segunda-feira, 28 de abril de 2008

Porcas e parafusos

"Todos os dias, os americanos são expostos a uma sucessão interminável de publicidade da indústria farmacêutica. Associada a recomendações de algum medicamento específico - que geralmente bota pessoas de bela aparência divertindo-se ao ar livre -, vem uma mensagem mais abrangente. Reduzida à sua essência, ela diz o seguinte: "É verdade, os remédios são caros mesmos, mas isso só mostra como são valiosos. Além disso, nossos custos de pesquisa e desenvolvimento são enormes, e precisamos cobri-los de algum modo. Vocês são os beneficiários desse sucesso constante do sistema americano de livre iniciativa. Portanto, sejam gratos, parem de resmungar e paguem o valor devido." Em termos prosaicos, o que a indústria está dizendo é que você paga pelo que recebe."

Tenho ocupado meu tempo de barca com "A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos" de Marcia Angel. É meia hora de desapontamento todo dia. Quanto mais eu conheço o homem, mais eu gosto do meu cão. Hoje estou pleno de citações, essa do Ataulfo.
Mas a verdade é que a humanidade caminha a passos largos para seu fim. o que eu mais possa dizer, será clichê do clichê.
E aqui no Brasil, esse país rico de proporções continentais, a coisa é muito pior. Vão chegando a cada dia, novas e caríssimas tecnologias. O melhor parafuso da última semana nem esquentou cadeira, já está obsoleto.
Exageros a parte, o governo apóia, com plenos pulmões, as entradas dessas ferramentas e joga o peso do custo para as operadoras. Até quando? Quem vai sobreviver a essa avalanche de sofisticação e custo?
A melhor prática médica começa na relação com o paciente. Está em escutar, tocar, tratar a ferida. O médico sabe disso. Perder essa noção é cair no abismo.

Manoel de Barros

Ocupo muito de mim com meu desconhecer.
Sou um sujeito letrado em dicionários.
Não tenho que 100 palavras.
Pelo menos uma vez por dia me vou no morais ou no viterbo.
A fim de consertar a minha ignorância, mas só acrescenta.
Despesas para minha erudição tiro nos almanaques:
- ser ou não ser, eis a questão.
Ou na porta dos cemitérios:
- lembra que és pó e que ao pó tu voltarás.
Ou no verso das folhinhas:
- conhece-te a ti mesmo.
Ou na boca do povinho:
- coisa que não acaba no mundo é gente besta e pau seco.
EtcEtcEtc.

Maior que o infinito é a encomenda.

domingo, 27 de abril de 2008

Esta noche me emborracho

O Flamengo conseguiu superar o jogo feio e trancado do Botafogo usando tudo que o Renato Gaúcho não soube: ousadia. Ponto para o prancheta.
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Depois da morte de Ayrton Senna, pela primeira vez, assisti a uma corrida inteira. Morninha, morninha. Não sei se dá pra torcer pro Massa não. Vamos ver.
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Vi hoje o DVD do Programa Ensaio com Nelson Gonçalves. Pegou Nelson já muito velho, com uma voz bem ralinha. Tenho uma confissão a fazer. Comecei a gostar de tangos ouvindo Nelson. E até hoje acho aquele disco que tem Palhaço, Carlos Gardel e outros tangos, uma obra prima. Ouvia muito na eletrola telefunken do meu pai, depois em cd. A gravação em cd foi muito bem feita. Nelson canta Tangos. Recomendação triplo A.
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Os tangos de Dalva igualmente me emocionaram. Conheci Discépolo através da Dalva de Oliveira. Gira, gira....
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Também vi o making off do disco de Lucinha Lins cantando Sueli Costa. O curta, muito bem dirigido por Zelito Vianna, com as duas muito à vontade, emociona. Não é, Nelinha?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Paraiso e Purgatório no Meliá

Ainda não consegui achar o acento dessa p. desse teclado, portanto nem repare. Amanhã talvez eu delete esse texto mesmo.
Esse resort em Angra tem tudo a haver com o paraiso. Cheio de belezas naturais, conforto, bons tratos, tudo faz bem para os olhos. A comida da melhor qualidade, o mar do lado do quarto, o tempo bom. Sempre que estou num lugar assim, sinto falta das meninas.
Não pega celular, que fazer!
Eu ontem


