domingo, 29 de maio de 2011

Encantado com Deborah Colker


Fui ver Tatyana com Laura no Municipal. O espetáculo contou a história de Evguêni Oniéguin (escrito dessa forma no livreto, mas pra mim sempre foi Eugene Onegin), do russo Alexandr Púchkin. Tinha lido trechos da obra, ouvido parte da ópera de Tchaikóvski, mas nada disso serviu para me nortear. A música é diversa, os personagens são reduzidos, e o que deve ser visto mesmo é a coreografia retumbante de Déborah. De deixar o mais travado apreciador de dança de queixo caído. Cenários econômicos e ainda assim belíssimos, iluminação irrepreensível e uma companhia irretocavelmente envolvida. Saímos dali extasiados.
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Ontem e hoje passei o dia ajeitando bibliotecas. Livros pra ir, discos pra ficar, e o Itunes que há muito não via uma faxina. Passei por tudo que tenho ouvido nesses últimos anos. Qualquer um ficaria impressionado com minha bagunça de estilo.
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Na fase que anda, essa magra vitória do Fluminense sobre o Atlético em Goiás foi goleada de levar a banda pra tocar na praça.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

No brechó das almas, tá tudo acabado

Acho Carlos Careqa um dos artistas mais criativos da minha geração. Seu mais recente disco, Alma boa de lugar nenhum, só faz ratificar esse achado. Pena que não toque no rádio, não esteja na novela, não seja ouvido nem pelos meus amigos mais próximos. Bem , isso não é uma verdade absoluta. Laura sabe de cor a canção Pai postiço, adora Língua de Babel e a versão de Psicho killer de Careqa. Laura sabe das coisas. No quesito devo ter prestado pra alguma coisa nessa vida, uma das que mais prezo é ter mostrado música boa pras crianças.E não faltou Careqa nesses anos lá em casa.
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Sinto falta de estar em Miracema. Aqui não mais que eu e esse computador, aqui não mais que esse inesperado frio chuvoso niteroiense, aqui fico ajeitando as canções no Ipod e comendo biscoitos wafer como se fosse janta. Aqui a solidão é vazia e sem perspectiva.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Por una cabeza

Também gostei médio do disco novo de Tiê, A Coruja e o Coração (essas novas cantoras têm um sério cacoete para títulos ruins). A voz miada da moça soa melhor no primeiro disco, mais triste e melhor de ouvir.
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Tiê e Thaís Gulin não deram muita sorte porque entraram no Ipod junto com Maria do Céo, Duas almas do miño. Os fados galegos de Maria são irresistíveis.
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Tem me corroído a idéia de escrever sobre essa comparação. Não gosto de ficar comparando. Mas a cena do tango em Perfume de mulher e a cena do bolero em Abutres merece uma breve comparação, até para ressaltar a beleza da segunda.
Conhecia pouco do tango quando vi Perfume de mulher no início dos anos 90. Mas idolatrava Al Pacino, como quase todos da minha geração que gostavam de cinema. A cena forte, muito bem estudada, entre Pacino e Gabrilelle Anwar comoveu uma geração inteira. Em Abutres, fiquei muito tocado pela cena do bolero entre Ricardo Darin e Martina Gúsman.
As diferenças são as seguintes:
O personagem de Darin não sabe dançar bolero, portanto o ator não precisou de nenhum estudo para dar alguns passos atrapalhados, ficando ainda mais comovente a sua participação. Ponto para Abutres.
Martin Brest, o diretor de Perfume, escolheu um grupo dinamarquês pra tocar o Por una cabeza, de Gardel e Le Pera, e esse o fez de forma competente, mas Pablo Trapero foi nas fontes mais agudas do bolero mexicano e escolheu Javier Solis, Nuestro Juramento. Mais um ponto para abutres.
Pacino explorou a cegueira do personagem pra dar maior emoção à cena. Em Abutres, não há arranjos, só crueza. Nesse quesito, acho que deu empate.
De resto, acho que Perfume está mais para as boas lembranças do HD do menino que fui O Mundo virou coisa de Abutres nesses muitos últimos anos.
Essa comparação é absolutamente inútil, mas se servir para que meus três leitores que ainda não viram Abutres, corram à locadora mais próxima e aluguem o filme, já terá valido.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Resumo da ópera

