sábado, 29 de janeiro de 2011

FLIP 2011 - walter hugo mae


"É meu interesse aludir a uma idade média, sobretudo mental. Os paralelismos podem ser todos: a ilusao contida, o sonho perante quase o conto de fadas, o aliciante e inebriante do amor, a superstiçao, o preconceito. Infelizmente, continuamos a ser muito medievais, e a tecnologia toda nao impediu e nao impedirá nunca que sejamos animais e que determinados instintos violentos venham ao de cima. Essa narrativa é uma ostentaçao consciente do horror de sermos ainda humanos de baixa categoria. Necessitamos urgentemente nos redimir do fato de provirmos doa animais, do fato de sermos, afinal animais."
valter hugo mae, trecho de entrevista.

¨o meu pai entrava em casa muito tarde, quando estávamos recolhidos à luz da fogueira, e era feito silêncio para que aliviasse o cansaço, e pedisse o que lhe aprouvesse. normalmente, tínhamos refeiçao da noite, jantar quente com vantagens sobre o desamparo da nossa condiçao social, e escutávamos as impressoes do dia, as instruçoes para o que viria, e os votos de boa noite."
valter hugo mae, trecho de o remorso de baltazar serapiao.

valter hugo mae é o primeiro autor da FLIP 2011 que tomei contato, depois de ler a entrevista no Prosa e Verso do Globo e ter ficado realmente impressionado com sua visao do Mundo. valter hugo mae só usa as minúsculas, nasceu em Angola, mas vive desde sempre em Portugal, e foi vencedor do prêmio literário José Saramago em 2007 por o remorso de baltazar serapiao, o primeiro a sair no Brasil pela editora 34. Impressionou favoravelmente ao próprio Saramago, que ao lê-lo, afirmou que às vezes tive a impressao de assistir a um novo parto da lingua portuguesa. Estou pela metade do livro, mas já dá pra dizer que está muito bem recomendado. Passado na época medieval, narra a história dos ¨sargas¨, assim chamados em referência ao nome da vaca da familia, para acentuar a condiçao social miserável que sofriam.
valter hugo mae é impiedoso quando trata do papel da mulher como mae e mulher, chegando a ser corrosivo. Tive engulhos em algumas paradas.
Impossível nao associá-lo à Guimaraes Rosa e seu mundo de Hermógenes e Riobaldo, mas o que mais achei próximo da literatura de walter, foram os escritos de Maria Alice Barroso. Separei o trecho acima, que pra mim, é um deja vu da Saga do Cavalo Indomado.
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A FLIP 2011 vai homenagear Oswald de Andrade. Eles ainda terao de me convencer de que nao se trata de mais uma lamentável equívoco.
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27/01/11- Fluminense 3x1 Macaé. Só vi os golaços de Souza (2) e Carlinhos. Foi o suficiente.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Feliz

De repente, fui pego de surpresa por uma certa felicidade genuína, daquelas que nao se encontram por aí, nem se compram, nem se tomam emprestado. Elas simplesmente acontecem e há um bom tempo, nao me aconteciam.
Passei apertado ontem com uma crise labiríntica brava e o mau funcionamento do ar condicionado do meu quarto fizeram da noite, um terror mal dormido. Inesperadamente, já hoje estou bem.
Nao sei se foi o fato da Calle Corrientes ter me trazido os dezessete de novo, pois tudo nessa rua, cheira à Sete de Setembro dos meus 17. Há uma livraria e uma disqueria em cada esquina. Passo devagar por cada uma delas, absorto e leve, como se cada uma tivesse sido feita para mim.
Nao sei também se foram as papas fritas, esse sabor inconfundivel, que só se pode encontrar onde as batatas possuem tratamento de palácio.
Nao sei enfim, se foi a boa conversa, a ausência absoluta dos telefones celulares, a invejável sensaçao de liberdade que tudo isso dá, a verdade é que a vontade é de repetir e repetir até ficar diferente.
Repetir repetir, como bem ensina Manoel de Barros, é um dom do estilo!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Discos do mês

Como dizia Roberto, depois dos 35, as coisas vão ficando meio complicadas. Tenho ouvido muita coisa nesse Mundo de meu Deus e o velho Ipod shuffle já deve estar cansado de tanta troca. Pra esquecer menos do que ouço, resolvi criar um repositório para relacionar os discos. Não há nenhuma pretensão de recomendar, criticar ou denegrir o trabalho de ningém. É corrente na minha vida, mudar de opinião a respeito desse ou daquele trabalho. Passo a gostar ou desgostar com relativa facilidade. Não tenho a pretensão de assumir um compromisso com a linha evolutiva da canção brasileira. A idéia é simplesmente alocar para não esquecer do que já ouvi. Daí nasceu o DISCOS DO MÊS.Está nos links ali ao lado e aqui.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Periga ser naquela esquina