Vim aqui a trabalho. Ou melhor, vim aqui apresentar dois trabalhos, que eu levo fé. Mas ontem deu tudo errado. A internet fez questão de fugir na hora em que eu mais precisava dela. Uma discussão estéril a tarde toda antes da minha apresentação comprimiu meu tempo em ínfimos minutos. De noite só consegui conversar com o blog. Uma conversa estéril como a discussão. Já deletei. Deixei esse pedaço aí em cima como testemunha.

Ainda não sei porque, preciso discutir com o terapeuta, essas discussões de horas e horas que geralmente não chegam a lugar algum, me deprimem. Fui presidente de uma empresa por dez anos e participei de muitas dessas discussões. Hoje me dão engulhos. Mas não sei se foi pelo trauma criado no passado ou porque o fato de ter crescido e me afastado desse processo, talvez tenha me deixado menos tolerante.

Bem, felizmente hoje deu tudo certo. De manhã retomamos a discussão e tive o tempo que quis pra mostrar os trabalhos. E a internet estava tinindo.

Grata surpresa da viagem, o disco de Tânia Bicalho. Bom repertório, inclusive autoral, voz lembrando Cássia (muito) e Leny (pouco). O disco se chama mãos brasileiras.

Essa questão de repertório autoral é um risco hoje em dia. Ana Cañas gravou um disco quase todo autoral quase todo muito ruim. Se tivesse arriscado menos, talvez fizesse melhor.

Canhoto partiu pra encontrar o Meira, o Benedito, o Jacob, o Dino e o Pixinguinha. E nós ficamos cada vez mais pobres.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Eu pra você fui mais um

video

Nada como começar a noite com Gular e Paulo José. Não é pouca coisa não. Presente para os meus cinco leitores.
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Por oportuno, descobri hoje que Marila anda lendo esse blog. É uma amiga de muitos anos, muitos copos. Agora vou ter que caprichar mais nos textos.
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O disco do Milton com os Jobins depois de ouvido muitas vezes é uma pérola finíssima. A escolha do repertório foi de uma sensibilidade incomum, coisas nem tão óbvias arranjadas com extrema delicadeza e perfeição. Como é doído e emocionante ouvir Esperança Perdida , de Tom e Billy Blanco (quem fez o quê?). Minha paixão pela música e pela voz do Milton vem desde que eu me conheço por música. Esse disco me comoveu bastante. É daqueles que vão crescendo aos poucos, que tomam conta de você devagar.
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Acidente na Cantareira hoje de manhã. Já não se pode andar nem de barca nessa cidade.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Toque retal.

Passei o São Jorge em São Paulo trabalhando. Acabei levando Para alívio dos impulsos insuportáveis. Li o primeiro conto na avião. Muito bom. Englander é um ótimo contista, mas nada que se compare aos nossos Santana e Fonseca. Esses são imprescindíveis.
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A propósito da vinda de Charles Aznavour ao Brasil, a gravadora Som Livre está lançando a enésima coletânea do artista com as mesmíssimas canções. Mas o excelente último disco, Colore ma vie, que o veterano gravou com Chucho Valdéz, em 2006, neca de sair por aqui. Comprei na Amazon. Altamente recomendado. Para puristas ou não.
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Na referida coletânea, há inclusive um dueto virtual com Edith Piaf. Argh! Duetos virtuais são tristes. Dão náuseas. Desde que Natalie Cole matou outra vez o velho Nat com Unforgettable.
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Estou namorando o disco novo de Marina Machado. Por enquanto, altos e baixos. Por outro lado, o de Adriana Calcanhoto vai crescendo no meu conceito.
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Em São Paulo, apresentei um trabalho sobre PSA e câncer de próstata. O primeiro não tem qualquer valor isolado sem o velho toque retal., essa situação vexatória que todo sujeito tem que passar depois dos 50.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Solvitur ambulando.

