quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vazios


Estou só em Miracema. Longe e perto dos filhos, que ficaram com as mães hoje. Opção deles, que fazer?
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Passei pela exposição agropecuária, tomei uma cerveja com Alexandre (e família) e voltei.
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Fui e voltei andando, o que me valeu um bom tempo de caminhada pra pensar. Ao rebobinar as fitas passadas, continuo a não entender porque tudo terminou assim. Fiquei perdido no meio de muitos projetos de vida e acabei aqui voltando pra casa.
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Passo pelo jardim da cidade. Jogava bola de gude ali, namorava aqui, comprava jornal mais a frente. Muita história pra contar nos bancos desse jardim. Nasci ali, onde até hoje moram meus pais. Na Rua das Flores.
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Aqui na Rua das Flores, meus pais, meus avós, meus primeiros anos.
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Hoje pareço um fantasma nas ruas silentes de Miracema. Já começo a sentir um certo desprezo de tudo isso que sinto. Paciência!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mornas

Levei duas horas do Santos Dumont ao Ingá, retornando de São Paulo. O motorista do táxi insistia em colocar jornais sangrentos da Bandeirantes na televizãosinha do carro, que misturado com meu sono agudo, deu dor de cabeça.
São Paulo estava um Sol ameno, lembrei de Camila. É possível que, dentro da nossa curtíssima convivência, Camila tenha deixado um rastro bom, que começa necessariamente em São Paulo. Difícil não lembrar dela ali. E do vestido preto que usava naquele dia. Mulheres de vestido preto sempre me comovem. Guardei o vestido. De resto, só lembranças virtuais que leio todo dia no seu recordar. E um disco de mornas que fiz pra ela. Não há nada mais delicado e romântico do que fazer um disco de mornas.
Renatinha foi comigo, o que garantiu ótima conversa e companhia. É parceira debaixo d'água, de ponta de aterro, de quina de barranco, essa Renatinha. De vez em quando, empaca num raciocínio meio sem lógica, parece viajar nas suas convicções, faz bico. Mas quase sempre está certa. Já nos falamos por olhos e se eu deixar esse espaço em branco, ela vai ler, tenho certeza disso!



Amanhã começa a Exposição Agropecuária de Miracema. Hora de pagar os pecados. No tempo de Laura e Luisa, amava aquela poeira aguda, aquele cheiro de mijo de égua, aquela perspectiva da noite. Longa noite. Noites de longas conversas e descobertas. Agora tenho que aguentar o tranco por elas.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Leitura da barca

Hoje não deu nem pra descer e almoçar.
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Até bem pouco tempo, aproveitava a barca para a literatura. Eram 40 minutos de leitura diária. Hoje encurtaram o tempo do percurso e diminuíram o número de barcas, de forma que é sorte quando vou ou volto sentado. O máximo que dá pra ler é o jornal.
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Arnaldo Jabor não está na minha lista de cronista prediletos. Mas às vezes ou ele acerta ou eu acerto meu humor para lê-lo. Como hoje, em que ele conta suas reminiscências da adolescência. " Você sabe por que o vício solitário é um pecado mortal?, perguntava o padre. Porque, cada vez que você o pratica, são milhões (Milhõesssss, ele repetia) de seres humanos que iam nascer e que morrem na vala comum do papel higiênico ou da cloaca dos esgotos!" Para todos nós, que vivemos essa fase Carlos Zéfiro das espinhas e frequentamos os confessionários, é divertido ler essas coisas.
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Estou ouvindo os discos antigos de Joan Manoel Serrat, que são os melhores. Vez em quando, deparo-me com uma canção tão delicada, que faz tão bem à alma, que dá vontade de rebobinar algumas fitas esquecidas do tempo. Os discos catalões de Serrat são muito bonitos.
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Acho que é só por hoje.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Gauche

Esse blogger hoje está numa lentidão tamanha, que entre tomar banho, comer um misto e escovar os dentes, fui passando as páginas.
A Praia das Flechas, que circunda o Bairro do Ingá onde moro, já foi uma bela praia. Eu nadava aqui em menino com meus pais e tomava Sol. Hoje não serve para o nado nem para o Sol. Os espigões criaram uma enorme sombra na Praia das Flechas. Só sobraram os piratas. Como eu.
Estou com aquela felicidade estranha de segunda-feira. Que mal há em gostar das segundas? Na companhia agradabilíssima de Sandra Carreirinha, do Professor e de Ronaldo, fomos deixando a segunda passar e o trabalho fluir.
E nem mesmo a chuva repentina foi capaz de atrapalhar o fim do dia. Parece ter invernado em Niterói.
De uns tempos a essa parte, fechei meu coração para grandes paixões. As grandes paixões não existem, só servem para envelhecer e engordar.
Mas essa segunda, esse clima frio, esse conhaque, deixam a gente comovido como o Diabo!!

