domingo, 31 de maio de 2009

+ um domingo de volta

Esse trecho Miracema - Niterói serve para avaliar novos discos, o que acaba tornando a viagem mais divertida e rápida.
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Na vinda, comecei ouvindo Naked Willie, o disco novo de Willie Nelson, que fez um ao vivo muito interessante ano passado com Wynton Marsalis. Willie nu é desses discos que dão pra ouvir uma ou duas vezes, mas é só. Depois optei pelo cardápio normal das minhas canções de afeto e finalmente o disco ao vivo novo do Fito Páez: No sé si es Baires o Madrid. Ótimo, com direito a (mais) uma bela interpretação do clássico Un vestido y un amor.
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Eu poderia ter escrito isso ontem, mas preferi roubar de Maria:
"O pior encontro casual da noite ainda é o do homem autobiográfico. Chega, senta, e começa a crônica de si mesmo: "acordo às 7 da manhã e a primeira coisa que eu faço é tomar o meu bom chuveiro!" Como são desprezíveis as pessoas que falam no bom chuveiro! ... E vai daí para outra modesta homenagem a si mesmo: "Aí, então, é que vou me vestir. Quanto à roupa, nunca liguei muito, mas camisa e cueca, tenha paciência, eu mudo todo dia." O "tenha paciência" é porque ele está absolutamente certo de que estamos com a camisa e a cueca de ontem. Que horror me causam as pessoas do "bom chuveiro", do café reforçado, os que precisam dizer que mudam de camisa e cueca todos os dias, os que citam "sua senhora" e os que passam no jornal, antes de ir para o escritório. Nossa maior repulsa ainda por quem janta de pijama e deita no sofá, com as crianças em cima. Ah, essa gente me procura tanto!"
Do Jornal de Antônio Maria.
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Essa história de que o Fluminense está querendo dispensar o Parreira e chamar o Renato Gaúcho de volta só pode ser brincadeira! Tapa o ouvido, Chicó!!!

sábado, 30 de maio de 2009

Filigranas

O cd do caminhão não para de tocar as músicas da expedição Mário de Andrade, recuperadas com delicadeza pel'A Barca, por Antônio Nóbrega, por Teca Calazans e originalmente pelo SESC de São Paulo. Quem nunca teve a oportunidade de escutar essas pérolas que nos misturam em poesia e carne com nossas raízes mais profundas, não sabe o que está perdendo. Laura e Luisa adoram, Chicó parece começar a querer aprender esse gosto terno de brasilidade.
Hoje depois do almoço, assistimos Persépolis, um desenho europeu mais adulto, contando a história de uma menina de Teerã em meio aos estragos da guerra e o florescer do pensamento.
E vimos o show de Luiz Tatit, Rodopio, outra coisa que devia ser oferecida em sala de aula. O trio Ná Ozzetti, Ceumar e Suzana Chaves cantando junto o Baião de 4 toques é irrepreensível. O baião, de Tatit e Wisnick, foi pinçado do tema de apresentação da quinta sinfonia de Bethoven, um achado.
De resto, o de sempre. O botequim do Bunda de fora ontem, a comidinha da Diô, e um (raro esse ano) friozinho gostoso de querer ficar hibernando o tempo todo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Calundu e Cacoré

"Roube de qualquer lugar que resulte em inspiração ou incendeie sua imaginação. Devore filmes, músicas, livros, pinturas, poemas, fotos, conversas, sonhos, árvores, arquitetura, placas de rua, luz e sombras. Escolha para roubar apenas coisas que falem direto à sua alma. Se fizer isso, seu trabalho (e roubo) será autêntico. A autenticidade é inestimável. A originalidade não existe. Não se dê ao trabalho de ocultar seu roubo. Celebre-o se quiser. Lembre-se o que Jean Luc Godard disse: "Não importa de onde você tira as coisas - importa é para onde você as leva ""
Paul Arden, Tudo o que você pensa, pense ao contrário.
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Hoje foi dia de dar aula na Barra. Nem precisa dizer que foi mais um dia cansativo. Seis horas em pé dando aula, pra quem trabalha o dia todo sentado, dá pra doer o osso. Desenvolvo o método franciscolima de ensinamento. Dou aula aprendendo. Primeiro ensino a mim mesmo. Os alunos acompanham. Depois aprendem. É mais cansativo, mas no final, consigo aproveitar melhor o tempo e é bem possível que os alunos saiam dali com uma boa parte do conteúdo absorvida.
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Voltei da Barra ouvindo Calundu e Cacoré. Voltei a música umas 3 vezes e não me cansei de ouvi-la e depois fiquei ouvindo as tiranas, as puluxias, as cantigas e as coisas mágicas que Elomar Figueira de Melo compôs. Elomar tem o condão de me fazer leve, de fazer o cansaço se esvair. Sua música me eleva a Deus, uma coisa absurda para um ateu convicto. Muitas vezes acordava em Odete Lima e botava Elomar pra dormir mais um pouco. Nunca vou me esquecer daquele acordar em Odete Lima. Do silêncio, da música, do latir dos gansos de Odete Lima.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