Mais um fim de semana prolongado nesse país rico. Quem mais ganha com o prolongamento dos feriados são os banqueiros, os agiotas e os políticos. O povo de um modo geral, só perde. E comemora....
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Letícia apareceu pra almoçar, as crianças comemoraram. Eu também. Trata-se de um caso único de ex-mulher que deixou vivos todos os laços de amizade e consideração.
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Retornei ontem ouvindo Adriana Varela, Elomar, Carlos Careqa e A Barca. Precisa mais?
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Fui recepcionado pelo sedex da FNAC com duas esperas importantíssimas: Roberto Bolaño (Putas Assassinas) e Nathan Englander (Para alívio dos impulsos insuportáveis). Dois livros de conto que não sei qual devoro primeiro. Provavelmente Bolaño.
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Hoje, terça, trabalhei normalmente em casa, mas só consegui embalar de tarde. Preguiça mental de manhã, produção requintada de tarde, cest la vie.
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Amanhã feriado no Rio, vou estar em São Paulo. Trabalhando.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Renata


Melhor do que fazer um novo amigo, é reencontrar alguém que foi supostamente perdido de você pelos desvãos do tempo. Principalmente, quando esse alguém ficou estacionado nas iluminuras do passado, como uma lembrança muito boa de pedras e olhos. Foi assim que depois de muitos anos de ausência, Renata voltou ao meu convívio. E dessa vez, não deixo que escape de mim nunca mais.
Feliz aniversário, Renatinha. Você mereceu até aquela vitória sofrida do Botafogo ontem.

sábado, 19 de abril de 2008

Sabor e Arte

Depois de alguns anos, voltei ao Sabor e Arte, pequeno reduto que me abrigava todo final de semana até um tempo atrás. Até muito tempo atrás, quando eu morava mais aqui do que lá e tinha um projeto de vida estabelecido.
Hoje não moro mais aqui (do que lá) nem tenho grandes projetos. E não é nenhum tipo de auto-comiseração. Aprendi a lidar com os minutos que passam e a importância de viver cada um deles. Grandes projetos vivem claudicando e quase sempre pendem para a estagnação ou o fracasso. Como dizia Antônio Maria, muitas vezes melhor é ser-se um pequeno homem, mas isso dá outro texto maior ainda, cheio de variáveis.
Minha melhor espectativa é continuar suportando o dia a dia e poder assistir ao crescimento das crianças. É prazeiroso ver como elas crescem, eu bem podia ficar cuidando dessa tarefa como único afazer. Às vezes dá mais vontade de ficar aqui só pra olhar.
Mas o Sabor e Arte continua o mesmo. O velho camarão Icaraí continua lá, muito embora a falta de camarão também continue. Hoje não foi diferente. E o Léo, um misto de garçom atrapalhado e dono do restaurante mais ainda, mantem-se firme. Duas horas pra sair qualquer coisa que você peça. Os mais exaltados ligam de casa para adiantar os pedidos.
Uma boa conversa com Alexandre, umas geladas, e a farra das crianças. Nada mudou no velho Sabor e Arte.

Dois dedos de prosa pra espantar o tédio

Descobri, vendo TV, que a irritabilidade aumentada diminui temporariamente o QI. Tem tudo pra ser verdade. Esse sono leve de sábado de tarde me levou a calma.
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Tédio e marasmo. Leio jornais pra compensar. A cobertura da morte da menina de São Paulo tomou conta do país e dos jornais. Cada vez que leio, me pelo de pensar. A maldade humana não tem limite.
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Um menino cujo sonho é ter dois narizes para tirar mais meleca? Outro que escova os dentes com as secreções nasais? Outro flatulento no elevador? Não, não estou sonhando com um Mundo grotesco e nojento. Isso passa toda hora no canal Cartoon, que Chicó não para de ver.
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A S10 falhou comigo ontem depois de dois anos de serviços prestados sem erros: arriou a bateria. Tive que apelar para a infalível chupeta. Almocei em Teresópolis na Casa do Pescador. Um camarão bêbado de ajoelhar e comer rezando.
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Vim ouvindo Yamandu (The Tokio sessions, inédito no Brasil, muito melhor do que Lida), Henrique Cazes (Uma história do choro), Fabiana Cozza (essa merece um texto inteiro, Xangô te xinga é de uma delicadeza ímpar), Simon Diaz, Leny, Rosa Passos, mais pra que?
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Hoje vi Mandando Bala. O filme junta dois atores muito interessantes : Clive Owen (Close) e Paul Giamatti (Sideways). Pra quem gosta do cinemão pipoca, é dos bons. E o sujeito mata, usando uma cenoura crua. Não, nào é um filme pornô brasileiro. Mas dá pra passar a hora.
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Feriado em Miracema, hora de lamber as crias.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Uma dor que não sei de onde vem


