quinta-feira, 31 de julho de 2008

Bom dia

Começarei o dia de hoje na oficina tentando resgatar a S10. Na verdade, comecei hoje procurando sublimar os contratempos de ontem. Afinal, ainda estou no prazo da receita, não sou mecânico pra ficar consertando carro e o Fluminense tem perdido todas mesmo...

Recomendo o exercício que Camila tem feito no blog dela, tentando nominar seus duzentos discos favoritos, está ficando interessante a lista. Fazer uma lista daquela, é coisa de que nem me atrevo. Em nenhuma hipótese, conseguiria reduzir a duzentos o número de discos da minha vida. Antônio Carlos Miguel pecou e muito ao tentar relacionar 100 referências da MPB. Outros também fizeram com erros imperdoáveis. Mas não deixa de ser um ato corajoso. Tenho dado uns pitacos só de intrometido.

Por fim, se tudo der certo, hoje viajo com as meninas para Ibitipoca, um lugar friorento nos recantos de Minas. Não sei se vai ter internet lá. Se tiver, eu conto!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Um dia para esquecer

Se tivesse seguido meus conselho de manhã, estaria melhor. Pelo menos a S10 se salvaria da oficina.
A rigor, só consegui abrir a conta bancária, nos últimos minutos do segundo tempo. O imposto continua enrolado e pequei seriamente pelo excesso de zelo com a S10. Mandei trocar uma peça que estava indo muito bem, mas julgava pela hora de trocar. Não sou mecânico nem adivinho, segui apenas o meu instinto e a orientação do meu pai. O resultado foi que a nova peça não se adaptou no carro e ao retornar com a velha, entrou ar em alguma coisa que não deixa passar o óleo diesel pro motor e não deixa ao caminhão andar. Está lá na oficina, na véspera de viajar com as meninas.
Pouco fiquei com meus filhos, não vi nenhum filme, o Fluminense perdeu mais uma.

"Bixiga deu na nega,
Catapora na filhinha,
Morreu o meu tatu bola,
Filho do tatu bolinha,
Gurgulho deu no fogão, colega.
E deu mofo na farinha"

Caymmi

Azedo

Uma série de nãoconseguis azedou minha manhã de quarta em Miracema;
  1. Não consegui concluir a abertura de uma conta bancária porque o contador não enviou os dados necessários, apesar de já termos implorado pelo envio (eu e o banco).
  2. Não consegui resolver um problema com a Receita que implica sem qualquer nexo com minha declaração de 2002 (a receita não acredita que eu pago pensão alimentícia!), porque o enrolado do meu contador não teve tempo de pesquisar.
  3. Não consegui trocar o filtro de óleo da S10 porque não existe filtro de óleo para S10 num raio de 100 km de Miracema, aparentemente.
Chego à conclusão de que só as coisas que dependem exclusivamente de mim são passíveis de resolução rápida. O resto fica amarrado no tempo, na burocracia e na incompetência alheia.
Um sujeito assim que nem eu, que conseguiu algum crescimento na vida sustentado apenas em trabalho e suor, está condenado a ser multado pelo governo, deixar o motor do carro bater, e ter uma única conta bancária numa cidade que nem vai mais lá, por conta da incompetência de pessoas que estão sendo muito bem remuneradas para esses fins.
Enquanto isso, nesse país de merda, cada dia aumenta mais o número de apadrinhados, aspones, laranjas, marajás, pessoas que têm todo tempo do Mundo pra resolver seus probleminhas contábeis e automotivos.
Vontade mesmo é de ficar dentro de casa quietinho vendo meus filmes, lendo meus livros, curtindo minhas filhas, afinal essas mini-férias foram planejadas só pra isso mesmo!

terça-feira, 29 de julho de 2008

All of me

Terminamos a noite vendo Um espírito baixou em mim, aquela comédia datada com Steve Martin que todo Mundo já viu e eu rolava de rir dela nos anos 80. Hoje não rolei, mas Laura e Luisa gostaram. Interessante como até o humor vai ficando velho. Dia desses, vi Um convidado bem trapalhão, obra prima da comédia de Peter Selers e......achei datado!
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Entre um filme e outro, vi também o dvd do aniversário de 15 anos de Laura, que só agora foi resgatado por ela. Tudo foi muito bom naquela festa, o dvd é testemunha.
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E o show de Maciel Melo no Teatro Guararapes em Recife, enviado pelo próprio, via Mário e Marila. De sair dançando forró pela casa.

