segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Notas de segunda

Estou tentando, com alguma resistência, ler Notas do subsolo. É um Dostoiévski difícil, se é que há algum fácil. Acho que O jogador sintetiza bem a obra do russo e é mais palatável.
Teve uma crônica maravilhosa numa das últimas Carta Capital (estou atrasado duas semanas com a revista) sobre como você não precisa ficar tão desapontado porque não gostou de "A doce vida" ou" Jules e Jim" e outras "obras-primas do tédio", conforme nominado por Tim Lott.
Dia desses, Hélio de LaPeña quase foi linchado porque afirmou ser chata a obra de Glauber Rocha.
Tudo isso é muito relativo, mas só ratifica a boa prática de nos desobrigarmos de ler, ouvir e ver aquilo que não nos interessa só porque se trata de conteúdo aclamado universalmente.
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Os resenhistas é que estão aí pra isso. Nunca li Paulo Coelho, e possivelmente não lerei porque já li sobre, e o que li não me agradou. Mas gostava do letrista, especialmente das coisas que fez com Raul Seixas. É um outro ponto de vista.
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O calor está voltando devagarinho a Niterói, já quase dá pra ligar o ar de noite. Hoje foi uma segunda muito bonita. A barca estava tranquila, o trabalho rendeu muito bem, um dia pleno de normalidades.

domingo, 30 de agosto de 2009

Quando eu me chamar saudade


Meu ganho desse domingo foi ter conversado um pouco com Laura de manhã. Quando conseguimos harmonizar nossas sintonias, rendemos bastante bem. Falei de mim, de Mário de Andrade, de música, de dança e de carreira. Laura está num momento de dúvida com relação ao seu futuro e ao mesmo tempo, vive a intensidade dos 16/17 anos, produz muito, está sempre plena de atividades, costura o próprio pano que usa para bailar. Vive.
Custei muito para aprender que só conseguimos viver, quando não temos espectativas. Quando não esperamos mais do que o minuto seguinte. Só assim é possível se dar ao trabalho, se dar aos filhos, se dar ao amor. Como em Cecília "Eu canto porque o instante existe, e a minha vida está completa".
Foi isso que tentei passar pra Laura. Esse clichê diário de VIVA CADA MINUTO.
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Soube hoje pela manhã da morte de Doalcey Bueno de Camargo. Em 71, quando comecei a me apaixonar pelo futebol e pelo Fluminense, Doalcey fazia com Jorge Curi e Waldir Amaral, a santíssima trindade da locução esportiva. Na época, o Fluminense era um time de fibra moral e jogava com Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio, Denilson, Cafuringa, Didi, Flávio, Ivair e Lula. Não havia jogo na TV, a gente só ouvia Doalcey, Wadir, Curi, Vianna. Era um Fluminense que não ganhava muitos títulos, mas a gente tinha muito orgulho do time assim mesmo.
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Hoje o Fluminense não é nada. Está enterrado na lanterna do Brasileiro sem a menor chance de sair dali.
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Anat Cohen dá um trato em Quando eu me chamar saudade do Nelson, de fazer chorar cada nota do seu clarinete.

sábado, 29 de agosto de 2009

Cheguei a tempo de te ver acordar

Os anos não amargaram nossa relação. Caso raro de casal que se separou e continuou junto.
Juntos, porque os laços que preencheram a amizade, a compreensão, a admiração e o afeto não morreram nunca.
Existe alma? É possível que existam sintonias tão finas que podemos chamá-las de alma. Estamos longe um do outro, a vida tomou seus rumos diferentes, cada um fez seus progressos, seus atropelos. Mas toda vez que nos vemos, lembramos do que fomos um para o outro. E aquilo que fomos passa rapidamente a se tornar o que somos um para o outro. Reconhecemo-nos muito rapidamente. Ao telefone, nos raros encontros, quando escutamos uma canção de afeto do nosso tempo.
Algumas amigas alimentam uma certa inveja da sintonia fina que tivemos/temos. Elas sabem que dificilmente uma relação vai ser tão perfeita em muitos aspectos de um relacionamento.
Fiz muita coisa nessa vida. Usei todos os sentidos para apalpar as intimidades do universo. Há coisas das quais, jamais serão motivo de arrependimento. Faria tudo de novo e em muitas vezes, me pego pensando que, se pudesse voltar, talvez fizesse ainda melhor.
Minha história com você é uma delas. Nunca vai deixar de ser parte de mim.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Notas de quinta

Comecei o dia tentando finalizar um estudo sobre troca de disco. Infelizmente, não foram os velhos vinis que ocuparam meu tempo. Foi um dever de casa que estava atrasado por conta do atropelo das coisas acontecendo ao mesmo tempo. A reunião da Câmara Técnica de MBE foi meio confusa hoje. Estudos diagnósticos sempre emperram um pouco. Até a troca de disco foi tudo muito bem. A conclusão que chegamos foi de que a troca de disco na região cervical pode produzir um resultado tão bom quanto a artrodese, porém os estudos ainda são prematuros para resultados de longo prazo. O máximo que conseguimos foram estudos que acompanharam pacientes durante 24 meses. Isso não deve interessar aos meus três ou quatro leitores, mas é a única coisa que eu tenho pra dizer agora. Desci as 14 para almoçar e voltei pra emendar outra reunião com meu staff. Só uma reunião de rotina, mas pareciam estar todos cansados.
Melhorei a vista, que andava coçando demais e parecia inchar. Liguei pro meu oftalmologista que virou evangélico e só me deu a receita depois que eu respondi amém ao seu "Deus te abençoe". Estou revendo Twin Peaks, praticamente vendo, porque a última vez que vi foi há muitos anos depois do Fantástico e já tinha esquecido quase tudo. Gosto do David Linch, meu preferido é Coração Selvagem.
Também gosto mais de Maria Gadu a cada vez que ouço seu disco. É um pouquinho mais do mesmo, mas não deixa de trazer um pedaço de primavera embutido.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Urgências

