domingo, 31 de janeiro de 2010

Azegdo


Você sabe que está precisando de férias quando a) a semana começa a pesar no domingo; b) há mais reuniões marcadas do que horários possíveis; e c) o esgotamento chegou num tal ponto que é impossível criar mais do que a rotina.
O Sol hoje parece queimar mais do que nos outros dias. Só deu pra descer, almoçar aqui num kilo perto e mais nada.
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Fui de ônibus pra Miracema na sexta. Tinha deixado a S10 pra lavagem anual e troca de filtros. Um horror a viagem. O ônibus executivo da 1001 tinha um ar debilitado e o Sol parecia estacionado na poltrona 25.
Pela primeira vez saí do Rio para ir a Miracema desencumbido de passar o fim de semana com meus filhos. As meninas foram para Arraial com a mãe e Chicó para Rio das Ostras (SIC) com a mãe. Sobrou pra S. Começamos no Bunda de Fora na sexta de noite e um febeapá interminável com Alex e Gisele. Depois fomos pra casa e li uns trechos de Indignação pra S.. Philip Roth vai envolvendo com sua escrita de tal modo que chega num ponto que nos tornamos parte do livro. Impossível não encontrar um pedaço seu aqui ou ali. Depois levei S. pra casa a pé. Subimos pela Rua do Café e depois voltei pela Rua Nova. Como Bandeira no antológico Evocação do Recife, gostaria que as ruas de Miracema mantivessem seus velhos nomes e nunca passassem a se chamar Rua Dr Fulano de Tal, etc, etc.
Cumpri muitas vezes esse ritual em menino, sempre voltando com o coração acelerado de deixar a menina na porta de casa. Muitos anos se passaram, as coisas não funcionam mais daquela forma ingênua e dócil daqueles tempos, mas foi bom caminhar com S. e depois sozinho pela madrugada Miracemense. Deu uma sensação boa de paz.
No sábado ficamos assistindo e rindo muito de Larry David em Segura a Onda. De noite teve um sarau na casa do Lilito.
Domingo teve pouca coisa além da derrota do Fluminense.
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Vi Vício Frenético. com Eva estonteante Mendes e o canastrão Nicolas Cage fazendo um bom papel depois de muito tempo. O filme faz apologia do mau exemplo, é cheio de angústias, dores e lagartos, mas funciona muito bem.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A casa arrumada



Minhas filhas vieram com a mãe essa semana botar ordem no pardieiro. Preparar o apartamento pra vinda definitiva da Laura. Obviamente, aproveitei o cheiro limpo de tudo, a organização impecável e até tirei uma casquinha nas minhas intermináveis arrumações de livros e discos. Além disso, conviver com as três melhora o astral de qualquer um. As meninas herdaram da mãe a facilidade de se adaptar bem em qualquer ambiente. Acabou sendo uma maneira muito agradável de reunir a família depois de tantos anos.

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Vale a pena gastar um tempo pra começar a gostar de Desejo e Perigo, Ang Lee. O filme enjoado no início vai crescendo aos poucos e tem um desfecho maravilhoso. As cenas de sexo são das melhores já feitas no cinema. Sem agredir os falsos puristas, diretor e atores conseguem trabalhar cenas brilhantes de amor e entrega, que , afinal, é do que trata o filme.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

15 anos

"Quando eu fiz 15 anos, ganhei um relógio de pulso e cem mil réis. Vi que era hora de fazer uma besteira e entrei num botequim."
Antônio Maria



Quando eu fiz 15 anos, costumava chorar a cântaros quando meus pais vinham para Niterói. Na época ainda não tinha descoberto a Rua Sete de Setembro (a rua do disco) e detestava praia. Era sempre o último a chegar e o primeiro a sair, o que me dava a condição única de ser o primeiro a tomar banho. A praia só me servia pelos picolés. empadinhas e outras guloseimas.
Pois bem, passar o fim de semana longe de Miracema era um suplício. Como ficariam os amigos, a namorada, o cine XV, a boate, o hi-fis que fazíamos em casa, sem que eu estivesse por lá para vigiar e participar de tudo??? O que seriam das caminhadas noturnas pela Rua Direita, da coxinha do Bar Pracinha e das primeiras noitadas de violão? ??
A espectativa de perder tudo isso, fosse por um único fim de semana, me aterrorizava. Eu suplicava à minha mãe que me deixasse ficar, mas eram súplicas inúteis.
Lembrei dos meus 15 porque Luisa está para fazer os seus 15 e passa a semana aqui conosco. Tem o mesmo pavor que eu de estar longe do seu habitat. Assumiu diversos compromissos inadiáveis com o conjunto, tem agenda lotada para os amigos e é assim mesmo que tem que ser. É bem parecido com o que eu era.
Amanhã está indo com a mãe pra Arraial do Cabo. Mas como eu, também detesta praia.
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Com o tempo, você acaba se acostumando com tudo. Ou se conformando com tudo. Hoje até gosto de ir à Praia. Nem sei quando desaprendi a não gostar. E o muito pouco que restou daquele sabor inconfundível de juventude não passa de uma velha lembrança.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Dois comentários e um resmungo