Reparação

Desejo e reparação (o filme e o livro chamam-se atonement no original, o "desejo" foi mais uma brincadeira mercadológica do tradutor) entrou hoje na lista dos filmes em atraso vistos nessas mini-férias. Igualmente bom e denso. Dessa vez a trilha, a cargo de Dario Marinelli, se comportou perfeitamente adequada ao longa.
Ian McEwan brinca com o tempo, já tinha observado isso n'A Praia de Chesil. Ele volta e vai e conta a história antes de começá-la. Uma reflexão interessante sobre como pequenos pecados podem mudar grandes vidas.
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Retornei hoje a Pádua depois de muito tempo. Voltei à empresa, fui ao banco onde (ainda) tenho conta, nada parece ter mudado. Alguns velhos colegas de trabalho, saudações de sempre. O que eu fui e o que eu fiz, se perdeu no vazio. Pouco restou. Talvez tenha sido bom para mim e para Pádua. Mas ainda há Edéia, minha secretária, uma pessoa tão especial que não precisou de formação nenhuma para ser o que sempre foi: já nasceu afeto e dedicação.
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Essas mini-férias estão parecendo o tempo em que convaleci de uma peritonite cirúrgica em 2000. Foi um mês de auto-revisão muito proveitoso.
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Nem bem acabou a terça e Renatinha, Sandra, Longarino, Gilson, as orquideas, Raimundinho, João, Márcia, Cláudio, etc, já me faltam. É bom ter saudades de quem espera por nós.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Apêndice

Lamentei comigo mesmo ter reduzido minha observação sobre Sangue Negro a uma mísera frase aqui em baixo. O filme é perturbador. Não sei se fiquei mais perturbado por conta da prednisona que o Alexandre Bela Bunda me passou hoje para essa tosse seca e essa rouquidão. O fato é que o filme perturbou muito. Um homem só no Mundo, apoiado apenas no fato de se entender um profundo conhecedor da maldade. Durante o filme, enquanto enriquece, se degladia com filho, irmão, igreja, povo, governo, nada poupa. É perturbador imaginar que existam pessoas assim. E não é uma laranja mecânica não. É o que pretende ser um ser humano. Renatinha, se ainda não viu, não veja! O filme faz Fernando Valejo parecer um santo. Mas tudo bem, é só um filme!
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Prometo não continuar esse texto com minhas mazelas depressivas. Depois deleto todas elas. Mas esse filme dá mesmo uma sensação de angústia incomodando a paisagem.
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Só não recomendo a trilha de Jonny Radiohead Greenwood. A trilha é razoável, mas parece competir o tempo todo com o filme. Trilha incidental pra mim é pra ser uma mera adjuvante e não a estrela principal!
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E também para dizer que a cidade não vive só de bons afetos. Hoje encontrei alguém que não posso reconhecer como amigo. Fatos passados, pisados pelo tempo, nada que valha comentar. Mas os olhos, os gestos, as cicatrizes me desnudam: é um velho desafeto. Tenho que conviver com velhos desafetos que não acrescentaram nada ao meu currículo de arrependimentos. Ainda assim parece que sempre serão velhos desafetos.
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Quando fui presidente de uma empresa aqui da região, convivi com o ódio gratuito. É uma espécie de ódio sem qualquer explicação. O sujeito te odeia e pronto! Aprender a conviver com ele, afirmo de cadeira, não acrescenta nada. Nem experiência.
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Terminei a noite vendo Diário de uma babá com as meninas. Scarlet como sempre, engraçadinha. Um pouco lamentável que esteja fazendo filmes açucarados tipo B, mas com Laura e Luisa, tudo é bunitinho. Principalmente a Scarlet.
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Recomendações ao site www.amalgama.blog.br . Só por ter convidado Camila para comentar sobre música, já ganha status de altamente recomendado.

Mais uma segunda atípica


Caminhar pelas ruas de Miracema e encontrar os pacientes de há muitos anos. Gente humilde, alguns de quem já nem me lembrava, velhos amigos de consultório. É tocante como me reconhecem!
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Ontem, Nelinha apareceu aqui em casa e a farra foi completa. Só não dá pra postar a foto porque a internet aqui é muito lenta (tim web, fuja!).
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Surpreendente ver como essas meninas crescem a cada dia! E como me encantam, como me fascinam! Olho embasbacado para elas e concluo que sim, foi muito bom ter vivido até aqui!
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O dia só não foi perfeito porque apareceram alguns pepinos burocráticos para resolver, coisas que necessitam da minha presença na cidade.
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Férias e bons filmes. Hoje, Sangue Negro. Ótima safra de ótimos atores. Javier, Daniel, Viggo, Heath, perfeitos em seus papéis.
*: Depois de 3 h, consegui postar! Taí minha cara de bobo alegre!

domingo, 27 de julho de 2008

Férias em Miracema

Cheguei em Miracema a tempo de ver Os Senhores do crime antes de pegar as meninas. Filmaço categoria triplo A! Cronenberg mais uma vez acertando em cheio.
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Encontrei o de sempre: a casa limpíssima, a cama posta, arrumada e cheirosa, tão diferente da minha Niterói poluída! Como não dar valor à esses cheiros interiores? Cheiro de mato e de família! Já devo ter pensado mil vezes em deixar esse lugar de vez, mas sempre volto a ele. Ainda vivem aqui alguns dos pouquíssimos amigos, um céu infinito de estrelas e uma possibilidades de nuncas. Muito aconchegante!
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Parei em Friburgo pra comprar acepipes na super pão. Parada obrigatória quando se passa por aquela serra insuportável!
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Luisa me recebe com chantili que ela mesma fez. Se Luisa fizesse um A pra mim, já me comoveria, imagine um pote de chantili?
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Cheguei cansado, com dor de cabeça, afônico, mas feliz com meu primeiro dia de férias em Miracema.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Chicó e a preguiça


