sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Antes que o Diabo saiba que você está morto

Arre! É desses filmes que deixam você com medo e embasbacado de como alguém pode criar uma obra daquela.
Direção cirúrgica de Sidney Lumet.
Philip Seymour Hoffman em estado de graça.
Trilha sonora sei lá de quem ajustadinha para o filme.
E ainda Ethan Hawke, Marisa Tomei e principalmente, Albert Finney.


Veja. E tente esquecer depois!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Olho torto

Semana desgracenta de trabalho apertado, reunião aqui, compromisso ali, nem deu pra desconversar direito. Minha resistência foi lá embaixo e veio uma dor de estômago misturada com tersol e outras urucubacas que tiraram-me um pouco da vista já cansada e do bom humor. Pra compensar, só mesmo uma leitura aqui, uma musiquinha ali, uma volta longa pelos sebos do centro. Hoje teve uma reunião no Rio Comprido. Fiquei imaginando o quanto sou privilegiado de trabalhar aqui no velho centro, longe das barras e dos rios compridos.
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Pari a minha primeira revisão crítica de uma metanálise. Rê rê rê. Quando estiver prontinha, prometo postá-la. Sei que não é do interesse dos meus quatro leitores saber dos benefícios e das complicações da vertebroplastia e da cifoplastia, mas essa me deu prazer. Ainda mais que estou podendo dividir o trabalho com quem mais tem me ensinado a fazê-lo.
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O maior problema do esgotamento é a falta de sentir falta. Não sinto falta de nada. Penso só em escovar os dentes e esperar que nenhum deles caia. E tratar desse olho torto.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Seis Tequilas

Me falta una mujer,
Me sobran seis tequilas,
No ver para querer,
Malditas sean las pilas
Que me hacen trasnochar
Echándonos de menos,
Echándome de más,
Almíbar y centeno.

Me flata un corazón
Me sobran cinco estrellas
De hoteles de ocasión
Donde dejar mis huellas,
Con nada que ocultar,
Con todo por delante,
Goliat era un patán,
David era un gigante.

Aunque en parte soy juez
De un nunca, de un tal vez
De un no sé, de un después, de un qué
Pronto.

En asuntos de amor
Siempre pierde el mejor,
No me tomes tontita por tonto.

Me falta una verdad,
Me sobran cien excusas,
Qué borde es la ansiedad,
Que pérfidas las musas
Que nimban a cualquier
Pelanas con su foco,
Que cobran alquiler,
Con tangas y a lo loco.

Aunque en parte soy juez
De un nunca, de un tal vez
De un no sé, de un después, de un qué pronto.

En asuntos de amor
Siempre pierde el mejor,
No me tomes tontita por tonto.

Ni zotal ni arrezú,
Ni luzbel ni mambrú,
Ni alfajor, ni duelo, ni quebranto.

Dame un beso de más
Novia de satanás,
Jezabal que encanalla mi canto.

Casanova es el rey,
Maquiavelo la ley,
Del jersey de la distancia.

Deja, por compasión
Que entone la canción
Del chaval que espcapa de la infancia
En la estación de francia.

Joaquin Sabina

Você pode ouvir clicando aí acima

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Adios Nonino

Um achado essa foto tirada do Baú do Marcelino , ilustre miracemense, na Fazenda da Saudade em 1938. A sexta sentada na calçada é minha mãe. E o aleatório do meu Itunes selecionou o Adios Nonino, a canção que Piazzolla mais gostava e feita para seu pai, com Agustin Carlevaro ao violão, para acompanhar a foto e achar meu avô Chiquinho de Freitas jovem, meu velho Vô Chiquim, herói da infância e de toda a minha vida.
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Fizemos hoje mais uma junta médica aqui na empresa. Saio rejuvenescido das juntas. É um momento em que pode se reunir o conhecimento de anos de colegas com o benefício único de melhorar a prática médica. Acho que meu avô ia gostar de ver.

domingo, 26 de outubro de 2008

Eu e Luisa

Luisa passou o fim de semana aqui, o que por si só já é motivo de festa. Festa só no coração, porque nos comportamos como duas pessoas que sempre moraram juntos e que nunca se largaram nesse Mundo. Somos assim. A rotina nos é familiar como qualquer rito. Pedimos China in box, fomos ao cinema, comemos no outback, tratei de sua garganta, ela se apossou do note, eu fiquei só contemplando, nem deu vontade de desconversar. Tudo muito leve e aproximado. E como é bom tê-la aqui!
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Antes vi um filme chamado A vida por um fio. Fui atraido pelo nome de Lena Olin que fez bonito na Insustentável leveza do ser. Um fiasco o filme!
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Nada melhor para um cenário como esse do que uma empolgante vitória do Fluminense sobre o Palmeiras. Estamos na luta!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um clássico instantâneo