domingo, 26 de abril de 2009

Domingo de Jennifer e Cássia



João Ubaldo está impagável no Globo de hoje, metendo o malho nos políticos que viajam por nossa conta, inclusive Gabeira. Um trechinho: " Essa patologia acabrunhante já se tinha manifestado antes em declarações do presidente da câmara, tais como a de que meteram a mão nas passagens até para viagens galantes porque"não havia regras claras". Seria de esperar que, não havendo regras claras para a utilização da vantagem, o homem público escrupuloso se afastasse dessa vantagem. Mas não, aqui isso justifica o uso e o abuso. Talvez, para que haja regras bem claras onde se diz que circulam tantos ladrões, seja melhor colar etiquetas em tudo: "Não pode levar esse microfone para dar para a banda de rock do seu flho", "não pode pegar as cadeiras para mobiliar o sítio", "os talheres são da casa", O papel higiênico é para uso exclusivo do local", "tire a mão daí", etc, etc"
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Cássia Eller não pode ter morrido. Estava esquecendo dela. Há muito que não a ouvia. Daí peguei os discos e matei a saudade. Fiz uma canção de afeto só da Cássia, começando com 1 de julho. Depois as canções que Nando Reis escreveu pra ela: as coisas tão mais lindas, o segundo sol, all star, relicário, todas feitas sob medida. Depois vieram try a little tenderness, só as mães são felizes, ECT, por enquanto, ponto fraco, milagreiro e mr. scarecrow. Terminei com sargent peppers, toc toc toc, nós, eu sou neguinha, eu queria ser a cássia eller e caso você qeira saber. Cássia voltou de novo. Fiquei bem assim com Cássia.
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Sem exagero, aproveitei os feriados e o fim de semana para ir ao cinema. Sem sair de casa, obviamente. De ontem pra hoje vi mais dois: o fraquinho O dia em que a Terra parou e o ótimo Profissionais do crime. O primeiro salvo por Jennifer Connelly (3 A). Jennifer está envelhecendo, isso é mal. Preferia Jennifer mais cheinha, parece meio magra., mas continua fazendo a diferença. Já Profissionais do crime é um thriller francês com Daniel Auteiul em mais uma atuação brilhante.
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Vi pedaços de Flamengo e Botafogo e da corrida de hoje. Rubinho mais uma vez mostrando que nasceu mesmo para ser segundo piloto. E Flamengo e Botafogo, com esquemas parecidos de cinco zagueiros, bem que mereceram esse empate!

sábado, 25 de abril de 2009

Nelson Freire

Ontem foi um dia muito tranquilo pro trabalho. Por conta do feriado, apareceu pouca gente e foi possível colocar em dia algumas solicitações que já se acumulavam na mesa. Dias calmos assim rendem muito bem.
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Depois que cheguei em casa, botei o disco da Nana, abri um coca zero, e fiquei escrevendo aquelas coisas.
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"O acordo ortográfico é a derradeira e cabal prova de minha decrepitude. Faz a vista cansada e as dores nas costas parecerem um ressaquinha passageira. Entrei, inapelavelmente, para aquele time de velhos (assim eu os chamava) que jamais se entenderam com as mudanças ortográficas e, no meu tempo, botavam acento em ôvo (êpa, o corretor ortográfico já chiou). Agora é minha vez de experimentar o melancólico analfabetismo geracional." Esse parágrafo eu roubei do blog do Paulo Roberto Pires, porque é exatamente assim que eu me sinto. Vai ter que entrar por osmose, de outro jeito não!
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E aí hoje de tarde resolvi abrir o DVD do filme Nelson Freire. Sempre fui um admirador confesso do Nelson, mas fui deixando o filme pra lá e acabou ficando. Ainda estava com o selo de 20% da FNAC. Cara, nunca me arrependi tanto de ter perdido tanto tempo para ver um filme. É bom demais!
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Na verdade, o que o diretor João Moreira Sales fez foi pegar uns pedaços de filme e dar liga. Deu certo! O encontro com Martha Argerich, os concertos no Brasil, na França, na Bélgica, e na Rússia, tudo parece ligado por um fino fio de harmonia perfeita. A história do menino que teve que conviver com dois problemas sérios: doente e prodígio, o acerto com a solidão, a paixão por Errol Garner, tudo perfeitamente sincronizado.
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No final não dá prá falar outra coisa senão que a declaração da moça que saiu emocionada de um concerto: a gente pode contar nos dedos, os momentos mágicos como esse!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sem poupar coração

Terminei o dia de ontem vendo mais um filme de terror. Esse bom, 1/2 A. Trata-se de Nevoeiro, baseado no conto homônimo de Stephen King. Coincidiu com um temporal do nada na noite niteroiense e quase deu medo.
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Um disco de inéditas da Nana merece um post inteiro ou dois. Comecei a gostar daNana pelo " Mudança dos ventos". Quase posso dizer que comecei a gostar de música pra valer pelo "Mudança dos ventos". Foi um choque pra mim aquele disco. Feito como luva para a voz e a sensibilidade de Nana. Pra mim, a grande dama da canção brasileira.
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E esse Sem poupar coração agora. Merece um post inteiro. Ou dois. Começo pelas que já conhecia com outros.
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Senhorinha - eu pensei que Mônica Salmaso tinha acabado com as possibilidades harmônicas dessa belíssima música de Guinga e Paulo César Pinheiro. A interpretação de Mônica é delicada, doce, terna. Pois Nana consegue fazer ainda mais bonito. É de chorar mesmo. Senhorinha me lembra Laura. Demais.
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Confissão - conheço do disco de Simone Guimarães, parceria de Simone e Antônio Carlos Bigonha. Conheci Antônio Carlos Bigonha num show de meio dia aqui no Centro Cultural da Justiça Federal. É um pianista de mão cheia. A canção parece ter sido feita pra Nana. Dori contracanta lindamente.
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Violão - de Sueli Costa e Paulinho Pinheiro, conhecia com Fátima Guedes. ficou muito bonito o arranjo de Dori, e o bandolim de Marcílio chorando com Nana.
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Não se esqueça de mim - já gravada pela dupla Nana e Erasmo anteriormente, essa parece ser ainda mais delicada e valoriza muito a canção de Roberto e Erasmo.
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Devagar a gente vai falando nas outras. Já dá pra perceber os arranjos precisos de Dori, Cristóvão e Itamar Assiere, os compositores de primeiríssima qualidade, o esmero na escolha de tudo. É um legítimo Nana Caymmi.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Crônica de um dia a toa

