domingo, 13 de novembro de 2011

Pizza


Só o técnico Givanildo acreditava que o Fluminense poderia perder para o lanterna. Ficou provado que o time não consegue furar retrancas bem armadas. Foi assim contra Bahia, Atlético MG e agora.
Há bem pouco tempo, já tinha dito ao Chicó que nos contentássemos com a permanência do time na primeira divisão, tamanha a incompetência no primeiro turno, fruto de uma ação desastrosa da diretoria, que nem convém lembrar agora. A vitória sobre o Inter em pleno Beira Rio acendeu nossa minguada esperança de dias melhores. Ontem, no entanto, voltamos à realidade.
Há um benefício nisso tudo. Habitualmente só vejo jogos do Fluminense. De uns tempos pra cá, andei secando Flamengo, Vasco, Corínthians ou quem quer que pudesse nos atropelar. Agora joguei a toalha. Voltei a ter a meta do não rebaixamento por princípio.
E que falta faz o Deco, hein? Ninguém criava nada ontem naquele time. A atuação de Fred se limitou a um chute de voleio defendido por Neneca. E onde andou Sóbis o jogo todo? E quem explica essa entrada do Araújo? Blá blá blá ....
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Ontem detonei todas as possibilidades de sair de casa e hibernei, vendo séries, filmes e futebol. Novidade pra quem (?), essa escolha recorrente na minha vida?
Terminei a sexta comendo pizza com Laura e o sábado comendo pizza com Luisa. Foi o que me aconteceu de mais agradável nesses dias.
O pequeno Nicolau é um fime delicado sobre a infância, ainda que o diretor exagere em algumas situações e o torne meio caricato.
Também testei as séries The American Horror Story e Os irmãos Grimm. Não são lá essas coisas, mas dá pra passar o tempo. Tic, tac.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Alguns muchochos e um gramofone

Cheguei cansado de São Paulo ontem. Dor por todo lado, decorrente das ferrugens da idade. Reuniões extensas, responsabilidades cada vez mais mutiladoras. Laura chorando baixinho porque o trocador foi mal educado com ela. Minha mãe ao telefone reclamando do joelho
Desabei.
Mandei uma dose dupla de bola, assisti um episódio de Dexter e apaguei, com vontade de matar o trocador, em dúvida se ia pra Miracema (acordei decidido a não ir) e lembrando de Fernando Pessoa: "a vida prática sempre me pareceu o menos cômodo dos suicídios".
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Hoje acordei e botei a Kora Jazz Band pra tocar na Cantareira, esqueci da planta do pé e peguei a reta. Cheguei no serviço e fui atropelando as tarefas e até toparia uma Baden Baden ale geladinha ao cair da tarde, mas não havia ninguém pra desfrutar da minha conversa chata. Desagradável me ocorrer que há vinte anos atrás, essa mesma conversa pareceria encantadora, mas agora é só um velho muchochando. Foda-se!
E há, sim, coisas interessantíssimas acontecendo. Carolina, meu bem, acabou de dar a luz à Gabriela, renovando nossas limitadas esperanças na humanidade. Fabiana Cozza está lançando disco novo arranjado pelo Paulão. Estou economizando o final de Nemesis, o novo de Philip Roth, mais um extraordinário. Mas o fato mais esquisito que aconteceu essa semana foi o gramofone de 1918 (mais ou menos) adquirido pelo Cláudio e funcionando maravilhosamente. É triste pensar que aquela pequena iguaria foi bater na mão de um comerciante que nem sabe quem é Catulo da Paixão Cearense! Cheguei a oferecer 200, mas ele nem ouviu.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Frank Pegador

"Quem não quiser chorar
Finja que vai partir
Tome um lugar no bonde
Não peça que ande
Nem diga por onde seguir
Lembre que só depois
Quando chegar ao fim
Mesmo sem brilho e sem glória
Verá sua história contada assim
Passa em seu passo tranquilo e cansado
De quem já sabe de cor seu destino
Para, suspira e prossegue
Vai percorrendo
Rota de sua rotina de sempre chegando e partindo
Por um caminho traçado no chão
Cantando
Contente
Tin dim dim tin dim dim
Chega ao ponto final
Vê, companheiro e confessa
Que o bonde sem pressa chegava depressa demais
Quem não achava o dinheiro saltava ligeiro
Corria e pegava o de trás
Guardo no meu pensamento transformo em cantiga
Momentos que foram tão meus
E hoje quem passa nem liga
Nem pensa em dizer adeus"


Na sexta de noite retornei à Rua da Capivara, reduto do samba miracemense. Dessa vez o Lilito me presenteou com uma versão d'O bonde, de Tapajós, Costa e Miller (pedaço da letra acima). Lilito tem dessas coisas. De vez em quando ele saca do seis cordas, uma canção inesperada e a noite fica mais leve. Nunca teve um bonde na história minha vida, mas o poema consegue me tranportar prá um lugar que roubei deve ser de algum amigo frequentador do ponto cem réis. No meu bonde imaginário, passeava com a menina pelo Outeiro, pelo Parque Laje, pela Praia de Copacabana e voltava na barca da meia noite sentado na proa, sem peso algum. Ainda há a menina e a paisagem, mas o bonde ficou apenas nas canções de afeto.
No sábado peguei Chicó e passamos o dia no Wii, jogando boliche. Criei o personagem Frank Pegador e bati o record da casa com 5 strikes consecutivos e uma sub luxação. O menino ficou impressionado.
Sábado de noite cantei parabéns pra Laura e retornei domingo a tempo de ver mais uma goleada de dois a um do tricolor.
Dessa vez só me cansou a viagem, que afinal, nem cansou tanto assim.

