segunda-feira, 31 de maio de 2010

Século do progresso

Um dos (poucos) erros do disco Martinho canta Noel, é a interpretação suave de Ana Costa para Século do Progresso, consagrada na voz de Aracy de Almeida. Desafiar Aracy é problemático. Marcos Sacramento bem que tentou no excepcional Memorável samba, mas Triste cuíca com Marcos passa longe da interpretação triste de Aracy. Só Nana chegou perto no seu Último desejo escoltada por Hélio Delmiro e Rafael Rabelo, mas aí é covardia. Quem conheceu (como eu) a caricata Aracy de Almeida jurada do Programa Silvio Santos, devia procurar ouvir mais essa intérprete refinada da canção brasileira. Na foto aí de cima, a capa que Di Cavalcanti fez para o disco em que Aracy canta Noel. Precisa mais?
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Saí cedo hoje direto para a agência do PROCON no centro para (pasmem!) renovar minha carteira de identidade! Nunca vi isso, carteira de identidade tem validade! Deixei de ser o velho Francisco em outubro de 2009. Que remédio?? Enfim, até que foi rápido.
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Pruma segunda-feira que foi um corre-corre danado, cheia de reuniões, demandas, sensação de desconforto com o cumprimento do dever, até que cheguei inteiro às 20 h aqui no Alda Maria.

domingo, 30 de maio de 2010

Estômago


Já dá pra começar a acreditar. Depois do mingau aplicado no Flamengo no meio da semana, essa vitória indiscutível sobre o Galo convenceu. Nunca tinha ouvido o Júnior falar tanta besteira (será que o Fla Flu deixou o moço atordoado?). O Fluminense foi superior o tempo todo, procurou o gol o tempo todo, menos para o narrador e para o comentarista da Rede Globo. Cadê Chicó? Liguei duas vezes e nada!! Isso precisa ser comemorado! Não é todo dia!
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Com mais um estrondoso atraso, vi hoje Estômago. Ótimo filme! Direção enxuta, elenco afiado, sem apelos exagerados, de fazer qualquer brasileiro ficar orgulhoso do seu cinema.
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A vélox prometeu retorno ontem às 18 (seis da noite, foi o que disse a atendente). Pelo jeito, a manutenção agudizou. Hoje passei o dia dividindo o Claro (em Niterói 1/4 de G) com Laura. Nem liguei pra lá. Tem hora que você cansa de ouvir musiquinha, que já está ficando muito velho pra ser tão desrespeitado.
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O dueto de Marcos Sacramento e Gonzaga Leal em Saudade do meu barracão, no disco do último, vale o disco. E o que mais aflore não sai da agulha!

sábado, 29 de maio de 2010

Angu do Gomes

Dennis Hopper acaba de morrer. Mais um esse ano. Nunca me esquecerei da cena do filme Amor à queima roupa, quando Dennis é torturado por Christopher Walken para revelar o paradeiro do filho. Uma cena qualquer de uma filme meio trash (adorei!), que Hopper arrebenta. Vale o filme. Bom, o pitéuzinho da Patricia Arquete também vale!
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Duas leitoras atentas se queixaram da exclusão do texto de antes de ontem e merecem uma justificativa: toda vez que eu transformo o blog num confessionário, escrevo bobagens ainda maiores do que as que já escrevo normalmente. Já não basta essa gente toda morrendo e eu aqui resmungando?? Eu tenho que tocar esse barco e pronto! Sem cochilos pra canoa não furar, não é, Siba?
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A Rodoviária Novo Rio ganhou novos contornos, inclusive um Spoleto. Fui pegar Laura e almoçamos lá. Comi um nhoque da fortuna e ganhei um dólar. Deu pra pagar o banheiro. A Rodoviária Novo Rio é o único lugar do Mundo onde se paga pra fazer xixi. Não teve jeito: 1,25!! Lá se foi meu dólar da fortuna.
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A vélox hoje resolveu afundar. Liguei pra lá e depois de ouvir uma série de musiquinhas, lamentaram e disseram que estão em manutenção. Como assim?? Isso vai ser creditado na minha fatura?? Não, Sr, aí não é o nosso departamento. Ligue 707070. Argh!!!
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Quando eu tinha 17 anos, fiz meu primeiro vôo solo noturno ao centro do Rio. Bem, não tão solo. Estava acompanhado de Kléber Borges, meu professor de português. Fomos ver Gonzaguinha no seis e meia do Joao Caetano. Maravilha. Na volta, comemos um autêntico angu do Gomes na Praça XV. Outra maravilha. Conto tudo isso porque ontem fui no sopeiro aqui debaixo e comi um angu a baiana quase do Gomes. Quase deu pra ouvir Gonzaguinha, conversar com Kléber e volver a los 17.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ilha deserta