Essa semana por conta da presença de Chicó aqui comigo e de uma gripe preguiçosa, estou com menos vontade de desconversar. Repare não.
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Fomos ver Batman ontem. Achamos bom, porém muito longo. O filme, por conta do desempenho e da participação de Heath Ledger deveria se chamar Coringa. Ele faz o Coringa definitivo. Depois fomos às compras: máscara do Homem de Ferro, teias do Homem Aranha, DVD do Ben 1o e, naturalmente, alguns serenatas de amor, que ninguém é de ferro.
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Semana boa de trabalho, alguns pareceres concluidos de forma clássica, do jeito que eu gosto, reuniões produtivas, processos em andamento avançando, quase nenhuma melancolia.
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Ontem comecei a ler O conto do amor, Contardo Calligaris. Fácil de ler, o romance vai de vento em popa. Principalmente porque vem sendo lido na travessia da Baía de Guanabara a bordo da novíssima cantareira Ingá II.
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Niterói tem esse benefício. Não ando de carro pra não ficar engarrafado na ponte, nas vias de acesso ao Ingá ou em qualquer lugar que chegue. Ando de barca. Eu e Contardo.
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Em compensação em Miracema, uma cidadezinha miudinha miudinha, só ando de carro. Ossos esquisitos do destino.
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No Ipod aqui da Federação, Nana canta Dolores e corta meu velho coração solitário.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A evolução natural da cascata degenerativa

Estou concluindo estudo de medicina baseada em evidência sobre cirurgia de coluna lombar, tema muito polêmico no meio médico por conta da promiscuidade reinante na relação entre médico e fornecedor. Dou de cara com um artigo que fala sobre a evolução natural da cascata degenerativa, em que o peso da idade afeta diretamente as estruturas de forma a degenerá-las naturalmente. Penso: esse aí sou eu, a própria cascata degenerativa. O espírito e os ossos vão virando ruinas.
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Mais ainda quando leio Mário Marques no JB de terça. O sujeitinho é muito fraco mesmo. Hoje ele desce o porrete em Mônica Salmaso. Alega que ninguém consegue defendê-la musicalmente diante da pergunta: "Afinal, por que você gosta de Mônica Salmaso?" Ora, ora, ora, essa é muito fácil, mas entendo porque um sujeito como Mário Marques não possa respondê-la.
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Em primeiro lugar, fica muito difícil avaliar o trabalho de uma cantora por um único disco. Ainda mais quando se trata do disco em que Mônica interpreta Chico. É um disco difícil, que tem que ir ouvindo muitas vezes pra gostar. No final, você acaba concluindo que é um disco sensível, delicado e de ótimo gosto.
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Detesto classificar o trabalho de um músico, mas atrevo-me a dizer que Mônica Salmaso é a melhor cantora surgida no Brasil nas três últimas décadas. Dois discos atestam essa afirmação claramente: Trampolim e Iaiá. São dois clássicos que não precisam de estudo nenhum para crescer a cada audição, mas esses, Mário Marques não ouviu. Esses provavelmente, como ele próprio afirma, tacou-os para o lado na mesa ou deu aos seus amigos office-boys. Que pena!
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E tem mais: o disco que Mônica fez com Paulo Belinatti regravando os afro-sambas de Baden e Vinicius equipara-se com o de Virginia Rodrigues em excelência. Mas esse também Mário Marques não deve ter ouvido.
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Só concordo com Mário Marques nas duas frases iniciais da sua croniqueta: "Sou de um time muito pequeno - aliás, minha medição é empírica já que não consegui trazer ninguém para o meu lado." Está certíssimo, Mário Marques! Com esse refinadíssimo conhecimento musical, essa sua escrita vai longe!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Paisagem de interior

O final de semana foi um repeteco das ultimas sessões miracemenses de final de semana.
Curtir os filhos, beber com os amigos, assistir ao jogo do Fluminense, ver um filminho B e por aí vai...
Um ajuste no computador, o disco do Elomar gravado na Alemanha ouvido à exaustão, um arranhão na S10, Luisa o tempo todo comigo, e por aí vai...
Campanha política nas ruas poluindo ouvidos, um bom filé no bunda de fora, a comidinha de sempre da Diô, caminhar pela Rua Direita, uma passada no Tadeu pra botar a conversa em dia e por aí vai...
Duas viagens cansativas, duas paradas pra abastecer no mesmo lugar, dois picolés de milho verde, buracos, pardais, linha vermelha, ponte e por aí vai...
Odete Lima no abandono, o velho Amado no abandono, Os garotos do sereno no abandono, uma saudade do cachimbau do Tatu e por aí vai...
Uma sensação de vazio, uma vontade de rebobinar a fita, dor nas juntas, dor nos ossos e por aí vai....

sábado, 19 de julho de 2008

Ruy Guerra

E daí?

