sábado, 8 de agosto de 2009

Bunda a contra gosto

Não deixa de ser decepcionante constatar que o desenho animado caminhou para essa lástima chamada Bob Esponja. Não entendo como Chicó pode gostar disso. Sinto saudade do Dick Vigarista, do Zé Colméia, do Fred Flintstone e de tantos outros que povoaram minha velha infância. O tempo parece ter emburrecido a animação.
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Esse blog está virando importante. Dia desses, recebeu elogio da Fal (minha referência blogueira) e ontem, Marila, uma das poucas pessoas com quem convivo que tem verve para leitura e música, falou que meu texto é instigante. Pode ser que seja um mimo, mas só me chama a responsabilidade. Só espero que as duas não tenham esperança de que um dia eu vá me preocupar com o que escrevo. Eu e o Bob Esponja Calça Quadrada temos em comum, o gosto pela desconversa.
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Retornamos ontem ao encontro quinzenal do Bunda de Fora. Menos Laura que chegou cansada da dança. E quase perco Luisa , não fosse o argumento de que Lorena e Marcela iriam e ela teria companhia. O tempo passa e vou perdendo minhas filhas para o Mundo. Já não me presto ao papel do amigo que adora mostrar os filmes que viu, nem daquele pai corriqueiro que quer saber do dia de cada uma. Mas continuam sendo as mais encantadoras pessoas que conheço essas duas.
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Ainda restou-me Chicolino. Esse parece não ratear. Já comenta o futebol, está sempre disponível ,só ainda não notei nele o cacoete por gostar de música que já tinha notado prematuramente em Laura e Luisa. Cada tempo em seu lugar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sobresenho

"Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas."

Maiakóvski

Cheguei em casa exausto. A culpa provavelmente deve ser da manhã. Cheguei um pouco atrasado na empresa disposto a compensar o atraso resolvendo todas as pendêncais possíveis. Daí começaram a aparecer umas demandas de última hora e eu fui sendo atropelado e atropelando todo mundo. Aprumei depois do almoço.
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Meu Caro Professor,

Por muito tempo, dei-me ao trabalho de preocupar com quem não merecia nem um sobresenho do meu semblante. Era de uma preocupação sofrida, de fazer o meu dia ficar sem graça. Preocupação de homens honrados que são provocados por oligoides incompetentes que só se prestam a criar desequilíbrio.
Hoje em dia é muito difícil que me irritem. Cheguei num ponto tal que consegui uma blindagem razoável para lidar com qualquer tipo de desapontamento. Tudo que a vida me deu e me tomou possibilitou um ensinamento sincero de saber ignorar esse tipo de subversão.

O afeto que lhe tenho é de um companheirismo só comparável às grandes amizades que nos acontecem raramente. A admiração que nutro pelo seu trabalho é de alguém que não sabe chamá-lo de outro nome que não seja o de Professor. Você é tudo que eu penso de um homem além do seu tempo, de um mestre que merece todas as considerações e elogios.
Não permita que esses arroubos vindos de quem sequer merece ter sido seu aluno atrapalhem o seu dia. A maneira mais coerente de multiplicar seu conhecimento é não permitir que essas pessoas subvertam suas convicções. A melhor resposta é dar aula para eles de boa prática médica. É o que você tem feito ao longo desse tempo todo em que estamos juntos.
Precisamos muito do seu saber. Mais que nós, toda uma população de clientes que vem sendo tratada de forma grotesca e inexata.

Receba a compreensão e esse abraço de um homem humilde, seu amigo.

Francisco.
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Estou adorando ter voltado a ler Lawrence Block. A Barca nunca passou tão rápido
!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Garimpo

Você começa a achar que está ficando maluco quando baixar um disco se torna mais fácil do que procurar nas gavetas. Custei a achar graça no formato compactado. Comecei pelo Ipod. Só muito tempo depois fui ouvir os mp3. Hoje parece que só ouço isso. Há tanto cd no plástico que fica difícil saber quando vão ser ouvidos. Tentei criar uma biblioteca exclusiva de cds no mac, mas a preguiça tem me contagiado o suficiente pra achar um trabalhão a tarefa.
Tenho que admitir que, mesmo com meu ouvido pouco aguçado, já deu pra perceber que a qualiade de um cd bem remasterizado é muito superior a de um arquivo digital. Daí a ter o trabalho de ficar fuçando disco é uma légua e meia.
Recentemente, vieram alguns arquivos muito interessantes na rede. Como um disco do Pedro Caetano que a RCA não vai lançar nunca. Ou outro do Manezinho Araujo também da extinta RCA, o original Cuma é o nome dele?.
Garimpa-se na rede do mesmo jeito que se garimpa no sebo. Muita coisa não presta. Muita coisa está corrompida, principalmente em sítios gratuitos. Mas há as que.
Estou voltando da Barra. Nunca a S10 foi tão rápida e eficiente sem correr muito. Com o trânsito livre, viajei por meia hora entre a Barra e o Ingá. Fui lá dar aulas. Voltei ouvindo minha canção de afeto.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um desses dias comuns