Já disse isso, mas não custa repetir: a recriação do Choro pro Zé do Guinga e do Aldir para dois pianos pelo Duo Gisbranco é tocante. Repeti várias vezes agorinha nas barcas.
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Devo dizer que tenho uma relação razoável com meu intestino grosso e só gosto de uma privada no Mundo: a minha aqui no Ingá. Nem a do apartamento em Miracema me agrada. Já virou um ritual chegar do serviço e encontrar revistas e jornais espalhados pelo bidê (outra atração imprescindível!), fazer o dois e tomar um banho fresquinho, desses que resolvem 90% dos problemas. Pois hoje depois do almoço, caminhei até a Ramalho Urtigão para comprar um par de sapatilhas para Laura e senti minha barriga um pouco desorientada, sem sintonia com a minha rotina. Relaxei, deve ser o aipo e aipim, já passa!, pensei comigo.
A Ramalho Urtigão deve distanciar mais ou menos 1 km da empresa, mas hoje foram 20. Disparei a suar e percebi que a urgência batia na porta. Antigamente quando vinha ao centro apenas para comprar discos, recorria ao banheiro do Mac Donalds, onde eles entregavam uma chave enorme pra você devolver na saída. Rubem Fonseca já descreveu melhor esses banheiros no conto Andar e andar pelas ruas do centro. É aquilo mesmo! Mas quanto mais eu estava seguro de que era um alarme falso e dava tranquilo pra chegar na empresa, mas meu intestino contradizia.
Andava apressado pela Uruguaiana, não dava nem pra soltar um pum de alívio, a coisa estava preta, o suor descia em bicas pela testa. Nem olhei pro sebo, nem passei no Cláudio, não dava tempo pra nada. Respirava fundo e pensava: São Roque! São Roque! (só depois fui descobrir que São Roque protege contra ataque de cães e não contra caganeiras urgentíssimas!). Nunca um sinal foi tão vermelho, nunca um elevador tão lento, nunca uma chave levou tanto tempo pra abrir uma porta!
O tempo foi exatamente a conta de não passar a sofrer do moral dali pra diante. Ainda dei uma conferida na samba-canção pra ver se não tinha saído um falso amigo.
Vai entender!?!!!!!!!!!!!!!!
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Ontem vi Quando estou amando, filme em que Gerard Depardieu faz um cantor decadente de boate, que se apaixona pela estonteante Cécile de France (foto). O roteiro se perde um pouco no final, mas é um bom filme. 1A.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Navegar não deveria ser preciso

Ando meio cansado de pegar a estrada. Ando muito cansado de quase tudo.
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Eu sei que depois que entra na Washington Luiz, tudo vai mais rápido, mas não é o que meus pés acham.
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Cheguei aqui depois de um dia extremado e só conseguia pensar em me amofinar. Comecei a escrever e só veio a idéia de estar sempre na estrada. Depois detonei tudo que tinha escrito. Não mais do que algumas bobagens sobre perda de tempo viajando.
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Marcela Belas é uma baiana arretada que fez um ótimo disco estranhamente denominado Será que o Caetano vai gostar?. Pouco importa, Marcela! O disco é muito bom. E eu vou estar na Bahia semana que vem. Com certeza, não verei Marcela Belas cantar o Bloco do Prazer tão lento e bonito quanto canta no disco. Pra libertar meu coração, eu quero muito mais que o som da marcha lenta...
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Viagens de trabalho a São Paulo costumam ser um contra-senso. Perde-se mais tempo no aeroporto do que no trabalho.
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Estou dando voltas tentando sair da linha, mas tá difícil. Viajar, ultimamente, tem sido um saco!

domingo, 23 de agosto de 2009

São Vicente é um Brasilim

"Pode facilmente acontecer de um homem fútil tornar-se orgulhoso e se imaginar agradável para todos, quando ele é, na realidade, apenas uma chateação universal."
Espinosa
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Saí de Miracema mezzo triste, mezzo irritado. De onde vieram, não sei. A música foi me aprumando. Meu roteiro de viagem começou com uma coletânea de coladeras que fiz há muito tempo e dei o nome de Carnaval di San Vicente. Voltava as primeiras músicas pelo menos umas 3 vezes. Cesarea, Bonga e a música de Cabo Verde e Angola iam se revezando. Depois ouvi de novo, com mais atenção o disco do Antônio Zambujo, Outro Sentido. É muito bom, especialmente as canções portuguesas. Depois, o ótimo Porta Aberta, do grupo Quatro a zero. Esse maxixe Bafo de onça, de 1896, composto por Zequinha de Abreu, foi um dos melhores achados do grupo. Logo a viagem se tornou interessante e quando parei no posto da Serra do Capim pra abastecer, já era outro!
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Da série Porque não topo mais a vida a dois:

Diálogo em frente ao Mercado Texas aqui da esquina;
Marido: -Vou ali comprar o jornal.
Mulher (com voz irritada): - Pra que comprar jornal??!?! Você não lê!!!!