(Milton Nascimento e Ruy Guerra)

Tenho nos olhos quimeras
Com brilho de trinta velas
Do sexo pulam sementes
Explodindo locomotivas
Tenho os intestinos roucos
Num rosário de lombrigas
Os meus músculos são poucos
Pra essa rede de intrigas
Meus gritos afro-latinos
Implodem, rasgam, esganam
E nos meus dedos dormidos
A lua das unhas ganem
E daí?

Meu sangue de mangue sujo
Sobe a custo, a contragosto
E tudo aquilo que fujo
Tirou prêmio, aval e posto
Entre hinos e chicanas
Entre dentes, entre dedos
No meio destas bananas
Os meus ódios e os meus medos
E daí?

Iguarias na baixela
Vinhos finos nesse odre
E nessa dor que me pela
Só meu ódio não é podre
Tenho séculos de espera
Nas contas da minha costela
Tenho nos olhos quimeras
Com brilho de trinta velas
E daí?

E daí?

"A obra de um homem nada mais é do que esse longo caminho para reencontrar, pelos desvios da arte, as duas ou três imagens simples e grandes , às quais o coração se abriu uma primeira vez."
Camus

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Na Praia de Chesil

Semana muito boa de trabalho. Tudo fluiu muito bem até ontem, reunião da Câmara Técnica de Medicina Baseada em Evidências, sempre um acontecimento pra mim.
Hoje vim pra Miracema com sinais prematuros de uma virose: mialgia, tosse, cansaço.
Terminei de ler Na Praia de Chesil, Ian McEwan, na excelente tradução portuguesa arranjada pela Silvia do Beringela pra mim (um luxo só!).
O livro consegue ser delicado e denso ao mesmo tempo, ao tratar dos conflitos de dois jovens apaixonados que se casam prematuramente. Uma narrativa apaixonada da Inglaterra do início do século passado.
Até 2000, considerava-me um homem do século passado. Hoje sou um homem do século retrasado.
Esses livros só ratificam minhas convicções. Quando fui a Buenos Aires, julguei ter estado ali em 1920. Aquela beleza toda sem nenhum sinal de miséria. E Gardel vivo!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ilhas cristais

Fiquei feliz de ver a primeira página do segundo caderno do Globo de hoje estampar uma matéria de página inteira sobre Tito Madi. Tito, do alto dos seus 79, merece todas as homenagens. Assisti Tito Madi com Ronaldo no CCBB há uns anos atrás, ainda em plena forma. Na época estava lançando um disco pouquíssimo comentado, mas cheio de amores escondidos: Ilhas Cristais. Agora parece se recuperar de um AVC. Está finalizando um disco com Gilson Peranzetta. Ótima notícia! Acho Chove lá fora belíssima e poderia citar aqui pelo menos mais uma dúzia de clássicos. Ainda fico revoltado por Roberto Carlos não ter cumprido a promessa de gravar um disco com as canções de Tito. Ainda dá tempo, Roberto!
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Rosecrilda bem me lembrou hoje que, na verdade, eu tenho 46 anos, e não 44, como eu imaginava! Pensei bem, fiz as contas e não é que é mesmo? Fiquei dois anos mais velho em poucos minutos! Agora só me resta aproveitar o resto!
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Semaninha boa essa. Trabalho fluindo, sem apurrinhações, ante-véspera de ver meus filhos, vamos indo bem.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Ilusão à toa

"Olha, somente um dia
Longe dos teus olhos
Trouxe a saudade do amor tão perto
E o mundo inteiro fez-se tão tristonho

Mas embora agora eu tenha perto
Eu acho graça do meu pensamento
A conduzir o nosso amor discreto
Sim, amor discreto pra uma só pessoa
Pois nem de leve sabes que eu te quero
E me apraz essa ilusão à toa"

Johnny Alf

No ipod, não me canso de ouvir Willie Nelson e Wynton Marsalis, ótimos em dueto. E Áurea Martins, que nunca tinha ouvido antes, agora me vem essa voz Eliseth, essa voz Leny, essa voz fim de noite. Não fossem os indefectíveis pout-porris, o disco seria perfeito. O pout porri só fica muito bom quando ela encontra Ilusão à toa com Pensando em ti. Ali, as músicas parecem que foram casadas. E tira essa impressão errada de que Ilusão à toa é uma canção gay. É uma canção de amor e ponto.
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E hoje bateu a Tonada del cabrestero, Simón Diaz, do disco Nem um ai de Mônica Salmaso e o elegante Forças d'alma. Perfeita, a começar pela sanfona de Toninho Ferragutti. Sou apaixonado pela música do venezuelano. Foi o primeiro alumbramento do disco.
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A terça continuou mansa com grandes aproveitamentos. Consegui avançar nos trabalhos, fazer a ata do Colégio e almoçar com Renatinha. Um luxo para quem passou os muitos útimos dias sob pressão.
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Três semanas aqui e já estou quase pelado! Hoje já lavei 3 cuecas. Minhas samba-canção estão sumindo. Socorro, Dio!!!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O concerto de João Gilberto no Rio

Aí, hein!, D. Camila, pedindo licença logo agora!

