quinta-feira, 29 de abril de 2010

Resmungos de um dia de pedra


Ontem deparei-me por duas horas com o horroroso Jogo de Mentiras. Atraído por uma recomendação da Veja (irk!) , Elisabeth Shue no elenco e a informação de que o diretor Jake Goldberger faz uma homenagem aos clássicos noir, que cultuaram a máxima "onde há uma loura oferecida, sempre haverá também um "pato" pronto", aguentei as duas horas do filme. Ao final, descobri inutilmente que o pato é o pobre coitado do espectador. Recomendação FUJA!
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Nota na coluna de Joaquim Ferreira hoje no Globo dá conta de que o cantor Carlos José, 75 anos, o rei da seresta, foi reconhecido por uma morena no ônibus 223 em Deus me livre, que não o deixou sair do coletivo sem dar uma palinha e um autógrafo. É assim que tratam a memória da canção brasileira. Ainda bem que existem as morenas.
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O Governo me cobra e dá desconto pelo IPVA de um carro que já não é meu há mais de 15 anos. Piada de mau gosto, com tanto político vigarista roubando aos borbotões, vão implicar logo com quem está trabalhando feito doido pra fazer frente à sanha dos impostos desajustados.
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É só chover que o trânsito em Niterói para. Nada passa e o dia anoitece às 17. É só chover que arrumam logo uma reunião em São Paulo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sobre a morte como escolha.

Ando tão à flor da pele que até matéria da Veja sobre o novo código de ética médica me faz chorar. Argh!!! Até a Veja anda lavando meus olhos! É a vida! A matéria fala da morte como escolha para pacientes terminais, tema revisto pelo novo código de ética médica. Ali aparecem depoentes terminais oncológicos, imunodeprimidos, moribundos, agoniados. Já tinha discorrido aqui sobre os obliviados de Ana Hatherly. Sei que são situações diferentes, mas ambas tratam do mesmo direito: o de escolher a forma de ir. No fundo, a alma pode doer mais do que as feridas de um sarcoma incurável.
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Por outro lado, tenho me deparado com um sem número de solicitações inúteis de exames de imagem que não levam a lugar nenhum. O médico perdeu a noção do exame físico como ferramenta principal de diagnóstico e sai solicitando ressonâncias, tomografias, o que puder para livrá-lo do diagnóstico feito por ele mesmo. Isso não está em discussão no novo código de ética médica. Na verdade, a questão passa por uma situação delicada: a da educação médica continuada. Até que o médico reaprenda a examinar o paciente e fazer a solicitação adequada, não adianta negar, rever, glosar. É necessário mais do que uma simples auditoria.

domingo, 25 de abril de 2010

Altos e baixos no São Jorge

Não foi um feriado fácil.
Apesar dos esforços de S., da proximidade dos filhos e do conforto miracemense, na maior parte do tempo estive reflexivo e casmurro.
Feriado de uma perda insubstituível. Pela segunda vez no ano, retornei a um velório e a um enterro. Logo eu que nunca vou a um nem outro, agora só faltava virar rotina.
Motivos para resmungar não faltaram: a invenção de um novo imposto, a depressão depois de uma ou duas cervejas, o cansaço crônico. E pior de todos eles: o Claro 3G.
Também não fui muito feliz na escolha dos filmes. Gosto de ver filmes açucarados com S.. Escolhi esse Eu odeio dia dos namorados. Tinha achado Casamento Grego interessante e resolvi retornar à atriz. Horrível! Passe longe dele na locadora!
Também vi Distrito 9. É um filme interessante, mas não sei se era o momento de vê-lo. Não é nada animador.
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Mostrei pra S. a Serenata de Schubert na versão de Artur Nestróvski. Foi um momento de rara delicadeza,
Jantamos em familia ( eu. S., Luisa e Chicó), num lugar afastado da cidade que lembra o silêncio de Odete Lima.
Estive à disposição do Jadim a maior parte do tempo, e de alguma forma servi para tornar menos dolorosa a perda do Wilder .