O novo cd de Virgínia Rodrigues e Cristóvão Bastos já nasceu clássico. Recomeço valeu a espera de 5 anos sem disco novo.
De cara, adorei a inclusão de Porto de Araújo, música que já tinha gostado com Guinga e Virgínia deu a interpretação definitiva.
E Por toda a minha vida não fica devendo nada para Nana, Elis ou Mônica, aliás uma dificílima escolha. Prefiro ficar com todas.
É disco pra ouvir sossegado, sem atropelos. Coisa muito intimista, quase operística. Não precisa de vinho pra se embriagar com a voz de Virginia. Você vai levando e ela toma conta de você.
E como Virgínia leva bem a Beatriz!
E termina do mesmo jeito que Elis terminou o seu Elis Regina: com Boa Noite, Amor.
Belo disco!

As cem canções da Bravo 6

Tem alguns acertos na lista da Bravo que merecem destaque.
A inclusão de Detalhes (31) e As Curvas da Estrada de Santos (32), de Roberto e Erasmo é tiro certo. São de longe as duas grandes composições da dupla.
A lista acertou ao elencar canções de compositores que normalmente são esquecidos.
O primeiro acerto é Elomar. Lá da casa dos carneiros, o violeiro tem nos mandado suas canções de amigo de rara beleza. Pena que ultimamente tem se dedicado apenas às óperas.A Bravo escolheu a medieval Cantiga de Amigo. Pra mim, Incelença pro amor retirante (33) e Seresta Sertaneja (34). Eu ainda tenho muito que falar do Elomar nesse blog.
Outro é Itamar Assumpção. Pra mim, o grande compositor brasileiro dos anos 80 e 90. Foi como veio: nunca foi lembrado pela mídia, a não ser por Zélia Duncan, que gravou alguns de seus clássicos. A Bravo escolheu Negro Dito. Eu de cá, escolho Milágrimas (com Alice Ruiz) (35),Vida de artista (36) e Leonor (37).
Tavinho Moura também foi bem lembrado com a indiscutível Cruzada (38).
Arrigo e Clara Crocodilo, não sei se levaria pra minha ilha não. Prefiro Suspeito (39)
E finalmente, um outro crasso esquecimento: Wilson Batista. Minha preferida é Sou de Niterói (40).

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Terça


Hoje se resumiu a apagar incêndios (1) e trabalhar a melhor evidência sobre vertebroplastia (2). Gosto, quando posso (quase nunca) de ficar livre para trabalhar minhas evidências. Essa contou com o luxuozíssimo auxílio do Professor Schott.
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A vertebroplastia é um procedimento relativamente novo que consiste na injeção de cimento numa vértebra fraturada geralmente por osteoporose, com o desfecho principal de melhorar a dor. Tem dado ótimos resultados quando rigorosamente bem indicada. Entenda-se bem indicada como uma opção ao tratamento padrão ouro que consiste em repouso, analgésico, fisioterapia e colete, ou seja, tratamento conservador.
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Uma terça parecendo segunda é o que foi o dia de hoje. No final do dia, estava esgotado e triste. Não sei de onde veio essa tristeza inoportuna. Mas já foi pelas gretas da Cantareira. Cheguei em casa melhor.
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Vi As duas faces da lei. Um absurdo juntar De Niro e Pacino num filme tão medíocre!

Chico e o Flu

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A chama não apagou


A morte de Luiz Carlos da Vila hoje no Hospital do Andaraí deixa mais uma lacuna no samba esse ano. Compositor refinado, cantor elegante, foi um incansável divulgador das nossas raízes. Suas composições poderiam perfeitamente estar entre as cem da Bravo, em especial para mim, as que fez com Moacir Luz: Cabô, meu pai e Benza, Deus.

Ouvi milhares de vezes A luz do vencedor, disco que Luiz Carlos gravou em homenagem a Candeia e um dos cinco ou seis discos de samba mais bem feitos na década de 90. Impossível não identificar sua recriação d'A luz do vencedor, como uma obra sua retirada de dentro da música de Candeia, assim como fez Cartola com Preciso me encontrar.