sábado, 22 de agosto de 2009

Farewell



A festa que comemorou os 25 anos da empresa que eu presidi por 10 e "já não vinha aqui há muito tempo" foi, inesperadamente, ótima! Foi muito bom, sentir-me apenas parte do passado de tudo aquilo! Olhar as pessoas e não ter nada de especial em mim: sou eu de novo, sem poder nenhum, uma espécie de eu renascido, eu renovado, eu em que já não importam elogios e críticas. Eu não alvo. Eu não flecha. Sem homenagem nem pedra. Apenas eu. Nada da emoção de ter sido parte daquilo nem de não ter sido! E tive até o desprendimento de cumprimentar um velho inimigo político! Só um, é claro, que eu já não sou mais besta de ficar fazendo concessões.
A verdade é que gostei mesmo. Não me senti nu nem blindado. E a festa estava ótima. Boa comida, banda animada, e meus filhos comigo. Estar inteiro com meus filhos ajudou-me a aprumar e ficar à vontade.
E foi bom cumprimentar e ser cumprimentado por velhos aliados, amigos, pessoas pelas quais, as considerações parecem não ter morrido. Não senti saudade nem vontade de voltar. Mas também não senti aquele asco que me perturbou por muito tempo. Foi muito bom estar ali de novo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Horas inúteis

Detesto avião. Não tenho medo de voar. Tenho horror mesmo é do check-in e das esperas para decolar. Detesto as duas filas que você enfrenta no aeroporto. Cada minuto de atraso é uma hora inútil na minha conta de horas inúteis. Hoje não foi diferente.
Renatinha sabe que eu detesto filas. Um dia me pegou de bico no Tarantino, na fila do almoço (fila de almoço então é um desastre!!!) e ficou olhando pra mim com aquele riso meio debochado dela. Eu só conseguia aumentar o bico.
Falei com a mulher da Gol: eu sou um médico e preciso chegar o quanto antes no Rio, minha senhora. A ênfase que dei à palavra médico fez parecer que alguém estava entre a vida e a morte e dependia da minha ida. Nada adiantou. - O senhor vai ter que desembolsar duzentos e quebrados pra voar mais cedo! Calei-me! Esse ônus por causa de meia hora não serve nem pra mim nem pra minha empresa. Eu espero, minha senhora!
Esperei muito mais que meia hora. Em resumo, cheguei em Congonhas 18:15 e em casa 22:50 (agorinha!). A Gol serviu arroz com lentilha e cebola no almoço. Segundo a aeromoça, é um prato libanês! Uma gororoba massuda temperada com coentro (?!?!). Detesto coentro! Mas aí já é outra história!
Li tudo que podia: duas Carta Capital acumuladas, O Globo e toda a decomposição nefasta do PT e do senado, algumas crônicas impressas, que eu tinha do Mirisola, um estudo sobre Pet scan e Câncer de tireóide, a fatura do cartão de crédito, e terminei de ler Até o Dia em que o Cão Morreu. Lindo o desfecho, ótimo livro!
A GOL linhas aéreas notabilizou-se por ser eficaz e prática. Hoje não é nada disso. É uma imitação mal enjambrada da TAM!
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O Fluminense perdeu, Urrútia tá bichado, liguei pra Chicó agora há pouco, ele não estava. Tinha ido pro botequim assistir o jogo do Flamengo. Pare o Mundo que eu quero descer!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cinco playboys

A Playboy desse mês trás conto inédito de Rubem Fonseca e crônica de Ivan Lessa. Só isso já valeria as 12 pratas. Mas tem também a Priscila do BBB. Bom, a Priscila do BBB não é lá grande coisa, tem um piercing enorme na piriquita escrito BBB, mas passa muito bem.
Artur Dapieve nomeou recentemente as 5 melhores playboys: 1) Luciana Vendramini em 1987; 2) Sabrina Sato ; 3) Michele Machri, a garota sukita de 2001; 4) Luma de Oliveira e 5) Bárbara Borges de 2005.
Vou dizer quais são as minhas: 1) Flávia Alessandra imbatível, a moça é perfeita. As curvas ajeitadas, a bunda durinha, um belo par de coxas, suas fotos são capazes de criar o chamado regime de paudurecência; 2) Bárbara Borges - só perde pra Flávia no rosto. O resto é igualmente perfeito; 3) Alessandra Negrini - cara de safada, olhos debochados, ótimas fotos; 4) BárbaraPaz, outra perfeição; e 5) Lídia Brondi - essa playboy eu tirei do fundo do baú, é mais pra lembrar. Lídia era(é(?), não sei, sumiu!) linda. Linda mulher, ótima atriz. Pensando bem, se ela fosse primeira, também não decepcionaria.
Menção honrosa para Scheilinha Carvalho, pelo conjunto da obra.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Resmungos e comentários de terça