Li num blog desses aí que o pior Rubem Fonseca é sempre um bom livro. O seminarista está longe de ser o pior Rubem Fonseca. O pior pra mim é aquele de crônicas, O romance morreu. Nunca consegui ler todo. Terminei de ler O seminarista. Dentro do meu projeto de ler um livro a cada dois meses, janeiro está feito. Tive sorte de começar o ano com Carlito (Monodrama) e Rubem. Excelentes escolhas. Hoje comecei a olhar para Indignação, Philip Roth. É meu próximo companheiro da Baía.
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Após quatro temporadas ininterruptas de Prision Break, que já começava a incomodar com tanta volta em torno de si mesmo, comecei a ver Lie to me. Tim Roth interpreta um sujeito que decifra as verdades pelos gestos, de acordo com o movimento de cada músculo da face. Não tem a empatia do Dr House de Hugh Laurie, mas convence. Está indo bem. E tem a vantagem de não emendar um episódio no outro como se fosse uma novela interminável.
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Quando se trata de trabalho, dificilmente brinco com palavras, como faço aqui no blog ou no Sebastião Bunda de Fora sexta de noite. No trabalho, é quando tento ser o mais lúcido possível e fazer o melhor para a empresa. Ando farto de cantilenas, simulacros, grandes projetos irrealizáveis. Eles vivem me procurando.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Novos rumos



Vou imprimir novos rumos
Ao barco agitado que foi minha vida
Fiz minhas velas ao mar
Disse adeus sem chorar
E estou de partida
Todos os anos vividos
São portos perdidos que eu deixo pra trás
Quero viver diferente
Que a sorte da gente
É a gente que faz


Quando a vida nos cansa
E se perde a esperança
O melhor é partir
Ir procurar outros mares
Onde outros olhares nos façam sorrir
Levo no meu coração
Esta triste lição que contigo aprendi
Tu me ensinaste em verdade
Que a felicidade está longe de ti

Rochinha, Novos Rumos


Refiz minha seleção de cds pra viajar ontem com as meninas. Há muito que não escutava Paulinho da Viola. Melhor dizendo, há muito que não escutava um disco inteiro do Paulinho. A música dele se renova e cada vez que se ouve, acrescenta um dado novo, proveniente das melhores espectativas. E aí veio essa Novos rumos, um samba chorado do bissexto Rochinha. Na sequência a Nova Ilusão do Claudionor Cruz e Pedro Caetano. Foi o suficiente para que as dores fossem anestesiadas e a viagem corresse de forma tranquila e serena. Paulinho funciona bem como intérprete de si mesmo e dos outros.
Ainda ontem conversava com Jadim e lembrava que o que nos aproximou foi o gosto pelo samba, mais especificadamente, pela música de Paulinho.
Meu primeiro Paulinho foi esse disco aí de cima, que tinha Amor à natureza, ouvida exaustivamente (e decorada) na vitrolinha Philips. Antes, lembro de um compacto duplo que ouvi no Boteco do Amado, que começava com Foi um rio que passou em minha vida.
Mas o amor pelo canto e verso de Paulinho deu pega mesmo quando ele lançou o primeiro disco na Warner. aquele que tem Onde a dor não tem razão. Era 1981, eu tinha 20 anos e já podia notar as filigranas de sua música. Esse disco abriu portas para os que vieram depois e o que já haviam sido lançados.
Na minha seleção tinha Coração vulgar (com Teresa Cristina), 14 anos (com Nara), Não é assim (com aquele contra-canto inconfundível da D. Ivone), Ruas que andei, Coração Leviano, Ainda mais, Duas horas da manhã (do Nelson), Coisas do mundo, minha nega, e outras que reouvidas tempos depois, reapareceram novas e com um vigor perturbador.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Bodega

Peço desculpas de ser
o sobrevivente.
Não por longo tempo, é claro.
Tranquilizem-se.
Mas devo confessar, reconhecer
que sou sobrevivente.
Se é triste/cômico
ficar sentado na platéia
quando o espetáculo acabou
e fecha-se o teatro,
mas triste/grotesco é permanecer no palco
quando o público já virou as costas
e somente as baratas
circulam no farelo."