Logo agora que esse país precisa tanto de jovens inteligentes e que gostem de vestido preto como você? (Obs: as jovens inteligentes que amam vestidos pretos são geniais!)
Logo agora que esse seu blog filho vai engrenando e já está quase parecendo um blog sério?
Logo agora que João Gilberto, depois de não-sei-quantos anos, resolve fazer um concerto no Municipal?

Muito injusto da sua parte mudar de rumo no momento em que as coisas estão acontecendo, palpitando, pulsando!
Eu acho que você podia pensar melhor e vir mesmo é para o Rio! O Rio faz bem para psicanalistas jovens, que gostam de jazz. Logo logo você se acostuma com o calor e a paisagem.

E eu posso mostrar pra você o velho centro, do qual já faço parte agregada, de tanto andar por ele. Posso levar você no Marquês do Herval, no Largo do Teles, no Al Farábi da Rua do Rosário, no Trapiche, no Paulistinha, coisas que não se encontram em qualquer Nova York!

E também posso levar você no Cinema Odeon, no Amarelinho e no Rival, no mesmo dia, porque um é do lado do outro. E em frente a eles, o Municipal. E João cantando You do something to me só pra você.

Não acho justo ficar órfão dessa leitura diária, de seus afagos blogueiros, de suas tiradas geniais. Eu sei, eu sei, você pode continuar escrevendo de lá, mas já não vai ser a mesma coisa. Eu sempre leio seus textos achando que o que nos separa é uma ponte, ainda que seja aérea.
E muito embora nossos encontros tenham sido tão mirrados, eu sempre os tenho em ótima conta. Guardados aqui dentro para que não se afastem da lembrança boa. Mas agora, com você tão longe, vai me fazer perder completamente a ótica iluminada do pouco que nos dissemos e do tanto que nos dissemos!

Roda viva

Segunda-feira com duas novidades periclitantes: mudança de sala e ausência de Renatinha. A primeira resolvida com a habitual competência de Sandra Carreirinha, que deixou tudo prontinho, foi só chegar. A segunda não teve jeito: Renatinha faz uma falta danada às segundas!!!!
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Pruma segunda, até que foi um dia bem calmo. Deu até pra trabalhar as coisas que eu gosto. Nesse momento estou trabalhando numa revisão sistemática sobre infusão de fármacos via intra-tecal para controle da dor.
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Soube pelo Longarino que o Dr Paul (Gabriel Byrne) procurou Laura (Melissa George) na sexta e....... brochou!!!!!!!!!!!!!! Isso não é coisa que se faça, Dr Paul! Vai comprar um cialis! Uma das duas coisas que me deram prazer no Aeroporto em Brasília foi ler uma matéria no Estadão sobre Em Terapia. Sérgio Augusto escreveu exatamente o que eu escreveria. A outra foi acompanhar pelo Globo on line a magnífica virada do Fluminense sobre o Vitória.
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Passei no Cláudio, na Beringela, nada de novo! Fiquei vários dias de Cuiabá e nem um livrinho, nem um disquinho! Síndrome de abstinência à vista!

sábado, 12 de julho de 2008

Uma excelente oportunidade

Quero crer que saio daqui de Cuiabá esgotado, mas muito feliz. As coisas aconteceram de forma muito tranqüila através de um intercâmbio que num primeiro momento pareceu hostil, mas logo se tornou uma celebração, com direito a palmas e abraços no final.
Peguei uma turma cansada de fosforilação teórica, já arredia a qualquer tipo de embromação. Pouco a pouco, fomos nos encontrando até chegarmos a um nível ótimo de entendimento. Não foram poucos os pen-drives que me passaram para copiar as apresentações.
No mais almocei maravilhosamente bem com meus alunos. Sexta num restaurante chamado Mahalo, cuja chef (Ariane Malouf), é especialista em cozinha criativa e serviu um quiche de bacalhau com ervas de entrada dos deuses. Ontem fomos para a Peixaria Lélis, uma espécie de rodízio de peixes com tudo de bom. A destacar, o piraputanga, o pacu, o matrinchá e o pintado. Com bons amigos, come-se muito bem em Cuiabá.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Turista acidental

A cidade é muito agradável. Parece que para compensar o calor e a falta de atrações turísticas maiores, os cuiabanos oferecem ótima receptividade, tratando muito bem as pessoas, pelo menos a mim. Um hotel muito bom, comida de primeira, hoje uma mojica de pintado triplo A.
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A turma, diferente do que fui informado, é uma turma boa, de gente ávida por conhecimento prático. São 39 médicos, 2 enfermeiras e 1 contas médicas, distribuidos de forma heterogênea em conhecimentos de auditoria em saúde. Há os que já trabalham há muito tempo com essa especialidade e outros que estão em busca do mercado. Dei a eles o que queriam e acho que a aula foi ótima. Quatro horas de debates. Tem gente que vem de Barra das Garças, 500 km de Cuiabá, outros de Rondonópolis. A turma tem dois ortopedistas. E lá fui eu detonar a nucleoplastia e a cirurgia instrumentalizada de coluna. O cara ficou rouco de tanto se esguelar.
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Triplo A: tem uma geringonça que a empresa comprou que chama VPN cliente que conecta você com a empresa (sua área de trabalho) onde quer que você esteja. Pois bem: a geringonça funcionou maravilhosamente bem aqui em Cuiabá. Geringonça triplo A. É o sonho de todo workaholic: trabalhar em repouso!!!!!
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Outra coisa: cheguei em casa quarta-feira, liguei a TV e lá estava: EM TERAPIA! Terminaram só a sessão da Laura (segunda). Que absurdo!!!!