A rigor, foi uma ótima terça-feira. Ocupei-me de terminar umas tarefas que já iam atrasando e apagar alguns incêndios. Almocei com Sandra e Ronaldo no Fumacê, boa conversa e boa comida. Botei os assuntos em dia com Rose que chegou de férias. Não fui atropelado pelas infindáveis reuniões de trabalho e o dia acabou fluindo muito bem. Nada de excepcional, nada de revolucionário. A rigor, foi uma ótima terça-feira.
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Dias assim renovam nossas espectativas. Não há neles, nenhum colorido especial nem nenhuma névoa atormentada. Você não leva nada dele, senão o fato de tê-lo tocado. São simplesmente dias vividos. Há altos e baixos como todo dia! Há essa rinite e essa dermatite seborreica incomodando. Não dá pra concordar com tudo que falam. Mas estou lúcido durante todo o dia. Percebo meu ganho como um dom do espírito. E multiplico minha esperança de que dias como esse continuarão sendo vividos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Uma nova canção de afeto ou o que eu tenho ouvido ultimamente

De nada adiantaram as preces de Amália. Acordei amoado e letárgico, sem vontade de ir pra Bahia, São Paulo ou para o trabalho. Pernas e pés se movimentam para as Barcas ainda pesados, parecem dormir. Sou um resto de pilha fraca.
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Depois aprumei. E deu vontade de escrever sobre o que fui e vim ouvindo na viagem. Uma nova canção de afeto, saída do aleatório do Itunes e ouvida a exaustão. Pra entrar nesse critério, a música tem pelo menos que ter a obrigação ter tocado por 3 vezes seguidas.
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Começa com Ai se sesse, poema de Zé da Luz, narrado por Lirinha do Cordel do Fogo Encantado no disco homônimo. Nunca dei muita bola pro Cordel. Vejo que perdi um tempo significativo.
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Depois O Pidido, já contado aqui, a canção do Elomar transformada em voz, sanfona e rabeca por Maisa Moura. E o Cantar que Luisa Possi fez , acrescentando vida ao choro melancólico de Godofredo Guedes, seguido de Luciana Souza, Our gilded home, belíssima canção do disco novo, Tide.
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Tiê contribuiu com Te valorizo, de um disco cheio de canções bonitinhas. E depois, Tanto, com Beth Bruno, de um demo que a Beth deu pro Jadim. Beth Bruno é uma das vozes mais bonitas da nossa música. Há muitos anos, na madrugada silente da Fazenda do Everardinho, vi Beth fazer um Manoel, o audaz a capela, de não esquecer nunca. Não sei se ela vai ficar satisfeita de saber que estou incluindo uma música que ainda nem saiu em disco na minha canção de afeto, mas é muito provável que ela nem vá saber desse texto.
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Ai vem, do ótimo disco Chocolate, de Maria João e Mário Laginha, um embriagado When you wish upon a star. Depois Navalha do disco novo do João Bosco e Going to a town, de Rufus Wainwright.
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Em seguida, Mangue e Fogo do disco São Matheus não é um lugar assim tão longe de Rodrigo Campos. Esse disco foi tão incensado por Antônio Carlos Miguel do Globo, que alimentei maiores espectativas. Mas é um bom disco. O que mais gostei nele foi da voz de Luisa Maita.
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E aí Viejo Tronco, Hector Napolitano, el viejo Napo do Equador. Um ótimo disco que descobri na rede, por acaso.
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A versão de Gary Burton para Adios Nonino redescoberta recentemente. É uma incelença de chorar muito.
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Do disco de Maria Gadu, separei A história de Lilly Braun, de Chico e Edu, que a menina faz muito bonito, não ficando nada a dever à versão de Gal Costa.
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É isso. As canções de afeto conversam comigo na viagem. Sempre nos entendemos muito bem. São recomendáveis para todos os males. Você pode ler sobre outras aqui.