Bela crônica de Felipe Hirsch no Globo de hoje, comentando sobre o programa "Desert island discs" transmitido pela BBC Radio 4. Toda semana um convidado escolhe oito gravações que levaria para uma ilha deserta. Vim pensando nisso na cantareira. Discos, livros e canções para uma ilha deserta dão um compêndio.
Sobre discos, não sei os outro sete, mas um que eu levaria com toda certeza é o Mudança dos ventos da Nana. Esse disco, lançado originalmente em 1980, quando eu tinha 19, foi um divisor de águas na minha vida musical. Mais que isso, a partir dele, foi que eu percebi que podia encantar as pessoas através da música. Até então, eu era apenas um sujeito introspecto, fechado. Dali pra frente, gravar uma fita cassete para dar de presente a uma moça virou mania. E mote para grandes paixões. A primeira delas foi decantada durante dois anos pelo Mudança dos ventos.
Fui apresentado oficialmente ao canto de Nana por uma amigo em Paraíso do Tobias, distrito de Miracema, perto de Odete Lima. Até então a cantora era uma chata pouco conhecida pra mim. Esse amigo me deu uma fita cassete com o Mudança dos ventos. Comecei logo a ouvir com mais cuidado. Pouco a pouco, o disco foi tomando um vulto e de repente, eu só sabia ouvir aquelas músicas. Até hoje sei de cor a ordem dos lados.
A começar pela própria canção, que dá nome e abre o disco. Um belíssimo tema de amor, que Ivan deve ter feito pra Lucinha Lins, que também gravou lindamente. Mas o canto de Nana nessa música é uma história a parte.
A segunda é não menos do que a Canção da manhã feliz, de Haroldo Barbosa e Luiz Reis. Um dia desses mesmo, cantarolava essa canção pra S.. Não conhecia a versão da Eliseth e foi bom, porque Nana tornou a canção imaculada pra mim.
A terceira é a melhor gravação de Meu bem querer já feita. Nana costuma estraçalhar quando canta Djavan, já tinha feito isso (embora eu ainda não conhecesse) em Dupla traição.
Seguem-se Pérola, Meu silêncio e Rama de nuvens completando o lado A mais ouvido na minha vida.
No lado B, vale destacar pelo menos, três canções belíssimas: De volta ao começo do Gonzaguinha, Mistérios de Joyce e Maurício Maestro e Essas tardes assim, de Fernando Oliveira e Rosa Passos, então somente uma compositora.
Mudança dos ventos mora comigo e vai morar sempre em qualquer ilha deserta ou não. E deveria morar no coração de cada pessoa que viveu intensamente os anos 80.
No mais, termino a crônica com o último parágrafo de Felipe:
"Para despertar paixões. Esqueça um pouco do que você não gosta ou pensa não gostar. Fale sobre o que é capaz de tirar seus pés do chão. Do que é capaz de te fazer feliz, mesmo numa ilha deserta. "