"Eles estão se adiantando, os meus amigos.
Sei que é útil a morte alheia
para quem constrói seu fim.
Mas eles estão indo, apressados,
deixando filhos, obras, amores inacabados
e revoluções por terminar.
Não era isto o combinado.

Alguns se despedem heróicos,
outros serenos.Alguns se rebelam.
O bom seria partir pleno.

O que faço?Ainda agora
um apressou seu desenlaçe.
Sigo sem pressa. A morte
exige trabalho, trabalho lento
como quem nasce."

Afonso Romano.


Soube há pouco da morte de meu amigo Sylvio Bastos, o Bailarina. Andava distante de mim desde que se desligou da empresa. Sylvio tinha a idade do meu pai e por muitas vezes, me chamou de filho, e foi, efetivamente, um bom pai. Pai de nós todos, médicos auditores, hoje órfãos dos seus conhecimentos e da sua amizade.

Que, de auditoria médica, Sylvio sabia muito. Taxado de inflexível, depois de 20 anos de serviços prestados com pouquíssimos reconhecimentos, aceitou encarar a pós graduação e passou dois anos a ensinar seus professores.

Era uma pessoa difícil de lidar. Difícil para muitos. Mas pra mim? Qual nada! Depois de cinco minutos de conversa, se desarmava e se desmanchava numa docilidade fraterna, comum aos amigos que se conhecem e se gostam demais.

Minhas últimas idas a Camboinhas foram para ver Sylvio. Gostava de uma pinga, estava sempre servindo uma de Ribeirão Preto, que trazia aos galões todo ano. Agora que me deixou, de quem mais vou reclamar dos mini-bifes que servia em sua casa, pequenos demais para meu apetite? Quando teremos uma nova peixada maravilhosa, como fez o Wagner Lins na casa dele há alguns anos? E quantas conversas de mútua compreensão, de varar noite ao telefone?
Sylvio sabia de música, adorava uma fossa, como essa do título do post. Fazia questão de dizer que a canção era do De Chocolate, um velho conhecido seu. E era excelente pé de valsa, o que lhe valeu o apelido.

Sabia que estava doente, mas nunca deu o braço a torcer. Era um homem de trabalho duro. Da raça dos que não negam ajuda. Que não se machucam com facilidade. Operou as coronárias e auditou a própria conta. Per evento!

Seus grandes amigos eram seus cães, que chegaram a ser 45. Fez uma casa só para eles. Chegávamos lá e era aquela farra de cachorro latindo. Era ali que a gente via o Sylvio mais carinhoso, o mais afetivo. Ele e sua Amorim.

O mundo vai ficar mais pobre sem o Bailarina. Morreu sem que eu pudesse lhe dizer um simples obrigado.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Dessa vez eu vou

A anunciada apresentação de João Gilberto no Municipal do Rio em agosto é das melhores notícias da semana . Nem quero falar das milhares de vezes que escutei , em transe, o Amoroso, isso é lugar comum. A verdade é que nunca consegui ir a um show dele. Uma vez quase despenquei pra Juiz de Fora, ele inaugurou o Teatro (acho que) Municipal de lá há alguns bons anos. Mas não deu.
João transcende a tudo que há por aí de boa música. Consegue transformar sua voz limitada em instrumento e tem o domínio perfeito do violão. Perdoamos respeitosamente suas excentricidades, inclusive o fato dele só fazer shows aqui de dez em dez anos. É um gênio!
É pena que a Odeon não tenha editado de forma decentemente remasterizada, seus primeiros discos. Parece que por questões judiciais. Houve uma prensagem inicial dos 3 primeiros discos em um único CD que ficou com a qualidade de som horrorosa. Ainda ouço Chega de Saudade na velha pick-up garrard. Bons tempos!


domingo, 13 de abril de 2008

Já no domingo...