É mais um grande que não teve nem um décimo das flores que mereceu em vida.

A primeira LCD a gente nunca esquece

Cheguei a Niterói cansado, mas disposto a ligar a LCD. Para tanto, tinha que remover o trambolho da tv de 32 polegadas que reinava sobre a estante. Ajudado pelo faxineiro do prédio, parti para cima do trambolho e levei pra dispensa. Dali pro carro e até Miracema vai ser outra aventura.
Finalmente liguei a minha Sansumg, 40 polegadas, LCD. Valeu a pena!
Escolhi A vida dos outros pra começar a vida dela. Mais uma ótima escolha.
Um filme tocante, com Ulrich Muri (também nunca tinha ouvido falar, só escrevi para guardar esse nome, impecável no trabalho!) à frente, fazendo um especialista em interrogatórios na Alemanha comunista, que se deixa envolver pelo interrogado. Um tiro de canhão no maniqueismo vigente. Não à toa ganhou o Oscar de melhor estrangeiro.
Bela indicação do Longarino, ótimo jeito de retornar nesse feriado esquisito de segunda.

sábado, 18 de outubro de 2008

Noites no BF

Só pra registro, estou anotando as noites que bebo e acordo bem. Um deprimido está mais ou menos condenado à não embriagar-se com vinho, e não é sempre que consigo me embriagar só com poesia ou virtude, como queria Baudelaire.

Sempre fui um bebedor contido, mas de uns anos pra cá, nem isso. Bebo muito pouco. Sobram-me garrafas de whisky, que o esperto do meu terapeuta queria que eu aproveitasse o natal e desse algumas de presente. Nada disso! Enquanto há garrafas, há uma espécie de esperança. Esperança do tempo em que eu bebia e acordava muito bem.

Bom, isso tudo é pra dizer que bebi e acordei muito bem. Isso já tinha acontecido na noite em Puerto Iguazu e nas últimas vezes que vim ao BF em Miracema. Conto a de Puerto, porque foram poucas. O segredo é muito simples: boa conversa, bons amigos, nenhuma espectativa, falamos bobagens, contamos histórias e todo mundo sai dali esquecido do que falou. Ninguém promete nada, a crise mundial passa longe, não há nem faisca de vaidade e a carne muito bem servida pelo Sebastião. E os filhos por perto.

São coisas simples, que ninguém repara se não for lembrado dessa forma escrita, mas que têm um valor incremental muito grande para deprimidos em recuperação crônica.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A canção que chegou

Cartola faria cem anos nos dia 11. Há muitas lembranças da música de Cartola em mim, o que faz com que ele permaneça vivo aqui dentro. Comecei a gostar de Cartola estranhamente pela voz de Raimundo Fagner. Era um disco de 1976 em que Fagner misturava o sete cordas de Dino e o bandolim de Manassés, injetando uma certa nordestinidade ao samba, encontrando com maior nitidez os abismos de As Rosas Não Falam, que só depois fui conhecer na gravação original de Beth Carvalho. Era da época que Fagner fazia ótimos discos. E esse pra mim foi o melhor de todos. Chama-se Eu canto.

Logo depois vieram os discos que Cartola gravou com Marcus Pereira, ambos antológicos. E O Mundo é um Moinho, gravado em dois canais, onde é possível se separar nitidamente o sete cordas de Dino e a voz de Cartola. Furaram de tando ouvir e depois voltaram em edição pouco cuidadosa em cd, que merece atenção maior da Odeon, gravadora que adquiriu o acervo precioso da Marcus Pereira.

Esse ano pelo menos duas homenagens nos chamam a atenção para a genialidade de Cartola: os discos Choro de Cartola, produzido por Henrique Cazes e com Joel Nascimento arrebentando em Sim e Angenor, disco em que Cida Moreira gravou as canções de Cartola. Ambos com um clássico instantâneo quase inédito: A canção que chegou. Linda, tanto na voz de Cida quanto na de Moisés Marques.

