quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O fabuloso Alfredo Marceneiro

Pro Ruy

Já meu Tio Márcio contava que batucava em caixinha de fósforos com Ruy Faria no Colégio de Pádua em menino. O Ruy era uma das vozes do MPB 4, alguma coisa de sublime em canto coral, que me encantou desde que descobri, na casa do meu avô, o long play Cicatrizes. Provavelmente terei conhecido Cicatrizes antes de Amigo é pra essas coisas, o maior clássico do grupo. Foi se o Ruy, algo de vazio ficou nesse velho coração brasileiro. 
Velho coração brasileiro que se rende de pés juntos ao lusitano: tenho ouvido, com um sentimento difícil de definir, mas profundo e triste, as canções de Alfredo Marceneiro. São fados indelicados, que vão entrando na alma sem pedir licença Tem duas continuações da história da Mariquinhas que já voltaram inúmeras vezes no Itreco.
A voz estridulosa do velho fumante, que gravou o primeiro disco com 71 anos, é de uma dor complexa. Deve-se ouvir muitas vezes e repetir até ficar diferente.
Descobri Marceneiro graças a Camané, que gravou um disco com suas canções e que também não paro de ouvir.     

Não sei o que meu corpo habita nessas noites quentes de verão

Fui a Baltimore. Um dos motivos extraordinários foi conhecer a Barnes e Noble de lá. Que decepção! Parece mais uma Saraiva compungida...