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vida

É possível que Wilder Alvim esteja agora comendo um peixe fresco com Seu Carlos em Dunas de Itaúna, como na sua canção mais bonita.
Nesses últimos anos, só tenho contabilizado perdas. Wilder foi a última. Irmão de um melhor amigo, meu irmão, nascido em 61 como eu, Wilder despertava no menino que fui, uma certa inveja, pela maneira fácil com que se entendia com o violão e com as mulheres.
Crescemos juntos, seguimos nossos caminhos, mas havia um respeito mútuo que nos aproximava, que quase sempre se realçava quando falávamos das canções.
Numa última oportunidade, mostrei pra ele as Ilhas Cristais do Tito Madi,
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Interessante lembrar desse disco agora. É um dos últimos do Tito. Tudo nele cheira a Chove lá fora. Melancólico, noturno, dolorido, talhado com as notas de um dos nossos grandes melodistas. E tem uma canção chamada Águas Passadas, de Tito e Mário Teles, de fazer qualquer um recordar uma dor boa de recordar. Pena que seja atravessado por um teclado meio insosso o disco todo. Tito merecia um naipe de cordas, uma orquestra inteira a seu dispor.
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Wilder Alvim também mereceu uma projeção a altura do seu talento. Mas é possível que ele tivesse trocado carreira, dinheiro, estabilidade, por uma vida mais cheia de vida. É isso mesmo. Enquanto teve chance, Wilder viveu simplesmente.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O abacaxi de Irará


Parafraseando Zeca Baleiro, ando tão à flor da pele que até a demissão do Cuca pode me fazer chorar. Como não?? Cuca deveria ter sido demitido no dia em que o Fluminense perdeu para o Botafogo. A sábia diretoria do Fluminense deixou o jogo passar, o time ganhar da Portuguesa no Canindé, o torcedor se acostumar com a idéia de que afinal era razoável dar mais uma chance ao técnico, para depois demití-lo. Pra mim, foi uma falta de respeito enorme a um técnico que devolveu o Fluminense milagrosamente à primeira divisão do futebol ano passado.

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O Pirulito da Ciência é uma ótima oportunidade de ver Tom Zé repassar seu repertório delirante. Tenho ouvido no ipod e me divertido muito. Comecei a gostar de Tom Zé depois de velho. Depois que ouvi Estudando o samba, nunca mais parei.
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Saiu o primeiro filme triplo A do ano: Tudo pode dar certo. Woody Allen não poderia ter escolhido melhor seu alter-ego. E Larry David é o mesmo da série, um pouco mais intelectualizado. Imperdível!

domingo, 18 de abril de 2010

O palhaço do circo sem futuro



O título desse texto, uma canção do Cordel, em nada remete ao próprio texto. É apenas um bom título e passei por ele essa semana, mas não vou escrever sobre o assunto. Fica aí como lembrança morta.
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Um café no Arlequim deu início ao fim de semana na sexta. Dali fomos, eu e Laura, ao CCBB assistir Acorda Zé. A peça é baseada nos contos de cordel e no uso da linguagem da máscara. Há qualquer coisa de Ariano aqui, Câmara Cascudo ali, tudo muito bem apanhado, brasileiro e obrigatório pra quem gosta desses Brasis. O grupo que apresenta é daqui da Lapa e chama-se Moitará. E tem uma deslumbrante Caetana: Mariana Baltar.
Lembrei me de que fui a Campo Grande e esqueci que Manoel de Barros mora lá. É o que dá ficar procurando onça e tucano. Deveria ter procurado, isso sim, pelo esticador de horizontes e pelo alicate cremoso. Quem sabe um dia eu volto e me planto na casa do poeta, aguardando um autógrafo?
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No sábado, a internet voltou a pipocar na minha casa. Esses picos de ausência são fenômenos difíceis de compreender. Estava contando pra Laura: em menino, consertava toca-discos, fita cassete e antena de TV com relativa facilidade. E o que não consertava, tinha sempre um diagnóstico, tipo queimou um fusível ou quebrou a agulha e aí trocava-se um ou outro e estava resolvido. Hoje em dia, essas quedas de rede, você nunca sabe porque acontecem. Chama um técnico, ele fica duas horas na sua casa tentando consertar, acaba desistindo, levando o roteador e no dia seguinte, trás a internet de volta. Ninguém sabe o que ocorreu de fato. Acho que nem o técnico.
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Assisti (em três partes porque sempre dormia) ao filme 2012. Categoria médio. A cena que mais gostei foi quando John Cusack e Amanda Peet (os mocinhos) estão discutindo no carro a separação, ela pergunta se ele mudou desde que se separaram e ele responde apenas que passou a comer mais cereais.
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Do festival MUITOS FILMES GUARDADOS NA GAVETA QUE EU QUERO VER COM VOCÊ, assistimos Quase famosos. Foi uma ótima sessão de sábado.
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No domingo, fomos ver As melhores coisas do Mundo, novo filme dirigido por Laiz Bodansky. O filme trata temas complicados para adolescentes, tais como homossexualismo, suicídio, sexo, relação professor-aluno, e tenta dar um tratamento juvenil . A abordagem, porém me pareceu muito superficial.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Oficina insana



