segunda-feira, 8 de julho de 2024

Formiga Bossa Nova

As coisas jogadas fora
têm grande importância
— como um homem jogado fora

Aliás é também objeto de poesia
saber qual o período médio
que um homem jogado fora
pode permanecer na terra sem nascerem

em sua boca as raízes da escória

Manoel de Barros

Mariza canta Amália - nunca comentei sobre esse disco, mas ontem o inesperado mandou ele de volta na Barca Ingá e aqui vão algumas considerações. Voz e arranjos perfeitos, repertório mal escolhido.Para um disco de apenas dez faixas, a gravação de Formiga Bossa Nova é uma perda total de tempo. Não sei a que veio essa canção, mas certamente foi escrita por alguém que não sabe nada de bossa. Adorei a gravação de Povo que lavas no rio.

Sempre detestei bancos, isso não é novidade para quem conhece esse blog. Mas o Itaú Personalité representou por muitos anos, um alento de bom atendimento. Já não é mais. Levei uma hora para não ser atendido no telefone e uma hora de espera no caixa hoje.

Essa ideia de fazer filme de terror com o Mickey e o Ursinho Pooh é catastrófica. Para quem se acostumou a olhar para esses personagens com ternura, humor e delicadeza, ficou de muito mal gosto.

A Casa dos Dragões passa longe da excelência de Game of Thrones. Os diálogos eram mais ácidos, os personagens melhor construídos, a heterogeneidade maior. Depois de quatro episódios, tivemos finalmente uma luta que foi desenhada nos (inteiros!) três primeiros.

Finalmente, sobre o Fluminense: não há o que dizer. Passa por um momento delicado, com grande chance de ser rebaixado. E daí?? Sigo torcedor apaixonado para qualquer catástrofe que possa ocorrer. Não se trata de uma escolha, o Fluminense nasceu comigo. 

Durou sete meses e uns quebrados

Durou uma vida

Durou uma esperança de dias melhores

Durou uma viagem





quarta-feira, 19 de junho de 2024

Oitenta canções do Chico que melhoraram minha vida, assim de bate pronto

Desalento

Ludo real

Samba do grande amor

Pelo amor de Deus (com Gilberto Gil)

Tango de Nancy (com Lucinha Lins)

Bom tempo

A voz do dono e o dono da voz (com Cida Moreira)

Mar e Lua

Gota dágua

Morro dois irmãos

Valsa brasileira

Construção

Valsinha

Lola (com Maria Martha)

Iracema voou (com Clara Sandroni)

O meu amor

Palavra de mulher (com Elba Ramalho)

Com açúcas com afeto 

O velho Francisco

Viver do amor

Tanto amar (com Ney Matogrosso)

Soneto (com Cida Moreira)

Meu caro amigo

Apesar de você

Roda viva 

Sem fantasia (com Bethânia e Chico)

A permuta dos santos (com Mônica Salmaso)

Todo sentimento

Trocando em miúdos

Bastidores

Sob medida

Atrás da porta (Com Elis)

Cálice

Tatuagem

Olhos nos olhos (com Bethânia)

De todas as maneiras (com Angela Ro Ro)

Até pensei (com Nana e Chico)

Essa moça tá diferente

Tem mais samba (com Quarteto em Cy)

Mulheres de Atenas (com Ney Matogrosso)

O que será (com Milton, a versão que tem no Geraes)

O futebol (com Quarteto em Cy)

João e Maria

Vai passar

Sinhá

As vitrines

A Rita

Futuros amantes

Biscate

Eu te amo

Tanto mar

O meu guri

Jorge Maravilha (com Laura Braga)

Ela é dançarina

Joanna Francesa

Quando o carnaval chegar (com Vânia Abreu e Marcelo Quintanilha)

Xote de Navegação

Fado tropical

A ostra e o vento (com Ná Ozzetti e André Memahri)

Aquela mulher

Sonhos sonhos são

Injuriado

Mil perdões

Não sonho mais (com Elba Ramalho)