Hoje tive duas perdas importantes. Não quero falar sobre elas agora.
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A cantora Céu ainda não me chamou ao pau. Como cantora, naturalmente. Seu disco novo, que está incomodando meu shuffle, tem um bom dueto com Melodia. E mais, muito pouco.
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Também não gostei da idéia de terem juntado Marcos Valle e Celso Fonseca. Só mesmo o Antônio Carlos Miguel pra recomendar!Acho um tanto limitada a obra dos dois. Do primeiro, Samba de Verão e Viola Enluarada. Do segundo, Polaróides. Ponto!
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Zé Renato prova ser uma das duas ou três vozes masculinas mais bonitas do Brasil em duas participações: no disco de Stefano Bolani cantando A hora da razão e no de Uma noite com Noel Rosa mandando ver em Rapaz Folgado. Brilhante!
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Estou lendo Daniel Galera, Até o dia em que o cão morreu. Interessante até agora!
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Estratégias de negócios para principiantes:
Achei uma caixa com cinco DVDs usados do Drácula no Cláudio. Três com Cristopher Lee. Adorava, menino, ir ao cine XV de Miracema, assistir aos filmes de Drácula. A caixa estava sendo oferecida por módicos 40, preço bem abaixo do mercado. Deduzi que não ia ter procura. Quem se interessa por velhos filmes de vampiro, depois que inventaram o True Blood e a Ana Paquin? Esperei três dias cozinhando a caixa. Corri riscos! Hoje ofereci 20 e acabei arrematando por 25. Ótimo negócio!
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Soube agora da contratção de Urrutia pelo Fluminense. Pode voltar a ter esperanças, Chicolino!!
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Hoje reli minha crônica do dia dos pais. Achei horrível, cheia de clichês. Refiz. Esse é um ponto favorável do blog. Revisito e refaço meus textos a hora que quero.

domingo, 16 de agosto de 2009

Misturei carimbó e siriá



"Se um homem se determinar a odiar todas as criaturas miseráveis que encontrar, não lhe sobrará muita energia para outras coisas, mas, ao contrário, se resolver apenas desprezá-las. uma ou todas, terá a maior facilidade.'
Schopenhauer, Estudos sobre o pessimismo.
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É um domingo desses domingos niteroienses solitários. Resolvi finalmente instalar a impressora que havia comprado em abril, comi empada da dona que vende perto da Igreja de Nossa Senhora das Dores, comprei guaraná na Sendas, li O Globo. Ubaldo pouco inspirado escrevendo sobre o excesso de anti-tabagismo, Veríssimo igualmente sobre telefones grampeados, coube a Arthur Xexéo salvar o jornal: fez uma bela crônica sobre woodstok, com a qual concordo plenamente: o Brasil pouco se lixou para o evento! Um domingo como outro qualquer.
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Ontem terminei a noite vendo o dvd Luz Negra de Fernanda Takai. Também funciona muito bem como DVD. Um esmero a gravação em preto e branco alternado, as músicas escolhidas e a baterista Mariá Portugal parece ser um triplo A. Com esse nome bonito e essa belezura toda, eu nem me incomodaria se Mariá viesse tocar aqui no quarto ao lado. Fernanda transformou Odeon em fox, Insensatez em balada, Com açúcar, com afeto em rock e não comprometeu nada. Até o Barquinho japonês fica bem. Só o carimbó que termina o disco ficou carimbó mesmo.
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Como Paulo Vanzolini, "então me curvei ante a força dos fatos": cansei de passar vergonha com o Fluminense. Que vá pro inferno! Aos 47, não dá mais para virar a casaca, mas acompanhar essa mediocridade é uma lástima!

sábado, 15 de agosto de 2009

"Ando tão a flor da pele que até beijo de novela me faz chorar"

Bom, eu bem que queria andar assim como Zeca Baleiro, pelo menos quando ele compôs a canção, mas a verdade, e isso foi o Lourenço Mutarelli quem disse, é que os inibidores da recaptação de serotonina fazem a gente ver o mundo mais azul ou seja: nada de flor da pele e nada de chorar.
Mas não sei se foi a miséria cotidiana, não sei se foi o fato de ser essa, uma casa de muitos quartos para uma pessoa só, não sei se foi a cena teatral do Dan Stulbach, a verdade é que eu chorei no final do filme Tempos de paz, que assisti quase que sozinho no cinemark de Niterói. Se Dan tivesse feito a aposta comigo, também receberia seu salvo conduto.
Chorei ali com os poloneses homenageados no final do filme. Bem sei que nada mudou e nada mudará nem tão cedo. Nem a pouca vergonha nacional, nem o meu desprezo pela humanidade, nem a solidão, nem o Fluminense, nem o fato de ter conseguido tanta coisa e daí(?). Talvez por tudo isso, seja bom, de vez em quando, chorar um pouco. Estarei bem assim? Nem sei dizer. Eu diria que em 72,8% do tempo, eu estou muito bem assim.
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Ah. o filme! É um bom filme, mas talvez tenha se perdido um pouco na passagem do texto teatral para a tela. Tony Ramos e Dan estão muito bem. Gosto do Tony, mesmo achando de um certo mau gosto ele ter a coletânea do Elton John como disco de cabeceira. Gostei muito dele fazendo o policial Guedes em Buffo e Spalanzzani e um personagem secundário muito bem explorado por ele em Pequeno Dicionário Amoroso.
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Matei a minha dor com um prato de medalhão com piamontese do La mole. E ainda acham que eu devo pensar em cirurgia bariátrica. Arre!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O amor bateu na porta




"Contemplo agora
o leito que vazio
se contempla.
Contemplo agora
o leito que vazio
em mim se estende
e se me aproximo
existe qualquer coisa
trescalando aroma em mim.

Onde o teu corpo, amante-amiga,
onde o carinho
que compungido em recebia
e aquela forma que tranquila
ainda ontem descobrias?

Agora eu te diria
o quanto te agradeço o corpo teu
se o me dás ou se o me tomas,
e o recolhendo em mim,
em mim me vais colhendo,
como eu que tomo em ti
o que de ti me vais doando.

