terça-feira, 3 de maio de 2016

Puro Aldir

"Desalinha o chão
Descolore o céu
Visionária canção
Replicante cordel"
Guinga e Edu Kneip, Via Crúcis


Não poderia ter sido escolhido melhor o repertório de Mar Afora, o disco de Guinga e Maria João, que só está disponível para compra virtual. Absurdamente, não existe o disco físico no Brasil.
O repertório é puro Aldir. Até as letras de Edu Kneip e Thiago Amud (Via crúcis e Contenda) parecem ter sido escritas por Aldir. 
Fora essas, só Passarinhadeira, Senhorinnha e Saci são de Paulo César Pinheiro, o resto é Aldir, que completa 70 esse ano, junto com Bosco, Alceu e Belchior.
Não sai da agulha. Chegam novos (e ótimos) discos, mas não paro de retornar a ele. O disco transcende ao Catavento e girassol de Leila Pinheiro e injeta algo mais na canção de Guinga.
Noventa por cento desse algo mais é de responsabilidade de Maria João, a cantora e compositora portuguesa que tem uma parceria sólida com Mário Laginha. 
Maria João não é fácil. Tem que ouvir acima de três vezes pra entrar na música da moça. Com Guinga, nem tanto. Já se gosta logo quando ela manda o Sete Estrelas, que já foi de Fátima Guedes.
Não há gênio da música popular maior do que Guinga nesses tempos.É de entortar qualquer sentimento banal e sair orgulhoso de ter nascido nessas terras de merda.
Eu adorei o Corpo de baile, da Mônica e do Pau Brasil,cantando Guinga e PC Pinheiro. Mas é um disco difícil de matar.
Mar afora não, Mar afora trás Guinga para a superfície, ouve-se com relativa facilidade.
E essa Via Crucis que me acompanhou a semana toda, de uma insônia perturbadora. De ligar pro terapeuta e pedir socorro e comprimido.

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