Minha seleção pessoal de Cartola começa inevitavelmente com Senões, de preferência cantado por Ney Matogrosso, triste, sofrido, obrigatório. Leny Andrade fez um Corra e Olhe o Céu belíssimo. Cordas de aço deve ser ouvida com Luiz Melodia e Tive sim com D Ivone Lara. Nelson Gonçalves fez a melhor gravação de Peito Vazio. Incluiria os já citados as Rosas não falam com Fagner e O Mundo é um moinho com Cartola. Não quero mais amar a ninguém eu prefiro com Paulinho da Viola, que também faz bonito em Fiz por você o que pude. Com Cida Moreira, Feriado na Roça. Finalmente com Cartola, completariam a seleção, O Inverno do meu tempo, Disfarça e chora, Amor proibido, Autonomia, Fita meus olhos e Que sejam benvindos, além da recriação de Preciso me encontrar, de Candeia. Certamente esqueci alguma coisa, mas aí vai uma boa amostra do gênio.

Tudo isso passa por mim quando atravesso a Rio Branco ou quando estou em Miracema ou em Santiago. Ficou em mim.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Xote de Navegação


Fui ver Zé Renato com Pedro Jóia e o Trio Madeira Brasil ontem no CCBB. A segunda parte do projeto Realeza nos Trópicos. Fui sozinho, talvez o único inconveniente da ida.
Cada vez que vejo, fico mais embasbacado de como esse trio consegue se reinventar. A Santa Morena parece diversa daquela do Brasileirinho e por aí vai.
Não sei se foi o duo de alaúde (Pedro) e bandolim (Ronaldo) em Verdes Anos, ou se a Saudade do brasil em Portugal, outra de Vinicius que me cocei pra botar na lista das cem, mandada por Zé Renato e pelo Trio, mas a verdade é que senti umas glândulas lacrimais se mexendo aqui.
Cheguei na empresa cantarolando o Xote de Navegação, feliz da vida pelo almoço musical.

Clarice (pra não esquecer nunca)

"Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o não pedir e somente acreditar que o silêncio que se crê em você é resposta ao seu mistério."

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Poemínimo

Jantei o resto de sorvete de creme.

As cem canções da Bravo 5

De Tom Jobim, a Bravo escolheu Águas de Março, Chega de saudade, Samba do avião, Garota de Ipanema, Desafinado, Eu te amo, Retrato em branco e preto, Eu sei que vou te amar, Luiza e Insensatez.
De Vinicius de Morais, foram selecionadas pela Bravo, as já citadas Chega de Saudade, Garota de Ipanema e Eu sei que vou te amar, além de Valsinha, Odeon e Minha namorada.
Boa seleção para a dupla, porém acho que a lista pecou um pouco pelo exagero e pela obviedade. É claro que seria possível fazer um compêndio com 100 canções da MPB, só com o repertório do Tom, mas aí seria outra lista.
Na minha memória fóssil, as primeiras canções de Tom que me habitaram foram Eu sei que vou te amar, cantada por Maria Creusa e com Vinicius citando o Soneto de Fidelidade no meio e Águas de março com Elis. Não me lembro de ter ouvido, naquela época, o Sabiá do festival da Record, nem as canções primeiras, principalmente as de Tom com Dolores Duran.
O Retrato em branco e preto, de Tom e Chico, deveria ser atribuido também a João Gilberto, só pela gravação histórica que ele fez no Amoroso. É o clímax da parceria de Tom e Chico.

Pra minha ilha, eu levaria de Tom Jobim, Demais (21), Luiza (22), Falando de amor (23) e Chansong (24). De Vinicius, Medo de Amar (25). De Tom e Vinicius, Eu sei que vou te amar (26). De Tom e Chico, Meninos, eu vi (27) e o Zíngaro (28), com João Gilberto, naturalmente.

Você pode ouvir Demais, na versão abismo de fim de noite de Eduardo Conde e trio, apertando o play aí acima.
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A lista cometeu o impropério de esquecer Djavan e Gonzaguinha. Incluiria Boa Noite (29) do primeiro e Dia de Santos e Silvas (30) do segundo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Alice e outros