" Não era o meu caso. Eu era só um roqueiro amargurado, que havia acabado de descobrir que era um dos sujeitos mais solitários dessa porra de universo. Sempre tive notória aversão por companhia. Ainda não havia percebido que os outros também sentiam o mesmo, mas no caso deles, sua aversão se restringia apenas e tão somente à minha desagradável companhia. Estou no limiar de algo que chamam por aí de exclusão natural."
Mário Bortolotto, Canções pra tocar no inferno.
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O final de semana começou com um nhoque no Mulambo com Jadim e Tereza. Antes disso, fui no Celso acertar cabelo e barba. Decidi não tirar nada nesse inverno pra evitar gilete e dermatite, mas pode ser que eu desdecida daqui a pouco. Depois do nhoque, encontrei Alex e Gisele no Bunda de Fora. Terminamos a noite com a Academia do Choro no Garage. Voltei pra casa perto de meia noite sozinho e a pé, no frio das horas miracemenses.
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Conheço Thaís Gulin na FLIP de 2006 no Che Bar. Thaís está lançando um novo disco, cujo nome é composto de vários ôs. Tem umas coisas interessantes, inéditas (e boas) de Chico e Tom Zé, mas ainda não pegou. Vou continuar ouvindo, esperando que passe a sensação morna do primeiro. Prefiro Thaís ao vivo.
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O sábado reservou uma surpresa agradável: começamos a noite com poucos. Do choro, só o Jadim no cavaco e o Lilito no seis cordas. Mas era um grupo tão interessante do ponto de vista musical que a noite foi crescendo. E tocamos de tudo. Por um momento, esquecemos dos sambas pra cantar Toninho Horta, Dori Caymmi, Jessier Quirino. Fui dormir às três sem nenhum remorso de ter deixado de comprar ingresso pro Paul Mccartney.
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A cada dia, o Fluminense paga o preço de não ter um técnico, não ter direção, não ter um time dentro de Campo. O vexame contra o São Paulo só fez reforçar a conta.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Eu gosto muito de fazer pastiche

Gosto de Mário Bortolotto. Dos poemas e das peças. Li e assisti alguns. Adoro suas trilhas. Escrevi pra ele pedindo as canções de Hotel Lancaster há alguns anos, ele respondeu que ia mandar e até hoje nada. Isso justifica a minha corrida à Livraria da Travessa para comprar Canções para tocar no inferno, seu último livro. É uma coletânea de canções selecionadas pelo DJ Bortolotto. Para cada uma delas, ele conta uma história. Congelei o livro por alguns dias, mas ontem fui dar uma arrumada na bagunça e dei de cara com ele. Levei pra ler na Barca. O primeiro conto, em cima da música Stand by me, é desapontador. Se a proposta era escrever alguma coisa totalmente desvinculada da canção, ele conseguiu. Mas o conto não dá em nada. É gratuitamente grotesco. Espero que melhore daqui pra frente.
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Uma coisa semelhante está fazendo uma velha conhecida de blogs, Camila, em seu blog novo, em parceria com Agenor de Lorenzi: Escrevendo de ouvido. Ele faz um arranjo pra determinada canção e ela escreve qualquer coisa em cima do arranjo. É bonitinho, mas falta um pouco de sal. Ela vai chegar lá. Espero que Mário também.
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Gosto dos filmes de Lars Von Trien. A começar por Dogville, que acho irrepreenssível. Aguentei as maluquices dele em Anticristo e aguardava Kirsten Dunst em Melancolia. Mas esse negócio do sujeito declarar que simpatiza com Hitler é absolutamente tosco. O cara é louco de pedra. Começo a desconfiar que aquilo tudo é pastiche.
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A melhor coisa que aconteceu na televisão desde Boardwalk Empire é Game of Thrones. Para ver muitas vezes.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Monarco na ABL