"E aqui vai um conselho pra você que é a bola da vez: não existe imparcialidade - apenas afagos, que mais tarde vão lhe exigir a contra-partida. Se você não for bonzinho, e se você não cumprir o itinerário das bichinhas culturais, ou seja, se não retribuir aos afagos, vai dançar. Não acredite nos elogios, a menos que você seja um verme. Aí, bem , nesse caso qualquer coisa é bem vinda."
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Hoje está parecendo domingo. O silêncio das ruas chega à janela do meu quarto sem sobressaltos. Dormitei até as 9 e fiz um mini-café na cafeteirinha que o Professor me deu. Aí comecei a arrumar a letra M dos cds. Priorizei o M porque estava espalhado pela casa na poeira das caixas e dos armários. Foi um encontro festivo de Monarcos, Moacyr Luzes, Maciéis Melos e Mahlers. Até agora já arrumei A, B, C, E e M. Esse fim de semana promete!
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Depois fui almoçar no Dona Santa, um kilo chique aqui da rua. Quilos são sempre uma mistura de cheiros combinados que nunca resultam num cheiro bom. Fiz o que faço sempre nos quilos: um mexidão, cheirando a nada.
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Tudo que posso dizer de "Rec", filme espanhol de terror, que me foi recomendado por um amigo que gosta de filmes de terror, é que não consegui acabar de vê-lo. É muito ruim. Nem comece.
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Ainda Mariana Aydar: a moça precisa beber mais das fontes do pai, Mário Manga. Não preciso escrever nada sobre Manga aqui. É uma referência pra mim nas cordas. Conseguiu fazer Zé Maurício Machline virar cantor (o disco gravado em dupla com Célia, gordos também amam, é bem audível, graças a Manga!).
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Ainda Caetano: essa coisa de transambas é de um mau gosto notório, que foge à qualquer propósito. Quem possivelmente transcendeu ao samba foi Itamar Assumpção, quando releu a obra de Ataulpho Alves. Aquilo sim, foi alguma coisa inovadora e fácil de ouvir.
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Com o passar do dia, a solidão vai ficando meio chata e começo a ficar cheio de espectativas que geralmente não redundam em nada. Foi aí que decidi ver Conversas com meu jardineiro. Tinha lido resenhas favoráveis e não. Bom, pensei, qualquer filme com Daniel Auteuil tem valido a pena. Até um enjoado que vi ano passado chamado O adversário, desceu bem, pelo talento e pela competência do ator. Pois bem, achei um filmaço! Delicado, tocante, agradável, um belo filme. E Daniel ganha a companhia de Jean-Pierre Darroussin, igualmente brilhante e a direção sutil do veterano Jean Becker. Triplo A!
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Marcelo Mirisola é um dos grandes cronistas brasileiros. O que admiro em Marcelo é sua crueza e objetividade. Nem tudo que ele escreve eu concordo, mas gosto das suas alfinetadas. Aqui Marcelo faz um crônica de si mesmo e conta como se tornou o Bin Laden dos ilustrados. Marcelo está com uma peça no Satyros 1 em São Paulo: "O Monólogo da Velha Apresentadora", que recomendo sem ter visto e espero que chegue ao Rio. O trecho entre aspas aí de cima foi tirado da crônica. Corretíssimo!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Choque de ordem

Os camelôs voltaram a infestar o centro do Rio com sua pirataria de disco, dvd, relógio, sutiã, m e ms e outros emes. O choque de ordem parece não só não tê-los atingido, como estimulado sua participação. Fora isso, está um clima ameno, coisa rara nessas plagas. Renatinha fez aniversário ontem e parece que São Pedro mandou que o tempo melhorasse pra recebê-la no centro do Rio hoje.
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Mariana Aydar lançou um disco de altos e baixos, que passa raspando pela recomendação. Os altos: boa música, bons compositores (Rômulo Fróes, Nuno Ramos, Pedro Luis entre eles), esteticamente é um disco bonito. Os baixos: arranjos econômicos (coisas de Kassin + um ou dois, esses babados), composições próprias no máximo medianas. Mariana ainda tem uma voz tímida, mas muito bem cantada. Gostei muito de "tá?", um baião de Pedro, Carlos Renó e Roberta Sá. O disco ainda pode crescer na minha escuta.
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Ainda não consegui qualificar Zii e Zie, o novo de Caetano. O que é aquilo? O último disco de estúdio muito bom de Caetano foi Uns e lá se vão uns bons anos. De lá pra cá, algumas obras primas esparsas como Não me arrependo e Odeio. Nesse nem isso tem. O disco se vale de canções dos outros como Incompatibilidade de gênios e Ingenuidade para crescer um pouco. No mais, que consegue entender músicas como Tarado ni você e Menina da Ria. Vou tentar ouvir de novo, mas não prometo nada.
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Estou vivo. Melhor assim!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Soneto inglês número 2

Minha dor em silêncio

Há um pretenso equilíbrio, imaginário equilíbrio, conectado por um fino fio ao meu Mundo. Olho para ele com uma vontade grande de mantê-lo vivo. São minhas graças: estar com meus filhos, trabalhar onde gosto, ler bons livros, escutar boa música, ir e vir. Tudo isso faz parte de uma redoma que eu chamo equilíbrio.
De vez em quando, a linha se esgarça e posso perceber nitidamente que nada é tão sublime assim. Amei demais. Que me valeu?
Tenho procurado ser por demais correto com quem quer que seja. Quem se importa?
Quem pode medir o que é ou não importante, quem é que está preocupado em dar de volta aquilo que recebeu com tanto amor?

Gostaria de não estar escrevendo essas notas. Preferiria conservar minha dor em silêncio. Mas seria desonesto com meu escrever.

Então vamos lá. Um soco, um nocaute, um levantar de novo, outro soco. Outro nocaute. Estou me levantando devagar. Como esse chuvisqueiro que incomodou boa parte da viagem e agora goteja na minha alma besta.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Lima Score


É possível que Claire Forlani (2,5 A) não se livre mais da moça delicada que fez em Encontro Marcado. Não consigo vê-la de outro modo. É assim que a vejo em Reflexos da Inocência, num papel menor, em que ainda assim consegue roubar a cena. O filme começa sem rumo e depois da metade vai se encontrando até se transformar num um A no Lima Score. Claire faz uma personagem que é interpretada na adolescência por Felicity Jones (2 A), outra ótima pequena participação. É Felicity quem faz a cena mais interessante do filme: um clip de If there is something, do Roxy.
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Da mesma maneira, Daniel Craig não vai se livrar tão cedo do 007. Seu papel fica caricato demais no filme. A gente fica esperando o tempo todo que ele vá pegar da arma e salvar a Inglaterra.
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Depois, vi com indisfarçável desinteresse, Rede de mentiras, Di Caprio, Crowe, Ridley Scot. O filme foi aos poucos minando minha má vontade de vê-lo e acabou em 1,5 A no Lima Score. Esses filmes de conflitos internacionais, terroristas, islâmicos, etc, têm uma receita única: começam sempre confusos, no final as peças se juntam.
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Feriado permeado por filmes, crianças e algum trabalho pra não perder o costume.

