terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Santa Morena

O disco da AcariOcamerata, preciosa orquestra de jovens comandados pelo brilhante Caio Cézar, que foi apontado pelo Globo como um dos 10 melhores discos de 2008, tem um clímax estrondoso: a Santa Morena de Jacob do Bandolim. Como é que alguém compõe aquilo? E que maldade! Penso que Jacob tenha imaginado uma morena triplo A, dessas de lamber os beiços de qualquer andarilho que se preze. E ao mesmo tempo, santa! Só Jacob para juntar os caminhos tortuosos do choro e do flamenco e atingir a perfeição.
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A melhor interpretação de Santa Morena que ouvi, vai ficar na memória, pois foi ao vivo. Era o encontro de dois acordeonistas da peste: o niteroiense Marcos Nimrichter e o espanhol Cuco Perez. Um duelo de arrebentar as paredes da Fluminense!
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Ontem aconteceu um fenômeno esquisito: a Cantareira de dois lados virou! Sinal de que algumas mudanças deverão acontecer no Mundo. De noite, vi um fantasma da minha história pregressa. Meu olho de boi está brilhando!
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Do indefectível Mário Marques, no JB de hoje: Fausto Silva tem pouso certo em Nova York, já foi três vezes ao Canadá e está no topo da lista dos que rejeitam a cultura como salvação. Ao chamar "Alêni Morrizeti" ao palco de seu inacreditável programa, citou a vida da moça, que teria sofrido abuso sexual. Uma referência indesejável da biografia da cantora para as familias das tardes de domingo. Minha esperança é que a tradutora tenha passado por cima dessa.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Laura e eu

















Ah, pai.. o que escrevo não é nada demais, nada tão interessante ou cheio de intelecto como uma 'desconversa' sua. Mas não encontro melhor maneira de me gratificar, se não em lavar a louça da cozinha do apartamento, e escrever aqui tudo o que você representa pra mim. Desde os nossos costumes mais distintos e mais inversos pontos de vista até as nossas manias em comum e tolas, você se supera a cada fim de semana ou feriado que passamos juntos. Não há coisa melhor do que compartilhar confortavelmente com vocês a minha (a nossa) auto-suficiência de último grau. Em um momento, somos 3 bobalhões olhando para o nada, em outro, 3 palhaços rindo de coisas tão insignificantes que ninguém mais conseguiria entender. E o que seria de mim se você não me levasse aos mais renomados (alguns deles nem tão renomados) artistas da música brasileira e internacional? Graças a você, eles se tornaram peça do meu Ipod e dos de alguns amigos meus, já são 'do gueto'. E por incrível que pareça agradeço pela
paciência que você tem em levar, e buscar e esperar, pra que a gente possa pegar alguma coisinha que faltou ou dar uma olhada na internet, aqui em casa. E pedir desculpas pelas saias justas das conversas constrangedoras, coisa de pai e filha.
Espero mesmo que a minha mudança para o Rio seja fácil, já começo a pensar em como será pegar a barca todos os dias (isso se eu passar pra M.O., vamos ver como vai ser), e acordar com uma música que você escolheu. E se você não quiser acordar antes, não faz mal, eu vou descer e comprar uma perna fina e uma grossa, já aprendi como você gosta.
Eu te amo, pai, incondicional e eternamente.

Sua Lalau. :)

O texto e a foto, eu tirei do fotolog da Lau. Guardei pra sempre aqui no desconversa.

Leveza

Ontem fizemos uma reunião do Conselho Familiar na sede social (o botequim do Sebastião Bunda de Fora) para decidir se vamos passar o carnaval em Arraial da Ajuda. Já incluo Alex, Gisele, Marcela e Lorena na família, pois têm sido nossa única companhia comum dos últimos anos. Vamos pra Ajuda, a S10 vai ganhar novos pneus!
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Não fosse uma desagradável notícia, dada por não-sei-quem, vinda não-sei-de-onde, o dia estaria salvo em sua leveza. Uma notícia dada por não-sei-quem não vale a pena comentar. Comento apenas para dizer que carregou meu equilíbrio para longe de Miracema.
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Ô coisa difícil estar em equilíbrio! Anos de terapia, a recuperação gradual do bom sono, a busca do anti-depressivo correto e de repente, num estalar de dedos, alguém não-sei-de-onde vem lhe falar não-sei-de-que.
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Duas repercussões pesaram no meu peito: uma boa , que depois de muitos anos, voltei a chorar. e uma ruim, que voltei a não saber como lidar com uma informação bizonha, que só merece o desprezo. Fiquei fragilizado, dolorido, isolado.
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Fiz um esforço para que ninguém percebesse minha dor e acho que consegui.
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As lágrimas ajudaram a lavar o desconforto e compreender tudo. É um chavão inconteste e verdadeiro: a humanidade é podre! Sob qualquer circunstância da vida em que seu coração estiver acuado, procure a leveza. A leveza das pessoas que sabem viver!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Pinto no lixo