Vi de uma enfiada, os quatro primeiros capítulos de Alice, nova série brasileira da HBO. Gostei do que vi. Mais do que Mandrake e Filhos do Carnaval. Mandrake não chegou nem perto do célebre personagem de Rubem Fonseca e Filhos.., eu vi só um pedaço. A produção brasileira televisiva precisa de alternativas ao padrão global estenuante. Alice é um bom exemplo. E Andréa Horta, além de linda (2,5A) é uma atriz promissora. Boa direção, bom roteiro, imagem impecável, é a história de uma menina do interior que vem pra São Paulo e aí vai crescendo com os bons e os ruins da cidade. Clichê? Um pouco, mas tem suas originalidades.
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Hoje almoçamos numa churrascaria perto da empresa, na Rosário, que está beirando o padrão duplo A em excelência culinária. É pena que o colesterol não permita mais do que uma vez por . mês. Mas hoje teve um motivo especial. Foi a primeira despedida de um colega que está nos deixando. Infelizmente.
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Outra segunda bem resolvida. Vamos andando!

domingo, 12 de outubro de 2008

Dia das crianças


O fim de semana, foi por assim dizer, perfeito em Miracema, não fosse uma piriri herdada da minha pressa de ir embora e passar rapidamente no Alemão e comer um pão com linguiça e queijo. Mas logo o do Alemão??
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Sinal claro de perfeição: Laura o tempo todo conosco. Laura por perto é sinal de que tudo está bem e nada falta.
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Os programas de sempre: pizza no Vitor, bife no BDF, conversa com Alex e Gisele, filme infantil, chocolates, comidinhas da Diô, descompromisso generalizado. Até a TIM web contribuiu, mas só pra olhadas rápidas.
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Voltei de ônibus, porque semana que vem, eu tô de volta. Tem um feriado esquisito sa segunda, acho que é dia do comerciário. Deixei a S10 lá descansando. A viagem vista do ônibus é mais suave.
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Tenho descoberto que cada dia mais que passo com minhas crianças, renovo minhas espectativas com a humanidade. O menino é o pai do homem, não é mesmo?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Paisagem de interior

Acordar às 6 com Luisa do meu lado pelo despertador do celular dela. Preparar seu leite. comprar pão pra ela, tirar o carro da garagem pra levá-la no colégio, mesmo que o colégio seja a cem metros daqui. Êta, cumpadi véi!! Isso é cagado e cuspido, Paisagem de Interior!
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Tomei a dianteira depois de cinco horas aula em pé e dois pés inchados ontem, e vim direto pra Miracema. Cheguei aqui esbodegado, Luisa quis ir comer uma pizza no Vitor e fomos. Ainda pude assistir um duo de violão e flauta de Luisa e Laura tocando Green Day.
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Essas coisas pequenas, somadas aos abraços, à boa conversa de pai e filhas, como me faltam! Estava engasgado há muito tempo sem vir aqui por conta dos compromissos assumidos nos últimos sábados.
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Essa casa é um palacete bem organizado se comparado ao pardieirozinho do Ingá. A cama bem posta, cheirosa, convidando pra deitar e dormir. A cozinha limpa, dá vontade de nem tomar água pra não atrapalhar o ambiente. Tudo aqui é muito leve e aconchegante.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Carlos Paredes em ótima companhia


Fui com Nelinha assistir Carlos Mendes Pereira no CCBB ontem de noite. Carlos é um estudioso de cordas portuguesas, além de exímio tocador de guitarra (portuguesa, de Coimbra) e braguinha. Foi acompanhado por Henrique Cazes (cavaquinho), Luís Barcellos (bandolim), Luis Filipe de Lima (sete cordas) e Beto Cazes (percussão). Quer melhor??
Misturaram choro com fado, Jacob do Bandolim com Carlos Paredes, Língua de Preto com Verdes Anos. Quer melhor??
Jacob bebeu do fado pra chegar ao choro, seu bandolim se assemelhava a uma guitarra portuguesa e seu choro teve influência direta do Tejo. Quando tocaram Vascaíno, cuja abertura lembra um fado corrido, entendemos tudo isso. Quer melhor?
E o Verdes anos de Carlos Paredces, repetido no bis, em começo lento e depois chorado. Fez chorar todo mundo. Quer melhor?
Melhor que tudo isso, só a companhia de Nelinha e um pão com bife num pé sujo do centro no final da festa.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