Dois dias de solidão são mais do que enjoados prum sujeito que, embora caseiro, gosta de estar com alguém. Esse alguém, invariavelmente, têm sido meus filhos. Hoje nada me dá mais prazer do que estar com eles. Liguei pra lá, mas só consegui sentir a distância maior ainda.
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Bem, comecei o domingo tentando misturar um pouco de música pra fazer um disco pra ouvir no carro. Gosto muito de juntar músicas e depois ouvir. Tenho coletâneas que parecem que as músicas foram feitas exatamente para aquela ordem. Mas não tenho tido muito tempo pra isso, de forma que hoje resolvi pegar o Itunes e criar uma canção de afeto, que é como eu chamo meus cds.
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Li O Globo (Xexéo, Calazans, Teresa Cristina no segundo caderno, mais muito pouco), continuei lendo Balzac e depois engatei a quarta temporada de Seinfield.
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Depois do almoço, o tédio e a falta de companhia começaram a pegar e tudo daí pra frente foi feito com alguma dificuldade. Acabei vendo Scoop, um Alen que estava guardando para mais tarde e gostei, embora eu ache que Scarlet podia ousar um pouco mais, parece sempre uma menininha pudica. Não gosto muito da idéia de ouvi-la cantando Tom Waits, o que tem de sombrio naquela moça?
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Tentei dormir um pouco mas me lembrei da reunião de amanhã e eu vou ter que apresentar alguma coisa nova, o povo já está cansado de ver a mesma apresentação sobre o novo rol de procedimentos da ANS.
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Vi um pedaço de Flamengo e Botafogo, li mais um pouco de jornal, comi doce, o domingo vai passando. é triste ter que pedir ao domingo que passe, mas hoje foi meio assim.

sábado, 12 de abril de 2008

Porque hoje é sábado


Até que foi bom esse sábado solitário de plantão e arrumação de livros e dvds. Já nem ouso mais arrumar meus discos, até que tenha um espaço razoável pra eles. Tirar dali, colocar aqui é como trocar seis por meia dúzia.
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O que é aquilo? É um road movie? É um filme erótico? É um dramalhão mexicano? Não é nada disso. Brown Bunny, de Vicent Galo, foi o pior filme que vi nos últimos 46 anos. Amarelou um pouco o sábado de manhã, que terminei vendo Seinfield.
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Nem tão solitário fiquei. Leticia apareceu depois do almoço. Leticia é de casa. Vem e vai como se fosse todo dia, mas é sempre bom tê-la aqui. Um pouco de conversa inteligente faz bem para os pulmões do sábado. "Conversa puxa conversa e da conversa nasce a luz"! Ficamos aqui chaleirando até a hora do jogo.
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O jogo, finalmente um bom jogo. E nem é por que o Fluminense ganhou nos pênaltis, qualquer um poderia ter ganho. Mas parece que o time acordou daquela irreconhecível derrota em Buenos Aires.
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Cristina Buarque e Samba de Fato não sai do meu Ipod. Um disco de samba da melhor qualidade (um não, dois) com coisas inéditas do grande bolacha. Cristina, que já tinha feito um bonito ao lançar um dos melhores discos de 2007 (com o Terreiro Grande), agora veio com essa maravilha. Encontrei Alfredo Del Penho ( um dos integrantes do Samba de Fato) na fila do CCBB uma vez pra comprar ingresso prum show em homenagem ao Lamartine. Fila longa, engatamos uma conversa sobre música que não parecia ter fim. Depois quando lançou seu primeiro disco, Dois Bicudos, mandou-me um autógrafo caprichado. Alfredo tem um pé importante na revitalização do samba.
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Dos discos novos dos masters da música brasileira que saíram (Milton, Adriana, Ney) o que mais gostei foi o do Ney Matogrosso. Uma beleza ao revisitar suas próprias canções e gravar coisas muito bonitas do Itamar, Arnaldo Antunes, etc.
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Continuo lendo Balzac. Não dá pra parar de ler as ilusões perdidas.
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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Devagar, Conceição.

