sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Vizinhos

Moro há cerca de 30 anos, alguns interruptos, no mesmo prédio de apartamentos do Ingá e nunca conheci meus vizinhos além de bom dia, boa tarde, boa noite. Sei que tem um médico aqui no 703, porque dividimos o mesmo espaço nas vagas da garagem e vez por outra, tratamos de conversar sobre as vagas. Nada demais.
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Sei também que tem umas moças no oitavo que se mudaram há pouco tempo pra cá. Costumo tratá-las de moças do oitavo mesmo. - Boa noite, moça do oitavo, tento puxar conversa no elevador. A moça ri e quase que ouço um - Boa noite, Tio do sexto.
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O fato é que quando saí de Odete Lima e vim para Miracema, vim morar num prédio de apartamentos também. Um prédio de apartamentos em Miracema é até certo ponto, algo insólito. Em primeiro lugar, porque há até bem pouco tempo, só havia casas aqui. O advento do elevador deve ter chegado por volta de 2005. Depois, numa cidade pequena do interior, onde todo Mundo conhece todo Mundo, um prédio de apartamentos tende a virar uma comunidade.
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Mora aqui comigo a Dona Decima, no bloco B, segundo andar. Ela anda irritada com a S10 porque seu K não conhece curvas, só anda em linha reta e a S10 costuma assustá-la um pouco. Dia desses, quase brigou comigo. Falei cá de baixo: -Fique tranquila, D Decima, a S10 não morde!
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Em cima do meu apartamento, mora um vizinho adoentado, emagrecido, velho amigo do meu pai. Hoje fiquei comovido ao contemplar sua mulher lavando o carro deles, num misto de solidariedade e companheirismo. Os olhos enternecidos do vizinho contemplavam a mulher sorridente, com o esguicho na mão. Olhou-me furtivamente, um pouco envergonhado, até que abriu-se num sorriso. Há esperança, é certo que há esperança!

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