domingo, 16 de janeiro de 2011

Nara no CCBB

Pouco importa que o grupo tenha escolhido as canções mais batidas do repertório de Nara Leão! Importam menos ainda, as histórias já tão conhecidas, os arranjos sem ousadia, a menção equivocada da briga com Elis.
A verdade é que o CCBB ontem encheu-se do espírito generoso e universal da cantora para homenageá-la com um espetáculo singelo e admirável. Só de ver os olhinhos de Laura brilhando com as canções ainda inéditas pra ela, valeu a pena.
Valeu ter sido arrastado pelo cabresto pra sair de casa, depois de um sábado inútil, valeu ter empurrado o trombolho do carro do vizinho que atrapalhava minha saída na garagem, valeu dirigir à noite com chuva, voltei renovado!
E Fernanda Couto não desaponta em nenhum momento: Nara deve ter gostado onde quer que esteja.
Se você quer ver um musical descompromissado, cheio de clássicos da nossa canção e que deixe sua alma levinha, não perca. Fica lá até fevereiro.
E de quebra, passe pela exposição de Cora Coralina e entenda porque Rubem Braga achava que mereceria ser goiano!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Notas ao pé da chuva

"Pois é nos desvios que se encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros."
Manoel de Barros

A tragédia que toma conta da Região Serrana acabou por criar um pequeno contratempo, em nada comparável ao sofrimento dos que lá moram: ficarei sem ir a Miracema. Está cada vez mais difícil ficar sem ir a Miracema. Minha vida parece querer voltar, ao final de cada dia de trabalho, pra minha casa, pros cuidados da namorada, dos amigos, dos filhos. Vacilei até as 7 horas de hoje em pegar o carro e ir. De madrugadinha, estudei a estrada minuciosamente, pesei os obstáculos e tomei a decisão. Vim remoendo na Baía, não acreditando muito que a tenha tomado. Padeço de um mal crônico: ficar repensando as decisões e sofrendo com essa tortura ruminativa. Deveria ter sido mais ousado? Agora não tem jeito. a prudência é vizinha da solidão.
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É no mínimo estranha essa despedida do Washington do futebol. Se o próprio médico garantiu mais um ano, se o contrato estava engatilhado, se ele próprio dava claras indicações de estar bem em Mangaratiba, porque desistir? Não gostaria de ver Washington longe do Fluminense, mas tenho certeza que ele merece mais um ano. Em qualquer time!
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Minha turma comemorou 25 anos de formatura. Não fui, naturalmente. Vieram as fotos, todos velhos e encarquilhados como eu. É engraçado, mas hoje devo ter mais amigos na minha turma do que há 25 anos. Um trabalha comigo, um é meu terapeuta, e uma outra, nunca se afastou de verdade. De algum jeito, está sempre próxima, acompanhando meus passos longe e perto, desde sempre.


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Carrickfergus

O Rio amanheceu molhado e, não sei se por assim ter sido ou talvez porque Laura tenha voltado, acordei de um sonho bom, como há muito não me acontecia.
Meu coração tem botequins imundos, mas os pés nem tanto. Caminhar pelo velho Centro chuvoso mijado de esgoto e sujeira não é nada agradável.
Na Baía de Guanabara, Van Morrison cantava Carrickfergus pra mim e eu pensava no quanto é satisfatório que eu ainda não tenha conhecido muita coisa, como essa velha canção irlandesa. É reconfortante saber que ainda há muito que ver por aí, que nem todos os discos foram ouvidos, nem todos os livros foram lidos.
Enquanto não vem a trilha de Boardwalk Empire, com a versão definitiva de Loudon Wainwright III para Carrickfergus, vou ouvindo algumas interpretações interessantes na rede. A que mais gostei até agora foi a de Van Morrison, talvez porque se aproxime mais da de Loudon.
Chego na empresa e dou falta de Renatinha o dia inteiro. Tirou férias. Como assim? Pessoas como Renatinha não tiram férias, sob pena de causar um descompasso muito grande para o bom andamento da operação.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Um belo final de semana

Nesse forno niteroiense de janeiro, vacilei algumas vezes em pegar a estrada e acabei ficando aqui mesmo. Deu certo. Tive que importar uma miracemense disposta a horas de videotape, conversa fiada e sexo, naturalmente. Há muito que não acontecia um fim de semana tão interessante em Niterói. Fomos ao cinema ver Incontrolável. Em casa, vimos Um sonho possível e mais um açucarado com Jenifer Aniston (Coincidências do amor). Nada de filmes difíceis demais, densos demais. Os que vieram, vieram na medida para o nosso aconchego. Ficamos ouvindo Xangai e Herbie Hancock, caminhamos pela Praia das Flechas cedinho, almoçamos no Beluga e jogamos conversa fora até agorinha. Quase não deixei que ela se fosse e por pouco não fui com ela. Acho que nesse meio tempo, eu consegui recuperar um pouquinho do que não tinha há muito: um sentimento genuíno de felicidade.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Você vai conhecer o homem dos seus sonhos

