios. Vi os últimos jogos sozinho, suando muito, gritando muito. Lembrei do Mário. Se Muricy sonhou com Telê, é bem provável que eu tenha sonhado com o Mário e conversado sobre o mesmo tema. Salve, Chicó!

2) Boardwalk Empire - a série foi longe o melhor programa da televisão esse ano. A idéia de juntar Scorcese e Terence Winter não poderia ter sido mais feliz. E o casal Steve Busceni e Kelly Mcdonald arrebentou. Também merece destaque nesse quesito, a ótima Breaking Bad.

3) Hair - de pai pra filha, o filme foi visto milhares de vezes. Esse ano foi a vez da peça. Numa das poucas saídas de 2010 no Rio, fomos ao teatro Casa Grande assistir. Afora as indefectíveis versões, foi tudo perfeito.

4) A caixa com a obra completa de Itamar Assumpção - pra quem se acostumou a ouvir o som metálico e perfeito do vinil Às próprias custas, faltava reproduzir em cd, a mesma qualidade. O SESC São Paulo fez isso e ainda lançou dois inéditos. Merece muitos aplausos por dar a real dimensão de um músico que foi discriminado pela mídia.

5) Ferreira Gullar na FLIP 2010 - a FLIP cometeu o erro grosseiro de não homenagear Gullar esse ano. Mas não faltou Gullar na FLIP.

OBS: os cinco acontecimentos de 2009 aqui.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O aprendizado de tudo isso

"Estou velho e sei que a melhor coisa da vida é a possibilidade de aprender coisas novas. Você pode beber demais e cair doente, pode correr o mundo atrás de mulheres e deixar sua família chateada. Nada disso, acredite, é importante. O que vai lhe trazer alguma coisa de verdade é o aprendizado".

Francis Ford Coppola

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...