Drummond, Declaração em juízo.

Ia falar dessas coisas pequenas que a gente perde e vai deixando pra trás, tais como provar de determinados sabores. Do que vale a vida, se não voltarmos às coisas pequenas? Àqueles lugares para os quais, tudo que a gente tirou dali foi prazer e boa conversa? Onde a fogueira das vaidades simplesmente não existia? Hoje tudo parece que tem que ser pensado, medido, calculado, antes de ser falado. .
Já tinha um bom tempo que eu não ia ao restaurante Bodega. Coisa de uns cinco ou seis anos. Tramei algumas idas com Mário e Marila, que acabaram por não acontecer. Não há cascudo melhor do que o do Tatu. Aprendeu a fazer o peixe desde menino. . .
Pois bem,ontem, movido por uma euforia cansada, mas decidido a comer um bom cascudo, peguei Jadim, Teresa e S. e fomos ao Bodega. E passamos uma noite bastante agradável na companhia do Tatu, ainda que não tivesse cascudo. Tivemos que nos contentar com robalos e traíras. Ninguém se importou. O molho e aquele arroz branquinho e mole continuam lá. E a boa companhia, o papo abstêmio, a chuva margeando o bar, tudo era muito tranquilo e muito bom.
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Hoje chamei S. pruma sessão de cinema e assistimos A outra. Natalie Portman tem que comer muita farinha ainda pra fazer Ana Bolena. Esse é um dos principais defeitos do filme. Quem assistiu The Tudors, certamente estranhará esse morno A outra.
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No fim do dia, lembrei dessa poesia do Drummond postada aí em cima. É assim que eu tenho me sentido às vezes. Ainda um sobrevivente. E com uma vontade enorme de pedir desculpas a todos que partiram por ter ficado,

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Alpinos

Ontem não deu pra escrever nada. O calor castigava de uma tal maneira que me era impossível concentrar no que quer que fosse. O feriado atrapalhou mais ainda a história, porque moro num apartamento em que o Sol da tarde brota nas paredes e não há ar condicionado que funcione. Aproveitei pra chamar os pedreiros, o instalador de antenas e terminar o serviço começado há dois sábados atrás. Vi o jogo do Fluminense com o ventilador na cabeça.
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Ainda não consegui acreditar que o Mário partiu. E as coisas que vão aparecendo e me ligam a ele reforçam essa condição. Hoje por exemplo entrei por acaso no blog do Moacyr e vi esse recorte de jornal. Comentei um dia desses aqui no blog sobre esse show que fomos juntos. A impressão que me dá é que ele vai ler isso logo de noite e vai ter pena de mim. Pena do que fui e de hoje nem saber quem sou.
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Uma vez há anos atrás, coloquei uns alpinos disfarçadamente na bolsa de Letícia. Dois dias depois, ao encontrá-la, ela comentou o quanto ficara feliz ao achar aqueles alpinos por acaso na bolsa. É esse homem que procuro. Capaz de uma singeleza como esta. O que colocava espontaneamente alpinos na bolsa de quem gostava. Nem imagino mais quem seja essa pessoa. Partiu de mim. Como deve ter partido o Mário e eu ainda nem percebi direito.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Um novo Rubem e o resto do dia quente







"Cuiusvis hominis est errare; nulius nisi insipientis in errore perseverare."