Eu muito te agradeço este teu corpo
quando nos leitos o estendias e o me davas,
às vezes, temerosa,
e, ofegante, às vezes,
e te agradeço ainda aquele instante (o percebeste)
em que extasiado ao contemplá-lo
em mim me conturbei– (o percebeste)
me aguardaste
e nos olhos te guardei.

Eu muito te agradeço, amante-amiga,
este teu corpo que com fúria eu possuía,
corpo que eu mais amava
quanto mais o via,
pequeno e manso enigma
que eu decifrei como podia.

Agora eu te diria
o que não soubeste
e nunca o saberias:
o que naquele instante eu te ofertava
nunca a mim eu já doara
e nunca o doaria.
Nele eu fui pousar
quando cansado e dúbio,
dele eu fui tomar
quando ofegante e rubro,
dele e nele eu revivia
e foi por ele que eu sentia solidão,
e o amor
que em mim havia.

Teu corpo quando amava
me excedia,
e me excedendo
com o amor foi me envolvendo,
e nesse amor absorvente
de tal forma absorvendo,
que agora que o não tenho
não sei como permaneço nesta ausência
em que tuas formas se envolveram,
tanto o amor
e a forma do teu corpo
no meu corpo se inscreveram."

Afonso Romano de Santana

O assunto parece estar esgotado. Afonso Romano tratou muito bem dele, assim como milhares de outros. Mas é preciso esclarecer sempre que o amor não morreu. O amor dos corpos entregues, da profusão de cheiros e líquidos, da pele confundindo com a pele. O amor que se dá ao tempo, que não tem pressa nenhuma, em que não há qualquer outro significado no Mundo naquele momento, senão amar. E essa coisa de "contemplar agora o leito que vazio se contempla", que parece ser o amor depois do amor. Pode ser que o amor tenha deixado marcas ali , pode ser que os cheiros ainda inebriem o ambiente, de tal forma que quarto, cama e telefone se tornaram ingredientes afrodisíacos para a alma. Amor sem urgência e absolutamente necessário. Para esse amor, é preciso reservar no mínimo, uma tarde. É preciso que a televisão esteja ligada num programa inútil. É preciso que a embriaguez não se dê pelo vinho, embora o vinho possa até ser bem vindo. É preciso que seja único, porque raramente acontece mais de uma vez. Amor que se consolida depois de anos de estudo dos corpos e que melhora a cada tempo de amar. Amor que ri exaltado de si mesmo, que se farta de meninice. Amor de uma entrega absurda e irrestrita, de parecer que o planeta inteiro parou por uma hora, parou por dez minutos, parou pelo resto da vida. Amor em que tudo no mais, é menor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Um dia necessário

Hoje não teve reunião, nenhuma visita de trabalho, nada saiu do andamento da minha mesa. Fui eu só com a mesa e minha equipe por perto, ajudando a montar a quarta-feira. E pude gozar de um almoço tranquilo com Renatinha, Sandra e o Professor, no qual conversamos sobre várias coisas, inclusive trabalho. Dias assim são necessários para o bom andamento dos processos. Foi possível parar para responder as pendências, fazer as apresentações, examinar as atas, concluir os estudos. Têm sido cada vez mais difíceis os dias assim. Normalmente há , pelo menos, uma interrupção. Ontem, por exemplo, foram três, que ocuparam praticamente, um dia inteiro.
Dias assim são calmantes pros meus ânimos. Raramente me altero, e quando acontece, vem sempre com uma certa lucidez. Ninguém reclama!
A vida tem me dado a oportunidade de rever, reagir, responder. Repetir.
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O disco ao vivo de Fernanda Takai só faz confirmar a qualidade do disco de estúdio que homenageou Nara Leão. Lembrei de uma colega de turma cantando Ben no Ferreira da Luz em Miracema, onde fiz a escola primária há quase 40 anos. Sem querer, Fernanda prestou a homenagem mais bonita que ouvi a Michael Jackson . Já disse que gosto de Fernanda desde o Pato Fu. A voz dela tem uma coisa qualquer de sensualidade juvenil libertadora.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A verdade é que eu adorava pão doce

Fiquei surpreso depois que o Toni Ramos declarou que o disco de cabeceira dele é a coletânea de grandes hits do Elton John. Não que eu esperasse um Sinhô, um Antônio Nóbrega ou uma Maria Schneider, mas acho que um bom ator tem que gostar de algo mais do que essas babas do Elton. Eu também gosto das babas do Elton, mas nunca vão ser meu disco de cabeceira!
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Meu disco de cabeceira dessa semana e possivelmente do ano, que recomendo avidamente ao Toni Ramos e aos meus 3 ou 4 leitores é João Bosco, Não vou pro céu, mas já não vivo no chão. Um discaço! Degusto aleatoriamente as faixas de acordo com o que o Ipod me manda. Hoje veio um sambinha lento, que começa assobiado e fala em desrazão: Tanto faz, parceria com Chico Bosco. Retornei a ela cinco vezes. Sei lá quando esse aleatório vai me mandar a canção de novo!
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O aleatório me mandou também Guinga, Choro pro Zé, com o Duo Gisbranco. Incrível como uma música feita para violão e sopro pode ficar linda com dois pianos!
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Dona Leila voltou ao andar. Não deixa de ser um ótimo sinal. Há esperança!
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O medo de que a próxima frente política do Brasil seja uma foto de Lula, Sarney, Calheiros e Collor juntinhos assustou Zuenir, Veríssimo, e a imprensa toda essa semana! A mim, causou repugnância. Lembrei do Aldir e do Bosco em Profissionalismo é isso aí: Ri melhor quem ri impune
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Ubaldo mais uma vez, brinca com dados estatísticos no Globo de domingo. Dessa vez, ele cita uma pesquisa cujo objetivo é provar que pão faz mal. Copiei pra não esquecer, alguns dados importantes:

1) 100% dos consumidores de pão acabam mortos;
2) 98,3% dos presidiários que cumprem pena por crime violento são usuários de pão;
3) 85,2% dos alunos do ensino médio que obtêm resultados insatisfatórios nas provas consomem pão;
4) 92,7% dos crimes violentos são cometidos dentro de 24 horas após o consumo de pão;
5) Sociedades tribais primitivas que não fazem uso do pão, apresentam baixa incidência de câncer, do Mal de Alzheimer, de Parkinson e de osteoporose;
6) 58% dos indivíduos que consomem pão são totalmente incapazes de distinguir entre fatos científicos comprovadamente significativos e baboseiras pseudoestatísticas sem sentido e manipuladas, como esta.

domingo, 9 de agosto de 2009

Mudei o texto, deixei a foto


Desde que me conheço por gente, meu pai é da raça dos que trabalham duro. Esse semblante calmo da foto com as meninas nem sempre foi a sua marca. Eu e meus irmãos aprendemos a acordar antes das cinco da manhã desde meninos, por conta das viagens do meu pai. Teve um tempo que eu gostava disso. Depois tive que reaprender a dormir. Até hoje dependo de uma quimicazinha para dormir sossegado.
Nada disso diminui o orgulho que tenho dele. Tenho especial admiração pela forma com que ele se dá às pessoas amigas. Os melhores amigos então, nem se fala! Quando os vê, se exulta, esfrega as mãos e faz questão de me apresentar cada um como se fosse uma celebridade.
Também tenho apreço pelo seu auto didatismo em engenharia mecânica. Monta e desmonta motores com um admirável prazer. Dê-lhe um caminhão faltando duas peças e provavelmente ele vai ter motivo pra ficar feliz por muitos dias.
Criou-nos a todos com as melhores possibilidades de estudo e conforto. Nunca nos faltou nada. É dia dos pais. Até hoje, ajuda no que pode.
Lembrar disso tudo não será suficiente para prestar o devido reconhecimento, mas ainda é um começo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Bunda a contra gosto

Não deixa de ser decepcionante constatar que o desenho animado caminhou para essa lástima chamada Bob Esponja. Não entendo como Chicó pode gostar disso. Sinto saudade do Dick Vigarista, do Zé Colméia, do Fred Flintstone e de tantos outros que povoaram minha velha infância. O tempo parece ter emburrecido a animação.
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Esse blog está virando importante. Dia desses, recebeu elogio da Fal (minha referência blogueira) e ontem, Marila, uma das poucas pessoas com quem convivo que tem verve para leitura e música, falou que meu texto é instigante. Pode ser que seja um mimo, mas só me chama a responsabilidade. Só espero que as duas não tenham esperança de que um dia eu vá me preocupar com o que escrevo. Eu e o Bob Esponja Calça Quadrada temos em comum, o gosto pela desconversa.
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Retornamos ontem ao encontro quinzenal do Bunda de Fora. Menos Laura que chegou cansada da dança. E quase perco Luisa , não fosse o argumento de que Lorena e Marcela iriam e ela teria companhia. O tempo passa e vou perdendo minhas filhas para o Mundo. Já não me presto ao papel do amigo que adora mostrar os filmes que viu, nem daquele pai corriqueiro que quer saber do dia de cada uma. Mas continuam sendo as mais encantadoras pessoas que conheço essas duas.
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Ainda restou-me Chicolino. Esse parece não ratear. Já comenta o futebol, está sempre disponível ,só ainda não notei nele o cacoete por gostar de música que já tinha notado prematuramente em Laura e Luisa. Cada tempo em seu lugar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sobresenho

"Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas."

Maiakóvski

Cheguei em casa exausto. A culpa provavelmente deve ser da manhã. Cheguei um pouco atrasado na empresa disposto a compensar o atraso resolvendo todas as pendêncais possíveis. Daí começaram a aparecer umas demandas de última hora e eu fui sendo atropelado e atropelando todo mundo. Aprumei depois do almoço.
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Meu Caro Professor,

Por muito tempo, dei-me ao trabalho de preocupar com quem não merecia nem um sobresenho do meu semblante. Era de uma preocupação sofrida, de fazer o meu dia ficar sem graça. Preocupação de homens honrados que são provocados por oligoides incompetentes que só se prestam a criar desequilíbrio.
Hoje em dia é muito difícil que me irritem. Cheguei num ponto tal que consegui uma blindagem razoável para lidar com qualquer tipo de desapontamento. Tudo que a vida me deu e me tomou possibilitou um ensinamento sincero de saber ignorar esse tipo de subversão.

O afeto que lhe tenho é de um companheirismo só comparável às grandes amizades que nos acontecem raramente. A admiração que nutro pelo seu trabalho é de alguém que não sabe chamá-lo de outro nome que não seja o de Professor. Você é tudo que eu penso de um homem além do seu tempo, de um mestre que merece todas as considerações e elogios.
Não permita que esses arroubos vindos de quem sequer merece ter sido seu aluno atrapalhem o seu dia. A maneira mais coerente de multiplicar seu conhecimento é não permitir que essas pessoas subvertam suas convicções. A melhor resposta é dar aula para eles de boa prática médica. É o que você tem feito ao longo desse tempo todo em que estamos juntos.
Precisamos muito do seu saber. Mais que nós, toda uma população de clientes que vem sendo tratada de forma grotesca e inexata.