As cem canções da Bravo 4

Conheci o Carinhoso na novela homônima, na interpretação de Márcio Montarroyos. No tempo em que eu adorava uma novelinha. Não nego, adorava novelinha e pão doce. Hoje só de pão doce. Depois, num arranjo de regional magistralmente interpretado por Elis Regina. Mais depois, no original refinado de Orlando Silva. E aí foram umas dezenas de interpretações das mais variadas. A que mais gosto é recente com a Nana. Nana excluiu aqueles agudos agudizados Vem, vem, vem veeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem! e tornou a letra suave e lírica.
De Pixinguinha, a Bravo escolheu Carinhoso e Rosa.
Adoro Rosa. Inda mais aquele arranjo do Sakamoto, com aquela cuiquinha dolente do Marçal e a voz de Marisa Monte. Já fiz dueto com Cláudia Reis cantando Rosa num karaokê. Um fiasco de fazer vergonha.
Mas enfim, entre Rosa e o Ingênuo, esquecido pela Bravo, escolhi o Ingênuo. E aí de qualquer jeito: com Jacob (clássico, belíssimo), com Baden e Simone (triste), com Jorge Oscar e com tantos outros que ouço e gosto sempre.
Carinhoso(19) e Ingênuo (20) são meus Pixinguinhas na lista.

Recomendatório

Tenho ouvido os novos cds de Lenine (Labiata) e Zeca Baleiro (esqueci). Ambos apontam para a chatice nas primeiras audições. O melhor lançamento que ouvi esses dias é o Álbum Musical 2 de Francis Hime. Uma delícia imperdível! Seleção nada óbvia muito bem arranjada. Com direito a Bibi Ferreira de fazer chorar qualquer pedra!
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Luiz Orlando Carneiro está fazendo 50 anos de Jornal do Brasil. É tão comovente quanto o centenário de Cartola ou Cole Porter, porque se trata de um ícone. É a minha melhor referência de jazz. Depois de Camila, naturalmente.
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Levei o novo de Paul Auster para o Chile (Homem no escuro). Um legítimo Auster. Estou gostando muito, no que pese a minha preguiça de ler nos últimos tempos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

As cem canções da Bravo 3

Começo a achar essa lista mal feita toda vez que a repasso. Esqueceram Edu Lobo e Jacob do Bandolim. Pera lá!!! Os dois são ícones em seus estilos! Faltou de Edu, pelo menos o Canto triste (14) e a Valsa Brasileira (com Chico) (15). E de Jacob, só pra não engordar muito a minha lista, vou de Santa Morena (16).
Também faltaram Sueli Costa e Joyce. Da primeira, escolheria Segue o teu destino ou a arte de se musicar uma poesia que parece ter sido feito para a música (com Fernando Pessoa) (17). Da segunda, não pode faltar Outras Mulheres (18), preferencialmente com Simone Guimarães.
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O Rio amanheceu com a maior oportunidade de recuperar sua dignidade dos últimos anos: Fernando Gabeira!! Tô quase transferindo meu voto só pra engrossar esse cordão.

