sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Um ótimo dia pra sair de cena

Acordo segunda feira de uma noite muito mal dormida. Saio de casa sem café. Atrasado. Um táxi velho me deixa no Santos Dumont. Chego lá e sou informado que trocaram meu vôo. Procuro a loja da Gol. Negocio. A moça me convence a pagar algo insustentável pela troca das duas passagens (a ida de hoje e a volta de amanhã). Compro. Só tem vaga no de 9:10. Ainda são 6:40.  Tento fazer meu checkin no totem. Nada feito, retorno para a loja. Aguardo. Esqueço que estou em jejum. O vôo atrasa. Nem música botei no ouvido. No olho meio cego, só jornais. Tomo um suco de laranja no avião. . Em Congonhas entro num táxi vermelho pois a fila do branco é quilométrica. Chego, Atrasado. O pessoal já me aguarda para a reunião. Roubo da reunião vizinha um cacho de uvas. Dá pra segurar a fome até a hora do almoço. Minha cabeça vacila, meu coração está cheio de desnortes, e esse olhar lacrimoso que hoje eu trago e tenho e que, diferente do Belchior, foi provocado também por uma cirurgia mal sucedida de miopia nos anos 90. A reunião transcorre razoavelmente bem. Almoço num pé sujo da Peixoto Gomide. Trabalho o resto da tarde. Um cansaço terrível me habita. A cabela dói e espera pelas 18, aquela tristeza de ter que pedir ao dia que passe rápido. Retorno direto pro hotel esperando que o sono me mate.. As duas grandes catástrofes do Hotel Golden Tulip são a internet e a comida. Preciso das duas. Peço comida fora. Espeto meu pendrive. Nono episódio da segunda temporada de Masters of sex. Continuo esperando pelo sono. Dias assim são terríveis. E como têm sido comuns.
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Habitualmente o Lucas dorme primeiro. Ficamos os dois no quarto assistindo a Pepa e ele costuma pegar no sono lá pelo terceiro ou quarto episódio que reprisa incansavelmente todo dia. Mas ontem não foi assim. Eu estava caindo de sono. Lucas desperto: papá, papá....Impossível ficar de mau humor com ele. Até que acabei perdendo o sono. Ele, obviamente, dormiu. 
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Fim de semana em Miracema, sem as crianças, encontrei dois velhos amigos no Bar da Maria. Uma conversa fiada que valeu por muitas.

domingo, 21 de setembro de 2014

Solvitur ambulando ou a história mal dormida de uma viagem




Em Joinville, jantamos no Santa Mistura. Um bacalhau inimitável, só comparado ao bacalhau do Caçarola da Rosário. Os tempos passaram implacavelmente, mas Joinville ainda tem seus encantos. Lembrei do Hotel Anthurium, hoje um espigão. 
Não há vôos diretos para Joinville. Fizemos duas paradas em São Paulo. Acho que passo mais tempo em Congonhas do que na minha casa. 
Quando estou com saco, vou à Kopenhagem e tomo um cappuccino. Leio, invariavelmente, todos os jornais que posso, a Folha sempre.Gosto muito da Ilustrada, mas é triste perceber como meus ídolos Angeli e Laerte perderam a graça.
E li também nos aviões ou nos aeroportos,o excepcional novo livro de contos de Sérgio Santanna, O Homem mulher, Mostrei o primeiro conto para Karla Blue, ela ruborizou. E estou lendo A loura de olhos negros, de Benjamin Black, na verdade John Banville.
Levo todos os segundos cadernos que não leio em casa (na verdade, todos mesmo). Tenho gostado muito de ler o Dapieve. Quando não fala de política e do Botafogo, é excepcional. A crônica Redemoinho me levou aos novos tenores e ao hit "E lucevan le estelle". Jonas Kaufmann não saiu mais da agulha. Procure na rede. É um aprendizado.
É muito bom saber que, mesmo tendo ouvido tanta música, ainda sou um aprendiz. E que, de vez em quando, Arthur Dapieve e a Itunes Store me salvam.

Em Salvador, jantei no Amado e na Casa de Teresa (foto acima). Duas aulas de lugares e sabores. E uma cocada de forno de comer ajoelhado.
Tive insônias terríveis no Bahia Othon Palace e sua velha  televisão de 29 polegadas. Meu pendrive queimou.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Minha lista de fados corridos