Não foi só Odete Lima que Didi me trouxe esse fim de semana. Trouxe também um pouco de paz, respeito pelos meus silêncios, e foi quase que full time, minha única companhia. Uma ótima companhia! Terminamos a primeira temporada de "Em terapia" e ambos ficamos frustrados com o comportamento do Dr Paul no ultimo episódio. Péssima hora para brochar depois de 43 sessões.
Na vinda, vim ouvindo o cd que a Prefeitura de Fortaleza bancou para celebrar o letrista Fausto Nilo e agora foi lançado pela Biscoito Fino. São as canções mais conhecidas de Fausto, mas é muito estranho ouvir a voz soturna de Zé Ramalho entoando a marcha Periga ser, com um belo naipe de metais. Um achado!
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23/01/11 - Fluminense 6 x 2 Olaria - acho inoportuna e de mau agouro essa parte da torcida do Fluminense que vaia o time quando está perdendo. Principalmente quando a vaia é direcionada para um jogador, como foi hoje com Valencia e no último jogo, com Deco. É ruim para o time, principalmente porque estamos no início da temporada e precisamos de todos bem de cabeça. No jogo de hoje, Fred finalmente deu o ar graça e fez um jogo de craque. Só senti falta do Noronha!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Os silêncios de Odete Lima

Feriado de São Sebastião em Miracema, gozando do prazer e do tédio de estar só não fazendo coisa alguma, a não ser ver televisão e dormir. De noite, Didi vem pra cá e ficamos conversando. Ontem, sem querer, ela me trouxe Odete Lima de volta. E daí me lembrei que, além de todos esse cenário espreguiçante miracemense, Odete Lima me dava seus silêncios. E como eram acalentadores aqueles silêncios de Odete Lima! Como me tranquilizavam o latir dos gansos de manhã cedo, a farra dos patos e dos marrecos, a calma das águas do açude em frente da casa. E os banhos noturnos na piscina que escondem histórias de virar uma noite, os churrascos no coreto, as noites de violão e canto. As crianças ainda ficavam comigo sempre que eu vinha e era bom fazer parte de tudo aquilo. Por um momento, fui transportado praquele acordar silencioso de Odete Lima. Pras pequenas coisas que se perde e não voltam nunca mais.

Você pode achar mais de Odete Lima se procurar os textod mais bucólicos desse blog e aqui.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Dexter Morgan

Nos últimos dois ou três meses, estive envolvido com as quatro primeiras temporadas de Dexter. Quase toda noite via um episódio e já estava farto daquela abertura sebenta. Mas as histórias se sucediam e Dexter dava sempre um jeito de continuar matando e sair impune. A surpreendente morte de Rita, no final da quarta temporada vai deixar a série órfã. Mas é o preço que se paga para manter a longevidade das séries. No fim, não há como evitar o desgaste. Um arranjo aqui, uma digressão ali, aos poucos vai ficando tudo meio artificial. A própria morte de Rita foi meio esquisita e premeditada. Passaram a quarta temporada toda transformando a moça numa esposa dedicada e chata. Não teve jeito. Espero que não prorroguem o luto na quinta temporada,
Não há muita filosofia em Dexter. É só a história de um sujeito que presenciou o assassinato a sangue frio da mãe e desenvolveu um prazer mórbido por matar pessoas. O pai, um detetive que o adota, acaba por transformá-lo num justiceiro.
Até que Dexter, reforçada por nomes de peso como David Carradine, Jimmy Smiths e John Litgow, conseguiu sobreviver bem até a quarta temporada.
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20/01/11 - Fluminense 1x0 Bangu - começou o futebol. Como sempre, os pequenos começam com todo gás e os grandes ainda estão longe da forma física ideal. Nese primeiro jogo, o Bangu não mudou a rotina. Jogou no esquema 8-2-0 e só saía em velocidade no contra ataque. No único lance em que Fred efetivamente participou, fez o gol. O melhor da festa foi saber que Sérgio Noronha está de volta ao comentário pebolístico. Noronha esbanja verve, é do tempo de Afonso Soares, Luiz Mendes, João Saldanha e outros que me fizeram entender e gostar de uma boa partida.Ótimo prenuncio! E quanto ao Fluminense, ainda vai ter que melhorar muita coisa!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Canções e filmes de amor e sangue fresco


"Eu quero apenas", a canção de Roberto e Erasmo que tocou domingos afinco na vitrola do meu pai em Miracema, deve ser a mais ingênua e clichê da dupla, que nunca primou por fugir do lugar comum. No entanto, onde quer que eu esteja, a introdução da música vai sempre encher meu velho coração de boas lembranças. Sei que com o tempo, se pode contar os amigos nos dedos da mão e olhe lá (feliz de quem chegou aí).
Acabei cultivando um gosto esquisito por canções e fimes trash. Não sou só eu. Recentemente tivemos o exemplo da música de Marcelo Jeneci influenciada pelas canções da jovem guarda e Tarantino nunca negou que se inspirou em filmes de ação e violência para compor suas obras.
O primeiro filme em fita de video que vi foi Comandos para matar com Arnold Schwarzenegger. Meu pai tinha comprado um video Panasonic G9 (o top da época) e chamei o Nogueira pra fazer uma sessão lá em casa. Devo ter vistos umas cinco vezes, contando anos depois, a cópia em DVD, que vi com minhas filhas. O filme é horroroso, mas eu gosto assim mesmo.
Foi com esse espírito que resolvi assistir Os mercenários, o novo de Stallone e companhia. Infelizmente, nem todas as minhas lembranças trash salvaram o filme do fiasco total. Recomendação fuja.
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Vi também O turista, com Johnny Depp e Angelina Jolie. Afora a simpatia da dupla, o filme é absolutamente previsível e chato.
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Por outro lado, tem mais um Cohen no pedaço. Bravura indômita está estreando no cinema essa semana e sai como o primeiro candidato a filme do ano. E Jeff Bridges faz finalmente jus ao Oscar que tomou de Colin Firth ano passado.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...