Repeti a frase várias vezes na Baía pra não esquecer dela. Depois li para Renatinha e Longarino. "Qualquer um pode cometer um erro, só um tolo comete o mesmo erro novamente". Foi tirada d'O seminarista, novo livro de Rubem Fonseca, que trata da história de um matador reincidente nos contos de Rubem.
No princípio, lembra Matador em conflito, outro filme com John Cusack, já citado há duas crônicas atrás. Lembra um pouco também Bernard, o livreiro de Lawrence Block (*).
À medida que vou avançando, o livro vai se tornando cada vez mais Rubem, com seus perfeccionismos detalhísticos, sua crueza, sua maneira cativante de escrever. A revista Veja (sempre ela!) andou fazendo campanha pra crucificar Rubem Fonseca. Espero que não tenha dado em nada. Nosso melhor contista vivo (na minha opinião, Rubem e Sérgio Santanna) não merece que a imprensa sensacionalista perturbe sua rotina.
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O cenário era o seguinte: calor insuportável, o início do Campeonato Carioca, jogo contra o Americano (em Campos!) e o Sport TV coloca Raul Quadros pra comentar. Raul Quadros é aquele que tem ódio mortal do Fluminense. Lá pelos 40 do primeiro tempo, com o time já ganhando de dois a zero, o Raul manda essa: o Americano está melhor organizado no meio de campo!!!! Não teve jeito: tirei o som e vi o jogo na surdina.
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Não dá pra andar pelos sebos, desanima sair pra comer, o óculos pesa na orelha. Pensei em ligar pro Abel Silva: no verão é que tudo dói mais!

domingo, 17 de janeiro de 2010

S

"Indo de Jaguariúna em direção ao sul de Minas, ou rumo a Ribeirão Preto e Franca, o motorista vai topar com várias praças de pedágio. Apesar do asfalto conservado, da sinalização impecável e de todos os serviços disponíveis ao usuário, a viagem meio que empaca. Ou é decepada pela cancela que se ergue ao comando da mocinha do guichê – depois de efetuado o pagamento, é claro. Se eu fosse afeito a metáforas sofisticadas, diria que se trata de uma guilhotina que corta para o alto, no sentido contrário."
Marcelo Mirisola

Resolvemos voltar por Friburgo. Há um único benefício em passar por Friburgo: a Padaria Superpão e suas mentirinhas, seu patê de frango com aipo, suas carolinas. De resto, é mais uma hora de viagem, cinco pedágios enfileirados, vinte e três pardais e uma estrada estreitinha. Esse texto do Mirisola foi lembrado em cada pedágio. Achei genial a idéia da cancela guilhotina.
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Um dia ainda vou compreender porque escrevo torto, minhas palavras costumam não dar liga, emendo uma coisa que não tem nada com a outra. Enquanto isso, coloquei Geraldo Maia no aleatório e fui me encantando cada vez mais. Primeiro esse Pega o peixe, depois Eternamente (com Geraldo Azevedo) e daí pra Teu retrato, e uma Infidelidade antológica para qualquer seleção do Ataulpho.
Essa canção tem uma história interessante. Eu era menino e vinha pra o Rio andar pela Rua Sete de Setembro, a Rua do Disco. Ali habitavam as melhores lojas de disco do Rio: a Moto Discos, o Discão e a Toc Discos, todas falecidas.
Quem viu Alta Fidelidade, vai se lembrar daquela cena que a loja está cheia e o personagem do John Cusack avisa aos colegas que vai botar um disco pra vender e aí coloca Dry the rain do Beta band. Pois bem, Infidelidade, na versão sofrida de Carlos Alberto, o rei do bolero, foi minha Dry the rain. É do disco que o Carlos Alberto gravou com um ótimo regional. E meu John Cusack é um sujeito que está no ramo até hoje e trabalha na Arlequim do Paço.
Andei ouvindo Calundu e Cacoré, a seleção Elomar que Marila fez pra mim e que me acordou por muito tempo em Odete Lima. A morte do Mário me deixou surdo pra essas canções, mas hoje resolvi voltar a elas. Já tinha botado algum reparo na seleção da Marila e essa Tão tarde e nem sinal, que ele canta com João Omar, é nova para o meu ouvido. Linda demais.
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Esse final de semana em Miracema foi de Luisa (um pouco) e Chicó (um pouco mais), mas foi principalmente de S.. Passamos a noite de sexta jogando conversa fora, revimos Beleza Americana, dentre outras coisas muito boas de se fazer. Nada poderia ter sido mais interessante!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Todas as Clarices