domingo, 2 de agosto de 2009

Uma promessa de beijos


Aprendi a gostar do fado ouvindo Amália Rodrigues. Primeiro meu avô, que gostava também do fadista Francisco José, depois numa coletânea que achei num sebo em Porto Alegre, depois o disco do Canecão, depois o disco do Olimpia, depois com Vinicius, todos uma dilaceração só. Amália foi (é) uma navalha cantando. A guitarra portuguesa parece talhada para ela. Cortes agudos no Fado dos Ciúmes, no Barco Negro, no Fado Corrido. Mesmo no fado corrido, Amália corta. Nesse final de domingo, Amália canta pra mim. Eu sofro. Dói-me a dor dos mais profundos compassos dolorosos. Não sei como cheguei aqui. Estava arrumando a biblioteca depois de desistir do jogo no meio do segundo tempo, e bateu Amália. Não pude recusar a oferta. E agora só quero ouvir e chorar um pouco. No meu morrer, Amália reza por mim.

sábado, 1 de agosto de 2009

Resmungos

Não perca seu tempo vendo "The betrayed". Melissa George deveria ter feito apenas a minha adorada Laura, a anestesista de "Em terapia". De resto, só fez filme B.
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Também não gostei de "Doces Encontros". Quando vi a capa do DVD e a participação da estrelinha Kristen Stewart , de Crepúsculo, pensei logo em Luisa. Luisa tem paixão pelo filme, já leu todas as continuações e achei que interessaria. Depois vi que o filme era dirigido por Mary Stuart Masterson, e a censura era 16 anos. Resolvi ver antes de Luisa. É um filme triste, deprimente, não acrescenta nada a coisa nenhuma. Vai entender!
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Bebi bastante ontem a noite. Muito pra mim hoje em dia são três ou quatro cervejas. Acordei de bode. Toda vez que bebo, tenho que pagar um preço maior do que qualquer ser humano saudável. Considerando que a humanidade está sempre duas doses abaixo do normal (foi Bogart que disse isso mesmo?), meu humor nunca vai chegar ao estado de embriaguez lúcida. Há outras maneiras, tais como criar uma canção de afeto. Melhor, depois de fazer, ouvir. Descobrir que, cada vez que você acha que encontrou a versão definitiva do Adios Nonino, aparece uma outra mais bonita ainda.
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Há muito livro pra ler, o que tem me deixado bastante angustiado. Quando leio essa matéria no Globo sobre a indicação de 13 livros para o Booker Prize e constato que só conheço um autor ( J. M. Coetzee, de quem li Desonra, apenas até a metade - posso estar falando uma calúnia, mas achei enjoado), fico ainda mais preocupado com minha falta de estante.
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Detesto bancos. Só tive dois na minha vida. O Banco de Crédito Real da Amaral Peixoto em Niterói, onde meu pai depositava o dinheiro do colégio e eu ia buscar, e a Caixa Econômica Federal, onde mantenho conta desde que mantenho conta. Não uso cheques, fora nas seguintes situações: aluguel do apê em Miracema, Diô, internet das crianças, contador e terapeuta. Ocorre que aquela maquininha de imprimir cheques está de birra comigo. Tive que apelar para um velho conhecido de Miracema para imprimir cheques dentro do banco, cujas portas tinham acabado de fechar. As caixas foram muito gentis, mas a impressora do banco é certamente pior do que da minha sala na empresa. Minha senha foi teclada meia dúzia de vezes e nada de sair o talão. Detesto bancos. Tenho meus motivos!
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Por mais que eu goste do Tantinho da Mangueira, ele vai ter que esperar um pouco para que eu compre o disco que fez em homenagem ao Padeirinho. O único lugar que você acha para comprar é na Folha Seca na Ouvidor, por módicos (!!!) 39.90.
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Por falar no Tantinho, foi meio decepcionante o disco do João Macacão de serestas. Andava querendo esse disco há tempos depois da participação muito boa do João na caixa do Vanzolini. O repertório é óbvio demais e a voz do João é bastante limitada.
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Para fechar o sábado esse imprevisível Duplicidade. Muito ruim! Um desperdício de Paul Giamatti, Clive Owen e,- vá lá!-, Julia Roberts. Sabe aqueles filmes confusos que vão juntando pedaços e datas até terminar num desfecho feliz? Pois esse nem o desfecho teve! Fuja!
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Glossário dos termos de ontem (a pedidos):
Sebastião Bunda de Fora - é o meu contador, que de noite se transforma em barman e faz o melhor bife da cidade. Também é o único lugar de Miracema onde se pode tomar uma Original estupidamente gelada. Tem esse apelido porque vive pagando cofrinho. Como contador, é um sujeito sisudo. De noite, não perde uma boa conversa.
Celso Barbeiro - é o meu barbeiro desde que me conheço por gente. Desde menino. Tentei fazer a barba e o cabelo com outros no Rio, mas foi um desastre. Anda meio embriagado, de vez em quando dá um talhos na pele, mas ainda continua sendo ótimo barbeiro.
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Eu sei que esse texto está uma merda. Tem dia que só vem a vontade de escrever, nada de resto!

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...