domingo, 5 de outubro de 2008

Quatro dias no Chile



Cheguei chumbregado e torto, mas com vontade de escrever e resumir esses quatro dias. Ia fazer um compêndio de como se ir ao Chile e ser feliz, mas vai um resumo mesmo.
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O Hotel Marriot, como já disse, é um triplo A. Minha percepção não ficou desapontada. Mas quase perdeu ponto nos itens banheiro e comida.
O sanitário é um chalezinho a parte do banheiro e não tem bidê nem chuveirinho. Com a devida desculpa pelo baixo calão, mas pra mim, não há nada pior do que limpar o rabo com papel higiênico.
A comida só deixou a desejar no dia do evento. Uma penosa duríssima e pálida, não deu prá descer não. Para quem quer saber do custo, a diária que ficou por minha conta (fui um dia antes do evento) foi de 170 dólares.
Um dos destaques do Hotel é o café da manhã estilo Club Med. Pode se almoçar no café da manhã.
E uma frutinha chamada tuna, uma mistura de kiwi com goiaba, dos deuses.
.............................................................................Aproveitei a sexta feira para conhecer Santiago. E aí com o tempo espremido escolhi três lugares a partir de uma matéria do Estadão, que depois foram ratificados pelo Professor Schott. Primeiro, fui ao Cerro de San Cristobal, um parque ecológico de onde se pode ver Santiago plena lá de cima. É mais ou menos como olhar o Rio do Corcovado.
Depois fui ao mercado central e experimentei uma iguaria chilena: a centolla. A centolla é uma espécie de lagosta que tem 90% de carne e 10% de osso. Uma maravilha pra se desfrutar com um bom vinho (comi com coca mesmo, evitei beber no Chile).
Não é exagero dizer que o centro de Santiago é igual ao centro de São Paulo. Prédios antigos, lojas espalhadas, mas cadê os velhos sebos do centro de São Paulo???????? Não achei nenhum!
Finalmente, visitei o centro cultural do Palácio da La Moneda. Duas exposições belíssimas, uma delas sobre a civilização árica. Conheci a Sala Violeta Parra e um pouco da hostória dela. A foto, no Café Torres do Centro Cultural. Estarei feliz??
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Para o consumo, não vale a pena ir o Chile. As coisas lá são mais caras do que aqui. SIC, Santiago é a cidade mais cara da América do Sul. SIC, 50% da produção de vinho chileno vem pra cá. Por isso, não comprei vinhos. São extremamente incômodos para carregar e metade deles está aqui. Comprei uns poucos discos, há defeitos na oferta e no preço. Só música chilena ou enlatada dos Estados Unidos. Queria Marta Gomez (Colômbia ) e Simón Diáz (Venezuela), nem sabem quem são.
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O evento foi muito bom. Deu pra tirar das palestras as conclusões de que precisamos a curto prazo, rankear e classificar as nossas UTIs, atualmente sem qualquer avaliação. E que, medidas simples e de baixo custo, tais como elevar a cabeceira da cama, prevenir a trombose venosa profunda e a formação de úlcera de decúbito, ter um corpo clínico especializado com visão generalista e fazer antimicrobiano precocemente funcionam melhor do que a alta tecnologia.
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Ontem no fechamento do evento, nos levaram ao Restaurante Coco Loco, recomendação 2,5 A. O pessoal tomou uma dose do Pisko, cachaça chilena feita a base de uva Por mim, passou bem longe. Mas a salada de centolla de entrada e o filé muito bem apimentado estavam muito bons.

sábado, 4 de outubro de 2008

Hola!

Finalmente um cyber café no Chile!
Depois de todas as humilhações que passei no vôo e no aeroporto, tomei a seguinte diretriz: eles que me traduzam!
De lá pra cá tenho falado meu portunhol arrastado e todo Mundo acaba me entendendo.
Amanhã eu chego e comento.
Que falta me faz esse blog!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Saudade dos aviões da Panair

Estou em Santiago e, salvo melhor juizo, só vai dar pra escrever hoje. Retorno domingo. Vim a convite de uma empresa de auditoria médica para um congresso de auditoria de alto custo em medicina intensiva.
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Ainda peguei um tempo da Varig, quando a Varig era a VARIG. Aeromoças gentis, comissários de bordo idem, comida de otima qualidade e atendimento idem. A TAM procura sem muito sucesso seguir a mesma linha. Senti tudo isso ao contrário hoje ao viajar pela LAN. Atendimento impessoal, uma gente meio esquisita que nao fala português num vôo Rio-Sao Paulo-Santiago (???). Quase fiz xixi no comissário que nao me deixava entrar no banheiro em hipótese alguma. E quatro longas horas de vôo. Uma tv mínima de 7 polegadas na minha frente deu-me dor de cabeca.
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Cheguei avoado e estrangeiro. O policial da Aduana me perguntou Que vuelo?? e eu boiei literalmente. Quase que volto pro Brasil só porque nao sabia o número do vuelo.
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O Hotel Marriot é um triplo A de cara. mas nada que nao me deixe com saudades do velho pardieiro no Ingá, de ter deixado de ir pra Miracema, de ter aproveitado tao pouco a vida...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

As cem canções da Bravo 2

Catavento e girassol, Guinga e Aldir (9) não pode faltar em nenhuma lista de 10 melhores, que dirá de 100. E não é que a Bravo esqueceu!!!
Beijo partido (10) e Bons amigos (com Ronaldo Bastos) (11) de Toninho Horta também entrariam na minha lista. Mas têm que ser cantadas pela Nana.
Também Dori ficou fora. Desenredo (com Paulo César Pinheiro) (12) só pra citar uma.
Vou ficando por aqui nos esquecimentos para não ficar enfadonho.
Vamos aos excessos.
Você não soube me amar de Evandro Mesquita e mais três ou quatro, convenhamos, pode ser no máximo arremedo da geração de 80, mas figurar entre as 100 músicas essenciais da MPB é exagero. Por aí passa também o Descobridor dos sete mares, que no máximo serve pra gente lembrar do Tim Maia.
Óculos (Herbert Vianna) e Exagerado (Cazuza e Ezequiel Neves) são boas músicas, mas inclui-las entre as 100 é um desacerto. Pra representar o rock brasileiro dos anos 80, eu escolheria alguma do Renato Russo, possivelmente Acrilic on canvas (13).
Parece que esse seria o critério da revista para colocar Como nossos pais (Belchior) (14) como símbolo dos anos 70. Essa obviamente, só com a Pimentinha.