Choro meets ragtime prova que o choro pode se expandir para qualquer tipo de canção que se preze. Há dois discos clássicos na mesma linha: Altamiro Carrilho, clássicos em choro, volumes 1 e 2. Estranhamente, o volume 1 nunca saiu em CD. Neles, o velho paduano faz a delícia de misturar clássico com choro.
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Sim, Renatinha, o velho Altamiro, de quem Jean-Pierre Rampal comentou que "existem flautistas e existe Altamiro Carrilho", é paduano, mesmo que a cidade não saiba disso. Costumo chamar Pádua de Altamiro com meus amigos paduanos mais próximos.
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Cheguei a Miracema às 13 depois de uma viagem perfeita. A S10 está parecendo minha carteira velha. Assentou-se comigo como a carteira e o bolso da calça. Se tivesse optado por ser motorista, não teria feito feio na vida.
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No mais, estou que nem pinto no lixo. Acabo de mostrar Greencard pras meninas. Vi com a mãe delas no cinema há uns 20 anos. Já tenho como mostrar as coisas da minha geração pros meus filhos. É um delicado prazer.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Natureza morta

Toquinho e MPB4 ao vivo é chaaaato, muito chato, principalmente quando Toquinho se mete a cantar canções emblemáticas dos anos 80, tipo Nada por mim ou Me chama. Nada que comprometa a boa história pregressa dos dois, mas juntos, a coisa não funciona muito bem não.
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Por outro lado, chegou um novo disco de Moacir Luz. Chama-se Batucando e já está cotado entre as melhores gravações feitas em 2009. Moacir gravou pelo menos dois discos de samba triplos A : Sambas da cidade e Mandingueiro. Batucando chega bem perto dos dois. Imprescindível!
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O calor voltou feroz ao velho centro. Andar ficou mais difícil agora. Tudo pesa mais. Como esse time apático do Fluminense. Parecem que têm o mesmo IMC que eu. Andam em campo. Com dificuldade!
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Mesmo assim, dei uma espiada na exposição 200 anos de história no CCBB. Quadros de Portinari, Di Cavalcanti e outros grandes em ótimos momentos. Tenho que confessar, não tenho muito cacoete pra pintura não. Sou mais referente pra música e letra. Tenho inveja daqueles que enxergam os abismos e as delicadezas das naturezas mortas.
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As coisas aqui no trabalho continuam fluindo muito bem harmonizadas. Mas hoje eu estou pleno de vazios de saudades das crianças. Saudade de amanhã.
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No momento, Pat Metheny, The longest summer. Ordens de Camila!

domingo, 25 de janeiro de 2009

O samba e o tango

Saiu o primeiro triplo A de 2009. Cafe de los maestros é alguma coisa de sublime! A crítica do Globo informa que trata-se de um filme para quem gosta de tango. Como assim? Há quem não goste? Bom sujeito não é! Enfim, o filme deve emocionar ao mais cético para a música. Inevitável não lembrar do Buena Vista! Mas o tango tem qualquer coisa de abismo característica de almas solitárias e melancólicas. Alguma coisa que toca muito lá dentro.
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Depois fui ver Memórias do Café Nice, no CCBB, show com Mariana Baltar e Pedro Amorim. Fiquei muito feliz de ver Alexandre Del Penho, que conheci conversando nas filas do CCBB, arrasando no sete cordas. E Mariana tem uma voz belíssima. Já Pedro deveria continuar com seu bandolim ou melhor, com seu violão tenor, pois canta muito mal. Fez uma Rosa que me lembrou uma interpretação minha e de Cláuda Reis em Angra: um horror!
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Foi um sábado muito bom, dedicado à década de 30 por mera coincidência. Deve ter sido uma década muito linda.
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Nunca fui grande admirador de Brad Pitt. Sua carreira alterna altos e baixos típicos de quem pode deixar o filme pra ver depois quando sair em dvd, sob pena de assistir uma bomba do tipo Sr e Sra Smith. Mas hoje resolvi conferir O curioso caso de Benjamin Buton. Já tinha lido o conto de Fittzgerald há muitos anos, muitas indicações ao Oscar uma recomendação do Lugarinho e lá fui ei. Ótimo filme. 2,5A!

Perto do coração

 Para ler ouvindo a valsa "Perto do coração", de Nelson Ayres Amigo, ano passado nessa mesma data, estávamos passeando pelas ruas ...