No pronto socorro do Andaraí

O calor parece estar voltando ao centro do Rio, depois de uns diazinhos de frio bom. Chego em casa de noite e fico com medo de ligar o ar, porque invariavelmente, esfria de madrugada, e aí gela o quarto. Hoje foi outro dia cansativo pra trabalhar, mas deu pra almoçar e ir no sebo. Meu amigo João está com PSA alto, e ficou perdido no Hospital do Andaraí, submetido a uma biópsia prostática em que não conseguiram localizar a próstata. Como assim????? Liguei pra Pepina (expertise na matéria) que ficou horrorizada que nem eu. Para onde vai a saúde dessa gente humilde que não pode nem pagar um plano de saúde?
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Voltei do sebo emputecido com tudo isso e com vontade de fazer mais do que sentar na mesa e ficar distribuindo segundas opiniões balizadas, que ajudam a melhorar pra uns poucos, mas ainda não são nada. João continua com seu PSA alto e não tenho muito que fazer além de ligar pra Pepina e dividir a angústia.
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Tive mais pena ainda do Chicó depois que vi estampado no jornal de hoje, as manifestações da torcida do Fluminense nas Laranjeiras. O que é aquele vandalismo? Isso não cabe na história de um time como o nosso! Espero que o menino tenha sido poupado daquelas sandices.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nem nada

"Talvez que quando eu for velho, reduzido aos meus relógios e aos meus gatos, num terceiro andar sem elevador, conceba o meu desaparecimento não como o de um náufrago submerso por embalagens de comprimidos, chás medicinais e orações ao Divino Espírito Santo, mas sob a forma de um menino, que se erguerá de mim como a alma do corpo nas gravuras do catecismo, para se aproximar, em piruetas inseguras, do negro muito direito, de cabelo esticado a brilhantina, cujos beiços se curvam no sorriso enigmático e infinitamente indulgente de um buda de patins."
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Definitivamente, Os Cus de Judas já está dando liga, aquele viço que os bons livros envolvem as pessoas, muitas vezes de forma inesperada.
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Hoje foi um dia desses de não dar pra cuspir, de ter que esperar a segunda vontade pra ir ao banheiro fazer xixi. Uma reunião atropelando a outra. E cofee break o dia inteiro, muitas calorias digeridas. Nem consegui ler com meu inglês melancólico, uns textos que o Wanderley mandou. Nem consegui almoçar com meu staff, esse almoço de trabalho e boa conversa que fazemos toda terça, toda quarta. Nem uma passada no sebo pra conversar calmamente sobre discos e livros. Nem um capuccino em pé na Quitanda com broinha de milho fresca. Nem os chamegos da Re e da Sandra, nem nossas gargalhadas. Hoje foi um dia seco.
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Rose, onde quer que ele esteja, está melhor do que aqui. Aí no seu coração atravessado pela dor da perda, ele vai sempre morar um pouco. Feliz mais do que sempre esteve nos últimos tempos. Conte comigo. Sempre!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Silêncio, façam alas