Nádegas a declarar

Não choro.
Meu segredo é que eu sou um rapaz esforçado.
Fico parado, calado, quieto,
Não corro, não choro, não converso
Massacro meu medo, mascaro minha dor
Já sei sofrer..

Waly Salomão, Mal secreto

Quarta tensa de muito trabalho triscando o dia.
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E aniversário da Cerezinha. Cerezinha tem um crédito eterno comigo de aprendizado e compreensão. Tudo começou com Cerezinha, um motor BMW pra trabalhar nos tempos idos. Hoje Cerezinha luta contra o mal do século: a iatrogenia. Mas ainda guarda em cada olhar aquela menina que não tinha hora nem tempo: estava sempre muito disposta a tudo.
Tenho inveja do Longarino, que trouxe flores pra Cerezinha. Não fosse o providencial pito da minha fiel escudeira Renatinha, nem teria lembrado. Sou uma merda pra lembrar de aniversário. Sei o de Laura, Luisa e Chicó e olhe lá, que às vezes até esses eu esqueço.
Mas muito mais do que lembrar de datas, é sentir satisfação de ver Cerezinha toda quarta trabalhando com a gente. Nunca tive dúvidas de que Cerezinha voltaria. Voltando, intuí que seria a mesma de sempre. Não estava errado! Aprendizado nunca se joga fora. E Cerezinha sabe pra distribuir e não acabar nunca!





As cem canções da Bravo 1

A revista Bravo editou no ano passado uma especial com Cem canções essenciais da MPB. Já comentei aqui do meu avesso às listas, mas essa merece comentário , por se tratar de uma lista que foge aos padrões normais de alocar apenas nossos compositores clássicos. Há ali merecidas menções ao samba, ao maxixe, à velha guarda em geral, à música do recôncavo baiano, à lira paulistana, só pra citar alguns exemplos corajosos.

Não encontrei referências a quem elaborou a lista, apenas um prefácio de Almir de Freitas, editor da revista. Acho um erro grave. Marca não escolhe! Mas enfim, continuo achando uma boa lista. A medida que vou comentando, vou fazendo a minha própria. Tenho achado esse blog um confessionário arrastado e cansativo. Assim, posso dar alguma informação do meu (pobre) espírito crítico aos meus 4 leitores e matar essa insônia recorrente.

Comento primeiro dos erros e esquecimentos da lista. O primeiro grande injustiçado, a meu ver, foi Ivan Lins. Nenhuma música foi lembrada. Como assim? Ivan é compositor consagrado inclusive no cenário internacional e não pode faltar em nenhuma lista de melhores canções que se preze. Eu incluiria Somos todos iguais nessa noite (com Vítor Martins) (1) e Instante eterno ( com Moacir Luz e Aldir Blanc) (2). Passaram raspando na minha lista, Mãos de afeto e Mudança dos ventos.

O segundo foi Paulo César Pinheiro. Um dos 3 ou 4 maiores letristas vivos da música brasileira, não mandou nenhuma pra Bravo. Eu diria O samba é meu dom (com Wilson das Neves) (4) e Senhorinha (com Guinga) (5). Pelo meu gosto, iriam mais umas dez canções (como deixar, por exemplo, Matita Perê para trás, ou Mordaça (?)), mas aí ia engordar muito essa lista.

Eduardo Gudin e Moacir Luz também foram esquecidos. De Gudin, incluiria Luzes da mesma luz (com Sérgio Natureza) (5) e Ainda mais (com Paulinho da Viola) (6), só pra citar duas. De Moacir, Anjo da velha guarda ( com Aldir Blanc) (7), uma oração que tem que ser rezado diariamente por quem gosta de música brasileira, e Saudades da Guanabara (com Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro) (8). Esses dois são muito ouvidos aqui na minha vitrola. Devo ter cometido alguma injustiça com a Medalha de São Jorge (que faz chorar até um ateu como eu), o Obrigado do Gudin e muitas outras. Continua amanhã ou depois.