domingo, 23 de maio de 2010

You Don't Know Jack

Esse filme deveria passar em horário nobre no lugar da novela Passione (aprendi o nome ontem), para provocar uma discussão mais abrangente nesse país, em que se abusa amplamente da distanásia a troco do dinheiro sujo da indústria. É uma das atrocidades do modelo fee for service de pagamento de serviços médicos hospitalares, que valoriza a máquina ligada mais tempo, os remédios de última geração que não prometem nada e o sofrimento prolongado e inútil dos familiares.
Jack Kevorkian, interpretado aqui por Al Pacino (alguns dirão caricato, eu achei brilhante), foi um controverso defensor e prático da eutanásia no estado de Michigan. Teve que enfrentar a sociedade (médica e local), a justiça e o fanatismo religioso para defender suas convicções. Acabou preso.
Não conheço a história além do filme, mas pelo que vi, Jack Kevorkian parece um homem à frente do seu tempo, e sua história, uma reflexão sobre a delicada relação de considerar vivo, aquilo que já está morto.
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E o Fluminense perdeu mais uma. Dessa vez até que não jogou mal. Perdeu pelo frango do goleiro Rafael, pelo erro da cabeçada do Fred e principalmente pela roubalheira do juiz Leonardo Gaciba, que anulou um gol legítimo. E mais, em toda a minha vida de peboleiro, eu nunca vi um juiz dar um pênalty e depois voltar atrás. Ontem foi a primeira.
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Um final de semana inteiro bem vivido pode ser comprometido por 15 minutos de desacerto. No inverno, tudo dói mais.

Com caco de telha, com caco de vidro

A jovem guarda produziu um sem número de canções medíocres que têm sido exploradas por nossos melhores intérpretes. Sim, ouvi muito delas na minha infância, mas hoje não sei se aguento mais. Recentemente, Zé Renato lançou um cd recheado dessas músicas. São canções bobinhas, cheias de só tem amor quem tem amor pra dar. A gente ouve uma vez, gosta, na segunda já começa a enjoar. Mas como disse meu amigo Jadim, qualquer coisa na voz bonita do Zé Renato, vira clássico.
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Luiz Melodia começou o show cantando algumas dessas. Estranhei. Nada demais, mas soaram meio blasé na voz aveludada do Melodia. Até o primeiro acorde de Pérola Negra, tive dúvidas de que o show seria bom. Mas daí ele mandou Farrapo Humano num tom mais acelerado e um Que loucura, com aquele arranjo lisérgico do Renato Piau e pronto: era Melodia de novo! Apoiado pelo violão de Renato e mais um violão e um cavaco corretíssimos, Melodia foi sempre superior quando cantou seu próprio repertório. No bis, com a participação luxuosa da flauta de Alexandre Maionese, montaram um regional para Melodia cantar Fadas e Decisão. A platéia veio abaixo!
Vi Melodia em outras duas ou três oportunidades, uma delas no Teatro da UFF no início dos anos 80. O show, programado pras 21, começou meia noite, quando a banda e 80% da platéia já tinham ido embora. Ele pegou do violão e fez uma sessão inesquecíovel de uma hora de meia. Saí dali extasiado. Estava sozinho? Não me lembro.

sábado, 22 de maio de 2010

Rubens Correia

"Imaginem aquele encontro: duas pessoas no limite de sua solidão e do desespero, que por acaso se encontram cara a cara e reconhecem um no outro a fraternidade de uma mesma angústia, de um mesmo sofrimento, de uma mesma solidão"
Louis Althusser


O Teatro Glauce Rocha tem uma importância histórica pra mim: por volta de 1993, eu vi "O futuro dura muito tempo", baseada na obra de Louis Althusser. Voltei ao Teatro algumas vezes, mas nada me impressionou tanto, nem em nenhum outro teatro que já fui, quanto à atuação de Rubens Correia. Rubens superou tudo que eu imaginava de brilhante no teatro.
Ontem voltei ao Teatro Glauce Rocha. Fui com as meninas ver O amante do girassol. Impossível entrar naquele teatro e não lembrar de Rubens.
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Custei um pouco pra convencer as meninas, mas acabaram por ceder. Hoje em dia, não é muito fácil seduzí-las com minhas canções de afeto, como há anos atrás. Acabei me arrependendo . O Amante do girassol é um lamentável equívoco. Cercado de poesias e citações, Daniel Lobo vai tecendo uma performance teatral costurada pelo piano de João Carlos Assis Brasil, mas não consegue emplacar. A meu ver, ficaria melhor se fosse somente uma récita de píano e voz.
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Por outro lado, uma grata surpresa foi esse filme O mensageiro. A história de dois oficiais (Ben Foster e Woody Harrelson, incumbidos de notificar aos familiares dos soldados da morte deles em combate. Achei mais interessante e mais rico do que Guerra ao terror e a performance de Woody Harrelson é das melhores que vi no cimema neste ano.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Lie to me