Pense em alguém fazendo uma homenagem contida à Carmem Miranda. São essas coisas que você suspeita logo. De Carmem Miranda você já espera logo que a moça venha cheia de abacaxi e banana pendurada. Pois Ná Ozzetti fez. Um belíssimo tributo à Carmem em Balangandãs. Belo e contido como deve ser a música de Ná. Já entrou direto na concorrência entre os melhores do ano.
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Tributos não são novos na história da cantora. Conheci Ná Ozzetti através do disco Rumo aos antigos, ainda em vinil. Na época, já fazia um trabalho voltado para a boa e velha guarda, gravando Noel, Lamartine e outros especialistas. Ná gravou também um belo disco com standarts dos anos 50 pela Som Livre, quando ganhou o prêmio de melhor intérprete num festival da canção da Globo. A rigor, o que há de novo nesse Balangandãs é uma guitarrinha meio distorcida, que, vez por outra, chega a incomodar, parecendo essa coisa transâmbica.
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Rita Lee se repete mais uma vez em Multishow ao vivo. Ótimo, porque Rita consegue se repetir sem ser mais do mesmo. Só não sei porque Rita Lee renega suas canções mais apimentadas, mais vanguardistas, mais autênticas: as músicas dos Mutantes. Nâo há o que explicar!
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Mercedes Sosa também grava um disco belíssimo revendo seu próprio repertório e o alheio. Chama-se Cantora. Mercedes consegue fazer Shakira, com quem dueta em La maza (Silvio Rodrigues em seus melhores dias), soar bonito e firme.
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Com tanto jornal e revista em atraso, não consigo emendar Os cus de Judas. Mas é um livro difícil, já vou dizendo. Não é dessas coisas que você tem vontade de matar em uma noite não.

domingo, 24 de maio de 2009

Domingos vazios

O que dizer da indiscutível vitória do Santos sobre o Fluminense? Nada! Serviu pra concluir que Renato Maurício Prado está certo: o Fluminense está disputando o rebaixamento. Toda vez que acontece um trem desses, me dá pena do Chicó. Contaminei o menino com o time, ele (7 anos) sai da casa da mãe e vai prum botequim perto ver o jogo. Quando tinha a idade dele, acostumei a torcer para um time que ganhava títulos. Hoje está difícil! Chicó ainda tem que passar pela humilhação de vestir a camisa do Flamengo porque em Pádua só tem escolinha do Flamengo. Não há paixão que se sustente.
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Entulhei-me dentro do apartamento até as 15h hoje. Arrumei quase toda a cdteca. Pelo menos as gavetas da sala já estão no prumo. Mais um fim de semana sozinho e vai ser fácil achar meus discos. Arrumei também a biblioteca do computador.
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Não há muito que fazer nesses domingos vazios. A gente acaba esperando pelo jogo. Às vezes. passa pela fórmula 1, só pelo masoquismo de ver Rubinho se repetir a cada etapa e aguentar Galvão Bueno falando bobagem. Hoje não foi diferente.
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Que paz pode se esperar de um domingo vazio depois dos 47 do segundo tempo? Em que tempo fui melhor do que o que eu sou hoje? Onde é que eu acho a lucidez do menino? Do menino, que fazia dos domingos vazios, dias plenos de música, poesia e virtude!

sábado, 23 de maio de 2009

Porque hoje é sábado

O reaparecimento de Kim Bauer em 24 horas foi tardio, mas não deixou de ser emocionante. Elisha envelheceu, que fazer? Todos nós estamos passando por isso! Acho que ficou loura demais, parece ter feito luzes antes de ontem. A série tem encontrado dificuldades em manter uma história contínua. Difícil engolir a transformação de Almeida em poucas horas. Virou mal depois de salvar o Mundo, e agora deve estar desapontando os Almeidas. Os Almeidas brasileiros certamente choraram a perda de Michele e a morte forjada de Toni, que demorou muito tempo para se esclarecer. Agora temos que torcer pra que ele morra de novo. Faltam 3 horas pra terminar essa temporada. Anda logo, Carolina!
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Por falar em seriados, outro que tem encontrado o caminho certo é Epitáfios. Julio Chávez continua se destacando como o policial sebento da história e Cecilia Roth é uma atração a parte . Além de ótima atriz, é uma mulher muito bonita e parece que a maturidade tem lhe feito muito bem.
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Hoje foi assim. Uma média com pão e manteiga de manhã, muitas horas de 24h, um pouco da leitura de Os cus de Judas, Antônio Lobo Antunes (estou me atualizando, o cara vem na FLIP), almocei no Bobs (argh!!!), garanti estoque de biscoitos wafer e ajeitei a letra J da cdteca. A vitrola não parou de tocar Milton e Belmondo, que finalmente saiu no Brasil pela Biscoito Fino. Já tinha baixado ano passado, mas nada se compara ao prazer do disquinho na agulha.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Só o sabor de pepsi te mostra o que é amar