domingo, 19 de abril de 2009

Cinema e pizza

Acho um tanto engraçado e completamente sem propósito, isso da torcida do Fluminense se reunir para protestar contra o time. O time ainda está se arrumando e tem o melhor técnico do futebol brasileiro. Ainda vai dar alegrias esse Fluminense, pode escrever.
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Minhas revoltas acabam no dia seguinte após o jogo, quando volto a ser um torcedor normal e aguardo novas oportunidades. É verdade que nossas últimas alegrias foram contra o São Paulo e o Boca na Libertadores do ano passado, que acabaram não dando em nada, mas sim, foram grandes alegrias. Certamente muito maiores do que essa decisãozinha de merda entre Flamengo e Botafogo.
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Que, afinal, protagonizaram mais um joguinho medíocre. No final, o Flamengo foi mais uma vez premiado com um golzinho mirrado, sem muita crença. Placar moral: meio a zero Flamengo! Não costumo ver esse tipo de jogo, mas Chicó está aqui comigo e acabou me convencendo. Os dois times jogaram no esquema 9-1-1, e o Botafogo só conseguiu um escanteio lá pros trinta e bléu do segundo tempo. Mereceu o gol que levou. O Flamengo é que não mereceu fazê-lo.
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O melhor do fim de semana foi que consegui ver mais um filme de época (digo, da minha época) com Laura e Luisa. Ontem pedimos uma pizza no Wictor e vimos Alta Fidelidade.
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E também consegui dormir muito bem essa noite. Há muito tempo que não passo um domingo inteiro aqui em Miracema. Estou sempre voltando no domingo, mas dessa vez o feriado permitiu.
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O cd do carro não para de tocar Leonard Cohen in London e Nelson Freire. Agarrou ali. Juntaram-se ao Altamiro e à Leila.

sábado, 18 de abril de 2009

Ritos

Ainda não curei totalmente essa insônia. Cá estou a falar dela novamente, minhas quatro leitoras que me perdoem. A insônia é uma velha amante frígida. De vez em quando ela ainda me acorda de madrugadinha e, como não saio mais da cama como fazia antigamente, fico com ela remoendo. Alguma coisa assim entre o despertar e o primeiro sono, sonhos possíveis, que depois ficam fáceis de lembrar e parecem já ter sido realizados.
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Essa noite foi assim. fiquei das quatro e quinze às sete, ruminando meu sono. Depois peguei a estrada. Almocei num lugar chamado "Esqueci o nome", perto de Carmo, uma traíra muito bem temperada. Um peixinho de água doce de vez em quando, pra espantar os quilos do centro do rio. Cheguei aqui, a cama bem posta, a casa muito cheirosa. Gosto disso.
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E aí me peguei vendo o western A procura da Vingança, com Ralph Fienes e Pierce Bronstein. Médio, ressalvando a pequena participação de Angelica Houston, que quase rouba a cena no final.
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Não tenho muita informação importante para repassar hoje. Estou em Miracema, Laura aqui comigo, Luisa daqui há pouco, Chicó amanhã. Esses ritos de paz são música pra mim. O que mais eu posso querer?

Obrigado

Venho
Apesar desse resto de mágoa
Pra lhe dizer
Obrigado à você

Que já não me importa
Se o amor foi de guerra ou de paz
Meu caminho começa
Onde o tempo começa a contar
Quanto tempo faz

Nada nas mãos
Nem ao menos saudades
De uma canção
Mesmo assim é um prazer
Saber que eu me sinto à vontade
Pra lhe agradecer
Pelas horas, mil horas num dia
Mil dias, mil formas de se viver

Ah! Por que solidão,
Por que não prazer
Por que foi assim ou deixou de ser,
Por que era calmo de enlouquecer
Ou eram ventos mais violentos
De naufragar
Mesmo assim fomos contra a corrente
Buscando algum porto
Pra se chegar

Eduardo Gudin

Não sei se gosto de ouvir mais com Leila, Mônica ou Fátima, mas agradeço a Gudin e às três pela oportunidade. Eu faria essa letra, escreveria essa música, cantaria esses versos porque o Mundo anda precisando ouvir e dizer obrigado.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O mar do Leblon

Três dias de sono leve e ando meio esgotado. Hoje teve aula na Barra e a turma exigiu bastante. Também não estive com meu staff e fico meio perdido sem Renatinha, Longarino e Sandra.
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Lembrei de uma mulher que tive, de uma relação aguda, urgente, insensata. Dessas que começam e acabam sem que a gente perceba. Saíamos pelas madrugadas sedentos, numa procura cega de pele, língua, pedaços do corpo. Um amor de cheiros fortes, necessários, tensos. Cada vez que me lembro dela quando venho da Barra dirigindo a S10, percebo o quanto mudei. Nada sei mais de mim ontem. Mas ficaram partes de passado aderidas e ainda posso sentir o barulho do ar condicionado barulhento dos velhos motéis. Motel é uma coisa que hoje eu prefiro acreditar que nunca entrei. Mas aquela moça, que pertence ao passado, levou parte de mim e ficou em parte. E hoje, que tentamos ser bons amigos, nos falamos melhor por olhos, mãos e sentidos.
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"Digo aos senhores que conheci o vasto mundo, vi paisagens sublimes, obras-primas, catedrais, mas ao fim e ao cabo meus olhos não têm recordação mais vivida que as de uns cavalos-marinhos nos azulejos do meu banheiro."
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"Mas com a idade, a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida."
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Terminei de ler Leite Derramado e esses dois últimos parágrafos são também os últimos trechos que divido com meus leitores.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Mais leite derramado