"O choro chora"

Pelo segundo ano seguido, a Secretaria e Cultura de Eduardo Paes deixou o choro de fora do Viradão Cultural. A maratona de 24h de shows cidade afora será dia 23, quando se festejam o... Dia do Choro e o nascimento de São Pixinguinha. -
essa notícia, tirada da coluna de Anselmo Góis do Globo de hoje, é mesmo de estarrecer, envergonhar, reagir.

Tentando fazer sua parte frente ao torniquete cultural do prefeito, para o ano que vem, a DESCONVERSA EVENTOS está preparando duas oficinas:


1) Introdução ao fado vadio

Público alvo: donzelas sofridas, virgens mal sexuadas e mulheres do tipo A.
Carga horária: 6 horas aula

Módulo 1 - Boa noite, solidão - entendendo o fado vadio, abismos, torrentes e desertos do fado.

Módulo 2 - Amália Rodrigues - a grande dama do fado, suas melhores interpretações, a vida de Amália.

Módulo 3 - O fado moderno - Ana Moura, Mariza, Kátia Guerreiro e as grandes cantoras do fado actual.



2) Resgatando João Pernambuco.


Público alvo: moçoilas choronas, gatas empedernidas, mulheres dos tipos A e B.
Mesma carga horária.

Módulo 1 - Ronca o besouro na fulô - o cenário dos anos 20 e as canções de João Pernambuco.

Módulo 2 - Sons de carrilhões - as influências do compositor no choro moderno.

Módulo 3 - Pernambuco falando para o Mundo - a importância do choro pernambucano para a música brasileira - aprendendo com João Pernambuco, Meira, Luperce e Capiba.

Inscrições pelo endereço desconversablog@gmail.com.

A fé que S. acredita que eu tenho

Hoje botei o Itunes no aleatório e num gesto místico esquisito, ele me mandou Folia De Reis, a canção de Arnaud Rodrigues gravada no primeiro Baiano e os Novos Caetanos. Quando menino, esse disco era ouvido por mim repetidas vezes, na casa da minha Tia Inês em Niterói. Há pouco tempo, meu tio Zé completou 70 e Tia Inês ligou pra me convidar. Óbvio, não deu. Se tivesse dado, também não daria, porque eu vivo arranjando um jeito de não ir a lugar nenhum.
Fato é que, não sei se o momento complexo, o aniversário do Tio Zé (uma pessoa muito cara pra mim) ou a morte de Arnaud Rodrigues, ou tudo ao mesmo tempo, voltei a música umas cinco vezes e às vezes chorava num verso ou outro.
É uma música comum, quase banal, mas desperta em mim o menino que fui, o Deus que não acredito, alguns resquícios.
Outras canções têm o mesmo efeito carismático.
Paixão e fé, do Fernando Brandt é uma delas. Lembra-me das procissões, do sino da igreja, das meninas branquinhas em oratória, claro que um dos principais motivos de ir à procissão era ver as meninas branquinhas em oratória. Dia desses, vi passar uma procissão bem diferente do meu tempo. Um conjunto de guitarra, baixo e bateria vociferava uma canção absurda, de fazer Paixão e fé balançar. Da minha janela, não dava pra ver as meninas branquinhas, a música claudicava ruim, mas a cobra arrastando pelo chão seguia seu fluxo.
Outra que me comove bastante é a Medalha de São Jorge, do Aldir e do Moacir Luz. Cantada por Bethânia ou pelo próprio Moacir, é uma canção de fazer qualquer ateu pensar melhor.
Gosto muito também da Cantiga do estradar do Elomar. Essa, uma canção sofrida, quase um ato de contrição, tem uma história cujo desfecho é tão devastador, que é impossível não acreditar depois de ouvir.
O Salmo dio Chico e Edu, cantado em duo por Zé Renato e Cláudio Nucci, uma canção do Roberto chamada Eu quero apenas, ou Se eu quiser falar com Deus do Gil, todas essas canções vivem me colocando na condição de ateu comovido.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tombo nº1