Impressões de viagem

Até há poucos anos atrás, adorava dormir em hotel e viajar de avião. Hoje acho tudo muito maçante e dolorido, diferente da cama de casa, que já parece conhecer as saliências da minha coluna. O tempo passa e eu vou ficando cada vez mais estrangeiro contrariando minha vontade de ficar quieto.
Eu tinha um hábito interessante que era o de classificar os hotéis e os restaurantes das cidades em que ficava. Alexandre era um companheiro na classificação desde quando viajávamos com nossas mulheres a tiracolo. Acho que a brincadeira começou no velho Hotel Anthurium em Joinvile e daí nunca mais parou. Analisávamos desde a qualidade do papel higiênico até a rouparia.
Infelizmente, hoje, não classifico mais. Mas algumas observações eu posso repassar aos meus cinco leitores.
Um sinal claro de mesquinharia ao chegar num hotel top, é aquela tabuleta que eles pregam nos jornais, impedindo que ele saia do lugar. Eu não tenho nenhum tesão em ler jornal com tabuleta, de forma que passo adiante. Uma vez, num ataque de selvageria, arranquei uma folha da ilustrada que queria ler no quarto sossegado. Aviso número 1: hotel com tabuleta, desconfie!
A FLIP tem revelado o lado crítico da rede em Paraty. Da rede elétrica frágil, sujeita a apagões, da rede de água e esgoto idem, faltou água no Che Bar ano passado, da rede web, difícil de acessar. Os hotéis têm ficado cada vez mais caros e piores em qualidade. E esse ano, o programa da festa, fartamente distribuido em anos anteriores, foi vendido a 5. Depois do segundo dia, entrou em liquidação e caiu pra 2. Lembrou-me a tabuleta do jornal.
Saí de casa hoje às 6 pra pegar o vôo das 8 para Cuiabá. Escala em Brasilia. Pela primeira vez fui a Brasília. Nunca vi nada mais confuso do que o Aeroporto de Brasilia. Parece que o Mundo está lá. Depois de 3 horas assistindo pouso e decolagem, finalmente partimos para Cuiabá. Quando cheguei aqui, descobri que ganhei uma hora em relação ao Rio. Mas não tem jeito. Domingo eu perco ela.
Em Cuiabá, um calor de morte. Os táxis aqui não usam taxímetro. Qualquer corrida deve ser 30. Paguei sem chiar, depois de uma explanação longa do motorista de que o Aeroporto fica na verdade em Várzea, etc, etc. Ele parecia se justificar o tempo todo.
Vim lendo Na Praia de Chesil, Ian McEwann, edição portuguesa, primeiras impressões ótimas.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A melhor decisão


Caro Eugênio,

Respondo pelo blog seu torpedo, devido ao pouco espaço que o celular me permite.

Ultimamente, Eugênio, temos nos comunicado somente por torpedos, uma forma pouco convencional de conversar entre irmãos. Decidi que hoje respondo pelo blog, o que não deixa de ser também uma forma inusitada, mas entendo ser mais possível e talvez nos dê a oportunidade de nos rever um pouco (ou que eu nos reveja). Sei que possivelmente você nunca lerá esse texto, mas esse fato também está sendo considerado, não tenho qualquer espectativa com relação à possibilidade de que tudo isso se torne uma remissão para nossos pecados, é só uma postagem .Sei também dos tempos difíceis que atravessamos, das superações que pesam sobre nós e da sua maneira de me enxergar ausente desse contexto, de me ver sempre à distância, participando pouco do nosso sofrimento. É preciso que antes de mais nada, você saiba que sofremos em sintonia fina como devem sofrer os irmãos, que a distância jamais permitiu que eu ficasse longe dos nossos abismos.

Seu torpedo é curto: "Vou fazer a cirurgia de estômago com o Dr Renan, já estou fazendo os exames. Você me ajuda com a autorização?" Posso concluir que: 1) a cirurgia já está decidida; 2) a decisão foi tomada de pronto, já que ninguém na familia comentou o assunto nos últimos meses; 3) você não quer minha opinião médica, apenas ajuda para autorização. Considerando tudo isso, tudo que pondero daqui pra frente é conjectura inútil, que satisfaz apenas a minha vontade de resposta.

Que somos dois obesos é fato, seu IMC deve estar beirando os 40, um pouco maior do que o meu. Que você tem co-morbidades que facilmente complementariam o protocolo de exigência clínica da cirurgia, também não há dúvida.