Ainda é possível, mas só durante o mês de janeiro, às terças e quartas no Teatro do Sesi na Graça Aranha. Beth Goulart devora a obra de Clarice Lispector numa interpretação digna de aplausos ininterruptos de doer a mão. Se você gosta de ser provocado, instigado, perturbado e seduzido, não perca tempo. Vá o quanto antes!
Ontem fui com Laura. Saímos gratificados do teatro. Embevecidos, melhor dizendo. Beth Goulart ganhou a maturidade sabendo fazer uma grande escolha.
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Tem sido assim, eu e Laura. Os dias vão ficando mais fáceis. Clarice dizia que nasceu pra fazer 3 coisas: escrever, amar as pessoas e criar os filhos. A cada dia, vamos aprendendo que o que fica é o que é tirado das pequenas coisas. Das coisas boas e simples.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Rio 45º

"Venho escrever por medo de perder a razão, não pelo estardalhaço dos nervos, que não há, mas pelo seu contrário sinuoso, a idiotia. Sinto que se conseguir escrever agora o que se passa comigo estarei salvo, repito isso a mim mesmo algumas vezes, como repito mentalmente o refrão de que onde há obra, não há loucura e onde há loucura não há obra e venho escrever."
Carlito Azevedo, H.


Terminei ontem a leitura repetida e desordenada de Monodrama. Esse último poema, H., que Carlito fez para a mãe, devo ter lido umas 400 vezes. Li pra Leticia, pra Laura, pro meu terapeuta. É leitura obrigatória, farta de emoções, que nem todo inibidor de recaptação de serotonina existente seria capaz de impedir a lágrima.
Destaquei esse trecho acima porque me encontrei nele. Muitas vezes, olhei a tela e escrevi para escapar da loucura. Geralmente uma bobagem que sai forçada e eu deleto no dia seguinte. Eu sei, meus textos todos costumam ser fartos de bobagens, mas essas que eu escrevo sem nenhum ímpeto, são realmente grandes bobagens.
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O calor desabou sobre a cidade. Está difícil sair da sala. onde trabalho. Hoje peguei todo o dinheiro que tinha na carteira (quase escrevo na algibeira, mas é difícil estar lúcido com tantos impostos e calor), que por acaso estava bem , e entreguei ao menino pra pagar o IPVA da S10. Janeiro é um mês que não deveria entrar no orçamento. Na verdade, você fica obrigado a pagar rios de dinheiro para manter a corrupção, a compra de panetones, o dinheiro guardado na cueca e as estradas continuam uma piada de mau gosto.
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A listas são de uma sacanagem bestial! Por exemplo, a lista dos 10 melhores cds do ano pelo críticos do Globo, ignora Não vou pro céu do João Bosco e inclui o disco ao vivo de Benito di Paula. Já gostei do Benito. Foda-se, ainda gosto! Meu irmão tinha um vinil com seus maiores sucessos que chegou a furar lá em casa. Mas o cd e o dvd ao vivo só fazem realçar a mediocridade da sua música. Agora é tarde, gosto assim mesmo. Daí a incluir entre os dez do ano, vai uma distância muito grande.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Simples e absurdo


Não fosse esse calor insuportável que atravessa Niterói e Rio, teríamos, eu e Laura, passado por um domingo perfeito. Ano passado briguei com o teatro, por pura preguiça. Esse ano já mandei me informar que estou voltando às platéias. Com Laura aqui comigo fica mais fácil. E aí apareceu essa coletânea de textos do Becket, selecionada, dirigida e representada por Antônio Abujamra, no Espaço Oi no Flamengo. Abujamra e Becket são dois provocadores incontestes. E ainda o primeiro procurou na obra do segundo, um filtro com maior rigor provocativo e absurdo. O resulltado é uma peça densa, traumática, perturbadora. Ótima de ver.



O contrário de "Cerejeiras em flor", o filme que fomos ver antes da peça. Também ótimo de ver, mas de uma leveza sutil e delicada. Ainda que pesem os conflitos familiares, a perda da companheira de uma vida, o drama consegue subverter o caos que se instaura na vida dessas pessoas e transformar a dor numa possibilidade de reencontro e de paz.
O domingo também teve frapuccino na starbucks, piamontese no la mole e mc donalds no fim do dia. E os oito andares do shopping Botafogo. Ainda bem que a sessão de Sherlock Holmes estava lotada!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Friends


