sábado, 31 de maio de 2008

Muitos anos nesse post

Em meados dos anos 70, meu pai resolveu construir uma casa na roça. Logo meu pai, apegado ao lema "Um Lima nunca constrói, sempre reforma" animou-se a fazer um recanto para a familia, mal sabendo que aquilo tudo era para mim.
Num local privilegiado, estrategicamente escolhido por meu Tio Sênio, que mais tarde morreria num grave acidente, e sob a batuta de um mestre de obras antigo lá na roça, em pouco tempo, saiu a minha casa de sonho. Passei lá alguns dos melhores dias da minha vida.
Habitei ali com meus pais, amigos, namoradas ou "quem chegasse era bem vindo" durante um bom período, sem saber que muitos anos depois, muito perto dali, nasceria o Sítio Odete Lima, onde hoje habito eventualmente (Odete Lima tem ficado cada vez mais eventual na minha vida, o que é um erro crasso). Tinha época que eu chegava de Niterói onde estudava e nem passava em casa. Ia direto pra roça.
Comíamos o famoso macarrão do Paturi. Geraldo Paturi era um caseiro que bebia mais do que qualquer outra coisa. E sabia fazer um macarrão.
Usávamos canecões pra pescar traira no açude. Bebíamos uma cachaça amarela de muito boa qualidade.
Ali nasceram amizades que estão enraizadas até hoje. Algumas já se foram. O próprio Paturi, o Nogueira, o Pipi, partiram apressados de nós.
Íamos de jeep, de carona, de charrete. E quando caía a noite, íamos a Paraiso do Tobias ver as meninas.
Não tinha luz elétrica nos primeiros tempos. Víamos a noite cair naturalmente, ponteando uma violinha animada.
Naquele mês, deixei de comprar um disco com a sobra da mesada e comprei um poster imenso de Susan Dey , que até hoje parece habitar entre os escombros da velha casa.

Essa história toda é pra contar que, trinta anos depois, pude viver um momento parecido.
Ontem depois de apagar alguns incêndios, peguei a estrada e fui com Chicó pra Arraial do Cabo. Lá em Arraial, numa espécie de sede marítima de Odete Lima (acho que comprei aquele apartamento pensando na canção do Sidney Miller, mas essa é uma outra história), passamos ótimos momentos a dois.
Chegamos no final da tarde, mas deu pra pegar um resto de Sol. Sentamos num daqueles quiosques da Prainha e eu fiquei ali bebericando uma Petra e ele uma Coca.
Depois de várias Petras e Cocas, algumas entradas no mar e uma conversa amena de pai (46) e filho (6), fomos pra casa.
De repente, Arraial do Cabo ou pelo menos a minha rua, foi acometida por um apagão que durou até duas da madrugada.
Pouco ligamos. Conversávamos e ríamos como dois meninos da mesma idade, às vezes o assunto era o relógio do Ben 10, às vezes uma conversa mais séria sobre pais separados.
Assim, vimos a noite cair como na velha casinha.

Por menos que quisesse ou soubesse, Chicó acabou me dando uma retrocedida no tempo em que viver era a mais honestas das iguarias.

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