sábado, 7 de maio de 2016

Vazio

Sexta-feira e eu não consigo ligar o itreco. Eu, que só tenho  trabalhado aqui no Rio com música, hoje só me habitam o silêncio e o cansaço.Nem Céu, nem Zambujo, nem Mercedes. Nem fado, nem Irineu de Almeida. Trabalhei a semana inteira entre São Paulo e Rio e agora veio esse esgotamento, essa vontade de sair de mim e não estar em lugar nenhum. Não quero nada. Não quero dormir, não quero acordar, não quero a carraspana política dos jornais. Talvez uma noite de paz daquela que só Dolores saberia compor. Desprovido de talento, não quero nem mesmo uma Dolores.Pareço um saco vazio. Não quero esse texto idiota. O único compasso que me assiste é o do ar condicionado. Voltou a fazer um discreto calor na cidade.
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Sou possivelmente salvo pelas cinco da tarde. Tento ir pra casa e espero que algum suspiro de vontade de viver apareça no Largo da Segunda Feira. Devagar, vou aprumando.Minha mulher sugere um vinho, pra mim não dá. Abro pra ela um português de boa pinta. Lucas me irrita arranhando os dvds do mesmo jeito que , na infância, eu quebrava os long plays do meu pai e ficava de castigo. Não tenho coragem de colocar o menino de castigo. Zango com ele e vou para o quarto assistir o Jornal Nacional. Brigar com Lucas só piora meu estômago. Volto pra fazer as pazes. Ele já esqueceu do incidente.Daí a pouco dorme.
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Vou na estante e pego "Chico - um artista brasileiro", o documentário de Miguel Faria Jr, que estava faltando ver. Sentamos na sala, silentes, e vamos nos deixando levar pelas canções, pelas histórias e pela genialidade do compositor. Pela tela desfilam Carminho, Ney, Mônica, o próprio Chico em ótimas interpretações. A noite cai e finalmente Dolores Duran chega pra me trazer um sono de paz. 

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