Por duas horas retomei meu espírito de "rato de seis e meia" dos anos 80 e fui à Academia Brasileira de Letras assistir ao Samba de Fato e Monarco cantando Nelson Cavaquinho. Cheguei já estava cheio, fiquei em pé no fundo do palco. O Samba de Fato começou a esquentar a roda com sambas clássicos do Nelson, mas esbarrou nas limitações vocais de seus componentes, especialmente Pedro Amorim (excepcional bandolinista) e Paulino Dias. Alfredo Del Penho e Pedro Miranda cantam bem, embora tenham engasgado um pouco naquelas que exigem uma nota mais alta como Palhaço e Luz negra. Monarco entrou cantando Degraus da vida e o palco da ABL ganhou uma iluminação extra vinda não sei de onde que reverenciava a voz do sambista. Contou velhas histórias e mandou ver em Duas horas da manhã, Minha festa, Devia ser condenada e fechou com Quando eu me chamar saudade.
Caminhei leve de volta pra empresa depois desse belo almoço musical

terça-feira, 17 de maio de 2011

Efeito Mutarelli

Ontem de manhã fui magnetizado pelos quadrinhos de Lourenço Mutarelli (estou lendo O dobro de cinco) e quase retorno para Niterói na Barca Tradicional Martim Afonso. Há pouco tempo treinava aquela canção do Gil em que ele aprende a ser o último a sair do avião (Cada tempo em seu lugar). Infelizmente não deu muito certo comigo, sou um tipo acelerado. Mutarelli no entanto conseguiu me congelar no assento da cantareira.
Além de Mutarelli, estou lendo Cão de Cabelo de Mauro Santa Cecília e andei assistindo Machete e Freiras Nuas com Grandes Armas. No Ipod, Tom Waits e Lupicínio. Pelo jeito e pelas escolhas, daqui a pouco eu me lanço no vaso e dou descarga.
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O Fluminense, atual campeão brasileiro, é apenas o décimo favorito ao título na opinião dos especialistas. Esquecido da mídia, sem técnico, com direção pastiche, sem reforço e perdendo jogadores importantes, décimo favorito até que não é tão ruim assim. Esperamos apenas pela manutenção do time na primeira.
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Você sabe que está velho quando um símbolo sexual da sua época (quem viu An officer and a gentleman sabe do que estou falando) faz o papel de uma velha atriz num seriado atual. Refiro-me a Debra Winger. Ainda assim, é um prazer vê-la na terceira temporada de Em terapia.

domingo, 15 de maio de 2011

Do meu fruto sem cuidado que ainda verde apodreceu

A mesa posta com afeto e comida farta, aqueles ritos de conversa franca e honesta que já não se vê por aí. Ontem fui almoçar na casa dos meus pais. É assim há mais de 50 anos. Inevitável um sentimento misturado de inveja e orgulho de como eles passaram por todos esses anos e continuam ali, enquanto eu, dispersivo e andarilho, nunca paro em lugar algum.
A couve fresca, o lombo assado, um feijãozinho manteiga e uma batata corada de aguar a boca só de ver. Que vontade de ser o menino de novo! O menino, que nem notava direito o quanto era saudável aquele almoço em família.
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De noite, a turma se reuniu novamente pra chorar lá em casa. Dessa vez sem o Moreira foi mais samba do que choro. Nada que atrapalhasse nossa rotina de dividir violão, conversa e tomar alegria!

sábado, 14 de maio de 2011

Sempre se pode sonhar

Saí
Antes do dia amanhecer
Deixei Adoniran me consolar
Senti tanta tristeza me envolver
Sem reagir
Lutei para esquecer aquele mal
E perdoar

Talvez
Quando a verdade aparecer
A dor faça você me procurar
Porém a luz maior de um bem querer
Quando se apaga é pra valer
E não acende nunca mais.