Depois que Kellen e Renatinha voltaram a comentar, posso voltar a escrever. Achei que o blog estivesse abandonado.
Nesse meio tempo, trabalhei, fui e voltei a Três Rios, não fiz nada além do habitual. Nenhuma centelha de novo.
Uma velha amiga, leitora do blog, fez um comentário tão grande sobre o último texto que não coube no blog, virou mensagem. Reproduzo aqui a essência, sem pedir licença: "Não gosto quando leio no blog que está perdido sem saber quem é, vc é uma pessoa normal, que teve um ótimo fim de semana com os que gosta e retornou a vida real que é trabalho e rotina. Não pensa muito, curte as coisas boas e deixa as outras de lado."
Muito bem. Essa crise de identidade ocasional é de fato, um incômodo retumbante na minha vida. Quando a vida passa a ser quase 100% racional, ou seja, quando você está definitivamente velho e lhe faltam as travessuras do menino e você começa a descobrir o quanto é chato, vão se adiantando os dias sem que você perceba, os anos sem que você perceba. É preciso se superar para aceitar o normal ou seja: curtir as coisas boas e deixar as outras de lado. Mas prometo tentar. Esse fim de semana por exemplo tenho quase toda a felicidade do Mundo comigo. Laura e Luisa estão aqui em Niterói.
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Terminei a quinta temporada de House e a primeira de Lie to me. As duas possuem semelhanças. Ambas são centradas em personagens solitários, geniais no que fazem, mal resolvidos nos afetos. Mas Hugh Larie leva vantagem sobre Tim Roth no quesito carisma. E Lie to me é bem mais enxuta, restrita ao universo de quatro personagens. Não sei notícias de novas temporadas, pois raramente vejo TV a cabo, mas torço pra que Lie to me continue. E achei um primor o episódio de House em que Kutner se suicida.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Entre os muros

O último final de semana foi tranquilo em Miracema. A rotina de sempre. Bunda de Fora na sexta e Pizzaria do Wictor no sábado, boas conversas com S., Jadim e Tereza, Alex e Gisele, Luisa e Chicó e por aí foi. Fui e voltei sozinho como há muito não fazia.
Na viagem, o cd Poeta da cidade não saiu da agulha. Trata-se da homenagem que Martinho da Vila presta ao centenário de Noel Rosa. À exceção d'Último desejo, o repertório é pouco óbvio. Maurício Carrilho, Rildo Hora e um time de novas intérpretes contribui para o sucesso do disco. Seja breve, que só conhecia do Rumo aos antigos, ficou ótima, assim como Minha viola. O disco todo foi feito com muito esmero.
Vi, com S. e um atraso de dois anos, Entre os muros da escola. Ótimo, deveria ser matéria obrigatória para professores e alunos.
Também vi o suspense francês Não conte à ninguém, esse médio. Digamos assim, dá pra passar o tempo.
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Hoje estou tentando saber de mim desde cedo. Não saberei responder como estou, mas trabalho normalmente sem parar para refletir sobre nada. Simplesmente deixei o dia passar sem muitos arroubos, tentando evitar que me notassem. Igual à toda segunda. Ônibus, barca, Escuta som, trabalho, barca, Al farábi, onibus, o mesmo e velho trajeto. Passou.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A single man


