sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Poemínimos II
Beatriz tem uma bateria interna.
De vez em quando ela liga.
E não para de rodopiar o resto do dia.
Telefone
Cheguei em casa.
O coração cheio de vodca.
O pé cheio de dor.
Esqueci seu telefone.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Poemínimos
O lanche da TAM tinha profiterolis.
Não tinha sorvete de creme.
Nem tinha chantili.
Mas tinha profiterolis.
E eu reclamando da vida.
E das companhias aéreas.
Um dia de trabalho
Quatro horas entre
a Nilo Peçanha e a Alameda Santos
Seis horas trabalha trabalha
responde responde
amassa responde.
Quatro horas entre
a Alameda Santos e a Nilo Peçanha.
Ai de mim!
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Confuso
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Viajei de ônibus pra Miracema na sexta. Na classe executiva da 1001. A classe executiva da 1001 possui um lanche muito melhor do que o da gol e melhor do que o da TAM: snaks bauducco, polenguinho, suco de uva e outros itens que já não lembro, mas que podem ser considerados iguarias perto do lanche das companhias aéreas. De todo jeito, não fosse o tempo de viagem (quase 6 horas), dava pra continuar viajando de 1001 ad eternum.
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Fabiana Cozza está lançando um disco novo. Mais contida, sob a batuta carioca do Paulão Sete Cordas, é mais um ótimo disco de samba que só veio pra atrapalhar as escolhas dos melhores do ano.
domingo, 27 de novembro de 2011
A velha história de amor que sempre acaba bem

Dar-te ares de duquesa
Dois olhinhos de turquesa
E nome de imperatriz.
Olhar que voa cantando
Um coração quando passa
Dentro das veias vibrando
Com sangue da velha raça
Pra explicar-te, a frase cai
Sem que a razão acompanhe
Se o fino encanto da mãe
Se o claro espírito do pai
Mas pensando em tua graça
Que o alto céu aprontou
Eu sei que nela perpassa
A velha verve do avô
Talvez o tempo decida
Num belo dia que verei
Tu ires fazer a vida
Com quem tem nome de rei"
Câmara Cascudo, Maria Luiza
Não digo que seja fácil, porque Luisa não é fácil. Mas de uns tempos pra cá, instaurou-se uma cumplicidade de olhos entre pai e filha, uma profusão de gestos, uma delicadeza de ninguém perceber, só nós, que seria até deselegante dizer que é difícil.
Quando vejo um filme ou ouço uma canção que me toca, penso logo em como seria interessante ouvi-la ou vê-la pelos olhos de Luisa.
Houve um tempo em que acordar era um pesadelo, e pensar que Luisa existia, tornava o dia mais leve. Estar aqui por ela, já é um grande acontecimento.
Entre um poema do Bandeira, um texto do Braga ou uma canção da Rita Lee, Luisa brinca de me encantar a vida toda com seu jeito leve de viver.
domingo, 20 de novembro de 2011
Saudações tricolores
Falta ao Palhaço um narrador. Talvez um cordelista, um Suassuna, falta alguém que dê liga. De resto, é um ótimo filme, com atuações memoráveis de Paulo José e Selton Melo e uma participação perfeita de Moacyr Franco.Apesar da bela companhia (Laura), o que já valeria o bom filme, o Cinemark sempre faz questão de estressar o pessoal da fila, com discussões intermináveis na nossa frente, que quase prejudicam o início da sessão. E aquele cheiro rançoso de manteiga de pipoca nublando a projeção.
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E um Fluminense arrasador em Santa Catarina coroou esse belo fim de semana solitário, reflexivo e sonolento. Está muito bem.
sábado, 19 de novembro de 2011
Discos e etc
Salpicado de orvalho, leite cru e tenro cocô de cabrito,
Sinto muito, mas não posso ir a Feira de Sant’Ana.
Sou poeta da cidade,
Meus pulmões viraram máquinas inumanas e aprenderam a respirar o
[gás carbônico das salas de cinema.
Como o pão que o diabo amassou.
Bebo leite de lata.
Falo com A., que é ladrão.
Aperto a mão de B., que é assassino.
Há anos que não vejo romper o sol, que não lavo os olhos nas cores
[das madrugadas
Eurico Alves, poeta baiano,
Não sou mais digno de respirar o ar puro dos currais da roça."
Manuel Bandeira, Escusa.
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Pé de crioula, da catarinense Ana Paula da Silva é o mais universal. Os arranjos fáceis de Cláudio Jorge transportam o disco para a Lapa, com destaque para a regravação de Me alucina, de Candeia.