A prematura morte de Zé Rodrix aos 61 anos vai deixar uma saudade antiga, dos tempos de menino, quando eram Sá, Rodrix e Guarabyra. Agora mesmo me vêm à mente a Primeira e a Segunda canção da estrada, Mestre Jonas, Cumpadre Meu, Blue Riviera e por aí vai. Preciso revisitar esses discos, pois há muito não os ouço. E Casa no Campo, imortalizada por Elis Regina, é minha história com Odete Lima, o sítio, não a avó.

Lembro dos tempos que saíamos do sítio à noite, a pé ou de charrete, e íamos a Paraíso do Tobias para ver as meninas. Na época, fumava cigarros Benson e Hedges mentolados, porque todas as meninas fumavam, fumar era moda e beijar uma boca fumante era um troço ruim pra quem não fumava. De sorte que não me apeguei ao vício, pois nem tragar eu sabia (e não sei até hoje). E voltávamos madrugadinha, as nuvens encostando no asfalto, fazendo um algodão de céu claro pra gente passar. Eu, Alexandre, Rodrigo Siri, Carlinhos Bessa. Depois vieram o Jadim, o Nogueira, o Serrinha e foram passando por ali os amigos. No princípio, nem luz tinha. Toda vez que bebo além da conta, fumo um cigarrinho e lembro do menino de Paraíso do Tobias, perdido na fumaça do tempo. Uma fração de mim ainda mora naquela pracinha e todas as meninas que sumiram (Clai, Marilia, Geisa, Janinha, etc) ainda habitam em mim.

Depois, Zé Rodrix partiu para a carreira solo e depois sumiu até voltar de novo há pouco tempo. Continuei acompanhando Sá e Guarabyra, vi alguns shows deles no Circo Voador, no Teatro da UFF. Lembro da primeira vez que ouvi Alucinante Alice e Minha Casa, Sua Casa, canções que provavelmente ninguém conhece, mas são muito caras pra mim. E a música do comercial da pepsi feita pelo Guarabyra era uma espécie de marketing mais puro do que esse de hoje. Zé Rodrix vai, mas fica aqui nessas lembranças amenas.
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O radinho da rádio desconversa não para de se surpreender quando juntam o clarinete de Paulo Moura e o forró de Josildo de Sá. Samba da Latada é um achado, indicação triplo A!!!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A saga do mouse tamborilante

Era só uma questão de superfície, mouse ped, sei lá! Hoje parece estar tudo normal. Depois que o meu nôte deu pau, resolvi comprar esse tijolão aqui. Chegou, e o nôte já tinha voltado da garantia, mas aí eu já tinha comprado, vá lá. Eis que o mouse começa a tamborilar. Recebi vários diagnósticos, entre eles, é vírus, é o driver, é o cacete a quatro. Cheguei a comprar um mouse bolinha, achado nos escombros de um cemitério de informática. Nem uma alma boa pra dizer é essa bosta de papel colorido que você botou embaixo do mouse! Essa gente de TI é difícil. Geralmente de extremos. Ou o cara se acha Deus e trata você como um ser galático ( médico, então, põe galático nisso!) ou o sujeito é bom e quando é bom, é bom mesmo, de alma boa. Um desses teve hoje no café da empresa, a paciência de ouvir a saga do mouse tamborilante. Diagnóstico feito, foi só achar um mouse ped e trazer aqui pra casa.
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Vendo um mouse bolinha. Dez pratas! É pegar ou largar!
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Meus amigos continuam querendo me levar à falência. Agora deram de só querer comer no tal de Aipo e Aipim. Vetaram minha ida aos sebos em prol de uma dieta mais saudável e mais cara.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre ratos e subterfúgios