A single man encanta pela direção segura do estilista Tom Ford, pela atuação irrepreensível de Colin Firth, pela delicadeza com que o assunto é colocado e como se desenvolve muito bem. O assunto a que me refiro é perda. A single man, idiotamente traduzido no Brasil como Direito de amar, é essencialmente um filme sobre a perda e suas consequências desastrosas. O fato de ser uma perda homossexual talvez torne a questão ainda mais delicada, mas influi pouco no desfecho.
Um sujeito que perde desatrosamente algo que lhe é tão caro, acaba perdendo mesmo o sentido da vida. Disso, eu sei muito bem.
Como o filme é passado em 62 e ainda não se conhecia as maravilhas do prozac, o luto é tratado com destilados fortes em altas doses, uma amizade improvável (Juliane Moore ótima também!) e a preocupação em manter a aparência sadia. Tudo isso é um peso para George Falconer.
A single man é uma reflexão dolorida, sombria e reveladora sobre a incapacidade de como lidamos com nossos abismos.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O que toca no Ipod shuffle


"Todo lo que diga está de más,
Las luces siempre encienden en el alma
Y cuando me pierdo en la ciudad
Vos ya sabés comprender
Es solo un rato no más
Tendría que llorar o salir a matar.
Te vi, te vi, te vi
Yo no buscaba nadie y te vi."
Fito Paéz, Un vestido y un amor


Uma das grandes vantagens do blog é que ele não permite contestação: é um monólogo. Outra é que você pode falar de canções e poemas que costumam parecer esperanto para seus melhores amigos, sem a necessidade de ouvir: que coisa é essa???
Adriana Varela é uma cantora portenha desconhecida do público brasileiro, pelo menos daquele que eu alcanço. Se você for à Loja Arlequim do Paço do Império, consegue encontrar, a peso de ouro, alguns cds dela. Valem o peso.
Fui conhecer Adriana Varela em Buenos Aires numa loja da Corrientes. A voz segura, meio rouca, noturna, foi logo me encantando. É de longe a melhor versão de Un vestido y un amor de Fito Paéz. Atualmente, roda no meu shuffle, o cd em que ela grava composições de Enrique Cadícamo, Tangos de Lengue. Irrepreensível!
Luisa Maíta cantando Coração Brasileiro no disco do galego Carlos Nunes (Alborada do Brasil) é um achado. O disco todo é muito bom. Sua gaita de fole passeia sem cerimônia por nossas melhores canções.
Notícia boa, li que Dori Caymmi lançou disco novo (Mundo de dentro). Ruim saber que o disco só é vendido no show. Dei meu jeito, já estou escutando. O pouco que ouvi já me encantou. Dori é um perfeccionista.
Tenho ouvido Chico Violão, o disco em que Arthur Nestróvski repassa a obra recente de Chico Buarque. Adorei Suburbano coração, essa canção merecia uma versão mais doce.
E ainda Pedro Abrunhosa e Comité Caviar, Longe. O português continua em forma. Lembra Raul Seixas, nem sei porque.
Continuam inamovíveis, os discos de Vitor Ramil, Luiz Tatit e Cláudia Cunha.

