terça-feira, 2 de agosto de 2016

Disco

"Às vezes por melhor que a vida esteja
A gente, sem explicação, se isola.
Coloca sobre a mesa uma cerveja
E um disco de tristeza na vitrola.

Às vezes lembra alguém, às vezes nada.
Não sei que sentimento que provoca
É mais uma cerveja uma tragada
Enquanto na vitrola o disco toca.

É vago tudo que nos vem à mente
Estranha sensação que há nessa hora
Mas lá no coração meche com a gente

Essa agonia custa a ir embora
Enquanto o disco gira lentamente
Sem nem saber porque a gente chora."



Dori Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro



É só mudar o tempo e lá vem o Dori de novo com outra pequena obra prima. Dessa vez é Voz de mágoa, quase todo feito de composições de Dori e Paulo Cesar Pinheiro, Pauso duas vezes o trabalho pesado para ouvir "Disco". Parece um soneto musicado. Quem terá nascido primeiro nessa combinação de música e poesia tão delicada, que parece ter nascido incontestavelmente uma para outra? Parece a história da minha vida. Tenho essa sensação toda vez que ouço ou leio o Poema Sujo. Que história Gullar estará contando, senão a de nós todos?
Descubro sem querer na mesa do Arlequim, esse Concerto da Fronteira de Yamandu e Leandro Carvalho. É dele que vem a guarânia Mburicao, de José Assunção Flores. Pelo início, penso ser um prelúdio, uma toada, mas logo vem aquele violão ponteando a canção paraguaia, enchendo a canção de uma bolerice sutil. Muito bonito de se ouvir.
Meus olhos cansados e líquidos divisam que é hora de voltar a Buenos Aires. Sufocar, pero sufocar.

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