"O melhor que se pode dizer do casamento é que ele é um estimulante infalível para as emoções dos subterfúgios sensuais. Mas meu amigo tinha necessidade de uma coisa mais básica para a sua segurança do que o drama cotidiano do adúltero, que é ter de atravessar um rio de mentiras. Não foi para recuperar esse prazer que ele voltou a se casar, muito embora tenha retomado os prazeres antigos logo que voltou à condição de marido. O problema, em parte, é que a condição de homem emancipado nunca teve um porta voz social nem um sistema educativo. É uma condição que não tem status social porque as pessoas não querem que tenha."
Ainda Philip Roth.
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Coisas que só acontecem com Francisco: meu mouse deu vírus e está pulando que nem largatixa. Estou apelando pro anti-virus da Renatinha, porque o avasti não deu jeito não.
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Virei um mecenas das artes. Longarino obrigou-me a gastar uma soma vultuosa num quadro. Está certo, é uma gravura do Laerte, mas custo é custo.
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Hoje foi equilibrado no trabalho. A mialgia se foi, consegui avançar de manhã, reunião morna de tarde. A semana ainda promete!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Na minha

Uma mialgia me tirou do sério nessa segunda e fiquei disperso boa parte do dia. Para sair daqui com a sensação da missão cumprida, tive que me virar com tarefas mais fáceis, menos trabalhosas. Do leque de obrigações, escolhi as menos traumáticas. Foi bom. Consegui resolver uma porrada de levezas. Detesto sair da empresa vazio, devendo trabalho.
Tem sido assim de há muito. Nada me deprime mais do que a inoperância. Procuro passar isso para a equipe, de forma que estamos sempre muito ocupados.
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No momento, Stacey Kent sussura I've got a crush on you e paro um pouco para escrever essas notinhas de segunda.
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No quesito humor, oscilei muito hoje. Ando me segurando pra disfarçar. Se fosse Manoel de Barros, diria que estou atravessando um período de árvore. De uma forma ou de outra, houve mudanças. Na relação com meus filhos, na fogueira de vaidades, no tédio, nas redescobertas da vida. Preferi virar árvore e ficar na minha. Tem hora que é melhor o recolhimento do que o manifesto, a dor do que o grito. Tem hora que é melhor ficar quieto mesmo.

sábado, 16 de maio de 2009

Altos e baixos

Meus amigos, eu lhes garanto, não há nada mais sagrado do que dirigir pelas ruas silenciosas de Miracema ouvindo Laurindo e Sammy Jr num sábado de fim de noite. O violão de um e a voz do outro se misturam ao silêncio honesto das pessoas que dormem. Mágica pura! Já falei desse disco aqui. Antes dele, conhecia muito pouco desses dois.
Afora isso, fiquei o quanto pude com meus filhos. Melhor dizendo, o quanto eles puderam, pois agora têm seus divertimentos.
Eu pensei que ia carregá-los comigo onde fosse!
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Não é possível jogar retrancado contra um time que chama Barueri. Isso de jogar retrancado é opção de time cujo único objetivo é escapar da segundona. Pois foi o que o Fluminense fez agora no final da tarde. Apressei-me em chegar aqui para ver o jogo. Corri à toa.
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Mudei os discos do estojinho e vim ouvindo Arnaldo Antunes, Joaquin Sabina, Ednardo, Chico Alves, e o supra-citado Laurindo de Almeida. Só fiz um pit stop na Serra do Capim para abastecer. Se há alguma coisa que recuperei definitivamente, é minha capacidade de dirigir bem. Herança de família.

Interior

A internet funciona na manivela.
Nem ônibus, nem barca, só dá pra andar de caminhão.
Há um cheiro doce de limpeza se esparramando pela casa.
Da janela lateral, dá pra ver uma igreja.
Pessoas que nem imagino, me cumprimentam solenemente.
Um carro passa noticiando enterro e ofertas de repolho e alface.
Ontem a noite, fui com Gisele e Alexandre no Bunda de Fora.
Só ando de bermuda, havaiana e camisa velha.
As crianças estão por perto.
Não há a menor dúvida, estou em Miracema.


Que mais se pode esperar de uma cidadezinha cujo interior está dentro de você e é só isso que ela oferece?
Vontade de abraçar o passado e me enfiar de novo nas cobertas que a mesma Diô preparava toda noite pra gente dormir na Rua das Flores.
De ir a pé na casa do Tio Lico chupar jaboticaba fresquinha e ouvir longe a Tia Zezé tocar uma berceuse ao piano.
De ter uma das longas conversas que tive com minha Tia Elice, minha tia bisavó, que aos 90, perdera a memória anterógrada, mas se lembrava com detalhes dos tempos de preceptora no Colégio de Pádua.
De ter roubado a Elisa, minha primeira namorada firme (na época em que se namorava firme), do Juninho da Dona Leni, ao som indubitável de Namoradinha de um amigo meu.
De escrever poesia com a pureza de um menino que se achava poeta.