domingo, 9 de maio de 2010

Sábia decisão


Sexta de noite, Laura foi dançar em Friburgo. Sozinho, resolvi tomar o rumo de casa. No sábado de manhã, parti para Miracema. Decidi assim, de pronto. Serviria pra trazer Laura de volta, ver Luisa, Chicó e S., e almoçar com minha mãe hoje. Serviu pra isso tudo e mais alguma coisa. Foram 48 horas bem vividas, inclusive as viajadas. O cansaço passou batido.
Ontem passei a tarde com S. e dentre outras coisa boas de se fazer no frio miracemense de tarde, assistimos ao show de Mariza, Terra em concerto. O show, correto, com ótimos momentos aqui e ali, veio acompanhado de um documentário sobre a história do fado. Narrado estranhamente em inglês (Mariza tem muita projeção na Inglaterra, deve ser por isso), o documentário procura aproximar o fado das tradições afro brasileiras. Gosto de fado desde muito e a idéia nunca me ocorreu. Sempre achei a melancólica canção de Portugal enraizada nas tascas de Alfama e Mouraria, muito bem mostradas no documentario. Não conheço profundamente a história do fado, mas essa conexão pareceu mais coisa pra inglês ver. Não importa, o fado é lindo pra quem o abraça e compreende. Tento mostrar isso à Laura, Luisa, ou qualquer um que se meta comigo.
De noite fomos ao árabe comer quibe com Alex e Gisele. Boa conversa como sempre.
Hoje almocei com minha mãe em familia, coisa muito rara.
Se tivesse ficado aqui em Niterói, ia ser só mais um. Meu lugar aqui, definitivamente, é só de segunda à sexta.
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Na sobra do tempo em Miracema, ainda vi O desinformante, mais um Soderberg. Dessa vez com Matt Damon fazendo o atrapalhado do título. O filme não chega a ser um pérola, mas dá pra passar sem traumas.
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Sei que é pretencioso escrever que esse blog tem leitores assíduos, mas hoje é aniversátio de uma velha amiga e leitora assídua. Mais que a história do blog, trata-se de alguém que mudou a minha história. Como poucos mudaram. Espero que continue a fazer parte dela e o blog sirva para estar sempre nos atualizando. Beijos desconversados!!
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E o Fluminense perdeu mais uma! O gol foi roubado, o Ceará é um timeco que mal vai aspirar a permanência na primeira divisão, mas mereceu ganhar. Porque hoje o Fluminense foi muito menos que um timeco.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Responde à roda

É meia noite e o Fluminense acaba de perder mais uma. Muricy vai ter trabalho com esse time. Ou melhor, nem Muricy dá jeito. Adorava fórmula 1 até o dia em que Ayrton morreu. Parece que o mesmo está acontecendo com o Fluminense. Fiquei uma boa parte do segundo tempo terminando um episódio de House.
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Trabalhei em Três Rios hoje. Nada contra, até gosto de viagens rápidas. O problema é que retardei a volta, saí quase 17 de lá, a Washington Luiz parada. A linha vermelha parada. A ponte parada. Cheguei em casa ao mesmo tempo esgotado e alerta. Detesto dirigir no escuro.
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Deu pra ouvir o disco novo do Gotan, o disco Responde a roda de Cláudia Cunha, e mais uma vez, Tatit e Vitor Ramil. Esse disco Responde à roda é mais uma grata surpresa do ano. Relançado agora via Biscoito Fino, teve de mim, a atenção que merece. Cláudia faz um belíssimo Auto-retrato do Gismonti e Geraldo Carneiro (que letra!, que música!) ao piano da virtuose André Mehmari.
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Edson Néry da Fonseca recitando Manuel Bandeira, achei médio. A récita é seca, sem nenhum viés interpretativo, diferente do disco gravado por Juca de Oliveira. Recomendo ouvir Manuel Bandeira por ele mesmo. Ninguém consegue ser mais Bandeira do que o próprio. principalmente quando ele evoca o Recife.
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É tarde, sei que estou escrevendo bobagens apenas para suprir a falta de sono. Vamos indo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Quente

Quente como um sopro de vida que vem devagar e vai tomando conta dos braços que já não são seus, pernas que já não são suas, como se fosse possível romper a manhã depois da morte lenta. Esses lapsos de maio de cores indestrutíveis, esses festejos do corpo, essa gana de continuar vivo, de ouvir sem paz o terceiro movimento da Titã e se esvair pelas ondas frias, ondas quentes e bravias. Ah, como são arroubos, como são fugazes, como são improváveis! E quanto menor a probabilidade, mais vorazes. Lá fora, o burburinho das pessoas nem nota, o caminhar apressado não alcança, os olhares perdidos não encontram. O mar, hoje, está cheirando à manga.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

