domingo, 31 de maio de 2009

+ um domingo de volta

Esse trecho Miracema - Niterói serve para avaliar novos discos, o que acaba tornando a viagem mais divertida e rápida.
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Na vinda, comecei ouvindo Naked Willie, o disco novo de Willie Nelson, que fez um ao vivo muito interessante ano passado com Wynton Marsalis. Willie nu é desses discos que dão pra ouvir uma ou duas vezes, mas é só. Depois optei pelo cardápio normal das minhas canções de afeto e finalmente o disco ao vivo novo do Fito Páez: No sé si es Baires o Madrid. Ótimo, com direito a (mais) uma bela interpretação do clássico Un vestido y un amor.
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Eu poderia ter escrito isso ontem, mas preferi roubar de Maria:
"O pior encontro casual da noite ainda é o do homem autobiográfico. Chega, senta, e começa a crônica de si mesmo: "acordo às 7 da manhã e a primeira coisa que eu faço é tomar o meu bom chuveiro!" Como são desprezíveis as pessoas que falam no bom chuveiro! ... E vai daí para outra modesta homenagem a si mesmo: "Aí, então, é que vou me vestir. Quanto à roupa, nunca liguei muito, mas camisa e cueca, tenha paciência, eu mudo todo dia." O "tenha paciência" é porque ele está absolutamente certo de que estamos com a camisa e a cueca de ontem. Que horror me causam as pessoas do "bom chuveiro", do café reforçado, os que precisam dizer que mudam de camisa e cueca todos os dias, os que citam "sua senhora" e os que passam no jornal, antes de ir para o escritório. Nossa maior repulsa ainda por quem janta de pijama e deita no sofá, com as crianças em cima. Ah, essa gente me procura tanto!"
Do Jornal de Antônio Maria.
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Essa história de que o Fluminense está querendo dispensar o Parreira e chamar o Renato Gaúcho de volta só pode ser brincadeira! Tapa o ouvido, Chicó!!!

sábado, 30 de maio de 2009

Filigranas

O cd do caminhão não para de tocar as músicas da expedição Mário de Andrade, recuperadas com delicadeza pel'A Barca, por Antônio Nóbrega, por Teca Calazans e originalmente pelo SESC de São Paulo. Quem nunca teve a oportunidade de escutar essas pérolas que nos misturam em poesia e carne com nossas raízes mais profundas, não sabe o que está perdendo. Laura e Luisa adoram, Chicó parece começar a querer aprender esse gosto terno de brasilidade.
Hoje depois do almoço, assistimos Persépolis, um desenho europeu mais adulto, contando a história de uma menina de Teerã em meio aos estragos da guerra e o florescer do pensamento.
E vimos o show de Luiz Tatit, Rodopio, outra coisa que devia ser oferecida em sala de aula. O trio Ná Ozzetti, Ceumar e Suzana Chaves cantando junto o Baião de 4 toques é irrepreensível. O baião, de Tatit e Wisnick, foi pinçado do tema de apresentação da quinta sinfonia de Bethoven, um achado.
De resto, o de sempre. O botequim do Bunda de fora ontem, a comidinha da Diô, e um (raro esse ano) friozinho gostoso de querer ficar hibernando o tempo todo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Calundu e Cacoré

"Roube de qualquer lugar que resulte em inspiração ou incendeie sua imaginação. Devore filmes, músicas, livros, pinturas, poemas, fotos, conversas, sonhos, árvores, arquitetura, placas de rua, luz e sombras. Escolha para roubar apenas coisas que falem direto à sua alma. Se fizer isso, seu trabalho (e roubo) será autêntico. A autenticidade é inestimável. A originalidade não existe. Não se dê ao trabalho de ocultar seu roubo. Celebre-o se quiser. Lembre-se o que Jean Luc Godard disse: "Não importa de onde você tira as coisas - importa é para onde você as leva ""
Paul Arden, Tudo o que você pensa, pense ao contrário.
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Hoje foi dia de dar aula na Barra. Nem precisa dizer que foi mais um dia cansativo. Seis horas em pé dando aula, pra quem trabalha o dia todo sentado, dá pra doer o osso. Desenvolvo o método franciscolima de ensinamento. Dou aula aprendendo. Primeiro ensino a mim mesmo. Os alunos acompanham. Depois aprendem. É mais cansativo, mas no final, consigo aproveitar melhor o tempo e é bem possível que os alunos saiam dali com uma boa parte do conteúdo absorvida.
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Voltei da Barra ouvindo Calundu e Cacoré. Voltei a música umas 3 vezes e não me cansei de ouvi-la e depois fiquei ouvindo as tiranas, as puluxias, as cantigas e as coisas mágicas que Elomar Figueira de Melo compôs. Elomar tem o condão de me fazer leve, de fazer o cansaço se esvair. Sua música me eleva a Deus, uma coisa absurda para um ateu convicto. Muitas vezes acordava em Odete Lima e botava Elomar pra dormir mais um pouco. Nunca vou me esquecer daquele acordar em Odete Lima. Do silêncio, da música, do latir dos gansos de Odete Lima.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