Tomei um tombaço ontem em frente à Loja da Travessa da Rio Branco indo pro Beco da Sardinha. Saí catando pedaço de óculos, joelho arranhado e restos de velhice. Fiquei de bode antes mesmo de beber e passei um pedaço da noite tomando coca zero e vendo meus amigos se embriagarem com outros vinhos.
Desde ontem venho tentando meio estarrecido, meio irônico, comentar esse episódio aqui, mas a letra trava na hora de admitir.
Enxergo pior a medida que o dia vai passando, não bebo em véspera de trabalho, minha conversa é do século passado. Admito, envelheci e às vezes é duro lidar com isso.
Pouco restou do menino que pulava muros, desconhecia obstáculos, amava incondicionalmente.
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O segredo dos seus olhos, o filme argentino que ganhou o Oscar, é sim, um bom filme. Guillermo Francela, anotei pra não esquecer, rouba a cena como uma espécie de Sancho Pança depois da gripe. No mais, é um filme de amor. O cinema argentino é mais simples e mais bem resolvido do que o brasileiro na minha opinião. Por isso ganha Oscar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Alcei a perna no pingo

O melhor disco do ano da última semana é Vítor Ramil, Délibáb. Uma delícia! Um disco enxuto, minimalista, em que Vítor compõe milongas para poesias de Jorge Luis Borges e João da Cunha Vargas. Eu que não tinha me animado com Longes nem Satolep (adoro Tambong), estou gostando muito desse.
Também estou adorando ouvir o violinista francês Nikolas Krassik tocando João Bosco. O que o moço faz com a Caça a Raposa é de ouvir a letra do Aldir sem voz .
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Também tenho me comovido bastante com a 3ª temporada de Mad Men. A cena final do primeiro episódio, em família, quando Don retorna de viagem e a menininha tem que explicar porque quebrou a mala do pai, eu voltei duas vezes e depois mostrei pra Laura. É irretocável!
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Teresa Cristina aparece em entrevista no Globo de hoje falando sobre seu novo disco. Devo confessar, tenho todos os discos, mas nunca gostei muito da cantora. Acho a voz sem graça e no palco não rola empatia. Mas Teresa parece estar mudando, como ela mesma diz. Para o novo disco selecionou Maria Joana de Sidney Miller e A história de Lily Braun de Chico e Edu. Como assim?? As duas têm sido gravadas por metade da MPB nesses últimos tempos. O que mais se pode acrescentar à essa ou àquela? Não sei não, mas esse repertório, aliado às participações de Marisa Monte e Caetano Veloso, está deixando a sensação difícil de acreditar que vem coisa nova aí.

sábado, 10 de abril de 2010

Milongas em Campo Grande

Liguei pra Chicó logo que ouvi o apito final. Saudades do menino e imaginei que ele pudesse estar tão sofrido quanto eu. Concluimos que foi melhor assim. Depois, passar vergonha contra Flamengo ou Vasco ia ser pior. Foi bom ter perdido logo para o Botafogo. Ouvi o jogo na rádio CBN com comentários de Luiz Mendes e Gerson. Estava com saudade dos bons comentaristas do rádio. Sou do tempo em que João Saldanha comentava, Jorge Curi narrava. Outros tempos. Hoje dá vontade de colocar a televisão no mudo só pra não ouvir o besteirol.
O Fluminense precisa mudar pra poder querer alçar qualquer coisa esse ano que não seja a luta contra o rebaixamento. Lamentável.
Enquanto isso, eu vou terminando essas inacreditáveis vinte e quatro horas-aula em Campo Grande.
Quem inventou a pós graduação de fim de semana, não deve ter pensado um minuto no professor. E eu que nem professor sou, não sei onde estava quando topei essa parada. Mas é bem possível que me convidem de novo e eu tope. Tenho sido de uma incoerência terrível com minhas convicções. Adoro ser assim. Teve um sábio que disse que a coerência é um atributo dos imbecis. Acho bastante coerente!
Campo Grande está fria. Imaginei encontrar tempo quente aqui. A primeira impressão é de uma cidade bem planejada, sem grandes belezas naturais.
Posso estar escrevendo bobagem (afinal, é só o que escrevo!!) pouco saí além de hotel e curso.
Andei ouvindo Vítor Ramil um bom tempo hoje. Uma música milongueira que trouxe ótimas recordações.
O Hotel Jandaia ganha 1 A no Lima score. Mas tudo aqui é muito impessoal como em qualquer hotel.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mofando em Congonhas