"Ordinária, pensei, puta, pensei, porca, mas pensei com pouca força, era difícil insultar minha mulher sem me ferir mais ainda. Meu único consolo era considerar que Matilde não passava de uma criança, que agora puxava o lençol para esconder os olhos, deixando de fora os pés miudos."
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"Ao receber a notícia, fiquei zonzo, passei dias prostrado, tive suores noturnos, acessos de tosse, horrorizado me convenci de estar também com o pulmão cheio de bacilos."
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Mais uns trechinhos de leite derramado, vá imaginando o livro pelos trechos. Ontem li no Joaquim Ferreira que um sujeito meteu o malho no blog do livro e que o comentário teria sido retirado do ar pelo blog. Paciência. Tem mau gosto pra tudo.
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Poesia do Sopro, a caixa de cds comemorativos dos 90 anos do possivelmente miracemense Altamiro Carrilho, não sai do meu shuffle. É daquele tipo que se recomenda vá correndo à sua loja mais próxima e compre rápido. Altamiro repassando seus próprios clássicos. Ou os clássicos dos outros imortalizados por ele.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Macambúzio

Está virando um sintoma claro de hipomania, isso de ficar reorganizando computador o tempo todo. Desencantado com o VISTA, lento, pesado, parecendo eu mesmo, mandei instalar um XP na minha máquina. O resultado é que passei a noite instalando programas, ajeitando bibliotecas, mexendo aqui e acolá até ficar do jeito que eu gosto. Fiz isso tudo com um inenarrável prazer!
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Maneiras diversas de passar a solitude a limpo e recuperar o velho amor pelas coisas para se fazer sozinho. Eu já fui bom nisso. Teatro, cinema, showzinho de seis e meia eram minha rotina nos tempos de estudo. Já tinha namoradas, mas essas coisas gostava (também) de fazer sozinho.
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Foi aí que descobri meu cacoete pra música e comecei a comprar meus vinis. Por falta absoluta de talento, resolvi gostar de música apenas por diletantismo e talvez tenha sido a decisão mais acertada da minha vida. Nada mais interessante do que ouvir sem o compromisso de argumentar.
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Toda essa arrumação insone me deixou com cara de sono, longevo, taciturno. Renatinha diagnosticou: é vontade de estar em outro lugar. Não é verdade, Renatinha. Estar com vocês, atualmente, é meu melhor refúgio.
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Antônio Abujamra esclarece que, durante a exibição da peça Electra, na ditadura militar, os meganhas invadiram o teatro para prender Sófocles, o autor. Não encontrando, levaram Isolda Cresta, com certeza imaginando que fosse contra prima daquele.
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Essa onda nova do vinil não me convence. Eu gosto dos vinis tanto quanto sei que o tempo deles já foi.
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Renato Maurício Prado, cabelinho arrumado, imagino que flamenguista roxo, desceu o pau no Fluminense hoje no Globo. Como diz na minha terra, é hora de lavar a égua, Renato!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dia de Bode Francisco Orelana


Nem bem esses mequetrefes do Flamengo ganham um joguinho de merda de um a zero e já saem cantando loas. Os jornais disparam: é o melhor do Mundo, saiu o campeão, e outras sandices. Se não fosse aquele golzinho mirrado do Juan (é argentino?) e a falha bizonha do Fernando Henrique, que deitou pra bola passar por cima, não sei não!
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Meu amigo Ronaldo, um sujeito elegante no trato, está dizendo que foi infelicidade do goleiro. Não, Ronaldo, foi frango mesmo.
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Pouco importa! Dormi muito bem essa noite, essas bobagens pebolísticas já são coisas do passado. Algumas reuniões estratégicas entrecortaram meu dia e acabei trabalhando pouco no operacional. Não gosto muito de dias assim, mas que fazer? Faz parte!!
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São nessas reuniões que você vai percebendo que pessoas em polos opostos falam os mesmos idiomas e têm os mesmos propósitos quando se trata de saúde suplementar. É só ajustar a carraspana política que a coisa sai.

domingo, 12 de abril de 2009

Pra acabar com essa mofina e o corpo ficar jeitoso

Um dos filmes brasileiros em atraso na minha videoteca era O Céu de Suely. Resolvi vê-lo depois do jogo. É um bom filme brasileiro. Delicado ao mostrar as faces da dor, da miséria e da esperança brasileiras. Hermila Guedes (onde anda?) está muito bem no papel. É uma atriz de muito talento. Poderia perfeitamente estar sendo aproveitada nas novelas.
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Também acabei de ver o último episódio de True Blood. A série teve altos e baixos e acabou deixando a desejar. Um desfecho parecido com o de Capadócia, abrindo a possibilidade para uma segunda temporada.
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Hekel Tavares teve uma homenagem digna do nome com Ana Salvagni, Alma Cabocla. A cantora ganha força principalmente nos maxixes e sambas. Devia ter evitado Sussuarana, que já teve sua interpretação definitiva com Bethânia e Nana. E a polêmica envolvendo Penas do Tiê, que Fagner e NaraLeão haviam gravado como dominio público, foi novamente esclarecida: a música é de Hekel e seu nome é Você. Pra mim, que já toquei tanto essa canção em menino, vai continuar sendo Penas do Tiê.
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Antônio Vieira, um dos grandes compositores maranhenses, faleceu ontem. Tive chance de vê-lo e conhecê-lo no CCBB. Vou dormir ouvindo Tem quem queira, Cocada, Banho cheiroso e outras pérolas do seu repetório. Depois desse fim de tarde depressivo, até que um banho cheiroso ia muito bem.