Está cada dia mais difícil almoçar no Centro do Rio, essa comida de plástico e massa gordurosa vendida a kilo das mais variadas cores insossas que podem existir. Para se comer um bom bife no Tarantino, tem que se enfrentar uma fila que pode levar de 20 a 40 minutos e acabar com seu horário de almoço.
As Orquideas andam em polvorosa e só querem almoçar no Delirium Tremens, um lugar que se disfarça de Salada Light, mas só vende Salada Gorda (taí o IMC das orquideas que não me deixa mentir).

Com esse VR magrinho que acaba infalivelmente depois da primeira semana, nos restam poucas opções. A última moda entre as orquideas é o infalível café após o almoço, geralmente numa dessas novas cafeterias.

Os restaurantes a kilo crescem como formigueiro. É cada dia uma novidade. Mas a verdade é que mais cedo ou mais tarde, eles trazem sérias complicações digestivas. Sandra Carreira dia desses baixou hospital, amarela igual arroz de forno.
Nem o velho browne do Under Grill, que eu queria comer pra comemorar a volta da Ceresinha, resistiu ao tempo. Hoje parece uma paçoca farelenta.
Do jeito que as coisas vão, vou ter que trazer a Diô pra cá e ressuscitar a velha marmita. Ou então me virar com o chinelão de presunto e queijo que a Tia serve aqui em cima.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Quando haverá um novo dia-esperança?

Hoje não estou muito bem não. Há uma linha tênue que me separa do abismo e no meio disso tudo, só vazio. Meto-me a trabalhar pra ver se passa essa sensação, mas hoje ela está mais forte do que eu.
Um desencanto aqui, um desentendimento ali, nada demais, apenas o acúmulo de pequenas decepções.
Nem andei pelo Centro a procurar nos sebos uma salvação que pudesse vir através de música ou literatura. Nem liguei pros amigos procurando um afago que pudesse levar esse vazio, fiquei com medo de esvaziá-los também. Sinto falta das crianças, mas onde andarão por agora? Tão perto e tão longe de mim!
O calor voltou ao Centro depois de três dias relativamente frescos, em que se pôde inclusive dormir sem ar condicionado. Caminho da Praça XV até o trabalho, passo pelas ruas coronárias do centro, que parecem as mesmas: restos de beleza da velha província, espigões imponentes ocultando essas belezas, sujeira em tudo quanto é canto. Atravesso a Primeiro de Março já com o sinal vermelho piscando pra mim. A correria das ruas de vez em quando, pesa. Tudo pesa nesses meus cento e poucos.
Fui ver a obra do décimo primeiro andar, mas continuo com a mesma cegueira geométrica que sempre tive. Não consigo vizualizar nada nem na fase planta, nem na fase tijolo.
Vamos vivendo cada dia mais desencantados com país, governo, saude pública, impostos bizarros, filas quilométricas, asfixia.
Hoje não estou muito bem não. Mas passa.
Obs: O título desse post, roubei de uma crônica de Antônio Maria.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Balzac

"Longe do centro, onde brilham os grandes espíritos, onde a atmosfera é impregnada de idéias e onde tudo se renova, a instrução envelhece e o gosto se corrompe como águas paradas. Por falta de acontecimentos e atividade intelectual, as coisas pequenas tornam-se grandes. Essa é a razão pela qual a pobreza de espírito e a fofoca dominam as cidades do interior. Em pouco tempo, a estreiteza das idéias e a mesquinharia prevalecem na pessoa mais distinta."

Ilusões Perdidas





segunda-feira, 7 de abril de 2008

Vasectomia

A Agência Nacional de Saúde acaba de editar um novo rol de procedimentos em saúde. Os erros são os mesmos de sempre: pouca sensibilidade com as reais necessidades dos clientes, estímulo para aplicação de altas tecnologias de altíssimo custo mas sem determinar exatamente quem paga a conta, excesso de arbitrariedade na condução do processo.