Eu fui um menino feliz, ainda que fosse um perna de pau inconteste nos jogos de futebol da Rua do Alfredo. Disputava com Flávio, outro pereba, a condição de reserva ou gandula.

Hoje, que posso crer em tudo, em nada mais creio. Os filhos partem do mesmo jeito que parti um dia. Eu fui esse filho que partiu. Esse que está vendo meus filhos partirem.

No final, a única coisa que sobra é música. Essa não parte nunca.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Pelagdo em Niterói

Dionéia, minha fiel escudeira para assuntos do lar, quase me deixa pelagdo em Niterói. Já estou na condição de sofrer do moral, lavando minhas cuecas. Hoje vim trabalhar de camisa polo, porque minha única opção abotoada era uma xadrez, que abandonei porque realça a adiposidade.
Logo hoje que Eduardo Gudin está no Rio pra tocar com Leila Pinheiro, 34 anos depois. E eu indo para Miracema! Pensei duzentas vezes em não ir, mas acabei decidindo, dada a situação precária do meu armário. De qualquer jeito, vai aí uma dica pra quem fica: hoje e amanhã, Leila e Gudin no Rival. O disco deles é um dos nobres acontecimentos do ano.
Eu sei que esse blog não tem o alcance de sensibilizar meus poucos leitores a ir a qualquer lugar que seja. Em todo caso, sinto-me aliviado quando faço minha parte. O Mundo seria melhor se a cada dia as rádios tocassem insistentemente uma canção do Gudin. Começando por Luzes da mesma Luz. Eu até poderia escutar rádio no carro. E quem sabe, comprar um aparelho de rádio batata pra levar pro Arraial.
Ontem terminei a noite assistindo o suspense Sem Vestígios. Mais um que narra a perseguição policial a um serial kiler. Eu gosto, quando o filme é bem feito. Nesse caso, foi. É um bom filme.
Camila está no Brasil, o que me parece um bom presságio. Acho que deve estar meio perdida ainda, porque depois que veio, só escreve sobre Lost em seu blog. Eu ainda estou no quarto episódio da quinta temporada, não posso ficar comentando muito. De qualquer jeito, dia desses eu liguei no AXN e estava passando um episódio em que John Locke aparece sendo morto e logo em seguida vivinho da Silva. Acho que agora entendo melhor o significado do nome da série.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Referências de um dia em paz

" Não, os homens não sabem nada - ou então agem conscientemente como se não soubessem nada - a respeito do lado duro e trágico que estão assumindo. Na melhor das hipóteses, pensam com estoicismo: é, eu sei que mais cedo ou mais tarde vou ter que abrir mão do sexo nesse casamento, mas em troca, vou conseguir outras coisas mais valiosas. Mas será que eles se dão conta da renúncia que estão aceitando? Ser casto, viver sem sexo - bom, como é que a gente vai aceitar as derrotas, as concessões, as frustações? Fazendo tantos filhos quanto for possível? Ganhando mais dinheiro, ganhando o máximo de dinheiro possível? Porque a coisa se fundamenta na sua existência física, na carne que nasce e na carne que morre. Porque é só quando você fode que tudo aquilo de que você não gosta na vida, tudo aquilo que derrota você na vida, é vingado da mesma maneira pura, ainda que efêmera. É só nesse momento que você está vivo do modo mais limpo, que você é você mesmo do modo mais limpo. Não é o sexo que é corrupção - é o resto. Sexo não é só atrito e diversão superficial. É também a maneira como nos vingamos da morte."