Feliz Páscoa

Não dá pra dizer nada depois de um Fla Flu desse. Foi um jogo pegado. Venceu quem aproveitou a oportunidade. Espero que ninguém me ligue, que ninguém me escreva, que nada seja dito mais a esse respeito. Em futebol, costumo não saber perder. Principalmente para o Flamengo.
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Renatinha, de grão em grão, vai enchendo seu papo. Seu Botafogo retranqueiro meteu quatro no Vasco. Salve Renatinha. Nessa final, sou Botafogo desde miudinho.
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Minha gripe atinge apenas o nariz. Haja soro fisiológico! Mas hoje teve uma mialgia clássica das viroses na viagem.
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Viajei bem. Saí cedo de casa para ver esse raio de jogo e perdi algumas horinhas de Páscoa com meus filhos. Que fazer?
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Ontem de noite, sentimentos opostos se apossaram de mim. Laura não sabia se queria ir a uma festa no Clube. Eu brigava comigo mesmo porque de um lado, queria Laura comigo, e do outro havia um pedido interior de Vai, minha filha, aproveita seu tempo!. Felizmente, fui salvo pela própria Laura, que decidiu ficar. Não sei se foi a melhor decisão, mas foi ótimo aproveitar um pouco mais dela.
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Em tempo algum, pensei que fosse tão bom ter filhos. Nunca nos divertimos tanto!

sábado, 11 de abril de 2009

Na vida, sou passageiro

Pistache, canção de Zeca Baleiro do disco O coração do homem bomba 2, remete a Vida de Artista, obra prima final de Itamar Assumpção. Digo final porque Vida de Artista parece um canto de despedida de Itamar.
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Zeca deve ter feito a música pensando em Itamar. Itamar manteve um culto mínimo, muito mínimo à sua obra. Zeca é um de seus seguidores. Produziu o EP de Itamar e Naná, disco interrompido, segundo informações colhidas, por uma briga da dupla durante as gravações. É outro disco histórico.
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Coloquei Às próprias custas, em vinil como deve ser, porque o cd está muito abafado, para Laura ouvir. A menina ficou encantada com aquele baixo pulsante. O disco é produto de um show gravado em 1985, mas permanece novo.
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O animal agonizante, a morte de Sylvio Bailarina, uma canção de despedida do Itamar e esse blog já está parecendo velório. Mas tudo são recordações muito caras. Tudo está em mim, nesse sábado miracemense.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O animal agonizante


O fim de tarde miracemense reservou-me uma grata surpresa. Ainda sem as meninas e Chicó, tomei um bom banho, liguei o ar e comecei a ver Fatal (Elegy).
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O filme mostra Ben Kingsley como um homem de meia idade que se apaixona por sua aluna (Penélope Cruz, linda como nunca) e os encantos e desvãos da relação. Clichê? Quem se importa?
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É um filme belíssimo, baseado no livro de Philip Roth, O Animal Agonizante, que já entrou para a fila dos livros urgentes. Tanta delicadeza ao mesmo tempo só poderia ter sido dirigido por uma mulher: Isabel Coixet, anotei o nome pra guardar.
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Há muita coisa mágica no filme: o texto de Roth, a atuação da dupla e dos coadjuvantes (bom rever Denis Hoper num filme bom), o roteiro, a direção e a inevitável conclusão de que o tempo não para. Merda!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os olhos de Sylvio

Um ano da morte de Sylvio Bailarina e eu ainda sinto como se ele estivesse por perto, a dar seus muchochos. Almoçávamos invariavelmente num pé sujo da Rua da Quitanda do lado de um puteiro chique do centro. Já deu pra perceber que o Centro do Rio é cheio de puteiro chique e pé sujo. Syvio adorava um bife acebolado com batata frita que serviam lá. Nessa época, já andava doente. Evitava falar da sua saúde. Nunca soube de nada por ele. Nem do câncer, nem das complicações, nem dos últimos tempos.
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Poucas vezes, o vi depressivo. Ao contrário de mim, que vivia a derramar lágrimas naqueles tempos difíceis. Sylvio me ouvia atento. Muitas vezes parecia ter pena de mim.
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Eu ohava dentro dos olhos de Sylvio. Olhos de muitas vidas vividas. Sylvio parecia só saber manifestar suas tristezas pelos olhos. Seus olhos eram densos e pesados. Muitas vezes pareciam marejar. Sylvio não fazia questão de se esconder pelos olhos. Toda sua vaidade se limitava aos gestos e as palavras.
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Sei que o amigo está por aqui. Não é o espírito vivo dos religiosos que acreditam que os espíritos vagam. É tudo que ficou de um bom amigo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Leite derramado

"Atira a primeira, atira a segunda, Iaiá.
Até descarregar o tambor.
Até apagar a luz de Ioiô.
Até nuca mais, já vingou."
Lenine


"A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco, o dono é capaz de encontrar todas as coisas."
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"Sem Matilde, eu andava por aí chorando alto, talvez como aqueles escravos libertos de que se fala. Era como se a cada passo, eu me rasgasse um pouco, porque minha pele tinha ficado presa naquela mulher. E um dia, mamãe me chamou para uma conversa, parecia algo desapontada por descobrir alguém mais infeliz que ela."
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Trechos de Leite Derramado, Chico Buarque, já falam por si só da genialidade do autor.
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Hoje foi o pior dos dias dessa semana. Acordei disperso depois de um sono curto cheio de pesadelo. Eu havia entrado para a aula de tiro e não sabia bem o que fazer com a arma. Daí não sei. Tinha alguma coisa estranha naquele sonho.
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Fiquei disperso assim meio que o dia inteiro.E até agora, às 22:30, quando chego em casa depois de dar aula na Barra, cheguei dispersivo. Disfarço bem minha dispersão.
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Camila e a arte da sedução. Gosto dessa menina. Você pode lê-la (não seduzi-la) aqui.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Chinelo velho