Trapaças

Hino de Duran

Palavra de mulher (com Elba Ramalho)

Grande Hotel (com Wilson das Neves)

Querido diártio

Sou eu

Tua cantiga

A rosa (com Chico e Sérgio Endrigo)

Geni e o zeppelin

Anos dourados (com Bethânia)

Embarcação (com Zé Luiz Mazziotti)

A violeira

Tantas palavras

Querido diário

Dueto (com Chico e Nara)

Último blues (com Gal)





sexta-feira, 14 de junho de 2024

Trago aqui o memorando da central

Depois desse hiato de muitos dias, tento retirar a trava e voltar a escrever. Ficar travado, em geral, é como respondo ao luto. Não choro, nem desabo, apenas travo. 

Perder um amigo é um processo agudo, no momento em que você vai ficando cada vez mais velho e os amigos vão ficando cada vez mais escassos. Nada em mim agudiza. Eu travo e pronto.

A perda desse amigo que nos acompanhou a vida toda criou um vazio enorme para os que ficamos. Ele fazia a diferença em nossa reuniões com sua alegria expontânea e sua inseparável cuíca. Na nossa adolescência, nunca faltou um canto de roça para um churrasco, uma pescaria de canecão no açude, muita música e cachaça da boa. Vai fazer muita falta.

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Da morte dele para cá, me agarrei às músicas como salvação.

Já contei aqui a história de quando escrevi um texto a Geraldo Maia agradecendo pela música do disco Samba de São João, um dos grandes discos da década passada. Daí uns dias, chegou um pacotinho com todos os cds do Geraldo enviados de presente pelo mesmo. Foi uma surpresa muito boa.

Pois aconteceu uma coisa parecida com Fernando Pellon. Não sei de onde veio a referência, acredito que tenha sido o Mauro Ferreira. Fato é que comecei a ouvir "Medula e osso" e não parei mais. Tive a mesma sensação e encantamento da primeira vez que ouvi Celso Viáfora. Fernando não toca no rádio, tem poucos ouvintes no streaming e no youtube, mas é gênio. Tem quatro discos e eu já estava bastante atrasado como ouvinte. Fernando usa referências poéticas (respeitem ao menos meus caninos brancos), homenageia Décio Pignatari, e é acompanhado por uma constelação: Jaime Vignolli, Fátima Guedes, Moacyr Luz,  Marcos Sacramento e Mariana Bernardes. Afinal como eu deixei essa obra prima escapar por tanto tempo?

No início fiquei estacionado em Um sujeito de mau aspecto (acho que sou eu) e Canção de vadiar. Elas retornaram inúmeras vezes e quanto mais ouvia, mais gostava. Depois ouvi o disco todo, ouvi os outros discos, e até agora não entendi porque é que eu não escutei isso antes. 

Na sequência, fui correr atrás dos discos. Essa história de streaming, vale só para os mais novos, que não conheceram as maravilhas de um bom long play. Daí iniciei uma procura insana nas lojas do Rio e de São Paulo (até na Passadisco de Recife procurei). Ninguém conhecia. Acabei comprando o arquivo da apple, mas nunca desistindo.do disco.

Até que uma hora pesquisei, achei o site dele, e liguei para sua agente (e esposa). Ela me colocou em contato com Fernando, que ficou feliz pelo meu interesse (e quem não se interessaria ?). 

Os discos chegaram e não pararam de tocar mais. Muito obrigado por sua música, poeta! 

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Aldina Duarte, apesar de ser a antítese de Geraldo Maia e Fernando Pelon no quesito simpatia, continua ousando discos excepcionais, como esse último, Metade-metade, em que grava canções de Capicua. Adorei Tentativa e Duas mãos.

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Finalmente, ando ouvindo muito o disco novo do Dori, Prosa e papo.  É o presente anual que Dori manda para todos os amantes da boa música.