Eduardo Gudin e Paulinho da Viola

Ontem foi um dia de coisas interessantes. É certo que terminei a noite só e reflexivo, vendo os últimos capítulos da segunta temporada de Em terapia, mas até isso conta.
De manhã, a conclusão da reunião da Câmara Técnica de Medicina Baseada em Evidências foi bastante profícua. Fazemos isso a cada dois meses. Como se fosse uma imersão, começamos na quinta cedo e só paramos na sexta meio dia. São horas de aprender e produzir ao mesmo tempo. Eu aproveito.
Depois vim pra Miracema com Leticia. Como tem sido há tempos, resolvi vir nos 44 minutos do segundo tempo. Vacilei até a hora de pegar o táxi. Mas vir com Letícia tem todo um ritual de boa palavra, boa música, a conversa afinada de velhos amigos que sofreram juntos, choraram juntos e agora não têm mais nada para mostrar um para o outro, exceto o afeto recíproco. Por isso são sempre tranquilas essas viagens, e como passam depressa! Elas vão muito além da caroninha oportuna.
Logo que cheguei, liguei pro Jadim e fomos comer um crepe aqui perto de casa. Mais um pouco de conversa fora. Ele lembrou de uma canção do Roberto Ribeiro (Partilha) que eu já tinha deletado há muito tempo. Tenho tentado lembrar a ele dessa canção Sempre se pode sonhar, da parceria bissexta do Gudin com o Paulinho, que está faltando para o grupo, que já toca Ainda mais há muito tempo.
Hoje acordei e fiz meu próprio café. Diô está com dengue. A cidade estava especialmente silenciosa e fria no meu quarto essa manhã. Concluí que é bom estar aqui longe dos barulhos do Rio, ainda que seja para fazer a mesma coisa.
Sinto falta de Chicó, Laura, Luisa, mas cada um resolveu seguir seu próprio caminho nesse fim, de semana.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Zeca Afonso em brasileiro

Sempre gostei da música de Zeca Afonso, mas tinha uma certa dificuldade em ouvi-la. Já falei aqui, meu ouvido foi acostumado ao fado na voz de Portugal. O que Zeca fez é bem world, com toda controvérsia desse termo. Enfim, foi um compositor universal.
Desde Quarto Grão que o grupo Couple Coffee não sai do meu Ipod. Agora é a vez de Co'as tamanquinhas do Zeca, disco em que Luanda Cozzetti destrincha o repertório de Zeca Afonso. O disco foi gravado em 2007, mas só agora me dei conta dele. Tanto melhor, talvez em 2007 não soubesse aprecia-lo como tem merecido.
Menino do bairro negro ganha uma leveza gostosa, tem qualquer coisa malemolente, que dificilmente uma voz do fado conseguiria fazer soar tão doce.
Zeca viveu em Moçambique e Angola e deve ter tirado daí esses ritmos das suas canções, que agora ganham sua melhor tradução.

domingo, 8 de maio de 2011

O canto sublime de Mônica Salmaso


Põe os pés no chão e toca o ar, trampolim

Bate no tambor de onde vens
Só de ser quem és inventa o amor
Só de ser quem és inventa o amor
Sem dizer palavra

Pobre coração mergulhador, ai de mim
Beira de que mar eu ancorei
Se for pedir perdão, já perdoei
Se for pedir perdão, já perdoei
Pode se alegrar.