Quem aguenta esse tempo? O Sol hoje voltou com a corda toda, ainda fui comprar ovos de páscoa pras crianças depois do trabalho. Cheguei em casa descadeirado, como diria minha mãe no século passado. E até agora estou assim. Quem disse mesmo que não há de faltar um chinelo velho prum pé cansado? Nesse momento, só as legítimas havaianas são minhas companheiras. E como escorregam! Está bom assim! Não quero fazer desse blog, um reclame.
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Um bom dia de trabalho é quando eu tenho tempo de avançar em alguma evidência nova. Hoje foi o flumazenil que me alugou umas horinhas pequenas. Depois a reunião da vascular. Tudo muito bem aprendido. Dia bom é aquele em que o aprendizado é maior do que o ensinamento. Hoje foi assim.
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Aniversário do meu amigo Ronaldo, meu irmão desde fevereiro de 97, quando vim pra cá pela segunda vez. Ronaldo é pérola finíssima, de muitas temporadas completas de meio dia e meia no CCBB.
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É isso por hoje. E o disco da Leila vai me encantando cada vez mais. Já fico torcendo para o aleatório mandar mais uma canção do disco pros meus ouvidos na barca.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Para ver as meninas

A segunda começa mesmo é no café do Cláudio. Além da boa conversa, do café e do cheiro desagradável do estacionamento da zona, já decantados aqui, tem a passarela das moças que vão para a Escola Superior de Propaganda e Marketing ali mesmo na Rua do Rosário. Só tem duplo A. 7:12 é hora de sentar ali para ver as meninas. E querer apenas uma pausa de mil compassos.
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Comecei a ouvir os discos que recomendei sem ouvir. Até agora, Leila Pinheiro e Izabel Padovani estão cumprindo suas previsões. São ótimos discos. E também coloquei pra tocar Nelson Freire, Debussy. Sublime, não precisa dizer mais nada. Tenho que levar esse Clair de Lune pra Laura ouvir!
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Está choramingando em Niterói, chuva abafada. Há três décadas atrás, Miracema quase nevava nessa época. Sentíamos um frio irresistível, frio de virar a noite conversando. Conversa boa de gente esperta. Conversa de nunca mais ter.

domingo, 5 de abril de 2009

Entre dos aguas

Domingo é dia de ficar amuado em casa, não há muito o que fazer. Acordei e fui logo, antes que desistisse, arrumar a letra C, meu trabalho de hoje. O C é ainda mais difícil do que o A, porque há muitas pequenas obras primas. Carol Saboya acabou ficando de fora da gaveta, Cida Moreira não. Cida me acompanha desde Porter a porter, um show que fez no Rival há muitos anos. Gosto mais de Brecht com ela do que com Ute Lemper.
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Depois engatei Leite Derramado, o novo do Chico. Precisava priorizar esse livro, pois sempre que sai um livro do Chico, compro e deixo de lado. Dessa vez, resolvi ler. De cara dá pra perceber as diferenças entre o letrista e o escritor. Há traços de Rubem Fonseca, João Gilberto Noll e Sérgio Santana.. Fonseca parece ser sua maior influência.
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Ao mesmo tempo em que ia lendo, fui atualzar a biblioteca do Itunes. Há discos esperando para ser ouvidos há muito tempo. Como esse de Joel Nascimento e Fernanda Canaud, Valsas Brasileiras.
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Foi só eu falar do outono suave que o Sol saiu derrentendo as paredes do apartamento. Esse lugar prazeiroso para se escrever, ouvir, ler e ver, fica um inferno de tarde com esse Sol de verão. Não tem ar que dê jeito.
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Almocei algumas empadas de uma dona aqui de baixo e sorvete de flocos. sem nenhum saco para ir a restaurantes. Depois das empadas, liguei o ar, mesmo sabendo que não ia dar vazão e comecei a ver Vicky Cristina Barcelona. Tinha opiniões boas (Leticia), médias ( Veríssimo) e ruins (Longarino). Consegui enxergar todos os defeitos que me foram comentados. Primeiramente, o filme é narrado por um terceiro, uma narrativa fria sem envolvimento. Depois, parece mesmo que Woody Allen teve pressa na conclusão. O diretor é criativo em trlhas sonoras, mas dessa vez exagerou. Entre dos aguas, Paco de Lucia, foi tocada ao longo do filme todo. Conheci Paco com essa canção, é linda, mas já tocou muito. Uma vez só bastava. Alen deveria ter se esmerado mais na procura. Há muita música boa espanhola. Acho que 1A está de bom tamanho para Vicky. Triplo A só para Penelope Cruz, os outros parecem robotizados.
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Fim de tarde e esse Fla Flu morno. Dois dias de solidão e começo a achar tudo difícil. Não era assim antes. Agora está ficando cada dia pior. O ruim é não ter um desenho. Não tenho nem um alumbramento futuro. O que vislumbro e dá grande prazer é filho e trabalho, trabalho e filho.

sábado, 4 de abril de 2009

Alone again. Again

Tomei a dianteira na rearrumação dos meus cds hoje de manhã. Tracei a estratégia de arrumar 3 letras por fim de semana solitário. Durante o dia, arrumei o A e o B. Amanhã arrumo o C. Não é fácil. Tenho que escolher os cds que vão ficar arrumados na gaveta e os que vão ficar soltos em caixas. Alaíde sobrou pras caixas. Fiquei com o coração apertado por Alaide Costa. Mas enfim consegui juntar os Piazzollas e os Jobins que estavam espalhados pela casa.
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Depois fui ao Supermercado Guanabara, fazer umas compras praqui e pra lá. A população de Niterói também. Aproveitei a promoção relâmpago e comprei meia dúzia de pizzas Maricota a 3.99 cada. Promoção relâmpago é isso! Tem que comprar rápido que acaba. Agora, não sei bem o que fazer com essas pizzas.
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Depois terminei de ver O Casamento de Rachel, um dramalhão 1,5A. Prefiro Jonathan Demme fazendo filmes como O Silêncio dos Inocentes, mas esse não foi ruim não. É que a vida já anda muito pesada pra ficar assistindo dramas. Depois dormi.
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É sábado caindo noite em Niterói. E o outono chegou de vez. Está um calor suportável.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Guardanapos de papel

"En Montevideo hay poetas poetas poetas
que sin bombos ni trompetas trompetas trompetas
van saliendo de recónditos altillos altillos altillos
de paredes de silencios de redonda con puntillo."