Quem ficou satisfeito??? Da reunião promovida pela ANS para finalizar a edição da resolução normativa, vi reclamações das Sociedades de Especialidades que se sentiram pouco ouvidas em suas necessidades, da representante do Procon, que via limitação no novo rol e das operadoras de planos saúde que procuraram exaustivamente, mas não encontraram qualquer explicação sobre como seriam absorvidos os impactos financeiros dos incrementos de cobertura.

É certo que o rol precisava ser atualizado, mas empurrar para a saúde suplementar, a política de controle da natalidade no país foi de uma falta de critério tamanha. O Governo está fugindo de suas responsabilidades primárias, das obrigações básicas com a população.

Embora o número de procedimentos tenha diminuido em relação ao rol anterior, é certo que as novas coberturas trarão um impacto significativo para as operadoras. Isso porque foram incluidas incorporações de tecnologia de altíssimo custo, e as exclusões foram apenas de procedimentos obsoletos que já caíram no desuso.
Atendimento por profissionais não médicos tais como nutricionistas e psicólogos foi incluido na cobertura, mas com limitações que não explicitam nenhum protocolo de tratamento padrão. Esse atendimento de forma limitada e isolada, não incluido num programa de prevenção e tratamento, pouco acrescenta para o cliente.
Na sua conturbada missão de coordenar a saúde suplementar, a agência parece dar mais um passo em falso. Quem sobreviverá?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Meu coração só pede o seu amor

Fui ver Izabel Padovani no CCBB. Ainda estou extasiado com o que vi.

Sempre saio do trabalho na dúvida. O caminho de casa e descanso é altamente convidativo e já me carregou várias vezes. Dessa vez fiquei. Esperava um CCBB lotado, mas só tinham uns dez comigo.

Fui só. Tinha comprado dois ingressos com esperança de encontrar alguma maluca que gostasse de música como eu, mas essa maluca nunca me aparece. As mulheres que eu conheço têm um tropismo exagerado pelo que a mídia expõe desordenadamente sem um mínimo de bom gosto.

Pois bem. A moça canta muito! Eu já sabia desde que ouvi Desassossego há uns dois anos, mas só agora tive certeza. Se Fátima Guedes ouvisse a sua Flor de ir embora, se Rita Lee ouvisse sua Atlântida, etc, etc, iriam chorar ajoelhadas pelas reconstruções perfeitas.
Izabel é paulista e até 2005 só era conhecida na Áustria onde morava. Ganhou o Prêmio Visa de voz (um dos poucos prêmios sérios que têm por aqui) e está no Brasil desde então, mas cá prá nós: quem é que já ouviu falar na moça? Se quiser saber mais, clique aqui.

É quase meia noite, chove em Niterói, mas a noite nem está tão fria. Retorno a esse pretenso texto ainda inebriado pela voz, pelo baixo e piano belíssimos do Izabel Padovani Trio.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sobre Roderer

Terminei de ler Guillermo Martinez, Sobre Roderer. Custou um pouco a leitura, embora seja um livro curto. É que ele vai e volta entre um pouco chato e um pouco interessante e acabei perdendo um pouco o fio da meada. No final, achei muito bom.

Considerações interessantíssimas sobre a inteligência. No livro, o personagem central se perde pensando em quantas jogadas Roderer estava à frente dele no xadrez. De deixar deprimido.
Tenho andado meio intolerante com o óbvio ululante não compreendido. Você já deu um milhão de voltas no assunto e o cara fica lá, convicto de que aquela base superada é o mais correto dos postulados. Perde-se muito tempo.

Também há considerações muito boas sobre a adolescência. Sem piedades, o autor disseca, com crueza, essa fase da vida, das coisas que são perdoadas em nome da pureza da alma.
Sobre Roderer é depressivo, instigante, provocador. Experimente.
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O melhor da TV atualmente, além naturalmente dos jogos do Fluminense, é Capadócia. Mais um acerto da HBO.