Mas que me seja permitido considerar a vida sem estômago. Das pessoas que conheço que fizeram a cirurgia, Eugênio, nenhuma tem o semblante feliz de antes, e acredito que são raras aquelas que, perguntadas sobre sua satisfação com o procedimento, se declarem satisfeitas. Com todo o peso das adversidades, certamente será mais um a perturbar sua rotina, você terá que se despojar das vontades gustativas mais agudas que possam existir. No lugar daquele um, será um décimo daquele um, suficiente para encher seu estômago curtinho.

Hoje, o que eu tenho visto muito são as limitações que o estômago mutilado impoem aos nossos sensores glutões: nunca mais um prato de comida autêntico, arroz, feijão, bife acebolado, batata, comidinhas que a Dio sabe fazer muito bem. E sobremesas crocantes, geladas, implorando para serem comidas.

Brincadeiras a parte, o ministério da saúde exige que você cumpra um protocolo antes de aprovar o procedimento. Uma das exigências é que se tenha tentado o tratamento clínico por pelo menos, dois anos. Ora, eu não me lembro de nenhum esforço seu (nem meu) para reverter esse quadro. Ao contrário, as adversidades têm sido um prato cheio para nossos pratos fartos.

Houve um tempo em que éramos bem magrinhos e comíamos muito. Hoje comemos menos, mas o peso só aumenta. É a dura realidade, Eugênio! Mas será que cortar um pedaço de estômago vai nos tornar mais felizes? Eu já me fiz esse questionamento muitas vezes e só consigo chegar à conclusão de que só vai agregar mais um peso: o peso irreversível da saciedade involuntária.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Acabou a terapia

Ontem descobri que fui ludibriado pela HBO. Em terapia, a melhor coisa feita para televisão esse ano, que parecia não ter fim , acabou sexta passada quando eu estava na FLIP. A sessão de Laura foi pro brejo. E eu, literalmente abandonado.
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Segunda reunião do nosso colegiado no Windsor Flórida. Fluiu muito bem. Eis uma descoberta e tanto! Pena que possivelmente não vai dar mais, por conta da inauguração do auditório da empresa.
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Estou atolado até o pescoço de aula pra preparar para a FGV. Mas não posso me furtar a um mínimo comentário que seja. Meus cinco leitores reclamam.
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Então vamo lá: a sugestão da semana é o livrinho pornográfico do Xico Sá. Um escracho só!! Tem também o disco Flores do clube, em que algumas meninas cantam as canções do clube de esquina. Quem se saiu melhor disparado foi Fernanda Takai, com Um gosto de Sol. Lindo mesmo. Marina de la Riva decepciona fazendo um Dos cruces xoxo. Botei fé no primeiro disco da moça, espero não me desapontar. O resto, médio. Eu não ousaria produzir um disco desses. Os discos do clube são irretocáveis!
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Um jantar perfeito ontem, uma noite mal dormida, uma reunião fluida e pesada, vou dormir. Boa noite!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Segunda sem lei

Segunda pesada, mas sem pesadelos. Foi uma segunda trabalhosa. Gosto de dias assim. De chegar no fim da tarde com a sensação da missão cumprida. E de tomar um bom banho no fim. Mais lugar comum impossível.

Começo a imaginar a ausência das crianças por três semanas consecutivas. Essa próxima eu vou pra Cuiabá a trabalho, como já havia dito. E assim passam-se os dias. E Laura, Luisa e Chicó a 300 km no mínimo de mim. Sei não, esse julho está muito dividido. Reluto em acreditar. O que tem sido feito de mim sem aqueles abraços e afetos?

Quatro dias longe e ainda tem flamenguista enchendo o saco. Ô raça! Vai caçar um serviço, moço!

Hoje recebi um daqueles convites irrecusáveis: jantar na casa do Professor Schott. Com todo cansaço da segunda, e as obrigações pesadas do resto da semana, impossível recusar. Nesses ultimos anos, ninguém me ensinou mais do que ele. O mais difícil é levar a namorada, quase uma exigência que acompanhou o convite. Vai dar não, Professor. Mas eu vou!

Renata me surpreende com sua recusa em ler Fernando Vallejo. Tento convencê-la de que esse asco pela humanidade nada mais é do que uma prova de amor. O que Fernando parece odiar é justo o que odiamos, Renatinha: a ladroagem, a canalhice e a impunidade dos políticos e dos extremistas.

domingo, 6 de julho de 2008

Perder, ganhar, viver

Hoje é domingo, são 17, acabo de chegar de Paraty. Uma maratona de mesas de discussões, boa comida e Maria Marta. Esse ano fui com Nelinha. Em Paraty, o TIM WEB parecia uma mula empacada, por isso não pude fazer os comentários em tempo real como pretendia. Faço agora em retrospectiva resumida.