Três moças e Chato tiveram o mesmo destinos das duas primeiras canções do Medula e osso: não saíram mais do ouvido.

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E hoje o VLT parou de funcionar aqui no centro. Atrasei meia hora, tentei um memorando, mas não há mais memorando hoje em dia. Paciência! 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Travado

"Diferente o samba fica

Sem ter a triste cuíca que gemia como um boi

A Zizica está sorrindo

Esconderam o Laurindo

Mas não se sabe onde foi"

Noel Rosa, Triste cuíca


"Peço desculpas de ser

O sobrevivente.

Não por longo tempo, é claro

Tranquilizem-se

Mas devo confessar/reconhecer

Que sou sobrevivente."

Carlos Drummond de Andrade, Declaração em juízo.




terça-feira, 26 de março de 2024

Onde comer bem no Centro do Rio

O tempo tem mostrado que comer no Centro do Rio é tarefa cada vez mais complicada. Ando limitado aos restaurantes antigos que como há mais de vinte anos. Enjoei dos quilos, prefiro pagar um pouco mais por uma comida mais saudável e que permita ser apreciada com mais tempo. O tempo é um aliado do paladar (Leon Eliachar: "a pressa é inimiga da refeição"). Além disso, aproveito para responder e-mails de trabalho, que cada dia mais se avolumam. 

Aqui onde eu habito na Rio Branco com Vargas, não chega nem perto das opções que tenho em São Paulo. São Paulo tem mil variações possíveis, dos mais avriados sabores e preços, a começar pela Quinta do Marquês, onde se come um pastel de nata muito parecido com o que se come em Lisboa. Há restaurantes em todo canto para todo gosto em SP.

Para os meus amados dois ou tres leitores, faço uma seleção dos restaurantes que sobraram, por ordem de grandeza. Evidente, é uma avaliação muito pessoal sem qualquer pretensão culinária.

1) O Árabe (antigo Damasco) -  entre 50 e 60 reais - na Rua do Rosário, é onde almoço quase todo dia. A cozinha é a mesma de muitos anos, e agora tem um prato executivo que serve muito bem. Em geral, eu peço o Galeto com salada da casa e arroz de lentilha ou o quibe assado com salada fatuche e arroz de lentilha. 

2) Caçarolinha - entre 80 e 100 reais - escondido na  Rua do Rosário, 157, sobreloja, fica dentro de um chin ling e é tão bem escondido que poucos conseguem chegar, mas nunca se arrependem. Serve o melhor bacalhau do centro do Rio. Recomendo o Bacalhau Caçarolinha. O restaurante é uma miniatura do que foi o grande Caçarola, fechado com a pandemia. Os garçons adquiriram o espaço, o chef é o mesmo. Vale muito a experiência.

3) Escondidinho - entre 80 e 100 reais - No Beco dos Baleiros, reina o Escondidinho, que também mudou de nome e de dono e agora se chama Costela do beco. Existe desde 1.941. A costela é para os melhores paladares, talvez um pouco decadente sem o velho Seu Abílio. Reserve espaço para a sobremesa. O Mineiro de Botas é imperdível.

4) Marian - entre 40 e 50 reais - Rua do Rosário, 145. É o único quilo da minha lista. Em alguns dias vale a pena, principalmente nos dias que tem comida árabe (acho que às quintas) . Fuja do churrasco (em geral, esturricado), evite horário pesado (12:30 a 13h), não vá mais do que uma vez por semana. Ao contrário dos outros, enjoa rápido.

5) Giuseppe - entre 120 e 150 reais - Rua Sete de setembro, 65 - A imbatível maminha no sal grosso continua fazendo a diferença. Também tem massas, peixes (recomendo o pargo fresco assado no sal grosso) e outras carnes, Vale para os dias de fartura.



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Íris

 


"Meu pai chorou

Escondido no fundo do quartinho

Um cavaleiro embaixo do moinho

Me deu um puta dum pavor."