Finalmente, Elisa Addor e seu Novos tempos, que me foi gentilmente cedido por Marila, é mais um disco difícil de achar e bom de ouvir (gravadora Bolacha Discos??). Já aqui, também pilotada por Krieger, Elisa parece querer aproximar a Lapa dos Novos Baianos.
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Ainda não consegui gostar do novo de Lô Borges, Horizonte Vertical, mas prometo que vou dar mais uma chance ao disco. Parece mais uma tentativa de acender a chama do Clube de Esquina, tem um Mantra Bituca insuportável e um esforço para parecer moderno, com Fernanda Takai e Frejat.
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Também achei desnecessárias as intermináveis regravações de Jards Macalé em Jards, mas o disco tem seus encantos. O mais bonito é Mulheres, de Macalé e Zé Ramalho, que aqui ganhou uma gravação decente. E Revendo amigos é sempre bom de ouvir. De resto, prefira as originais.
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E o que dizer do novo disco brega de Marisa Monte, O que você quer saber de verdade? Eu devo ter o mesmo fraco pela canção brega que ela, porque gostei do disco. Mas Marisa parece ter se esquecido da excelência em Cor de rosa e carvão. Valeu muito o Lencinho Querido de Dalva, com o Café dos Maestros.
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Vi dois filmes meio assustadores, triiiiistes de doer: O garoto da bicicleta e Beautiful Boy. Ambos são histórias de meninos e perdas, e só o segundo trás esperança de dias melhores.
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Exausto, engatei um sono de muitas horas essa tarde, como há muito não engatava. Algumas horas de sono para ver se o pé deixava de latejar, se o estômago contorcia menos e a vida continuava. Desculpe, Bia, o máximo que aguento é dar uma olhada no jogo do Vasco e dormir de novo. Mas tudo de bom pra você assim mesmo!
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Que nem a gente

Favelado não é tudo traficante
Milionário não é tudo prepotente
Maltrapilho não é tudo meliante
Elegante não é, necessariamente,
Tudo competente
Ianque não é tudo imperialista
Paulista não nasceu tudo na mooca
Sambista não é tudo carioca
Artista não é tudo comunista
Maconheiro e indecente
Todo mundo é meio assim que nem a gente:
Tudo igual mas muito diferente
Muçulmano não é tudo terrorista
Imigrante não é tudo delinqüente
Deputado não é tudo oportunista
Retirante não é, necessariamente,
Tudo indigente
Baiano não é tudo irreverente
Mineiro não é tudo come-quieto
Batuque não é tudo o som do gueto
Barbudo não é tudo comunista
Militante ou presidente
Todo mundo é meio assim que nem a gente:
Tudo igual mas muito diferente
Celso Viáfora, Que nem a gente
Fui tomado de surpresa dessas que só o cinema e a música podem trazer, e aconteceu no meio de bons e maus momentos que tive nesse feriado de terça, no finalzinho dele, para abençoar esse dia torto de viagem e cansaço: esse filme francês "Os nomes do amor" é, como há muito não tem sido, desses filmes que fazem levitar, que desmontam a gente das poltronas dos cinemas. Desses em que a gente descobre que a vida só vale o pouco que vivemos, o minguado da nossa existência. Logo me remeteu à canção de Celso Viáfora, que ano passado produziu-me sensações semelhantes quando fora descoberta.
Ontem só conseguira escrever isso:
Ledo engano: Eu separo o segundo caderno de sábado e domingo e guardo. Miracema me espera. Separo as Vejas não lidas, as Bravos, as Roling Stones, pensando que finalmente chegará o dia de lê las. Chego aqui e o que sei fazer é não mais que uma extensão do que faço lá: abro e-mails de vez em quando, respondo, vejo filmes, reabro, respondo de novo. Rezo por um dia branco, em que eu possa finalmente ler a coluna do Wisnik sem largar no meio, rir dos críticos da revista, reclamar do excesso de propagandas.
Mas agora, esse filme me fez ver as coisas de um jeito diferente. Devolveu-me alguma esperança inútil, mas é certo que devolveu. Os momentos compartilhados com meus filhos cada vez mais estreitos, as canções que saíram ontem daquele sarau abstêmio lá em casa, a devoção que alguns amigos de casa e do trabalho dividem comigo, o ouvido atento ao som do carro pra viagem passar mais rápido, a compreensão, a fé em alguma pouca humanidade, mas que seja. Valeu!
Perto do coração
Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...
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Meus domingos continuam vazios e frios. Apesar de estar com meus filhos, eu continuo me sentindo sozinho por inteiro. A doença só veio piora...
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O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos p...