Receba a compreensão e esse abraço de um homem humilde, seu amigo.

Francisco.
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Estou adorando ter voltado a ler Lawrence Block. A Barca nunca passou tão rápido
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Garimpo

Você começa a achar que está ficando maluco quando baixar um disco se torna mais fácil do que procurar nas gavetas. Custei a achar graça no formato compactado. Comecei pelo Ipod. Só muito tempo depois fui ouvir os mp3. Hoje parece que só ouço isso. Há tanto cd no plástico que fica difícil saber quando vão ser ouvidos. Tentei criar uma biblioteca exclusiva de cds no mac, mas a preguiça tem me contagiado o suficiente pra achar um trabalhão a tarefa.
Tenho que admitir que, mesmo com meu ouvido pouco aguçado, já deu pra perceber que a qualiade de um cd bem remasterizado é muito superior a de um arquivo digital. Daí a ter o trabalho de ficar fuçando disco é uma légua e meia.
Recentemente, vieram alguns arquivos muito interessantes na rede. Como um disco do Pedro Caetano que a RCA não vai lançar nunca. Ou outro do Manezinho Araujo também da extinta RCA, o original Cuma é o nome dele?.
Garimpa-se na rede do mesmo jeito que se garimpa no sebo. Muita coisa não presta. Muita coisa está corrompida, principalmente em sítios gratuitos. Mas há as que.
Estou voltando da Barra. Nunca a S10 foi tão rápida e eficiente sem correr muito. Com o trânsito livre, viajei por meia hora entre a Barra e o Ingá. Fui lá dar aulas. Voltei ouvindo minha canção de afeto.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um desses dias comuns

A rigor, foi uma ótima terça-feira. Ocupei-me de terminar umas tarefas que já iam atrasando e apagar alguns incêndios. Almocei com Sandra e Ronaldo no Fumacê, boa conversa e boa comida. Botei os assuntos em dia com Rose que chegou de férias. Não fui atropelado pelas infindáveis reuniões de trabalho e o dia acabou fluindo muito bem. Nada de excepcional, nada de revolucionário. A rigor, foi uma ótima terça-feira.
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Dias assim renovam nossas espectativas. Não há neles, nenhum colorido especial nem nenhuma névoa atormentada. Você não leva nada dele, senão o fato de tê-lo tocado. São simplesmente dias vividos. Há altos e baixos como todo dia! Há essa rinite e essa dermatite seborreica incomodando. Não dá pra concordar com tudo que falam. Mas estou lúcido durante todo o dia. Percebo meu ganho como um dom do espírito. E multiplico minha esperança de que dias como esse continuarão sendo vividos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Uma nova canção de afeto ou o que eu tenho ouvido ultimamente

De nada adiantaram as preces de Amália. Acordei amoado e letárgico, sem vontade de ir pra Bahia, São Paulo ou para o trabalho. Pernas e pés se movimentam para as Barcas ainda pesados, parecem dormir. Sou um resto de pilha fraca.
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Depois aprumei. E deu vontade de escrever sobre o que fui e vim ouvindo na viagem. Uma nova canção de afeto, saída do aleatório do Itunes e ouvida a exaustão. Pra entrar nesse critério, a música tem pelo menos que ter a obrigação ter tocado por 3 vezes seguidas.
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Começa com Ai se sesse, poema de Zé da Luz, narrado por Lirinha do Cordel do Fogo Encantado no disco homônimo. Nunca dei muita bola pro Cordel. Vejo que perdi um tempo significativo.
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Depois O Pidido, já contado aqui, a canção do Elomar transformada em voz, sanfona e rabeca por Maisa Moura. E o Cantar que Luisa Possi fez , acrescentando vida ao choro melancólico de Godofredo Guedes, seguido de Luciana Souza, Our gilded home, belíssima canção do disco novo, Tide.
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Tiê contribuiu com Te valorizo, de um disco cheio de canções bonitinhas. E depois, Tanto, com Beth Bruno, de um demo que a Beth deu pro Jadim. Beth Bruno é uma das vozes mais bonitas da nossa música. Há muitos anos, na madrugada silente da Fazenda do Everardinho, vi Beth fazer um Manoel, o audaz a capela, de não esquecer nunca. Não sei se ela vai ficar satisfeita de saber que estou incluindo uma música que ainda nem saiu em disco na minha canção de afeto, mas é muito provável que ela nem vá saber desse texto.
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Ai vem, do ótimo disco Chocolate, de Maria João e Mário Laginha, um embriagado When you wish upon a star. Depois Navalha do disco novo do João Bosco e Going to a town, de Rufus Wainwright.
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Em seguida, Mangue e Fogo do disco São Matheus não é um lugar assim tão longe de Rodrigo Campos. Esse disco foi tão incensado por Antônio Carlos Miguel do Globo, que alimentei maiores espectativas. Mas é um bom disco. O que mais gostei nele foi da voz de Luisa Maita.
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E aí Viejo Tronco, Hector Napolitano, el viejo Napo do Equador. Um ótimo disco que descobri na rede, por acaso.
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A versão de Gary Burton para Adios Nonino redescoberta recentemente. É uma incelença de chorar muito.
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Do disco de Maria Gadu, separei A história de Lilly Braun, de Chico e Edu, que a menina faz muito bonito, não ficando nada a dever à versão de Gal Costa.
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É isso. As canções de afeto conversam comigo na viagem. Sempre nos entendemos muito bem. São recomendáveis para todos os males. Você pode ler sobre outras aqui.