Os seis cds mais vendidos de 2008 são três de padre, dois sertanejos e um de axé, conforme lista abaixo:
1. Pe. Fábio de Melo, “Vida” (Som Livre): 542 mil
2. Pe. Marcelo Rossi, “Paz sim, violência não 1” (Sony): 280 mil
3. Victor & Leo, “Borboletas” (Sony): 260 mil
4. Victor & Leo, “Ao vivo em Uberlândia” (Sony): 230 mil
5. Ivete Sangalo, “Multishow ao vivo no Maracanã” (Universal): 420 mil*
6. Padre Marcelo Rossi, “Paz sim, violência não 2” (Sony): 180 mil
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Sinto saudade do tempo em que ainda se podia conversar com as pessoas sobre boas canções. Hoje nem revoltar contra esse estado atual de ignorância coletiva é possível. As porcarias estão aí e as pessoas gostam delas. Assim como gostam do Big Brother e da novela indiana.
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Li recentemente que Tom Jobim não aconteceria nos tempos de hoje. Acredito. Há tantos potenciais jobins escondidos nos recantos, que dói saber.
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Antigamente, não tinha nada mais romântico do que gravar uma fita cassete pruma moça, com canções de afeto. Era meu mote preferido. Em Alta Fidelidade, tinha um sujeito assim. Aquele era eu. Hoje nem cogito. Niguém mais se emociona com uma canção do Cabo Verde ou das Minas Gerais, mesmo que ela diga tudo sobre nós.
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Hoje só gravo canções de afeto para Laura e Luisa. e fico orgulhoso de como elas vão se adequando. Tem hora que me surpreendem cantarolando uma que nem imaginava. Guardanapos de papel (birones y servilletas), do uruguaio Leo Masliah- tão pouco óbvia - foi adotada por Laura.
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Hoje é aniversário do Longarino, parceiro querido, amigo de muitas datas. aqui vão meus abarços explícitos!
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Voltei a pegar o metrô depois de muitos anos. O objetivo era chegar ao Estação Botafogo a tempo de ver Palavra (En)cantada ou Valsa com Bashir. Infelizmente, mudaram a hora de exibição. mas foi bom ver que o metrô está razoavelmente limpo e organizado. Pelo menos foi a impressão que ficou.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Luzes da mesma luz

Nós
Almas tão irmãs
Gêmeas na paixão
Corpos que se dão
Em busca de prazer
Deve ser
O destino que cruzou
Os nossos instintos pra fazer
De tantos carinhos o porquê
Da vida em comum

Nós
Pétalas sem flor
Pérolas de um mar
Que ninguém nadou
Nos cabe navegar
Mergulhar
Descobrir o que é que há

No fundo mais fundo em nosso ser
Se quem naufragou no bem querer
Pode se salvar
Pra onde irá?
Que barcos virão pra resgatar
Os sobreviventes da ilusão
No meio do mar da solidão?
Melhor nem pensar

Cá estamos nós
Amor faça jus
A quem ama em paz
Luzes da mesma luz

Gudin/Natureza

Leila Pinheiro é de altos e baixos. Um de seus altos já seria suficiente pra ela não precisar fazer mais nada pra garantir o passe para o céu: o disco com canções de Guinga e Aldir. Agora gravou um disco com músicas de Eduardo Gudin. A idéia já tinha sido usada por Fátima Guedes e mais recentemente por D Inah. Fátima fez um disco perfeito com Gudin e cordas. Não há retoques. O de D Inah está na fila para ser ouvido com mais atenção mas parece um ótimo disco. Como não ser, quando se grava Eduardo Gudin?
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Pois bem, não é preciso ouvir o disco de Leila pra já considerá-lo uma obra prima. Leila gravou ao vivo com Gudin, Fábio Torres, Zeca Assumpção, Celso Almeida, Milton Mori, Teco Cardoso e Guello, que time! É o segundo disco do ano que não ouço e já recomendo. Pode comprar sem medo!
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Eduardo Gudin possivelmente foi o melhor presente que São Paulo deu à música brasileira. Tem discos memoráveis, muita gente boa de hoje começou com ele. Estranhamente, nunca vem ao Rio, nunca consegui escutá-lo ao vivo. Em Paraty, onde Maria Martha se apresenta no Margarida Café, pude conversar com ela sobre a timidez de Gudin. Maria Martha dá uma outra desconversa.
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Há alguns anos atrás, fui ao lançamento do disco do poeta Sérgio Natureza. Uma antologia de canções de Sérgio, regravada por outros autores. Senti falta de Luzes da mesma luz, dele e Gudin. Sérgio não teve como discordar, é uma obra tocante. Letra muito bem costurada pelo violão de Gudin. Leila, obviamente, regravou. Ponto pra Leila!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Citações e um bom banho

Teve algum sábio desses aí que disse que a coerência é atributo dos imbecis. É por aí. Quando comecei a dar aula para esse projeto na Barra achei um horror. Acabo de chegar em casa num ótimo estado pra quem chega às 22.
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Nana Caymmi em Montreaux, depois de uma Se todos fossem iguais a você brilhante, avisou à platéia: - Na primeira, a gente treme. O resto vai na urina. É por aí.
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Acho que foi Antônio Maria que disse que um bom banho resolve 90% dos problemas. O resto é porque não tem jeito mesmo. É por aí. Acrescento ao bom banho, o bom sono. Dormi muito bem essa noite. O resto foi na urina.
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E a Bolívia meteu seis na Argentina. Depois dessa, nem quero mais ver o jogo do Brasil. Todo bom tricolor gosta mais de ver o Flamengo goleado do que o Fluminense ganhar de uma zero. É por aí.

Andy Williams

Não se atravessa a Hadock Lobo pela direita

Definitivamente A Força do Querer não foi uma unanimidade. Ainda mais concorrendo com o terceiro episódio da décima temporada de Segura a O...