Aguardo silente o vôo Gol 1218 para Campo Grande. Acabo de chegar do Rio. No avião serviram miojo - uma massa grudenta que o piloto teve o topete de chamar de comida típica italiana. Alterno momentos em nem sei o que faço ou pra onde vou com momentos de pugente lucidez. Nem sei quais são os melhores.
Aceitei essa tarefa há um ano atrás e não dava mais pra correr. Tenho uma clara admiração por pessoas que conservam o tino da responsabilidade e do profissionalismo. Como o amigo Paulo, que veio à São Paulo no meio do temporal no Rio de antes de ontem para aplicar a prova de título. Contou-me com riqueza de detalhes sua odisséia. Quase teve que dormir no aeroporto.
Estava eu decidido: ao menor sinal de atraso no vôo, arranjaria logo um motivo para declinar. Infelizmente, meu vôo só teve os atrasos convencionais, que são aqueles em que já não dá mais pra voltar atrás.
Aguardo em Congonhas um desses atrasos normais. Não há võos diretos do Rio para Campo Grande ou Cuiabá.
Só quero chegar e procurar algum detalhe do meu quarto no quarto do hotel que me dê alguma esperança. Alguma perspectiva de que domingo eu vou estar em casa a essa hora e Laura estará dormindo calma no quarto ao lado.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Last chance Harvey

Não sei se foram Emma e Dustin, ou o trailer que achei interessante, ou não ter conseguido ver com S., o fato é que criei uma espectativa em torno de Tinha que ser você. Hoje no meio da chuva e da impossibilidade de sair de casa, vi com Laura. Achei médio. Ótimos diálogos entre os dois atores salvam o filme. O resto é bem medíocre. O título inglês é dos mais interesantes. Bom, ver um filme com Lau também é muito interessante.
Está chovendo muito em Niterói. Já tentei escrever sobre isso mais cedo, mas não deu pra aproveitar. Hoje ficamos sem luz no apartamento até de tarde.
Sem luz, celular e chovendo muito, o jeito foi botar a leitura em dia. Tirar a poeira das revistas que ainda estavam na sacola.
O que li de bom? Larry David está no novo filme de Woody Allen, deve vir coisa boa aí, Veríssimo comentando sobre a enormidade de textos atribuidos à ele que circundam na rede, novos DVDs de Zizi Possi, um texto ótimo sobre Ivone Lara na Carta Capital, notícias da chuva castigando o Rio, acho que foi só.
É isso. Tem dia que mesmo todo o tempo do Mundo não consegue tirar vida da palavra.

domingo, 4 de abril de 2010

Desconversa FM

"Sei que é sonho,
Não porque da varanda atiro pérolas.
E a legião de famintos se engalfinha.
Não porque voa nosso jato
Roçando catedrais.
Mas porque na verdade não me queres mais.
Aliás, nunca na vida foste minha."

Chico Buarque, Sonhos, sonhos são.