A maior parte dos brasileiros, creio eu, quando ouve falar em fado corrido, imagina logo o Roberto Leal fazendo aquelas danças esquisitas. Nada tenho contra ele, nem sua dança, mas acho que o esteriótipo só serviu para atrapalhar o conhecimento da música. Eu comecei a gostar do fado corrido ouvindo os discos de Amália e Francisco José do meu avô. E nesse hiato de tempo entre o meu avô e Ana Moura, nunca deixei de gostar. 
E ontem, vindo para Salvador e estreando um novo fone de ouvido confortabilíssimo, vim ouvindo meus fados corridos.
Começa com O namorico da Rita (Kátia Guerreiro) e segue com sua contra prima A Bia da Mouraria (Carminho). No final ninguém fica sabendo qual das duas ficou com o Chico, mas acho que foi a Bia. 
O Chico continua infernizando as moças na seguinte, a Rosa da Madragoa. Há duas Rosas da Madragoa entre meus fados corridos - uma com Mariza e outra com Raquel Tavares. A primeira é uma rosa mais atrevida.
Segue-se o Chico do Cachené, uma canção em que o autor dialoga com o intérprete ("chamou-me e disse Farinha, vou contar-te a vida minha, para saber como és") no trecho da letra feita para Fernando Farinha.
E Um Copo de Sol, um fado exaltação com Pedro Moutinho, seguida do Fado do 112, com Carlos do Carmo. O Fado do 112 é um fado corrido tristíssimo que fala dos olhares de mel na metade de um limão.
Maria Lisboa, eu preferi com Mariza, apesar de termos outras muito bonitas, inclusive a de Amália Rodrigues. O problema das escolhas não recaírem sobre Amália é a qualidade das gravações. Não fizeram uma masterização adequada e o som não ficou muito bom,
Depois vem O fado da señora com Maria do Céo. Adoro esse fado, meio falado em galego, é a cara da homenageada (Amália).
E aí uma sequência de Mariquinhas: a primeira, Vou dar de beber a dor, essa não tem outro jeito, tem que ser Amália. A Casa da Mariquinhas com Gisela João, novamente A casa da Mariquinhas com Teresa Salgueiro e A Mariquinhas vai à fonte com Kátia Guerreiro completam essa suíte. 
Colchetes d'ouro (Pedro Moutinho), Júlia Florista (Carlos do Carmo e Mariza), O Fado da Procura (Ana Moura) e Feira de castro (Mariza) são fados corridos já clássicos na minha seleção.
Terminamos com Rosa cor de rosa (Ana Moura) e Rosa Branca (Mariza).
Meu ouvido tinindo de satisfação e o avião quase pousando.


domingo, 14 de setembro de 2014

I love Paris


Nunca viajei tanto. O tempo todo a trabalho. Continuo me sentindo do mesmo jeito desde sempre. Percebo muito pouco a arquitetura e a paisagem dos lugares. O mar quase sempre é o mesmo. Sinto muito mais os silêncios do mar de manhã cedo. Nada fica em mim, como ficava em Pessoa. Além disso, tenho uma preguiça mental enorme pelo aprendizado das línguas. Mas quando ouço a música do lugar, quando posso entender o piano e a flauta, aí sim, eu me envolvo todo. 
Nunca conheci Paris. Mas a canção de Cole Porter é, para mim, tão familiar, que pareço já ter morado lá uma parte da minha vida. 
É por isso que adoro Buenos Aires. A cidade cheira a música e letra. As livrarias e lojas de discos que minguaram no Rio ainda estão lá, pra gente passear e ficar olhando.
Não há nada mais interessante do que conversar sobre tango com o vendedor (agora esqueci o nome dele) da loja Tango da Rua Lavale. E sair dali cheio de perspectivas.
Recife também me causa esse encanto. Ainda mais quando se vai com Luisa e se pode encontrar com Maciel Melo e andar pelas ruas da Recife velha como foi dessa última vez. E ver o Museu de Luiz Gonzaga no Cais do Sertão e caminhar pelo Paço do Frevo.
E não vou me esquecer nunca da nossa visita à Passadisco, loja do Fábio, que fica nos arredores da cidade. Uma lojinha típica como as lojas da Rua Sete nos anos 80. Ali, sim, me senti dentro de casa.

sábado, 6 de setembro de 2014

Não canto mais

Já cantei muito. Acredite, já cantei muito bem.
Uma das mais remotas lembranças que tenho da infância foi ter subido no palanque da festa de Miracema com meu avô para cantar. Em italiano. Minha Tia Inês poderá testemunhar com riqueza de detalhes essa história. Na velha Miracema, fui do coral da Dona Unidéia. Na igreja, do Coral do Aluísio. Ainda lembro muito bem das canções da igreja.
Por muitos anos, escutava as músicas e depois cantava. Tirava do violão com as quatro posições que aprendi e cantava. Cantava bem. As meninas costumavam gostar.
E até pouco tempo, quando Jadim puxava do cavaco, duas canções que eu gosto muito (Você não parece mais você de Aldir e Moacyr Luz e Trato do homem de Paulo Vanzolini), eu cantava a plenos pulmões.
Hoje não canto mais. Só canto em pensamento.A voz parece ter sumido. Dia desses, num sarau lá em casa, tentei cantar o Bolero de Isabel de Jessier Quirino e fiquei envergonhado. Um horror!.
E hoje ao atravessar a Paulista, me peguei cantando o Ardinita. Meu Deus, o que era aquilo??
Definitivamente não canto mais.