sexta-feira, 10 de setembro de 2010

É impossível nessa primavera, eu sei.

O que há de aproveitável nesse novo disco de Zeca Baleiro, Concerto??? Pelo menos duas canções da nova safra são muito boas e cortantes: A depender de mim e Bangalô. Não me lembro de ter voltado mais nada no Ipod. Compositor de muitos altos e alguns baixos, Baleiro, junto com Mosca, Lenine e principalmente, Chico César, vem demonstrando que essa geração tem talento e verve.
O pior do disco é a gravação de Autonomia de Cartola. Merecia mais respeito. Gravar um clássico hoje em dia tem dois caminhos: ou você respeita a linha melódica dele ou o desconstrói. No primeiro exemplo, só pra ficar em Cartola, as gravações de Fagner para As rosas não falam (com Manassés e Dino arrebentando) e a recente de Djavan para Disfarça e chora (simples, porém tocante) em nada ficam devendo aos arranjos originais. Já na linha da desconstrução, citaria Ataulfo Alves revisto por Itamar Assumpção e Carmem Miranda por Ná Ozzetti, duas ótimas referências. Essa desconstrução geralmente é mais difícil e arriscada. Zeca pareceu querer fazer as duas coisas com a sua Autonomia e acabou não conseguindo nada.
Autonomia, da qual eu tirei o primeiro verso para dar nome a esse post, é ainda mais melancólica e sublime do que O Mundo é um moinho.
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Nada funciona bem no cd duplo É com esse que eu vou, do musical de Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral. Nem a presença de Marcos Sacramento, Alfredo Del Penho e Soraia Ravenle, nem os arranjos de Luiz Felipe de Lima, muito menos os pout-porris amealhados: fica tudo muito pasteurizado e chaaaaato!
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Ontem (e hoje) estive em Cabo Frio pra uma reunião da Empresa. Hospedaram-me na Pousada Boulevard no Boulevard Canal. O local é estonteante de bonito. Acabei exagerando na tonteira e perdi o sono. Levei alguns anos de terapia e remédio para recuperar meu sono bom. Mas ainda há aquelas que.
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Quanto mais velho fico, menos gosto de viajar. Nunca gostei muito, mas agora parece que as coisas estão piorando. Daí quando velhos amigos viajam, aproveito pra fazer as encomendas. Renatinha me trouxe de Buenos Aires esse excepcional Maldito Tango, Daniel Melingo. Não sai da agulha. Melingo, junto com Cristóbal Reppeto, Verônica Silva, Malena Muyala e outros vem mostrando que o velho tango sobrevive com ou sem a eletrônica.

2 comentários:

Renata disse...

Que bom que você gostou!
Quem sabe ainda encontro Malena Muyala?

Bjs e bom fim de semana.

kellen disse...

quero ouvir esse cd do zeca baleiro, vou procurar.

Os fantasmas inquilinos

A única coisa que me interessou de fato nesse Rock in Rio foi Carolina Deslandes. Já soube que a portuguesa teve uma apresentação...