Ontem ficamos por conta da rearrumação do apartamento. Passamos o dia ajudando os pedreiros, rearrumando livros e... vendo Friends. Já tinha visto todas as temporadas com Leticia e agora que Laura começou a gostar mais, resolvemos tirar as caixas da estante. Não há nenhuma estranheza em ver Friends pela segunda ou terceira vez. Tem sempre uma recordação engraçada.
O calor insuportável tomou conta do dia. Sem poder sair de casa, fomos ficando, restritos à sala. Os pedreiros saíram depois da meia noite, quanto já contabilizávamos 8 episódios de Friends, 3 banhos frios cada um e um tal esgotamento que não deu nem pra ver um último episódio, quando a casa já estava limpa.
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Uma semana de Laura e já deu pra perceber que vai ser muito fácil convivermos aqui. Laura tem o condão de respeitar os espaços, ser solidária como poucas e ainda faz um ótimo café. Além de pai e filha, temos sido ótimos amigos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Overdose de Prision Break


Um mês depois, cheguei ao final da terceira temporada de Prision Break. Nada há tão bom na série quanto o personagem gosmento desenvolvido por Robert Knepper, o T-Bag. Rouba cada cena que aparece. O resto dos atores é bastante medíocre, a história dá volta em torno dela mesma muitas vezes, mas dá pra zerar o QI.
A terceira temporada é de longe, a pior das três primeiras. Passa quase que exclusivamente numa prisão panamenha e o enredo não sai da criatividade em torno da vida na cadeia. E com o agravante de terem matado Sarah Wayne Callied, a Dra Sara Tancredi, que parece ressuscitar na quarta temporada. Até aí nada demais, a série 24 horas também é douta em ressurreições, já tendo o próprio Jack Bauer ressuscitado duas ou três vezes.
Acho bom mesmo que Sara tenha renascido, pois seria inviável aguentar a quarta temporada sem o carisma da moça.
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A S10 está de correia motriz nova. Uma correinha de borracha por módicos 688,00. A era das órteses, próteses e materiais especiais já chegou aos automóveis. Mas a pick-up já está no lucro. Tudo que me deu nesses 4 anos de casamento já foi muito. Foi Letícia quem me cutucou. Terça-feira ela chegou pra mim e disse que ia sair um pouco mais cedo prá buscar o carro da revisão de 1 ano. Pensei, ainda há gente nesse Mundo que trabalha trabalha trabalha e ainda tem tempo de se preocupar com revisão de 1 ano. Daí levei a S10. Está novinha em folha!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Humor negro

Dois homens condenados à cadeira elétrica foram levados para a mesma ante-sala no dia da execução. O padre lhes deu a extrema-unção, o carcereiro fez o discurso formal e uma prece final foi rezada pelos participantes. O carrasco, voltando-se ao primeiro homem, perguntou: - Você tem um último pedido?
- Tenho. Como eu adoro forró, axé, gostaria de ouvir o CD do Calcinha Preta, Saia Rodada, Calypso, Mulheres Perdidas, Cavaleiros do Forró, Moleca 100 Vergonha, Banda Faraós, e pela última vez antes de morrer, se for possível, o CD do Robério e seus teclados, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Frank Aguiar e para encerrar, o Belo.

- Ok, tudo bem. Seu pedido será realizado - respondeu o carrasco.
O carrasco virou para o segundo condenado e perguntou:

- E você, qual seu último pedido?
- Posso morrer primeiro?

Alex, por e-mail, hoje

Comecei o ano IV/ Samba na Capivara



Comecei o ano estudando artrite reumatóide e os agentes biológicos, mas dessa matéria não há o que discorrer nesse blog, pois ele não se presta a esse tipo de informação. É só pra dizer que no trabalho, foi um bom começo de ano. Tabelei com o amigo Moacyr Nobre, não há melhor parceiro para tabelar nesse quesito, e fiz uma avaliação crítica de um estudo, que me custou um dia de trabalho, mas que poderá render muito ao longo do ano.
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Sentimentalmente falando, eu estou querendo crer que entrei 2010 com uma certa imunidade a 2009, como se uma vacina contra determinados males tivesse finalmente dado pega.Foi bom ter começado assim. Não há grandes espectativas, mas meus pés estão fincados no chão.
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A foto aí de cima foi do último samba de 2009, na Rua da Capivara. Rafael, Lilito e Jadim mandando bala e eu implícito tirando a foto. Espero que nesse ano, o samba fique mais perto de nós.
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Por falar em samba, o disco que Selma Reis gravou em homenagem a Paulo César Pinheiro tem dois pecados graves: o excesso de dramaticidade e a obviedade do repertório. No mais, é um bom disco. Selma tem um desempenho melhor justo onde a carga interpretativa exige maior peso, como em Viagem, por exemplo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Palavra encantada