domingo, 2 de agosto de 2009

Uma promessa de beijos


Aprendi a gostar do fado ouvindo Amália Rodrigues. Primeiro meu avô, que gostava também do fadista Francisco José, depois numa coletânea que achei num sebo em Porto Alegre, depois o disco do Canecão, depois o disco do Olimpia, depois com Vinicius, todos uma dilaceração só. Amália foi (é) uma navalha cantando. A guitarra portuguesa parece talhada para ela. Cortes agudos no Fado dos Ciúmes, no Barco Negro, no Fado Corrido. Mesmo no fado corrido, Amália corta. Nesse final de domingo, Amália canta pra mim. Eu sofro. Dói-me a dor dos mais profundos compassos dolorosos. Não sei como cheguei aqui. Estava arrumando a biblioteca depois de desistir do jogo no meio do segundo tempo, e bateu Amália. Não pude recusar a oferta. E agora só quero ouvir e chorar um pouco. No meu morrer, Amália reza por mim.

sábado, 1 de agosto de 2009

Resmungos

Não perca seu tempo vendo "The betrayed". Melissa George deveria ter feito apenas a minha adorada Laura, a anestesista de "Em terapia". De resto, só fez filme B.
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Também não gostei de "Doces Encontros". Quando vi a capa do DVD e a participação da estrelinha Kristen Stewart , de Crepúsculo, pensei logo em Luisa. Luisa tem paixão pelo filme, já leu todas as continuações e achei que interessaria. Depois vi que o filme era dirigido por Mary Stuart Masterson, e a censura era 16 anos. Resolvi ver antes de Luisa. É um filme triste, deprimente, não acrescenta nada a coisa nenhuma. Vai entender!
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Bebi bastante ontem a noite. Muito pra mim hoje em dia são três ou quatro cervejas. Acordei de bode. Toda vez que bebo, tenho que pagar um preço maior do que qualquer ser humano saudável. Considerando que a humanidade está sempre duas doses abaixo do normal (foi Bogart que disse isso mesmo?), meu humor nunca vai chegar ao estado de embriaguez lúcida. Há outras maneiras, tais como criar uma canção de afeto. Melhor, depois de fazer, ouvir. Descobrir que, cada vez que você acha que encontrou a versão definitiva do Adios Nonino, aparece uma outra mais bonita ainda.
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Há muito livro pra ler, o que tem me deixado bastante angustiado. Quando leio essa matéria no Globo sobre a indicação de 13 livros para o Booker Prize e constato que só conheço um autor ( J. M. Coetzee, de quem li Desonra, apenas até a metade - posso estar falando uma calúnia, mas achei enjoado), fico ainda mais preocupado com minha falta de estante.
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Detesto bancos. Só tive dois na minha vida. O Banco de Crédito Real da Amaral Peixoto em Niterói, onde meu pai depositava o dinheiro do colégio e eu ia buscar, e a Caixa Econômica Federal, onde mantenho conta desde que mantenho conta. Não uso cheques, fora nas seguintes situações: aluguel do apê em Miracema, Diô, internet das crianças, contador e terapeuta. Ocorre que aquela maquininha de imprimir cheques está de birra comigo. Tive que apelar para um velho conhecido de Miracema para imprimir cheques dentro do banco, cujas portas tinham acabado de fechar. As caixas foram muito gentis, mas a impressora do banco é certamente pior do que da minha sala na empresa. Minha senha foi teclada meia dúzia de vezes e nada de sair o talão. Detesto bancos. Tenho meus motivos!
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Por mais que eu goste do Tantinho da Mangueira, ele vai ter que esperar um pouco para que eu compre o disco que fez em homenagem ao Padeirinho. O único lugar que você acha para comprar é na Folha Seca na Ouvidor, por módicos (!!!) 39.90.
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Por falar no Tantinho, foi meio decepcionante o disco do João Macacão de serestas. Andava querendo esse disco há tempos depois da participação muito boa do João na caixa do Vanzolini. O repertório é óbvio demais e a voz do João é bastante limitada.
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Para fechar o sábado esse imprevisível Duplicidade. Muito ruim! Um desperdício de Paul Giamatti, Clive Owen e,- vá lá!-, Julia Roberts. Sabe aqueles filmes confusos que vão juntando pedaços e datas até terminar num desfecho feliz? Pois esse nem o desfecho teve! Fuja!
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Glossário dos termos de ontem (a pedidos):
Sebastião Bunda de Fora - é o meu contador, que de noite se transforma em barman e faz o melhor bife da cidade. Também é o único lugar de Miracema onde se pode tomar uma Original estupidamente gelada. Tem esse apelido porque vive pagando cofrinho. Como contador, é um sujeito sisudo. De noite, não perde uma boa conversa.
Celso Barbeiro - é o meu barbeiro desde que me conheço por gente. Desde menino. Tentei fazer a barba e o cabelo com outros no Rio, mas foi um desastre. Anda meio embriagado, de vez em quando dá um talhos na pele, mas ainda continua sendo ótimo barbeiro.
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Eu sei que esse texto está uma merda. Tem dia que só vem a vontade de escrever, nada de resto!

Não se atravessa a Hadock Lobo pela direita

Definitivamente A Força do Querer não foi uma unanimidade. Ainda mais concorrendo com o terceiro episódio da décima temporada de Segura a O...