Não ouço rádio há muitos anos. Meu carro nem sabe o que é uma estação de rádio. Só ouço os originais ou o que seleciono.
Os critérios de escolha dos discos de viagem passam a) pelas coisas novas que ando ouvindo; b) por velhas seleções que podem ser uma canção de afeto, uma antologia de autor ou uma antologia de gênero; e c) pelo perfil dos caronas. No caso, tenho viajado com 3 bailarinos, Laura e dois amigos.
Pensar em gravar alguma coisa pra Laura é sempre um desafio. Vivo disputando o ouvido dela com as canções do Ipod que ela mesmo seleciona. Ultimamente tenho me esforçado para mantê-la atenta. As meninas aprenderam a gostar de boa música por osmose. Nunca houve nenhum tipo de lição diária. Foram ouvindo o que eu e a mãe delas escutávamos.
Pra essa viagem, fiz uma antologia de canções dos balés do Grupo Corpo, uma seleção de músicas da Expedição Mário de Andrade (com a leitura emocionada d'O poeta come amendoim), e uma com canções clássicas do Uakti.
Mas o que mais me comoveu foi um cd que tinha feito já há algum tempo , uma seleção em que Chico Buarque canta suas próprias composições.
Diferente do compositor, acho que Chico desenvolveu uma forma de interpretar que foi apurando aos poucos e começou a se manifestar no início dos anos 80.
É bem verdade que antes de tudo, teve o Sinal Fechado, o disco de intérprete que Chico gravou canções alheias. Sempre tive prazer de ouvir o Copo vazio, o Cuidado com a outra, e o Sem compromisso. Tenho um certo apego por esse disco que não me permite fazer qualquer tipo de crítica azeda. Foi um bom companheiro, da categoria que quase furou na vitrola philips.
Mas voltando ao Chico intérprete de si mesmo, acho que a história começa no disco de1978, aquele que tinham 3 canções proibidas pela censura. Assim meu cd começa com Cálice. Chico, Milton e o MPB4 esbanjando voz e emoção. A segunda, do mesmo disco, é Tanto mar, um fado corrosivo e com letra atualizada porque a primeira não passou pela censura.
Do disco de 1980, Bastidores, talhada para a voz de Cauby, mas igualmente forte com Chico.
Depois veio o Almanaque, pra mim um divisor de águas pro Chico intérprete. Do Almanaque, eu tirei As vitrines e Tanto amar, ambas arrebatadoras na voz de seu autor.
Do disco de 1984, Tantas palavras, permeada pela sanfona lírica de Dominguinhos, nem sei o que dizer dessa canção de tanto que gosto.
Do Francisco, gravado em 1987, selecionei Ludo real e Lola. Esse é outro disco que a interpretação de Chico valoriza muito a composição.
Do Chico Buarque de 1989, reservei Trapaças e poderia ter feito o mesmo com Tanta saudade ou Valsa Brasileira, mas Trapaças teve pouca repercussão e tem uma letra dolorida e ardilosa.
Do Paratodos, a própria e De volta ao samba. Poderiam figurar desse disco, Outra noite, Biscate e Futuros amantes, mas não tinha jeito de encher o cd mais. O importante é perceber o crescimento do cantor, sem perda para o compositor, que foi ficando cada vez mais refinado.
Do disco As cidades, há muitas. Tive que ficar com Sonhos sonhos são e o Xote de navegação. Sonhos é uma coisa maravilhosa de se ouvir milhares de vezes e a cada uma, achar um detalhe diferente.
Do carioca, eu acho que Outros sonhos está muito bem representada. Esses sonhos também me são muito caros.
Pra finalizar, do relançado disco gravado com Enio Morricone, coloquei Samba e amore, cuja leveza é contraposta pelo arranjo pesado de Morricone.
E assim passam-se os kilômetros de chão da Serra do Capim. Rápidos e bem ouvidos.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Confissões de uma garota de programa

a) Se você é um vouyer que deu com esse filme na locadora e pegou porque esperava por grandes emoções sexuais, esqueça.
b) Se você quis um drama ou até um documentário sobre a vida airada dessas moças, esqueça.
c) Se você na verdade, quer um Soderberg porque gostou de Sexo, mentiras e videotape ou Traffic ou mesmo Che (que ainda não vi), esqueça.
d) Se você, finalmente, quis ver o filme pela curiosidade da personagem principal (Sasha Grey) ser efetivamente uma atriz pornô, esqueça.
Confissões de uma garota de programas não serve pra nada, a não ser pra perder 78 minutos preciosos da sua vida besta. Fuja!!!
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Em compensação, Bons costumes é um filmaço! Acabo de ver com S. É um filme destinado a desmitificar a elegância que consegue ser ao mesmo tempo, elegante. E Kristin Scott Thomas no elenco é garantia de boa qualidade. A história se passa na Inglaterra pós guerra, Cole Porter parece ter composto a trilha para o filme e o final é um inesperado equivoco. Adoramos!
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Também vi Operação Valquíria. É um filme médio. No quesito não é a minha praia é um bom modelo..
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Falei muito mal do claro 3G, mas estou aqui funcionando com ele. Em marcha lenta, mas funcionando!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Miracema (outra vez)

Já pipocavam os prenúncios de uma longa viagem desde ontem, quando ainda tinha dúvidas quanto a ela. Um trânsito pesado durante todo o percurso, com um longo congestionamento até o pedágio, a S10 rateou em Pádua, devido à péssima qualidade do diesel.
Mas a boa companhia (Laura e seus amigos) acabou suavizando as cinco horas de asfalto.
Cheguei cansado, mal deu pra beijar Luisa e sair com S. para comer um pastel na pizzaria do Wictor.
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Ouvimos Arbolito, Rufo Herrera ( sua versão magnífica da Dança dos meninos), Xangô, Ná, Beto Guedes e muitos outros porque afinal, o que se há pra fazer em muitas horas de viagem além de ouvir boa música e jogar conversa fora?
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Sei que estou repetitivo, não me agrada, mas sinto vontade de teclar qualquer coisa. Precisa sair daqui alguma palavra que liberte, alguma canção de afeto nova, alguma centelha de esperança.