Zé Miguel Wisnick e Ronaldo Bastos



Mônica Salmaso está lançando Alma Lírica Brasileira. Merece o título. Dessa vez não veio acompanhada do Forças d'alma ou do Pau Brasil. Optou por um arranjo econômico de piano (Nelson Ayres) e sopro (Teco Cardozo). É certo que se sente falta de um Ferragutti aqui, um Stroeter acolá, mas temos que nos acostumar com essa tendência na música brasileira.
Gosto de Mônica desde Trampolim, o primeiro que conheci (o disco que fez com Belinatti cantando Baden veio depois pra mim). Trampolim deve ser a primeira canção de Wisnick que passou lá em casa. É uma bela canção que deveria tocar na novela, aparecer no programa da Rádio MPB, enfim, ser mostrada, mas ninguém conhece. Deixo a letra aí em cima. Pelo menos do Desconversa ela vai acontecer.
A primeira vez que vi Mônica ao vivo foi num projeto no CCBB cantando Adoniran. No bis, eu gritava já meio bêbado: Trampolim!!! Ela possivelmente não entendeu nada.
Dessa vez Wisnick aparece musicando Gregório de Matos. É um velho sonho meu. Se tivesse nascido com cacoete para compositor, iria tratar de musicar os poemas do Gregório. Ao musicar Gregório, Wisnick paga um pedaço da pena de ter ignorado a letra do Catulo pro Bambino do Nazareth e feito outra letra.
Promessa de violeiro, de Raul Torres, é um dos momentos mais tocantes do disco. Dá pra imaginar a sanfona de Toninho ponteando a canção, mas ainda assim fica bonita. O piano de Nelson sabe se multiplicar. Inclusive quando compõe as ótimas Noite e Veranico de Maio.
E a sensação de que estamos ouvindo um disco perfeito continua na Melodia Sentimental, no Meu rádio e meu mulato, em Lábios que beijei.
Esse fim de semana foi de alguns abismos. Mas teve também o novo da Mônica. Costuma me resgatar de qualquer período de árvore.

sábado, 7 de maio de 2011

Francisco em crise

Passei o dia hibernando. Na minha caverna, vi o tristíssimo Na natureza selvagem de Sean Penn. Meu coração alertava toda vez que eu pegava nesse filme: - Recuse, Francisco, tum tá, recuse.... Deveria ter recusado novamente hoje, mas não tinha opção depois de ver muitas sessões da segunda temporada de Em Terapia.
Dr Paul me deu outro nó de peito no fim da noite de ontem depois de escrever o textinho aí embaixo. É aquela sessão com Gina, prévia à morte do pai dele. Eu parecia tão ou mais perdido do que o personagem. As sessões de Paul e Gina são antológicas. Vou viver agradecendo a Gabriel Byrne e Diane Wiest, mas ontem doeu.
Enfim, fui salvo por qualquer canção de afeto que pudesse embalar esse sábado vazio e grotesco.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A definições de vírus foram atualizadas

A Academia do Choro acaba de se apresentar no Garage. Fui lá conferir. Hoje foi um dia especialmente razoável, que culminou com a Santa Morena solada pelo Moreira, algumas cervejas e choros depois. Mais uma vez decidi vir na tábua da beirada, querendo ficar e vir ao mesmo tempo ou não querendo ficar nem vir, já nem sei. Liguei pra Diô pra encomendar o almoço na saída de casa e quase religo desencomendando de novo. Acabei vindo e não tenho do que me arrepender. Fora que os caras resolveram reformar a subida da Serra de Teresópolis e leva pelo menos uma hora pra subir. Fora que estou só com meu violão tentando cantar o Pavio da verdade do Ataulfo, mas não sai um dó, a não ser de mim. Fora tudo isso e mais o preço que vou ter que pagar amanhã por ter enchido a cara hoje. Foda-se!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Não dá pra ser feliz