En el ultimo trago



"Tómate esta botella conmigo
en el último trago nos vamos
quiero ver a qué sabe tu olvido
sin poner en mis ojos tus manos
Esta noche no voy a rogarte
Esta noche te vas que de veras
que difícil trata de olvidarte
y que sienta que ya no me quieras

Nada me han enseñado los años
siempre caigo en los mismos errores
otra vez a brindar con extraños
y a llorar por los mismos dolores

Tómate esta botella conmigo
en el último trago me dejas
esperamos que no haya testigos
por si acaso te diera vergüenza
Si algún día sin querer tropezamos
no te agaches ni me hables de frente
simplemente la mano nos damos
y después que murmure la gente"

Jimenez Jose Alfredo

domingo, 2 de maio de 2010

Sinal de paz

Não vou falar do meu humor nesse fim de semana. Em geral ele oscilou entre o inexpressivo e o depressivo. Para aliviar, trabalhei ontem, hoje vi muito House e Lie to me. Procurei passar o tempo sem deixar que ele me machucasse. Meus finais de semana em Niterói costumam ser assim. Lógico, depois que Laura veio pra cá, melhorou muito. Há mais um ser vivo na casa, sempre alguém para que se possa pensar em levantar e comprar o pão, e em dias especiais, até mais do que isso.
Pois bem, no final do segundo tempo desse domingo sem futebol, arrisquei e chamei Laura pruma sessão de cinema em casa.
Sempre procuramos respeitar o silêncio um do outro, cada um no seu quarto cuidando do seu ócio, geralmente fico com medo de atrapalhar. Arrisquei.
E veio esse Julie e Julia, delicado, cheio de referências afetuosas e de enternecer qualquer domingo frio. O filme conta a história de duas mulheres apaixonadas pela cozinha, Meryl Streep sublime como sempre e um pitéuzinho chamado Amy Adams.
Ao final da sessão, já não éramos mais os solitários da Nilo Peçanha. Éramos pai e filha e o resto do Mundo. O que mais importa nesse final de domingo?
Estar aqui com minha filha e poder dividir um filme no domingo com ela é uma dádiva, uma graça, um maravilhoso sinal de paz interior.
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Uma das poucas e boas lembranças que tenho do menino que fui foram as sessões de cinema do Cine XV com meu pai. De vez em quando, isso volta. Como hoje.

sábado, 1 de maio de 2010

Sempre tem gente pra chamar de nós


Cada vez que Luiz Tatit lança um disco, há um ritual lá em casa, semelhante ao tratamento dado aos grandes blockbusters pelas megastores. Leio tudo que aparece nos jornais, comento com Laura, procuro as pré-vendas na rede.
Essa semana chegou Sem destino. Um belo disco, tão bom quanto qualquer outro do Tatit. Dessa vez, a FNAC foi rápida, o disco chegou no dia seguinte à encomenda. Mal abri o envelope, já fui mostrar pra Laura. Acostumei minhas meninas a ouvir as canções do Tatit e do Rumo desde que eram muito crianças e hoje elas gostam tanto quanto eu.
Tatit é a melhor definição para palavra encantada. Suas canções discursivas, comovem pela simplicidade, pela delicadeza, pelo tom informal com que chegam aos nossos ouvidos. Esse não foi diferente. O cd já é ouvido à exaustão no Ipod (na barca, no avião, no táxi), no carro, em qualquer lugar onde vou.
Tatit brinca com Nazareth e Capiba em Relembrando Nazareth, do mesmo jeito que Aldir e Bosco fizeram em Ademilde no choro, utilizando-se dos nomes das canções para compor a música.
Adorei a canção tema e Porque nós e A volta do sabiá são dessas que dão pega rápido e já voltei muitas vezes a elas.
As participações de sempre e sempre muito bem vindas, como Ná e Fábio Tagliaferri.
Ainda há muito que se comentar desse novo Luiz Tatit, mas o tempo tem mostrado que desde que ouvi pela primeira vez, Banzo, do disco Rumo ao vivo, as canções de Tatit têm se renovado de uma forma muito mágica, a cada audição