Comecei o ano vendo Palavra Encantada. Eu e Laura. Eu já me encanto com a possibilidade de ver qualquer coisa com Laura, esse Palavra ficou mais bonito ainda, por mais que eu esperasse mais dele.
Fiz de tudo pra ver o filme ano passado. Não teve jeito. Niterói, como já havia escrito, só passa blockbuster.
O documentário é costurado por depoimentos de artistas que misturam poesia e música. Muito boas as participações de Tatit, Wisnick, Antônio Cícero, Lirinha, Chico, Adriana, Lenine e dos outros todos. Só o fato de colocar Luiz Tatit e Zé Miguel discutindo sobre música brasileira num documentário para o grande público já torna o fime genial. Se alguém não conhece e quiser aproveitar, comece a ouvir as canções desses dois caras.
Letra e música podem produzir uma discussão muito grande. O filme se propõe a provocá-la. Dos grandes poetas da música brasileira, acho que faltou incluir, pelo menos, Aldir Blanc. E Paulo César Pinheiro fez um depoimento muito pequeno para o tamanho da sua poesia. Mas nada que comprometesse o resultado.
Aprendi a gostar de música pela poesia. Eu decorava as letras e cantarolava para mim mesmo. Depois ficava pensando de onde poderia ter saído tanta coisa tão bonita? Só um tempo depois que a melodia veio.
Mas sempre que ouço uma música, penso na letra que ela transpira. Não acho que se deva letrar o Inverno Porteño, mas cada nota parece ter sido escrita com tristeza e solidão.
Esse palavra encantada começou bem o meu ano de filmes. Que venham outras.

Direto para os ouvidos


"Eu pergunto se
você quer ir para
casa "Sim"
se está pensando
em grandes espaços vazios
"Sim" se tudo
vai passar
tudo vai
ficar bem.
"Sim sim"
se realmente
se apaixonou
se pensou em
morrer "Sim"
se eles cortaram
os seus lindos
cabelos."
Carlito Azevedo, Monodrama
Comecei o ano
lendo poesia
já escrevi
não sei ler poesia
só sei ouvir.
Adélia Prado, Amor Feinho
Manuel Bandeira, Evocação do Recife
João Villaret, Tabacaria
e por aí vai.
Mas a poesia de
Carlito
(na foto com minhas meninas)
parece saltar do livro
direto para os ouvidos.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Velho romance


"Estou a espera que seja a vez do meu caso
e estou à espera

de um renascimento do maravilhoso

e estou à espera de alguém

que descubra realmente a América

e se lamente

e estou à espera

da descoberta

de uma nova fronteira simbólica no Oeste

e estou à espera

que a Águia Americana

estenda realmente suas asas

e se erga e voe pelo bom caminho

e estou à espera

que a Era da Ansiedade

caia morta

e estou à espera

duma guerra que virá

preparando o mundo

para a anarquia

e estou à espera

da decadência definitiva

de todos os governos

e estou perpetuamente à espera

de um renascimento do maravilhoso"


Lawrence Ferlinghetti



Comecei o ano ouvindo velhos boleros. Mário Gennari Filho compôs o bolerão Velho Romance, Nelson Ayres transformou-o em clássico. Está na trilha do filme Dois Córregos, que nunca vi, mas conheço bem as canções. Tudo que Nelson toca, vira clássico. Perto do coração.
Foi assim que comecei o ano. Perto do coração. Mais que nunca, é preciso amar.
Depois veio o La Comparsa, Lecuona, para 4 mãos, com Chucho e Bebo arrebentando. Também não vi Cale 54, mas também conheço bem a trilha.
E aí, misturei Chavela, Ney, Buika, Anísio Silva e um bom prosecco e continuei ouvindo. Estou ouvindo até agora.
Omara canta La sitiera e Veinte años pra mim e eu saio rindo comovido. Começar o ano assim é certeza de que velhas chamas podem reacender e surpreender corações cansados.

Não se atravessa a Hadock Lobo pela direita

Definitivamente A Força do Querer não foi uma unanimidade. Ainda mais concorrendo com o terceiro episódio da décima temporada de Segura a O...