O meu primeiro filme de 2011 não comprometeu, mas também não foi lá essas coisas. Sempre espero mais de Woody Allen. O filme é na verdade uma aula sobre desencontros e desapontamentos. O título é apenas irônico, tirado de uma frase que o personagem de Josh Brolin fala com a sogra, encantada com as previsões de uma vidente charlatã. Na verdade, ninguém encontra ninguém que valha o sonho do título. Fiquei com saudade de Tudo pode dar certo.
De um modo geral, prefiro a veia cômica de Allen. Além de Tudo pode dar certo, gostei muito de Zelig, Desconstruindo Harry e Poderosa Afrodite.
Gravado na Inglaterra, o filme tem no elenco a piteuzinho indiana Freida Pinto. Essa é uma das vantagens dos filmes de Woody. Sempre tem um piteuzinho.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Cinco canções de 2010


Deixo essa lista por último, porque habitualmente é a que mais me agrada escrever. Não farei a lista dos cinco livros, porque li muito pouco em 2010. Qualquer um que esteja na lateral direita do blog poderia estar listado, mas daria um destaque absoluto para Em alguma parte alguma, o inédito de Gullar.

Primeiramente, é preciso esclarecer que essa lista não é feita necessariamente de canções compostas em 2010. São canções recentes (de 2010 ou próximas) que mais tocaram na rádio Desconversa FM, que voltaram mais vezes no meu cansado Ipod shuffle, companheiro das Barcas e dos ônibus em Niterói.

Quatro cabeças, de Gabriel Moura, Maurício Baía e Rogê - se há um sopro de renovação na música brasileira, deve passar naturalmente pelo 4 violonistas do grupo 4 Cabeça, que fizeram um belo disco em 2010, impossível de encontrar nas lojas ou na rede. A música que apresenta o grupo é um achado.

O papa, o cão e a alfama, de Luiz Gabriel Lopes - compositor mineiro, radicado em Portugal, também gravou um disco que não se acha em lugar algum. Essa canção é uma mistura de fado com flamenco com rítmos brasileiros, muito sofisticada e de uma letra estranhíssima.

Quatro Horizontes, de Lenine e Pedro Luiz - esse choro lançado inicialmente por Pedro Luiz e depois no disco de trilhas do Lenine (Lenine.doc) é uma pequena obra prima, um casamento perfeito entre letra e melodia, de uma brasilidade escarrada.

Contenda de Guinga e Thiago Amud - ignorei a canção no disco do Guinga e só bateu quando ele a cantou no CCBB. É Aldir Blanc pura.O disco de Thiago também é de garimpar muito pra achar.

Porque nós de Luiz Tatit e Marcelo Jeneci - Marcelo Jeneci lançou um bom disco no final de 2010, embora eu preferisse que ele namorasse mais com a sanfona do que com a jovem guarda. Essa canção eu conheci primeiro e numa versão mais bonita, no disco do Tatit (Sem destino). Parece o canto de uma geração inteira.

As cinco canções de 2009 e 2008 aqui.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Três anos desconversando

"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro."

Mário de Sá Carneiro (Lisboa, fevereiro de 1914)

O velox funcionou bem no resto dos dias, mas aí a síndrome de abstinência já tinha passado e parei de acessar.
O ano novo veio bonito como tem vindo desde sempre. Só me atrapalhei com a oração da minha mãe à meia noite e esqueci de estourar o proseco que estava reservado na geladeira. Fica pra próxima. O resto deu tudo certo, com filhos rondando pela casa, amigos de muitas décadas, meus pais e um porre homérico de antártica sub zero.
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Três anos de blog e achei que já tinha dado o que falar. Tive um branco de escrever bobagens. Tentei um alternativo, mas caí no mesmo abismo. Até que percebi que o blog nasceu da necessidade que eu tinha de escrever pra mim mesmo. E me lembrei que nos melhores tempos, eu me divertia lendo velhos textos e achando engraçado aquilo tudo. Tenho que confessar sem falsas modéstias, até porque trata-se de um total despropósito, que meu maior leitor sou eu mesmo.
Foi assim que decidi continuar postando. Sem ritmo, improvisado, desconvexo, mas alguma coisa precisa ser extraída dos meus dias bestas. Feliz ano novo!

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...