No pronto socorro do Andaraí

O calor parece estar voltando ao centro do Rio, depois de uns diazinhos de frio bom. Chego em casa de noite e fico com medo de ligar o ar, porque invariavelmente, esfria de madrugada, e aí gela o quarto. Hoje foi outro dia cansativo pra trabalhar, mas deu pra almoçar e ir no sebo. Meu amigo João está com PSA alto, e ficou perdido no Hospital do Andaraí, submetido a uma biópsia prostática em que não conseguiram localizar a próstata. Como assim????? Liguei pra Pepina (expertise na matéria) que ficou horrorizada que nem eu. Para onde vai a saúde dessa gente humilde que não pode nem pagar um plano de saúde?
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Voltei do sebo emputecido com tudo isso e com vontade de fazer mais do que sentar na mesa e ficar distribuindo segundas opiniões balizadas, que ajudam a melhorar pra uns poucos, mas ainda não são nada. João continua com seu PSA alto e não tenho muito que fazer além de ligar pra Pepina e dividir a angústia.
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Tive mais pena ainda do Chicó depois que vi estampado no jornal de hoje, as manifestações da torcida do Fluminense nas Laranjeiras. O que é aquele vandalismo? Isso não cabe na história de um time como o nosso! Espero que o menino tenha sido poupado daquelas sandices.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nem nada

"Talvez que quando eu for velho, reduzido aos meus relógios e aos meus gatos, num terceiro andar sem elevador, conceba o meu desaparecimento não como o de um náufrago submerso por embalagens de comprimidos, chás medicinais e orações ao Divino Espírito Santo, mas sob a forma de um menino, que se erguerá de mim como a alma do corpo nas gravuras do catecismo, para se aproximar, em piruetas inseguras, do negro muito direito, de cabelo esticado a brilhantina, cujos beiços se curvam no sorriso enigmático e infinitamente indulgente de um buda de patins."
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Definitivamente, Os Cus de Judas já está dando liga, aquele viço que os bons livros envolvem as pessoas, muitas vezes de forma inesperada.
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Hoje foi um dia desses de não dar pra cuspir, de ter que esperar a segunda vontade pra ir ao banheiro fazer xixi. Uma reunião atropelando a outra. E cofee break o dia inteiro, muitas calorias digeridas. Nem consegui ler com meu inglês melancólico, uns textos que o Wanderley mandou. Nem consegui almoçar com meu staff, esse almoço de trabalho e boa conversa que fazemos toda terça, toda quarta. Nem uma passada no sebo pra conversar calmamente sobre discos e livros. Nem um capuccino em pé na Quitanda com broinha de milho fresca. Nem os chamegos da Re e da Sandra, nem nossas gargalhadas. Hoje foi um dia seco.
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Rose, onde quer que ele esteja, está melhor do que aqui. Aí no seu coração atravessado pela dor da perda, ele vai sempre morar um pouco. Feliz mais do que sempre esteve nos últimos tempos. Conte comigo. Sempre!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Silêncio, façam alas

Pense em alguém fazendo uma homenagem contida à Carmem Miranda. São essas coisas que você suspeita logo. De Carmem Miranda você já espera logo que a moça venha cheia de abacaxi e banana pendurada. Pois Ná Ozzetti fez. Um belíssimo tributo à Carmem em Balangandãs. Belo e contido como deve ser a música de Ná. Já entrou direto na concorrência entre os melhores do ano.
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Tributos não são novos na história da cantora. Conheci Ná Ozzetti através do disco Rumo aos antigos, ainda em vinil. Na época, já fazia um trabalho voltado para a boa e velha guarda, gravando Noel, Lamartine e outros especialistas. Ná gravou também um belo disco com standarts dos anos 50 pela Som Livre, quando ganhou o prêmio de melhor intérprete num festival da canção da Globo. A rigor, o que há de novo nesse Balangandãs é uma guitarrinha meio distorcida, que, vez por outra, chega a incomodar, parecendo essa coisa transâmbica.
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Rita Lee se repete mais uma vez em Multishow ao vivo. Ótimo, porque Rita consegue se repetir sem ser mais do mesmo. Só não sei porque Rita Lee renega suas canções mais apimentadas, mais vanguardistas, mais autênticas: as músicas dos Mutantes. Nâo há o que explicar!
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Mercedes Sosa também grava um disco belíssimo revendo seu próprio repertório e o alheio. Chama-se Cantora. Mercedes consegue fazer Shakira, com quem dueta em La maza (Silvio Rodrigues em seus melhores dias), soar bonito e firme.
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Com tanto jornal e revista em atraso, não consigo emendar Os cus de Judas. Mas é um livro difícil, já vou dizendo. Não é dessas coisas que você tem vontade de matar em uma noite não.

domingo, 24 de maio de 2009

Domingos vazios

O que dizer da indiscutível vitória do Santos sobre o Fluminense? Nada! Serviu pra concluir que Renato Maurício Prado está certo: o Fluminense está disputando o rebaixamento. Toda vez que acontece um trem desses, me dá pena do Chicó. Contaminei o menino com o time, ele (7 anos) sai da casa da mãe e vai prum botequim perto ver o jogo. Quando tinha a idade dele, acostumei a torcer para um time que ganhava títulos. Hoje está difícil! Chicó ainda tem que passar pela humilhação de vestir a camisa do Flamengo porque em Pádua só tem escolinha do Flamengo. Não há paixão que se sustente.
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Entulhei-me dentro do apartamento até as 15h hoje. Arrumei quase toda a cdteca. Pelo menos as gavetas da sala já estão no prumo. Mais um fim de semana sozinho e vai ser fácil achar meus discos. Arrumei também a biblioteca do computador.
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Não há muito que fazer nesses domingos vazios. A gente acaba esperando pelo jogo. Às vezes. passa pela fórmula 1, só pelo masoquismo de ver Rubinho se repetir a cada etapa e aguentar Galvão Bueno falando bobagem. Hoje não foi diferente.
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Que paz pode se esperar de um domingo vazio depois dos 47 do segundo tempo? Em que tempo fui melhor do que o que eu sou hoje? Onde é que eu acho a lucidez do menino? Do menino, que fazia dos domingos vazios, dias plenos de música, poesia e virtude!

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...