A bordo do MSC View e todos os seus benefícios, suas cafonices e suas limitações, viajo novamente com meus filhos.

E novamente demoramos para embarcar nas filas imensas, com minha paciência por um fio. Esgoto-me rápido, acho que meus estabilizadores de humor estão datados. Os meninos tentam entender. Lucas me abraça, Chicote contemporiza, eles ajudam a carregar o peso da minha bipolaridade.

Ao entrarmos, percebemos que limaram a parada em Ilha Bela, a troco de uma pequena compensação em dólar, que será consumida em chocolates e um wi-fi por um dia, de presente para eles. Nada de wi fi para mim. Viajei para ficar disperso mesmo.

Minha íris fotografada no navio mostra com clareza, os lagos, as cicatrizes e as esquinas que dão a volta no meu olho esquerdo. Será que eles percebem? Será que imaginam o quanto caminhei para chegar até aqui?

A programação é a mesma do ano passado: jantamos às 18:30, vamos ao show das 19:30 e depois nos recolhemos. De dia quando há Sol, vamos às piscinas confratenizar com as famílias imensas que viajam conosco.

Em Montevideu, lembramos da experiência anterior e não vamos mais à excursão fajuta que o navio oferece. Vamos ao Estádio Centenário e ao Mercado do Porto. Ótimas visitas para uma manhã. O estádio, posso estar blasfemando, mas achei mais bonito que o Maracanã. É mais tradicional e mais antigo. Na sala de troféus, sentimos falta de uma homenagem (não tinha uma foto sequer) a Pelé.

O Mercado do Porto de Montevidéu é ótimo. Tem souvenir de tudo quanto é tipo, come-se muito bem e pode se tomar um medio a medio, bebida típica do lugar, bem recomendada por um amigo.

Já conhecemos intimamente Buenos Aires, de modo que mais uma vez fizemos nosso próprio roteiro. Não sei se por influência da extrema direita que governa o país, os argentinos estão ficando cada vez mais grossos no trato com os brasileiros. Logo nós que deixamos nossos dólares lá e deveríamos ser muito bem tratados.

Escolhemos duas paradas: o Monumental de Nuñes e o La Cabrera. Não vou ficar detalhando meu mau humor na imensa fila do Estádio do River, que privilegia argentinos e cujo leão de chácaras é um sujeito extremamente grosseiro. Dessa vez até Lucas se destemperou. O Estádio é muito bonito e tivemos o direito (pago, obviamente) de ver o gramado. 

O La Cabrera (que também quase desisti por causa da fila) continua o mesmo. Tivemos a sorte de sermos servidos pelo mesmo garçon das últimas vezes. Ótima carne e melhor ainda panqueca de doce de leite.

Desembarcamos no Rio sem grandes atropelos, e dessa vez, não reservei para o ano que vem. Mas é possível. 


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Evidências

Eu assisti o concerto de João Gilberto no Teatro Municipal em 2008 com a admiração e  fascínio do menino que ouviu o Amoroso centenas de vezes seguidas.

Vi Luis Melodia no Teatro da UFF depois de um atraso de 3 horas fazer um concerto intimista de voz e violão de comover .

Tive a chance de assistir Gal Costa entrar pela porta da frente do Canecão com o Olodum e ficar deslumbrado com sua voz e seu carisma.

Eu assisti Nana Caymmi, Djavan e Fátima Guedes no Teatro Leopoldo Fróes em Niterói nos tempos do Projeto Pixinguinha em shows que ficarão comigo para sempre.

Eu vi Ana Moura, Mariza e Gisela João cantarem seus fados no Rio e me emocionei em cada canção.

Eu vi Eduardo Gudin e Celso Viáfora no Rio, dois compositores paulistas que fazem parte do seleto grupo de 3 ou 4 dos melhores compositores de samba vivos.

Eu fui a Rosal e vi os melhores chorões se apresentarem em jams inesquecíveis.

Desculpe, mas eu tenho todo direito de achar "Evidências", uma boa merda.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...