Parece que todos nós, torcedores, já sabíamos que ia acontecer. Os primeiros dois minutos de jogo, só serviram para confirmar nossas suspeitas: o Fluminense não jogou nada, não fez sequer uma jogada de perigo, e perdeu com justiça para o limitadíssimo Libertad. O time se acorvardou em campo, Rafael Moura passou a maior parte dos 90 minutos "ajudando" a defesa, Ricardo Berna achou que continuaria fazendo milagres até engolir um frango, o técnico continuava boiando na beira do gramado.
Posso poupar os jogadores e até o Moreira, mas essa diretoria e sua facção política não. Não tiveram a mínima habilidade no trato com Muricy, Emerson e Souza, que fizeram muita falta hoje, se amealharam de conflitos com o patrocinador, instaurando uma guerra política que fez muito mal ao time todo, retardaram demais a contratação de um técnico com Joel livre no mercado. As consequências foram essas: perdemos um Campeonato Carioca besta em que ninguém apresentou futebol de campeão, e ontem perdemos nossas últimas esperanças nesse semestre.
O clube precisa de mudanças, mas essas deveriam começar imediatamente prlo corpo diretivo.

Em algum lugar

Mais um ótimo Sofia Coppola, não tão ótimo como Lost in translation, mas ótimo mesmo assim. A história do astro de cinema Johnny Marco (Stephen Dorff muito bem na fita), perdido no tempo e na vida, nos remete a uma reflexão interessante sobre os sentidos da vida. Como em Pessoa, que dizia que a vida prática é o mais cômodo dos suicídios, o personagem se afunda nesse dilema e parece só dar conta de tudo isso quando se relaciona com a filha. A relação está longe de ser lacrimosa, é antes fria e distante, mas ainda assim é o elo que o personagem encontra para dar algum sentido à sua vida besta. Belo filme, deu vontade de pegar o carro e sair sem rumo, estacionar a beira de qualquer estrada e continuar sem rumo até achar qualquer coisa que valha.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Nota de fim de noite

A despedida de Emerson do Fluminense manteve a dúvida sobre sua saída. Segundo ele, faltou respeito. É possível. Certo é que a diretoria do Fluminense em momento algum se preocupou em dar justificativas para o afastamento do jogador e sua consequente saída. Agora estão fritando Souza. Como assim??? Já foram Muricy, Emerson e agora, Souza. Em compensação veio Enderson Moreira, recém demitido do time B do Internacional. O Fluminense merece mais que uma facção B e uma diretoria B. Ainda que seja por respeito à sua torcida. Hoje senti saudade do Horcades. Horcades era antes de tudo, um torcedor como nós todos.

Letras brasileiras

Pois é
Fica o dito e redito por não dito
É difícil dizer que ainda é bonito
Cantar o que me restou de ti

Daí
nosso mais-que-perfeito está desfeito
E o que me parecia tão direito
Caiu desse jeito sem perdão

Então
disfarçar minha dor já não consigo
Dizer que nós somos bons amigos
É muita mentira para mim

E enfim
hoje na solidão ainda custo
A entender como o amor foi tão injusto
pra quem só lhe foi dedicação

Pois é, e então?

Chico e Tom

domingo, 1 de maio de 2011

Ya estoy en la mitad de esta carretera

Um fim de caso, uma dor embolada, duas viagens, um fim de semana curto (para a vida) e longo (para a estrada).
O melhor que me aconteceu foi ter Laura ao meu lado o tempo todo de carona. É sempre uma ótima companhia. E dessa vez, conversamos um pouco mais que pai e filha. Por alguns quilômetros, fomos apenas dois bons amigos. Ótimo pra mim.
Fiz uma seleção de canções pra Laura na volta. Beatles, Peter, Paul & Mary, Mutantes, as coisas que ela aprendeu a gostar de tanto escutar o que pai e mãe escutavam.
Mais uma vez fui salvo pela música, por Laura e pela crença de que ainda pode ter luz mais à frente.
Foi essa explicação que dei à minha filha. Beirando os 50, ainda conservo a premissa de crer que só o que chacoalha por dentro trás felicidade. Depois de tantas encruzilhadas, seria estranho adotar o conformismo e a caminha quente como projeto de vida.
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Tem sido assim no Campeonato Carioca há alguns anos. Nenhum time CONVENCE, mas aí chega um e vence de 1 a 0 aqui, pênalti ali e acaba campeão.