Chegamos na quinta, cansados de tanto torcer pelo Fluminense na quarta. Sobre o fiasco na Libertadores, limito-me a comentar que Fernando Calazans e Renato Maurício Prado escreveram muito melhor do que o que eu escreveria aqui, no Globo de sexta. Decidimos que nada atrapalharia nosso roteiro na FLIP.

Paraty tem o dom de fazer renascer a musculatura cansada e o esgotamento mental, de forma que levamos bem a quinta. Começamos com o Camarão Geraldo Lins do Santa Rita, um manjar dos deuses obrigatório em todas as nossas idas a Paraty. Depois fomos ver Humberto Werneck e Xico Sá.

Humberto Werneck está lançando O Santo Sujo, a vida de Jaime Ovalle. Há uma multiplicidade de coisas interessantes sobre Jaime Ovalle, um sujeito que, apesar de não ter escrito quase nada e feito umas pouquíssimas canções, conseguiu influenciar Bandeira, Schmidt, Drummond, Vinicius e muitos outros expoentes da nossa literatura. O que mais nos interessou em Ovalle foi o fato dele ter criado a nova gnomonia. A nova gnomonia divide a humanidade em Parás, Dantas, Kernianos, Mozarlescos e Onésimos. Os Parás, ou do Exército do Pará, são esses homenzinhos terríveis que vêm do norte para vencer na capital. Os Dantas são os homens de ânimo puro, nobres e desprendidos, indiferentes ao sucesso na vida, cordatos e modestos, ainda quando tenham consciência do próprio valor. Os Kernianos são os impulsivos. Indivíduos de bom coração, capazes de grandes sacrifícios, pelos outros, deixam-se arrastar às vezes, à prática dos atos mais condenáveis, não por maldade, mas por um impulso irressistível de cólera. Os Mozarlescos são pessoas que se exprimem de modo a fornecer aos que os observam, uma impressão de coisas consideráveis, ao que todavia não corresponde o conteúdo de suas palavras ou de suas ações. Os Onésimos são aqueles que sempre instalam uma nuvem negra por onde passam. Onde aparecem, são sempre assim: duvidam, sorriem, desapontam. Diante deles, ninguém tem coragem de chorar. Tudo isso está descrito com riqueza de detalhes no livro e nas Crônicas da Província do Brasil, de Manoel Bandeira. O fato é que ficamos brincando de classificar as pessoas e aperfeiçoar a nova gnomonia durante um bom tempo na FLIP.

Sexta de manhã, fomos ver João Gilberto Noll inspiradíssimo, lançando seu novo livro, Acenos e Afagos. Depois fomos almoçar com Maria Marta no Margarida Café. E ela nos brindou com os Gudins e os Vanzolinis que tanto amamos. De noite fomos ver David Sedaris e seu Veludo Cotelê. David é uma espécie de Senfield da literatura americana. Muito simpático. Perguntado sobre o suicídio, comentou que embora não seja um suicida em potencial, muitas vezes passa pela cabeça que não se importaria muito que o aviao caísse.

O sábado nos guardava uma das melhores mesas que já participamos em todas as FLIPs: O colombiano Fernando Vallejo e o holandês Cees Noteboom. Os dois, com uma maneira muito diferente e pessoal de escrever, acabaram patrocinando uma grande discussão sobre política, religiosidade e viagens. Nossa foto com Fernando Vallejo aí em cima.

Por fim, hoje de manhã uma mesa muito interessante com Pierre Bayard e Marcelo Coelho. O primeiro lançando o interessante Como falar dos livros que não lemos. A participação de Marcelo valorizou muito bastante a mesa.

A Festa Literária de Paraty tem mudado um pouco seu foco para os modismos, mas continua a ser um lugar altamente propício para a boa leitura, reflexão e descanso. Ano que vem eu volto.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Estou farto do lirismo comedido

Assumi tanto projeto que agora está pipocando, que nem tenho tido tempo de desconversar, o que é uma lástima. Conversar comigo mesmo tem sido meu melhor decanso. As reuniões de trabalho também minam tempo e projeto. Ontem fui e voltei de Volta Redonda ouvindo a seleção pessoal Roberto Carlos com Walmir e Adriana (só tinha esse cd no carro). Dá pra fazer um ou dois retoques, mas em essência, está boa.
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Em Volta Redonda, é essencial o Pintado na Brasa da Toca da Traira. É a atração turística mais suculenta daquela cidade. Prá comer ajoelhado.
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Cheguei em casa já bem noitinha e fiquei ouvindo Roberto Mendes. O compositor do recôncavo fez um disco maduro, de ótimo gosto.
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No fim da noite, um esgotamento e um não sei quê de nada tomou conta de mim. É aquela hora em que as coisas vão perdendo vagarosamente o sentido e só se vê o vazio. Dormir é o melhor remédio. Mas nessas horas, até dormir fica difícil. E os benzodiazepínicos só servem pra aprofundar mais o vazio, transformando vazio em bode. E a nova série da HBO (diz que me ama), arrasta-se chata e lenta no vídeo. Não consigo instalar o nero no novo note. Um vascaino fdp grita que o Fluminense vai ganhar de 2 a 1. Dorme, Francisco, dorme!