segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Alaíde, Luisa e uma decisão acertada


Na sexta de tarde, quando fui buscar Laura no Colégio para levá-la pra Miracema, ainda não tinha decidido se a deixava na rodoviária ou ia com ela. Como de praxe, o fim de semana prenunciava um vazio, e viajar parecia muito cansativo.
Decidi que ia pra Miracema na entrada da Ponte. Cheguei ainda com dúvidas, mesmo já estando lá. Consegui achar o Celso Barbeiro vazio.
Depois, subi pra casa e ainda deu pra ver dois episódios da primeira temporada de Curb, antes de ir para a Festa dos Motoqueiros.
O Sexto Encontro Nacional de Motociclistas de Miracema estava povoado de velhos amigos hoje motoqueiros, inclusive o Serrinha, diretor do evento. Musicalmente, é possível reconhecer logo a faixa etárea. O evento é apadrinhado por Raul Seixas e as Bandas tocam Floyd, Beatles, Led, e outras velharias. Um museu arqueológico de alcool e duas rodas. Sem contar que o Sebastião Bunda de Fora se transfere para a Barraca do Bode nesses dias.
Fiquei sentado com Alex e Gisele e depois de umas cinco latinhas, finalmente descobri que foi ótimo ter ido. Boas companhias, aquele papo furado de sempre, o ambiente muito mais agradável que a tradicional exposição agropecuária, que só toca música sertaneja e cheira a bosta de boi.
Cheguei em casa bêbado à meia noite e liguei pra uma velha amiga pra continuar a boa conversa. Bela lembrança.
No carro, escutava Alaíde Costa, uma seleção que fiz há pouco tempo. Conheci Alaíde efetivamente num show dela na UFF nos anos 80, lançando o belíssimo Amiga de verdade. Pouco conheço da Alaíde dos anos da Bossa Nova, dos quais só a canção Afinal figurava na minha seleta. Amiga de verdade, o disco, me apresentou à três clássicos: Mais que a paixão, do Gismonti, Quem sabe, do Paulinho e do Elton e Estrada do sertão, de João Pernambuco e Hermínio Belo. E também ao Bela, bela, retirado do Poema Sujo por Milton Nascimento, um casamento perfeito entre poesia (Gullar), canção (Milton) e voz (Alaíde). Todas essas na minha seleção, juntos com as canções dos discos que Alaíde gravou com João Carlos Assis Brasil: a versão mais bonita de Te quiero (Fávero e Benedetti) e ainda o Bom dia do Herivelto e Teus ciúmes do Lupicínio. Como já fazia um tempo que eu tinha feito essa seleção, algumas interpretações ainda me soaram frescas e foi muito bom ouví-las.

A surpresa mais interessante veio no sábado. Luisa subiu ao palco da festa e mandou um inesperado The wizard, Black Sabbat. Voz e gaita afinadíssimas, a menina iluminou a festa. Fiquei ali meio embasbacado ouvindo seus acordes.
Luisa nasceu gostando de música. Lembro dela menininha cantando canções de Noel, Sinhô e outros compositores da velha guarda que ouvia no carro. Hoje só ouve metal, progressivo e afins, mas ainda guarda aquela alvura dos primeiros tempos.
O interessante é que quanto mais ela se aproxima do metal, mais eu me entendo com Alaíde, mas nada disso é impecilho para nos olharmos e nos entendermos cada dia melhor como pai e filha.

Um comentário:

Renata disse...

Amei esse post.

bj

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