sábado, 5 de novembro de 2011

Obrigado

Por estar ali no quarto ao lado quando acordo e fazer o meu acordar mais leve. Pelo bem maior de saber que há alguém pra cuidar de mim e alguém a quem eu possa cuidar. Por almoçar comigo nos sábados niteroienses em que habitualmente o tédio e os seriados enlatados tomam conta de mim e nosso almoço de sábado virou a única programação viva. Pela conversa amiga e pela compreensão do silêncio. Pelas viagens que fizemos juntos, não as de passeio, mas as de rotina, em que dividimos milhares de canções de afeto, poesias, frases, desconversas e boa companhia para asfalto duro. Por ser você o que você é, assim desse jeito contido e meigo, sem malabarismos. Por permitir que eu ouça suas gargalhadas do quarto ao lado assistindo Friends ou Glee ou qualquer outra coisa que faça seu riso solto. Por dividir o frango xadrez e o chocolate, e se lembrar do suco ades e do wafer limão. Pelo privilégio de ser seu pai e de fazer parte da sua vida. Parabéns.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Aula de samba

Entre os discos da extinta Copacabana, garimpados pela gravadora Discobertas de Marcelo Fróes, um deles já faz valer a pena o garimpo todo: o primeiro de Almir Guineto, O suburbano. Das tradições mais enraizadas do Cacique de Ramos, com auxílio luxuoso, dentre outros, de Rafael Rabelo, Martinho da Vila e do saudoso Geraldo Babão, o disco é uma pérola. O bom pagode deve muito à Almir e a esse trabalho.
O disco é de 81. Conheci Almir mais à frente, já na RGE, naquele disco que tem Conselho e Lama nas ruas (outro clássico), de forma que os partidos, os pagodes e os mocotós do velho disco soam novíssimos pra mim.
Hoje na Baía, vim ouvindo o estupendo III, do Kora Jazz Trio. Quase saí dançando da Cantareira com a versão que eles fizeram para o Chan chan. Num dia confuso como esse, descobrir novos sons é um alumbramento.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dois filmes e um feriado inútil




Feriados de quarta-feira habitualmente são inúteis e não deveriam existir, principalmente pra quem está no estrangeiro, longe da sua cidade. Mas hoje até que o clima ameno em Niterói contribuiu para a hibernagem.
Para um dia razoável, nada melhor quando aparecem dois filmes razoáveis. Kevin Spacey e Tom Hanks acabaram salvando o dia dos mortos. O primeiro, no mezzo divertido mezzo drama O pai da invenção. Foi bom para ver Kevin que andava sumido e consegue salvar do tédio, uma historinha habitual e meio morna. Já Hanks tem que salvar o filme (intitulado no Brasil -argh!!!- como O amor está de volta) e Julia Roberts, mas quem salva mesmo quando pouco aparece é Brian Cranston, que faz o marido canalha e libidinoso de Julia. Acho que os dois pegam 1A só pelo fato de terem passado pelo finados sem que eu desistisse de vê-los na primeira metade.
Minhas lembranças do dia de finados são cheiro de flor, missa e cemitério de Miracema. Eu ia lá em menino, tocava o sino e saía correndo, mas nunca no dia de finados.
Fora essas, de pura folgazanice, fui muito pouco ao cemitério. Se pudesse conversar de novo com meu avô, que morreu quando eu tinha 9, mas ainda vive nas boas lembranças da minha vida, não vacilaria e retornaria lá, quantos dias fossem precisos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Na hora do almoço moderno



"Ainda sou bem moço
Pra tanta tristeza
E deixemos de coisa
E cuidemos da vida
Se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta, moço,
Sem ter visto a vida"

Belchior, Na hora do almoço


1) Almoçar com meus amigos num quilo ordinário. A cada dia gosto mais da parte "com meus amigos" e menos da parte "num quilo ordinário". No almoço, discutimos trabalho, falamos da vida alheia e da nossa vida, tomamos café Octávio. Não é um almoço familiar nem um almoço de trabalho. É um almoço de amigos que se gostam.
2) Comprar tinta de cabelo para minha mãe e minha filha. Fica claro que meus extremos são diferentes de mim, que gosto dos meus poucos cabelos brancos.
3) Dar uma passada no Cláudio e no Alex para ver se tem um disco ou um filme novo. O melhor dia para se ir no Alex é segunda, não me pergunte porque. No Cláudio, é imprevisível. Podem passar dias sem ter nada e de repente aparecer um acervo de jazz ou clássico extraordinário.
4) Caminhar a esmo pelas ruas do velho centro, preocupado em não tropeçar em pessoas, buracos, hidrantes, explosões.
5) Pagar contas, comprar remédios, sacar dinheiro, lembrar que nada se repete à luz do Sol e no caso da categoria "pagar contas", ainda bem.
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A foto acima foi tirada num almoço prorrogado em Odete Lima. Tem o espírito dos nossos meio dias.

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...