Philip Roth, O animal agonizante, imperdível!!!!!!!!!!!!!!!!
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O tratamento que Paulo Moura e Yamandu Costa dão para o Taquito Militar, tango clássico de Mariano Mores, no disco El blanco del negro, injustamente esquecido no plástico, é de chorar. Não sai da agulha.
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Como também não consigo parar de ouvir Leonard Cohen, Live in London. Cohen saiu do convento como se tivesse saído do armário, pra fazer um histórico disco ao vivo, realçando seus clássicos. Hallelujah!
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Hoje consegui estar em paz com os que me cercam. A sala bem arejada, Renatinha, Cerezinha, Sandra Carreirinha, tudo fluiu bastante bem.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Velha amiga


Passei uma vida acordando de madrugada. No princípio, era influenciado pelas viagens do meu pai, sempre saindo muito cedo para a labuta. O burburinho da casa fazia com que a gente acordasse. Minha mãe estimulava que eu e meus irmãos estudássemos logo cedo. Eu gostava porque ganhava parte do dia para brincar.
Mais tarde foi virando um costume. Com o tempo, foi ficando desesperador. Médico, provei de todos os venenos disponíveis para insônia. Os plantões noturnos acabaram por minar de vez o sono bom.
Todas as trapaças que a vida nos apronta tiveram um impacto terrível na minha insônia. Piorei ainda mais a situação criando um vício mortal em lexotan. Um ansiolítico desses considerados fraquinhos, na verdade, não resolvia minha insônia, me deixava melancólico e fiquei dependende dele. Por muitos e muitos anos.
Dois anos de terapia, mudança de química, consegui não só me livrar do lex, como reestabelecer um bom horário de dormir. Hoje normalmente tenho um acordar lento, consigo estar em paz com o interior. Óbvio que minha vida mudou pra melhor.
De vez em quando, como hoje, como se fosse uma velha amiga, a insônia da madrugada me volta. Conversa comigo, perturba minha calma, embaralha meus pensamentos bons.
Sempre que posso, estimulo meus filhos a nunca perderem a capacidade de dormir bem. É um dom muito caro, difícil de recuperar quando se perde.
Anatomia chata da mesma insônia aqui e aqui.

domingo, 10 de maio de 2009

Fim de tarde

Começa finalmente a temporada de futebol em 2009. Não aquela chorumela de clubes retranqueiros disputando gols chorados, sofridos, como no Campeonato Carioca. Dá gosto de ver esse Fluminense e São Paulo disputado, com os dois times jogando na frente e se apresentando para marcar. De cara, guardarei o nome desse bandeira Paulo Conceição que prejudicou o Fluminense descaradamente em dois lances no primeiro tempo, marcando dois impedimentos inexistentes: um em que Fred ia entrar sozinho e outro gol anulado de Maicon. Esse árbitro (Sandro Meira) não é lá grandes coisas também não. No final, uma vitória sofrida, mas muito merecida do Fluminense. O gol de Maurício só não vai ser o mais bonito da rodada por causa do Nilmar. Aquele foi de gênio!
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Fiz questão absoluta de secar o pênalti batido pelo Juan no Flamengo contra o Cruzeiro, muito bem perdido!

Cliente de Miracema em Arraial : 3 dias!

Contemplo agora
o leito que vazio
se contempla.
Contemplo agora
o leito que vazio
em mim se estende
e se me aproximo
existe qualquer coisa
trescalando aroma em mim.

Agora eu te diria
o quanto te agradeço o corpo teu
se o me dás ou se o me tomas,
e o recolhendo em mim,
em mim me vais colhendo,
como eu que tomo em ti
o que de ti me vais doando.

Eu muito te agradeço, amante-amiga,
este teu corpo que com fúria eu possuía,
corpo que eu mais amava
quanto mais o via,
pequeno e manso enigma
que eu decifrei como podia.
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Afonso Romano



Sexta-feira peguei o caminhào e fui pro apartamento em Arraial do Cabo. Há quase um ano que não ia. Por motivos óbvios: preferia ficar com meus filhos em Miracema. Mas essa deu vontade e fui. Tirar a poeira dos móveis. Botar para funcionar o meu último aparelho de som antes da era Ipod, quando tudo ficou minúsculo. E aí ouvir velhas canções de afeto.
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A Prainha nessa época do ano é o paraiso. Semi-deserta, cristalina, de ficar sentado naqueles quiosques e sorumbatear olhando o céu clarinho. Não levei nada que pudesse estabelecer qualquer contato.
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Seu Orival, uma mistura de zelador, porteiro e faz tudo do Edificio Golfinho, estranhou a chegada do caminhão, mas logo veio me saudar. É dessas pessoas finas que não se fabricam mais. Ajuda com as malas, lava o caminhão, está sempre pronto.
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Fiquei ali com meus pedaços de passado, nos dentes, nas narinas, na rede de dormir.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Perdas e ganhos

Poderia começar esse texto falando de Amélia, do teatro do oprimido ou da área de mercado da minha empresa, mas seria chover no molhado. Ataulfo, Boal e Bordalo merecem coisa menos óbvia.

No centenário de Ataulfo Alves, andei reouvindo suas canções. No meu repertório violístico de 8 números de muitos anos, Ataulfo está presente, com Laranja Madura e Pois é, juntadas pelo MBP4 no histórico "Antologia do Samba Canção". Esse disco teve uma continuação que está esquecida no acervo da Universal. No meio de tanta porcaria sendo relançada, é bom pensar em boa música, que também deve vender alguma coisa. Minha seleção Ataulfo começa com Bom Criolo, na interpretação voz e percussão da Banda Isca de Polícia, passa por Batuca no chão (com Martinho da Vila), Seu Oscar, com o próprio Ataulfo, Atire a primeira pedra com Orlando Silva e por aí vai. Um dia desconverso ela inteira. O fato é que Ataulfo foi um compositor de raro talento, no nivel de Nelson ou Noel e elegante como Paulinho da Viola.

De Augusto Boal, que nos deixou há pouco, minha melhor lembrança é da FLIP de 2007. Boal respondeu a um texto de Nelson Rodrigues da época da ditadura militar e tranformou aquela mesa no melhor momento da FLIP. Um trecho que nunca esqueci: Só posso jurar dizer a minha verdade, que nunca é a de todos, pois que é só minha. Toda a verdade? Óbvio que não: não sou onisciente como Deus, com quem não posso, infelizmente, rivalizar. Nada, além da verdade? Jamais: não posso renunciar à minha imaginação.

E de Eduardo Bordalo, nosso diretor de mercado que acaba de deixar a empresa, poderia enaltecer o que ele representou para todos nós para o crescimento da empresa, mas prefiro falar do amigo. Bordalo tinha uma maneira sincera de cativar as pessoas. Muitas vezes, o silêncio era sua maneira de ser sutil. Pouco falava, mas do que dizia, sempre tirávamos algum proveito. E tinha uma qualidade imprescindível para os grandes líderes: sabia reconhecer as pessoas. É certo que vai fazer muita falta.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Envelheci, mas continuo em exposição


"Também os meus alter-egos são todos
borra, ciscos, pobres-diabos
que poderiam morar nos fundos de uma
cozinha - tipo Bola Sete , Mário Pega Sapo, Maria
Pelego Preto etc.
Todos bêbados ou bocós.
E todos condizentes com andrajos.
Um dia alguém me sugeriu que adotasse
um alter-ego respeitável – tipo um príncipe,
um almirante, um senador.
Eu perguntei:
Mas quem ficará com os meus abismos se
os pobres-diabos não ficarem?"

Manoel de Barros

"Bebi demais. Bom, foda-se. Amanhã é outro dia"

Aldir Blanc

O bom da exposição agropecuária de Miracema é que você percebe que não foi só você que envelheceu. Migram para a cidade nesse período, velhos conhecidos de outrora. A maioria inchou como eu, constituiu familia(s), mudou pouco, estão todos invariavelmente na Barraca do Bode, onde reina o Sebastião Bunda de Fora e seus bifes. É o point daqui nessa época.
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São duas e um bocado e estou chegando em casa escoltado por Chicó e Luisa. São ótimas companhias para essa madrugada miracemense. Não fosse eles, ia ser mais difícil encontrar minha cama.
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Fiquei uma tempo a esmo na Barraca Do Bode, as crianças no parque, os amigos ainda ausentes. Entre uma latinha de skol e outra, observava a fauna miracemense. Vi gente que não via desde menino, já deletadas da memória
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Bom ver que algumas moças conservaram o viço brejeiro e se mantiveram bonitas, apesar do tempo. Parecem ter sido curtidas em formol, como Renatinha. De vez em quando me olham, observam, e quase sempre se abrem num sorriso ajeitado.
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Se Luisa e Chicó não me tiram dali, eu ficaria flanando até de manhãzinha, como nos velhos velhos tempos.
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